Notas iniciais
Hahaha apareci!

Pov Clary:

–Ela não existe. — sussurrou ele enquanto dividíamos um cigarro.
–Sua mãe é legal. — comentei tentando soltar arcos de fumaça. O incrível é que consegui, Joe sorriu. — Diferente da minha.
–Não. É porque você realmente não a conhece. Ela odeia a gangue, as mortes, os tráficos e principalmente a possibilidade de eu ser morto a qualquer momento. — ele jogou o cigarro no chão e pisou por cima, esmagando o coitado. — Só que se preocupa com todos, ela viu todos os membros da gangue nascerem, crescerem, viverem... Não quer vê-los morrer.
–É... Complicado. — arrastei-me até ele do outro lado da cama de casal. Abracei-o, envolvendo meus braços ao redor de seu pescoço. Ele estava de costas, então afundei meu queixo em seu ombro. — Deixa essa vida.
–Não antes de matá-lo. — disse referindo-se a Owen. Merda.
–Aquele homem não merece seu tempo.
–Merece o seu? — indagou dirigindo seu olhar furioso para mim. — Pouco me importo se é seu pai. Ele merece morrer, e das piores maneiras possíveis.
–Não... — afastei-me dele. Não queria discutir, não queria terminar. Eu necessitava dele como ele necessitava de mim, eram nossos próprios vícios. — Para de falar...
–Clary. Eu tenho que fazer isso, é o que todos na família esperam.
–Que família? Todos esses caras que estavam aqui? E sua mãe? Se ela odeia tanto tudo isso não quer que você suje suas mãos. — falei. Seu olhar se desviou do meu para a janela. — Eu quero ir embora.
Quando levantei ele me fuzilou com o olhar.
–Fica.
–Você não manda em mim. — cuspi furiosa. — Eu vou e se não quiser me dar carona eu pego com outra pessoa. Talvez um dos seus "irmãos" de gangue. — abri a porta de madeira e sai do quarto, Joe me seguiu pegando as chaves do Torino.
–Clary.
–Eu não aguento. A gente só discute, quando está tudo bem brigamos e depois discutimos. — falei já descendo as escadas para o segundo andar.
–Eu te amo. — sua confissão fez eu parar meu caminho e me virar para ele confusa. Jamais alguém além de minha mãe, Anne e talvez Owen tivesse dito que me amava. Não esperava isso de Joe, podia ser uma promessa vazia como ele havia dito durante uma transa. A diferença era que não estávamos na cama. — Por favor fica... Eu odeio ficar longe de você.
Assenti com a cabeça. Não sabia o que responder-lhe, "Também te amo". Minha resposta me deu orgulho, um pouco claro depois de tudo o que vivemos eu tinha aprendido a ser arrogante como ele.
–Cada um com seus problemas. — respondi. Seus olhos azuis brilharam como fogo, era notável sua raiva, suas veias do pescoço se ressaltaram enquanto Joe fechava os punhos como se fosse esmurrar o rosto de alguém. — Não precisa dizer nada, eu pego carona com... Santiago.
Terminei de descer as escadas para o primeiro andar. Anne e Santiago estavam aos beijos na sala e quando me viram ela saltou de seu colo e percebi que ele estava fechando o zíper de sua calça. Como eles tinham coragem de fazer sexo ali onde a qualquer momento podia chegar alguém?
–Clary. — disse Anne surpresa. — O que faz aqui, pensei que ia dormir com Joe.
–Eu vou embora, vocês me dão carona?
–Claro. — Santiago se levantou. — Eu ia levá-la agora mesmo.
[...]
–Obrigada. — desci do carro e mal me despedi. Corri para a minha casa. Minha mãe estava na sala com... Owen?
–Clary. — ele se levantou e me abraçou. — Você não sabe da novidade.
–Que novidade? — senti-me desconfortável.
