Você é minha droga
30 Cale a boca
Notas iniciais
Pov Clary:
Fiquei chateada por não ter sido procurada por Joe durante todo o fim de semana. Ele também não deu nenhum sinal de vida e finalmente peguei seu número com Anne durante a missa totalmente escondida do padre que nos fitou furioso.
Minha mãe também não disse mais nada e evitou falar de meu pai, ela estava irritada com toda a confusão e queria mesmo que eu me afastasse tanto de Joe quanto de Owen. No fundo eu devia, eu não queria. O segundo maço de cigarro durou bastante, até a manhã de segunda feira, acordei cedo o suficiente para abrir as janelas de meu quarto, trancar a porta e fumar dois seguidos.
Tomei um banho e escovei bem os dentes para minha mãe não desconfiar de nada e vesti uma regata preta, short jeans e a jaqueta de couro que pertencia a Joe e tinha totalmente o seu cheiro. Calcei minhas botas de combate pretas que eu havia esquecido que existiam até então. Quando apareci na cozinha ainda arrumando meu material minha mãe me encarou e não disse nada enquanto tomávamos café. Já que eu não ia puxar assunto, olhei para a tela de meu celular e acabei fixando o número de Joe, do qual eu havia escrito Kurt. Sorri e disquei, enquanto chamava peguei minha mochila e sai de casa.
–Oi é o Joe... Ham... Se está ouvindo isso é porque não posso atender agora então... Deixe seu recado. — não acredito que tinha caído na caixa postal. Respirei fundo e calmamente gravei um dos piores recados.
–Kurt, sou eu Clary. Olha eu sei que está chateado, mas seu silêncio já durou muito tempo, poderia me retornar? Acho que estou com suspeita de câncer. — ok eu estava exagerando, o que a gente não faz no desespero?
Anne também saía de sua casa e fez sinal para que eu a esperasse.
–Oi amiga. — disse se aproximando. — Uau que roupa é essa? Está revoltada com a vida?
–Tem um enorme buraco na atmosfera, o gelo das calotas polares está derretendo... Hannah Montana na verdade é Miley Cyrus... Os carros poluem mais que os ônibus. Muita coisa está acontecendo, isso sim é motivo para ser revoltada com a vida. Agora Joe descobrir que sou filha de Owen é bem pior.
–Ah Clary... — começamos a caminhar rumo a nossa última semana de aula antes das férias. — Eu sinto muito.
–Eu que sinto muito. Ele praticamente não deve me querer mais pelo simples fato de meu pai ser o seu maior inimigo. — confessei. — E me sinto péssima por ficar fumando como uma chaminé escondido de minha mãe.
–Você está o quê?
–Nada... — sussurrei. — Vamos... Apenas viver como antes?
–Antes de Joe e Santiago?
–Sim. Só hoje.
–Claro. — ela assentiu. — Aliás esta sexta vai ter uma festa de despedida dos veteranos e a gente vai.
–Claro... — sussurrei fingindo estar prestando toda a atenção a ela, porque toda a minha atenção estava na burrada de sábado a noite. De ter perdido Joe, por uma mentira.
–Aliás estou transando com Harry seu padrasto, só estou te contando porque achei que deveria saber. — continuou Anne, arregalei os olhos e ela riu. — Só assim para trazer Clarice Krueger de volta à terra.
Depois de todo o caminho quente devido ao início de verão e fim de primavera, Anne evitou falar e foi ficando tão fechada quanto eu. Acho que nós duas tínhamos dois namorados idiotas e cretinos e ambas estavam chateadas com eles. Era verdade, pois Anne apenas disse que Santiago e ela estavam numa fase nova, nem quis saber os detalhes mesmo assim ela contou tudo quando estávamos a uma rua de distância de Saguaro School. Os dois haviam transando e mais uma vez Anne não gostou muito, acho que Santiago tinha algum problema de ejaculação precoce. Acabei rindo alto e ela me olhou curiosa.
–O que foi?
–Acho que nisso, eu e Joe não temos problemas...
–Ah... Quanto tempo?
–Quanto tempo o quê? — perguntei confusa e ela me olhou como se eu fosse uma freira que não sabia o que era Jesus Cristo. Respirou profundamente e me deu um tapa bem na frente do colégio. Sorte que ninguém nunca se importou com a nossa droga de vida.
–Quanto tempo dura a transa de vocês?
–A gente só fez uma vez ok? Não dez... — falei sentindo minhas bochechas queimarem por estarmos entrando num assunto digamos, íntimo demais.
–Tempo?
–Ah... Bem... Acho que... Uns vinte minutos...
Ela riu e prendeu os cabelos num coque enquanto não tirava seu olhar de um jogador de futebol americano da escola.
–Duvido.
–Bem... Eu é que sei, porque fui eu que passei a noite com ele. Então você não tem que deixar ou não de duvidar de nada. — respondi furiosa.
–Ai... Saiba que depois da noite com Santiago eu fiquei com outros caras...
