Você Foi a Única

1 Compreender não é entender


Notas iniciais
bom dia. bom tarde. boa noite.

O alvoroço do primeiro andar atormentava meus ouvidos que se irritavam com a gritaria de Sarah Lynn junto com Todd, que estavam chapados. Princess Carolyn conversava com Daniel Radcliffe, torcendo para o homem aceitar que ela seja sua empresária. Não tinha para quê ela ter outros clientes, eu era o melhor ator de Hollywood. Mr. Peanutbutter pulava na piscina de gelatina que havia pedido pela festa da Diane. A aniversariante com certeza estaria no telhado de seu quarto, se dedicando a terminar meu livro.

Marchei até a escadaria principal, encontrando o pequeno e medíocre corredor, onde estavam dois convidados se pegando. Jessica Biel estavam com suas pernas, deslumbrantes, agarradas a cintura de algum amigo de Todd. Seus beijos eram brutos, devoravam os lábios finos do homem que gemia baixo contra seus dentes. Suas mãos atrevidas correram por debaixo da coxa de Jessica, erguendo um pouco o vestido branco, exibindo sua peça intima. Sorri malicioso com isso e andei, paciente, até o casal que se atacavam.

— Bela calcinha, Jessica.

A mulher se surpreendeu com minha presença, se afastando, ligeira do homem. Era obvio que tinha acabado com toda a tesão que o casal estava tendo, não ligava nem um pouco, depois eu pagava ela com nossas brincadeiras. Sorri torto e ofereci meu uísque, a obrigando pegar. A mulher pegou contra gosto e agarrou a mão do parceiro, caminhando até a escadaria. Meu caminho estava livre para ir até Diane. Meus pés andavam sem minha permissão até a porta do fundo do corredor, entrei sem o consentimento. O quarto era espetacular. Uma enorme cama em formato de circulo, com alguns travesseiros e almofadas; Um armário robusto, a cor quase bege se contraia com a parede de cores claras; O largo tapete cor vinho se diferenciava com o chão de madeira escura, totalmente maravilhoso. Meu quarto era confortável e deslumbrante, mas tinha que admitir, Mr.Peanutbutter tinha um bom gosto.

Observei a janela aberta, com a brisa batendo na cortina transparente. Podia escutar um murmurio de alguém do lado de fora, parecia que falava com alguém. Mas conhecendo Diane do jeito que eu conhecia, deveria estar falando sozinha com sua imaginação fértil.

Atravessei a janela, encarando a mulher de tamanho mediano, com seus cabelos caindo em seu colo coberto pela jaqueta verde musgo. Batucava seus pés, cobertos pela bota de cano médio, no telhado. Seus dedos, seguravam o lápis, que fazia uma trilha na folha do papel, escrevendo algo que pensava. Isso me deixava nervoso.

— Olha quem está ai, a nossa aniversariante mais animada do mundo inteiro — a ironização é um belo método de esconder a preocupação, de um alguém que sabe tudo sobre você, melhor que aqueles que digam que estão ao seu lado.

— BoJack! Er... O que está fazendo aqui?

— Estava imaginando como é subir em um telhado. É assustador — notei a altura do telhado até o chão. Era uma boa queda.

— Eu gosto daqui. Talvez o medo me distraía e então finalmente eu consiga acabar com a sua biografia. Eu não consigo raciocinar quando estou perto de você.

— Eu te faço perder o foco, senhorita Peanutbutter? — acariciava suas costas com um longo sorriso convencido. Estava me entregando novamente aos encantos daquela mulher. Eu sabia que deveria me controlar. Merda! ela é casada! mas tudo que eu quero é ela.

— Não quis dizer desse jeito, senhor Horseman. O senhor é um cara muito confuso. Não! Bipolar seria a palavra certa.

— Diane, você já olhou para as estrelas e sentiu que elas são pequenos buracos nos céus sugando todo o oxigênio, e, de repente, você não consegue respirar, por que fica pensando como é pequena e como tudo isso é insignificante?

— O que quer dizer com isso, BoJack? Isso quer dizer que todos os seus problemas do passado estão ainda em seu futuro e você ainda lembra, mas quer tanto esquecer?

