Elizabeth

Eram 06:00 da manha. 06:00 DA MANHA! O que esta fazendo esse barulho infernal com certeza iria levar uma surra. Quando desço as escadas quase que tenho a cabeça cortada fora. Matt tinha jogado uma faca bem do lado da minha cabeça que ficou cravada na parede.

– O que vocês estão fazendo?! – Pergunto pra Andrew e Matt que não paravam de tentar se matar com espadas de bronze celestial.

– Treinando. – Andy responde desviando da espada de Matt e contra atacando.

– As 6 da manha?! – Eu digo indignada. – Numa casa onde todos, literalmente todos. Tem audição sobrenatural.

– Vamos ficar fora de forma se não treinarmos. – Disse Matt. – Você devia se juntar a nós.

– Que seja. – Digo transformando o anel em uma lança. – Mas depois disso vocês voltam pra cama.

No mesmo segundo eu defendo um golpe que Andy tentou me acertar e o acerto no peito com o cabo da lança e derrubo Matt batendo em seus joelhos. Eu paro a lança na minha frente, quando Andy ia me atacar de novo eu deixo a lança escorregar em minha mão e antes que ela caia eu a seguro firme e a levanto com o pé até o queixo de Andrew acertando em cheio. Matt vem por trás de mim, mas ele para quando eu aponto a lança pro seu pescoço.

– Posso voltar a dormir agora? – Pergunto olhando feio pra eles.

– Como quiser princesa. – Andrew diz rindo.

Eu subo as escadas ainda com a lança na mão. Quando entro em meu quarto eu estava tão cansada e esgotada que largo a lança no chão e me jogo na cama e caio no sono. Um tempo depois eu consigo sentir o cheiro familiar de menta e bronze celestial.

– Andy... – Digo meio sonolenta.

– Shiu.. – Ele diz.

Sinto seus braços me envolvendo e ele me colocar sobre o sue peito. Ele beija os meus cabelos e eu adormeço em seu peito quente.

Quando eu acordo ele não estava mais lá. Mas ainda conseguia sentir o seu cheiro. Eu me levanto com um sorriso no rosto e vou tomar banho. Visto uma blusa branca que ficava meio folga na barriga, por cima dela botei um blusão preto de caveiras, shorts jeans vermelho vinho, salto preto com fundo vermelho, e pulseiras de couro e argolas prateadas no pulso. Deixo o meu cabelo solto com o ar despenteado e faço uma trança na lateral e moqueio os olhos com sombra preta e vermelha.

Quando chego à sala posso ver Andrew e Matt discutindo sobre algo enquanto tiravam as suas medidas e Rebekah olhando pra eles com um olhar de tédio.

– Bom dia. – Diz Becca.

– Bom dia gente. – Digo a eles.

– Buenos dias nanica. –Diz Andy sorrindo torto.

– Oi Lyzie.

Um dos alfaiates se aproxima de mim com uma fita então eu tiro o blusão e ergo os braços o deixando tirar as medidas.

– Longo e vermelho. – Digo antes que ele perguntasse. – Pode me surpreender. Enfim sobre o que vocês discutiam.

– Andrew não quer ir ao baile. – Diz Rebekah.

– Por quê? – Eu olho pra ele.

– Por que... -

– Porque ele é um idiota. – Matt o corta. – Mas aposto que é porque não sabe dançar.

– Porque não falou antes eu posso te ensinar. – Eu disse a ele.

– Eu não... – Não deixei ele terminar e peguei suas mãos.

Botei uma em minha cintura e segurei a outra, fiz ele me conduzir pela sala. Ele rolou os olhos e me girou, ele me conduziu com perfeição. Às vezes até me girava no alto. Eu olho pra ele impressionada.

– O que eu queria dizer. – Ele diz depois de se curvar. – É que eu não gosto de gravatas apertadas e que eu quero o terno da cor preta.

– Uau. – Disse Bex. – Aonde aprendeu a dançar assim?