–O quê? — perguntei arregalando os olhos e desnecessariamente o sinal do primeiro tempo toca. Droga. Anne mordeu os lábios e foi correndo para a escola, tentei segui-la nada adiantaria já que estudávamos em salas diferentes segunda-feira.
Tentei recuperar o pouco de consciência que eu tinha... Ela disse que havia saído com outros caras, se o sexo com Santiago é tão ruim porque ela aceitou namorar com ele? Anne e sua ideologia idiota.
[...]
Quando o sinal para o almoço tocou fiquei tão aliviada. Estava morta de fome e para piorar uma garota que sentava ao meu lado não parou de comer a aula inteira. Vou lhe dar um desconto por ser a última semana de aula.
Peguei meu almoço e sentei-me numa mesa totalmente isolada de todo o mundo, e não demorou muito para Anne se juntar a mim, já vestida como líder de torcida.
–Você fica com uma cara de vagabunda com essa roupa.
–Que isso Krueger? Veio me ofender?
–Não. Só estou comentando. Aliás eu não vim, você que veio se sentar aqui. — falei.
–Palminha para sua arrogância. — ela balançou os cabelos enquanto batia palmas. -Ouça falei com Santiago e ele disse que Joe não quer te ver nem pintada de ouro. Que pena, mal perdeu a virgindade e já terminam...
–Cale a boca. Pelo menos eu não vou ficar por ai saindo com outros caras.
–Eu não saí com outros caras, apenas descobri que sexo com outro cara é melhor do que com Diamond.
–E porque namora com ele?
–Eu o amo, em sexo ele é péssimo e não tô afim de contar isso a ele. — confessou. Eu não acreditava em uma palavra que saía de sua boca. — Pelo menos não fumei por causa dele...
–O que disse ? — perguntei furiosa.
–Eu não mudei meu jeito de ser, para agradar ele... Muito menos fumei porque me ofereceu. — respondeu me deixando chateada. — Daqui a alguns dias vai estar usando maconha só porque Joe te ofereceu.
–Cale a boca Anne! — falei em seguida. — Se eu uso ou não o problema é meu, e eu aceitaria sim maconha se Joe me pedisse para fazê-lo...
–Não creio. Você mesma dizia que nunca deixaria um cara mandar em você e muito menos se apaixonaria... Veja só é o que está acontecendo agora. — ela se levantou e pegou sua bandeja. — Acredite ou não, eu não sou tão tola quanto você nisso, não vou me deixar cair nas ideias de Santiago porque é um namoro não um caso de submissão.
Caminhou praticamente correndo atrás da mesa das outras líderes de torcida e se sentou com elas. Então era isso? Eu estava brigando com minha melhor amiga por nada? E ainda perdi Joe por outra bobagem... Deus deve me odiar muito por fazer todos ficarem contra mim.
Terminei meu almoço e fui direto para os banheiros acendendo um cigarro, algumas garotas me viram mas não ligaram. Depois de um pouco de relaxamento, o sinal tocou e tive que obrigar-me a sair daquele lugar até os corredores onde um garoto de regata branca e calça pretas estava de costas. Joe! Corri até ele e o mesmo olhou-me na mesma hora surpreso. Ele me devia muitas explicações.
–Joe... — falei ao chegar perto o suficiente dele. — Eu esperei que...
–Eu lhe retornasse todas as suas ligações e pedidos? Mentir que tem câncer é feio sabia? — disse ele com seu status arrogante ligado. — Já disse... Um tempo é um tempo.
–Então porque não termina logo comigo? — perguntei quase sufocada por seu olhar gelado. Ele respirou profundamente antes de responder.
–Porque eu não posso.
–Mas ficar longe de mim você pode? — perguntei confusa. Seus olhos azuis pareceram perder um pouco de força por um breve segundo, em seguida fitou-me daquela maneira controladora.
–Clary não comece.
–Não começar o quê? Eu lhe contei toda a verdade e você escolheu não acreditar... O problema é seu devido a isso, agora me ignorar completamente e continuar um namoro do qual você não quer participar é muito estupido. — falei com toda a raiva e tentando ser o mais educada possível para não falar e gritar alguns palavrões.
–Cale a boca e vai para a sua sala! — ele se afastou com as mãos nos bolsos. Fiquei boquiaberta esperando mais dele, uma resposta melhor ou algo que ele sempre sabia responder para me convencer de algo. Nada veio. Apenas um cale a boca. E eu a calei.
Ele entrou na sala de ciências humanas e eu caminhei até a minha. Eu não queria assistir mais nenhuma aula, estava destruída e magoada por dentro. Peguei meu celular em meu bolso e disquei o primeiro número que pude.
–Clary? Pensei que nunca mais fosse me ligar... Não depois de...
–Pode vir me buscar na escola? — perguntei engolindo em seco.
–Eu faço o que quiser por você. — respondeu Kevin, pelo seu tom eu apostaria que estava sorrindo maliciosamente.
–Estarei te esperando no estacionamento. — falei e desliguei em seguida não querendo chamar a atenção de ninguém.
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