–Eu e sua mãe vamos nos casar. — um choque, um murro ou simplesmente a dor de uma facada não seriam capazes de me fazer conter a culpa que eu sentia. Se Joe o matasse tudo acabaria, o meu sonho de família feliz e o amor que um sentia pelo outro. — E tem mais. A gangue acabou, eu me separei. Me desconectei, tudo está com Kevin agora.
Droga... Eu tentei sorrir, ele havia percebido que eu não estava feliz.
–Clary? — perguntou minha mãe se aproximando. — Tudo bem. Como foi com Joe?
–Legal... — sorri torto. — Eu conheci a mãe dele e sua nova casa.
–Que bom. — disse Owen sem se tocar que aquele Joe que eu namorava era o mesmo que o queria vê-lo morto. — Esse rapaz está definitivamente na família. Quando jantamos novamente?
–Nunca. — falei. Ambos franziram a testa confusos. — Quero dizer... Logo.
–Quer jantar?
–Não... — dei de ombros em direção a escada. Eu precisava dormir. — Hum.. Owen... Em qual restaurante você costuma jantar com Kevin?
–No Frances. Um restaurante italiano no norte da cidade. Porque a pergunta? — ele franziu a testa.
–Nada. Apenas... Curiosidade. — subi as escadas. Os dois se calaram haviam perdido a voz.
Quando meu celular tocou na hora que deixei para despertar. Eu levantei-me, tomei um banho e vesti um shorts jeans e uma regata branca. Por cima a jaqueta de couro de Joe, disquei o número de uma das garotas que conversei ontem, a tal namorada de Luke, Pâmela.
–Oi... Clary? Porque me ligou. — ela parecia ter acabado de acordar. Bocejou até.
–Eu queria uma arma. Tem como Luke descolar uma para mim? — falei na maneira gângster que me lembrava ouvir em filmes e séries.
–Uau. Perai. — ela pareceu chamar alguém, em seguida o que ouvi não foi sua voz.
–Oi Clary, a namorada de Joe não é? — ele também havia acabado de acordar. Porque todo mundo acorda tarde? — O que quer?
–Tem como você me descolar uma arma. Uma... — tentei me lembrar o nome de uma arma foda. Daquelas que vemos em filmes metralhar e matar todo mundo. — Uzi.
–Uma Uzi? — ele se assustou. — Desculpa, metralhas são armas perigosas e acredito que você não saiba usá-las.
–Não é para mim. — justifiquei. Afinal tinha que mentir. — Para Joe.
–Então é pra já. Ele esta aqui no sobrado...
–Não. É uma surpresa, eu quero dar uma nova arma para ele. — continuei mentindo. — Pode me encontrar no Saguaro School?
–Sim. — disse ele. Achei que pelo seu tom estava sorrindo. — Eu vou levar alguns tipos e você escolhe o melhor para ele.
–Claro. E algumas munições.
Parei o Porsche vermelho na frente da escola. Alguns alunos passavam por mim, os garotos olhavam para o carro e principalmente para minhas pernas a mostra e as garotas apenas inveja. Luke apareceu numa moto, carregava uma mochila negra.
–Bem, eu perguntei para os caras, qual a arma ele gosta. Trouxe duas Uzi, uma média e uma mini. E algumas munições, também trouxe uma Glock. Para você...
–Claro. — peguei a mochila de suas mãos. — Quanto eu te pago?
–Nada. — disse sorrindo. — A cortesia é da gangue.
–E a moto? — perguntei olhando para a Cuevitto estacionada ao lado do Porsche. Ele ficou confuso.
–O que tem ela? Eu sei é velha, eu gosto.
–Não. — estiquei a chave do meu carro para ele. — O que acha de uma troca?
–O quê? — ele ficou totalmente surpreso. — Você vai... Ta. — pegou a chave e me jogou a dele.
–Foi ótimo fazer negócio com você. — falei pulando sobre a moto. Fechei bem a jaqueta. — Obrigado Luke.
–De nada. — disse ainda não acreditando na nossa troca.
Nem eu acreditava que estava saindo da escola montada numa moto.

Notas finais
Uiiia o que será que ela vai fazer?