Elizabeth

– Você esta bem darling? – Kol me pergunta docilmente do banco do motorista.

– Sim. – Eu balanço a cabeça positivamente. – É só que... Como isso é possível?

Eu me fiz essa mesma pergunta assim que eu descobri. Era biologicamente impossível o filho ser de Andy, já que tínhamos transado a mais de cinco meses atrás e quando eu e Kol fizemos ele já estava no corpo original dele. O filho era de Kol e eu não tinha duvidas sobre isso, mas ele era um vampiro e isso era impossível.

– Lembra quando fomos ao Nepal? – Ele me perguntou depois de um tempo em silencio. – Lá tinha um clã de bruxas que se não me engano uma delas tinha ficado grávida de um vampiro.

– Acha que as lendas de meio vampiro é verdade? – Eu olho pra ele. – Mas, mesmo se for eu nunca ouvi falar de que uma delas tenha conseguido ter a criança.

– Não se preocupe Effy. – Era quase impossível não me preocupar. – Você é forte e além de bruxa é meio deusa.

– Tem razão. – Eu o vi sorrindo.

Quando eu descobri há algumas semanas atrás através de um feitiço antigo eu fiquei em desespero. Eu tinha mantido o costume do acampamento de sempre queimar parte da minha comida para os deuses e um dia eu pedi que Afrodite e Hera pra que sei lá dessem uma forcinha pra mim pra Kol, mas eu nunca imaginei que elas iriam me engravidar. Eu fiquei com medo por que achei que ele iria enlouquecer e que não quisesse a criança ou algo do tipo e por isso eu hesitei antes de contar, mas não achei que seria justo esconder isso dele, gostando ou não da noticia ele tinha que saber e quando eu o contei me pareceu feliz com isso já que sorria até agora. Estou meio perdida e com medo do que pode acontecer, mas de uma coisa eu tinha certeza ninguém irá machucar essa criança porque eu vou proteger com todas as minhas forças.

– Pra onde vamos? – Eu dei um sorriso, já que ele apesar de tudo estava feliz eu poderia ficar também.

– Bom eu estava pensando e você não pode viajar de avião. – Eu confirmei com a cabeça. – Então eu pensei em ir de carro até Malibu.

– Malibu? – Eu fiz uma careta. – Sabe que eu detesto a Costa Oeste.

– Exato! – Ele riu. – É por isso que vamos, porque ninguém vai te procurar lá e assim que chegarmos vamos pegar um cruzeiro até... – Ele deu os ombros. – Pra onde quer ir?

–Sei lá. – Ele riu. – Não podemos cruzar o Mediterrâneo... – Eu fiz biquinho e fiquei batendo com o indicador no queixo o fazendo rir. – Que tal Austrália?

– Austrália? – Ele riu incrédulo.

– É. Odeio sol em excesso e praias. – Eu argumentei. – Estivemos só de passagem lá há quase dois séculos e só ficamos por alguns dias já que eu odiei o lugar, então acho que seria o último lugar em que procurariam por nós.

– Faz sentido. – Ele olha para estrada. – Vai dar tudo certo.

– Eu sei que vai. – Eu sorri pra ele.

– Eu já disse que te amo, hoje? – Ele diz rindo.

– Já tem uns trinta minutos que você não diz. – Eu digo fazendo biquinho.

– Mil perdões senhorita. – Ele faz uma expressão super fingida de chocado. – Senhorita, amo-te mais que tudo no mundo.

– E o senhor é a segunda pessoa que eu mais amo nesse e nos outros mundos. – Eu digo com o mesmo tom pomposo que ele usava.

– A segunda?

– A primeira ainda vai nascer. – Eu digo e fico ainda mais feliz o vendo abrir grande sorriso.

– Tudo bem eu não sou ciumento. – Ele me rouba um beijo quando paramos no sinal vermelho.

Eu não estava mais assustada. É claro que eu ainda me preocupava, mas alegria que Kol exalava era tanta que me afetava de um jeito que eu sabia que iríamos dar um jeito. Ele sempre me protegeu e parasse que agora ele tem mais motivos para sermos cautelosos e tomar coragem. Eu sempre quis falar para meu pai o que eu realmente sentia sobre o “meu tio”, mas nunca pude fazê-lo por medo das conseqüências. Meu pai surtaria e com toda certeza prenderia Kol e o deixaria em um lugar inacessível até o fim dos tempos, então achei melhor guardar isso pra mim, por que era melhor omitir do que viver sem ele. Fugir de tudo realmente parece ser a melhor opção. Se Klaus sequer descobrisse que já tínhamos dado um misero beijo, imagine o que ele faria conosco se soubesse que irá ser avô.

Nossa intenção é ficar fora de alcance pela eternidade, mas não posso negar que vou sentir falta da minha família. Talvez daqui a alguns séculos eu possa rever meu pai, mas francamente eu acho difícil, mas não impossível. Talvez de berrar por algumas horas ele aceite a idéia, pelo menos eu espero que ele só berre, o que é pouco provável já que Niklaus Mikaelson não é conhecido por ser compreensivo e aceitar bem as coisas, mas eu tento ser otimista.

– Quanto tempo você acha que eles vão perceber? – Eu perguntei.

– Sei lá, meus irmãos não são conhecidos por suas habilidades de investigação. – Ele me respondeu olhando pra estrada. — Podem levar meses ou séculos para nos achar e provavelmente vão achar que você foi raptada, não que...

– Fugi. – Eu completei já que ele estava sendo delicado e dizer a verdade. – Meio covarde da minha parte.

– Não fale assim, você não veio sozinha. – Ele me disse serio. – E foi coragem, não covardia. Você deixou nossa família pra trás para manter nosso filho a salvo. Você é corajosa e nunca diga ao contrario. – Ele falava com convicção. – Se nos acharem nada vai acontecer, eu prometo.