– Minha avó era musicista. – Ele da os ombros. – Me obrigava a ir a concertos e a dançar com ela.

– Sua avó fez um ótimo trabalho. – Eu sorri olhando em seus olhos cinza.

– Diga isso a ela. – Ele ri.

– Ótimo me parece que todos já temos par. – Disse Rebekah se levantando. – Agora você vem comigo. – Ela me puxou pela mão. – O alfaiate só dá o vestido, nós compramos o resto.

Dito isso ela me arrastou pelas ruas do French Quarter. Me fez comprar assessórios, maquiagem, fazer as unhas e comprar mais roupas. Nós paramos em um café e ela ficou me olhando com uma cara esquisita.

– O que foi? – Eu pergunto franzindo o cenho.

– Nada. Nada. – Ela para de me olhar. – Só queria ver quando você vai admitir que gosta dele?

– O que?! – Eu me engasguei com o café irlandês.

– A qual é! Não nasci ontem. – Ela ri da minha cara. – Acha que eu não vi a maneira que vocês se olham. – Ela levanta uma sobrancelha. – Como se fossem arrancar a roupa um do outro.

– Rebekah! – Ela enlouqueceu.

– Só estou dizendo. – Ela da os ombros. – Mas é estranho. Vocês não são parentes ou algo assim?

– Tecnicamente sou tia dele e do Matt. – Rebekah assovia. – Mas deuses não têm DNA então não conta.

– Mas e o garotinho? – Ela se refere a Nico. — Ele não é seu irmão?

– Eu e Nico somos filhos de Hades. Então é diferente, somos meio irmãos.

– Entendo. – Ela diz. –Mas ainda não me respondeu.

– Então me diga. – Também vou encher o saco dela. – E você, Matt e Marcellus?

– O que posso dizer. – Ela da um sorriso sínico. – Ambos são muito bons no que fazem.

Eu rolo os olhos e me levanto com ela logo atrás. Ela parece gostar de me perturbar, era impressionante.

– Effy pare de me ignorar. – Ela falava enquanto andávamos para casa. – Vai admita. – Ela começa a me cutucar.

– Ok tudo bem é isso que quer ouvir?! – Eu me viro. – Eu gosto dele! Ta feliz agora?

– Na verdade sim. – Ela começou a rir.

– Eu te odeio. – Eu digo a ela.

– Também te amo. – Ela realmente estava gostando.

Entramos na mansão e parte da decoração já estava pronta. Eu estava jantando enquanto via Rebekah saborear o pescoço de algum decorador. Os meninos entraram na cozinha de jeito estranho.

– O que aconteceu com vocês?! – Eu pergunto depois de olhar eles sangrando no canto da boca e ver Kol com a testa cortada.

– Briga de bar. – Andrew disse enquanto Elijah o ajudava a sentar.

– Com lobos. – Elijah disse com uma cara não muito boa.

– Por quê? – Eu pergunto.

– Porque eles tentaram atacar a mim e a Davina. – Disse Kol. – E eles têm os anéis da lua.

– Vadias. – Eu digo me referindo as bruxas.

– Essa não é a maior preocupação. – Disse Matt mexendo na camisa de Andy.

– Mikael também estava lá. – Meu tio disse. – Parece que Davina realmente esta controlando ele.

– Isso pode ser um problema. – Diz Rebekah.

– Ou dois coelhos com uma cajadada. – Kol sorriu.

– Acha que consegue trazer ela amanhã? – Pergunto a ele.

– Ela não vai conseguir resistir a esse rostinho. – Ele tinha razão o corpo que eu escolhi era realmente lindo.

– Ótimo. – Eu disse me levantando. – Mas pelas suas caras não foi só isso.

Depois do olhar que eu dei, eles se entreolharam e olharam alarmados pra mim.

– Digam logo! — Eu estava ficando angustiada.

– Andrew foi mordido. – Elijah e Kol disseram ao mesmo tempo. Elijah diz com cuidado já Kol fala de forma rápida e praticamente indiferente como se tirasse um band-ayd.