— Não, Diane. Estou apenas perguntado.

Ela fez uma expressão séria. Ficamos calados, com ela me analisando, me encarando, me estudando. Depois de alguns minutos, ela sorriu confortável e retirou de seu bolso uma caixinha, mostrando ser uma caixa de cigarro com apenas um desenho de uma rosa. Retirou um cigarro pondo em sua boca e tirando o isqueiro de seu bolso, acendendo o cigarro. A fumaça estava dançando pela brisa que estava sobre nós com as estrelas cintilando sobre nossas cabeças. Era uma noite convidativa onde todos perdiam a cabeça na música eletrônica que tocava dentro da festa. Mas Diane não, ela queria passar o seu aniversário sentada no telhado, fumando, em silêncio.

— Não gosta muito de festa, não é? — queria saber seus gostos, suas preocupações, seus pensamentos, tudo sobre aquela garota. Ela me atiçava e me punia, sabendo que tinha outros pensamentos sobre nós dois. Ela me revigorava como um carregador carrega seu celular; como o céu alimentava as estrelas que faziam seu show ou como o coração fazia o sangue correr pela nossas veia. Minha carne desejava a sua enroscada na minha e eu também podia sentir a tesão que ela mandava. Seu corpo suado todo dia que chego perto dela; Seus olhos vidrados em minha garganta seca quando a vejo caminhar; seus pelos se eriçando quando temos algum momento de contato, íntimo.

— Não, eu nunca sei onde ponho minhas mãos.

Quando você olha para alguém com um olhar positivo, todos os pontos negativos parecem só ponto. Mas era tarde demais. A vida é uma série de portas se fechando, não é? Eu a conhecia fazia três meses e só agora eu tinha entendido que não era apenas atração carnal, mas como sempre, minha confusão a fez se distanciar; Minhas ironizações fez ela duvidar dos meus sentimentos; meus movimentos bruscos fez ela temer do meu amor. Ela queria um romance que nunca daria a ela, mas sim o Mr. Peanutbutter. Eu não tinha esse jeito com as palavras bonitas, com as palavras de agradar os outros. Talvez seja por causa disso da tristeza. Mas a tristeza não é tão ruim assim, quando se torna sua única companha.

— O que essa sua mente paranoia, está pensando?

— Minha felicidade.

— Você pode fazer o que quiser. É responsável pela sua própria felicidade — sorriu amorosa. Segurou meu queixo, o erguendo para poder encarar seus lindos olhos negros como o céu a noite, e pude ver uma pontada de amor. Mas sinto muito Diane, isso não era comigo.

— Nem consigo me responsabilizar pelo meu próprio café da manhã — disse indiferente, virando meu rosto para a janela, onde a cortina se debatia contra.

Sugou novamente o cigarro e soltou a fumaça no ar, deixando que a brisa leva-se até meu rosto e por incrível que pareça, tinha cheiro de rosas, cheiro de morango com leite. É bom o cheiro. Olhei para a mais nova, que encarava suas botas enquanto descansava seu braço em seu joelho.

— Diane? — ela me olha com alguma esperança e agora eu teria que seguir em frente, era a minha chance, talvez a única.

— BoJack?

Capturei seu queixo o segurando, delicadamente, enquanto acariciava seu maxilar. Seus olhos estava sobre meus lábios e os mordia, bruta. MEU DEUS! EU AMO ESSA MULHER! Minha mão que estava desocupada agarrou sua cintura, afagando aquela parte do corpo. Eu podia sentir que seu juízo tinha ido por água a baixo. Diane jogou a bituca de cigarro num canto qualquer do telhado e sentou no meu colo. Podia sentir seu corpo doce e cuidadoso pedindo meu carinho, meu aconchego, mas eu não poderia fazer isso. Eu queria ser ele, queria me sentir bem como ele e não sei como, não sei se consigo, mas por algum motivo, Diane conseguia, conseguia me sentir melhor do que o Mr.Peanutbutter.