– Como assim mordido?! – Eu andei até Andy e rasguei a sua camisa.

– Um lobo me mordeu. – Ele disse pegando a minha mão. – Vai ficar tudo bem, não foi nada de mais.

– Nada de mais?! – Eu exclamo olhando pra ferida. – Andrew um lobo te mordeu. Na próxima lua cheia você vai ser um.

– Não se ele não ativar a maldição. – Bex falou.

– Somos semideuses. – Disse Matt. – Matamos desde os doze.

– Deve ter alguma maneira de reverter. – Disse Kol.

– Não conheço nenhum além dos anéis. – Eu disse ainda olhando a ferida. Era minha culpa.

– O sangue de Niklaus talvez. – Meu tio falou.

– Não reverte maldições. Só cura.

– Melhor do que nada. – Bex saiu pela porta.

Elijah foi procurar o meu pai junto da irmã.

– Sentem. – Eu disse. – Vou tentar ajudar vocês. — Eu estava nervosa, mas precisava me manter ocupada.

Andrew tinha um corte na boca e um pequeno na maça do rosto. Kol era o mais ferrado, já que era humano agora ele tinha um olho roxo, lábio inferior cortado, um longo corte na testa e um braço quebrado e Matt parecia estar bem só uma roxidão que ambrosia resolvia. Eu passei uma antiga pasta de bruxas da Filipina nos ferimentos de Kol.

– Não se mexa. – Dei um peteleco em sua testa. – É erva de bruxa não milagre.

– Sim mamãe. – Ele responde de má vontade.

– Engulam. – Botei pedaços de ambrosia nas gargantas dos semideuses.

– Não vai passar esse treco fedorento em mim. – Andrew ria enquanto afastava a minha mão.

– Isso talvez não funcione em vocês. Então passe algodão com uma gota de néctar no machucado. – Eu não conseguia olhar para Andrew.

Kol e Matt saíram deixando eu e Andy sozinhos. Eu me sentia extremamente culpada. Era minha culpa ele estar aqui, ele agora ter sido mordido, era tudo minha culpa. Eu conhecia, mordida de lobo não tem cura, nas próximas luas ele vai ter que ter os seus ossos quebrados e virar uma fera irracional e era minha culpa.

– Sei o que esta pensando. – Ele falou. – E pode parar. Eu vim porque quis você não me obrigou a nada.

– Mas...

– Sem mas! – Ele me cortou. – Você não vai se culpar por algo que não fez. Eu sabia no que me metia. – Ele me puxou pela mão e ergueu o meu rosto fazendo que eu o olhasse. – Eu estou bem e a mordida já esta sarando. Não vai ser tão ruim assim.

– Seus ossos iram quebrar em toda lua cheia. – Eu não agüentava olhar em seus profundos olhos cinza.

– Idai. É melhor meus ossos quebrados uma vez ao mês, do que nunca mais te ver. – Ele disse me encarando. – Como lobo sou mais forte pra te proteger Elizabeth. Posso ficar tanto no seu mundo quanto no acampamento, é uma vida mais longa do eu esperava ter. – Não consigo evitar que meus olhos lacrimejem. – Aceite. Por alguma razão os deuses quiseram assim.

– Não é justo. – Eu lutava para não chorar.

– Eu sei. – Ele limpa uma lagrima que escorre em minha bochecha. – Nunca foram, nem vão ser. Mas às vezes pode ser algo bom. Effy não se preocupe. – Ele beija a minha testa e mais lagrimas rolam em minha face. – Eu vou ficar bem. — Ele apóia o meu rosto em seu ombro em que antes havia uma mordia e agora não havia nada.

– Depois da sua primeira transformação. – Eu parava de chorar aos poucos. – Vou fazer o anel da lua.

– O que quiser querida. – Ele diz beijando a minha bochecha. – Agora vá dormir. Tem um baile amanha e você esta mais esgotada que eu. – Ele da uma risada gostosa.

Aquela risada que eu tanto amava e iria fazer de tudo para sempre escutá-la.