Logo agarrei seus lábios, os sugando com os meus. Sua língua entrou em uma batalha contra a minha que estava inquieta, querendo explorar aquela boca tão fina e delicada. Seus lábios massageava o meu, me deixando relaxado e possessivo. Precisava daquela garota, precisava estar dentro dela. Seus dedos correram até minha nuca, arranhando o pedaço de carne que tinha ali, enquanto meus dedos subiam e desciam por dentro de sua blusa. Tocava em suas costas e sua barriga lisa. Queria esquenta o clima, mas sabia que não adiantaria, ela não me deixaria, me impediria. Seus dentes caninos mordiam, feroz os meus lábios que estavam roxos por conta do oxigênio, eu precisava dele, mas não queria me soltar dela. Agora não era o momento, mas que merda!

— BoJack... Ah! BoJack.

Seus gemidos enlouquecia meu corpo. Então finalmente o juízo caiu sobre ela novamente. Seu corpo se contraiu e suas pulsações foram ligeiras. Seu corpo empurrou o meu, fazendo me encostar na parede logo atrás das minhas costas, enquanto ela tirava uma mecha de seu cabelo embraçado de seu rosto.

— BoJack! Nunca mais. Nunca mais iremos fazer isso. Sou casada e você... você... você...

— Você o que Diane? Sou um homem solteiro, querendo transar com uma garota.

— Transar com uma garota? Transar com uma garota?! BoJack sou muito bem casada com o senhor Mr. Peanutbutter e nos amamos! Nunca irei transar com você, senhor Horseman — A não a formalidade, não.

— Não era isso que seu corpo me dizia a alguns minutos atrás. Quem disse que queria transar com você? Eu poderia transar com quem eu quiser nessa droga de festa.

— Então vá. O que está te atrapalhando? — Não, eu não queria isso, mas que merda BoJack! Não pode falar nenhuma coisa bonita? Que merda você se envolveu. Ficamos em silêncio enquanto seu corpo ainda estava sobre o meu. Ela parecia uma droga que estava usando fazia dias, mas não, foi a primeira vez que tinha usada e queria de novo, e de novo, e de novo.

— Você. Você está me atrapalhando — meus olhos, inchados de ódio estavam pacíficos, serenos. Consegui controlar minha raiva. Como ela podia dizer que não iria transar comigo, depois que faz uma coisa dessas? Eu não precisava transar com ela, só dela estar perto estou relaxado.

— Pare! Não... Não comece...

— Fique quieta! — quase berrei com ela. Não podia deixar ela partir, de novo não — Diane, eu não sou como o Mr. Peanutbutter. Você não me ama como o ama. Não é casada comigo e sim... com ele, mas tudo que passamos juntos, de tudo que você sabe sobre mim. Você é única, que me compreende e que me aceita do jeito que sou, mesmo sendo esse cara idiota que sou, sinto muito, mesmo, Diane, por não ser esse homem que você deseja e tem.

O silêncio era brutal e isso me deixava nervoso. Seu corpo não se mexia em nenhum momento sobre o meu, parecia uma estátua. Então finalmente ela sorriu, um sorriso tristonho. E então parecia que estava fazendo uma prova e tinha chutado todas as questões, mas errei tudo, apostei no errado, mas para mim era tão certo.

— Senhor Horseman, te encontrarei na nossa próxima entrevista, com o livro pronto e impresso.

Se levantou do meu colo e não se despediu, nem nada. Sumiu do meu campo de visão me deixando solitário naquela noite com a brisa. O que antes me parecia ser um sonho, estava se transformando um pesadelo. Minha barriga não formigava mais; Meu corpo não tinha mais os reflexos que tinham; Minha boca, estava sedenta, sedenta por ela. Ela iria embora da minha vida e tinha motivos com certeza. Sou um ator, um pouco acima da idade e com uma vida em torno de baladas, bebidas e garotas, é tudo que um ator mirim quer, mas chega num certo momento da vida que precisamos progredir e Diane me dava isso. Me dava a luz no meio da escurão e caos que outros me levaram, mas não, ela não ficou comigo, decidiu outro e eu seguiria a minha vida.

Notas finais
se não for pedir muito, comentem. não sabem o quanto ajuda
se houver algum erro, sinto muito. me mande o erro no mp.
já agradeço a todos que leram, comentáram e favoritaram.
??”x-
até a próxima
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!