Elizabeth

Eu jogo o despertador contra a parede e sigo em direção ao banheiro. Tomo um banho demorado e decido que hoje eu não vou fazer as atividades do acampamento. Eu visto um casaco fino de capuz escrito Texas Homes, um short jeans preto, pulseira de coro, meias pretas até o joelho e botas pretas. Deixo o meu cabelo solto e os lábios um pouco rosados.

– Ele acorda cedo. – Digo a mim mesma vendo a cama de Nico vazia.

Resolvo sair pro café, talvez ele esteja lá. Eu me sento-me à mesa do meu chalé e Nico não estava lá também, é claro que eu acho estranho, mas uma hora ela vai aparecer. Depois do café eu vou ao anfiteatro, quando eu cheguei eu pego um violino e me perco em meus pensamentos.

Eu gostava de ficar lá. Era belo, artístico e de certa forma, puro. Eu gostava da beleza e da emoção que as artes traziam. Eu sempre fui ligada a arte, quando eu era peque Elijah me ensinou a tocar instrumentos e a atuar Shakespeare, já meu pai me ensinou a pintar e quando o Punk Rock e o Heavy Metal vieram á tona eu aprendi a tocar guitarra e bateria. Eu não sabia o porquê, eu simplesmente gostava de artes, talvez fosse porque a minha mãe me ensinou a tocar piano antes de falecer. Eu também considerava literatura como arte, eu fiz letras em Oxford e me especializei em línguas por volta de 1900. Eu amo artes. Quando eu cheguei no acampamento as pessoas achavam que eu era filha de Apolo, mesmo com a pele pálida, diziam que a minha habilidade com arco e flecha e artes eram coisas que somente os filho de Apolo eram bons.

– Então a nanica também toca. – Só uma pessoa me chama de nanica, o que era ridículo já que eu tinha 1,70 de altura. Eu abro os olhos e me viro.

– E você Sullivan, você toca? – Eu pergunto.

– Um pouco. – Ele sorri de lado e pega um violino. – Fui criado com os meus avôs em uma fazenda no Texas. Meu avô é um veterano e minha avó era musicista, ela me obrigava a praticar por horas todos os dias e depois das suas aulas eu saia com meu avô pra atirar nas coisas.

– Típico avô texano.

– Típico avô texano. – Ele sorri e me da uma partitura. – E você?

– Back In Black, AC/DC, boa escolha. – Eu digo.

– Você com o solo e eu com a base.

– Perfeito. – Começamos a tocar.

– Eu me mudei pra Dallas com 3 anos. – Eu digo ainda tocando. – Quando eu tinha 4 uma quimera matou a minha mãe, enquanto a minha casa pegava fogo. – Eu não o olhava apenas tocava. – Niklaus me achou chorando em uma floresta no mesmo dia e me acolheu.

– Ele parece ser legal.

– Não se engane ele é o diabo disfarçado, ciumento, protetor e paranóico. – Eu rio. – Mas ele sempre foi doce e gentil comigo.

– Então você esta dizendo que ele é um maníaco? – Ele esta rindo.

– Você diz isso, porque nunca o viu com raiva ou determinado ou feliz demais. – Eu rio com ele.

– E os outros, quem eram? A loira, o cara do terno e o homicida. – Eu rio. – É serio quem usa um terno caro no meio do mato e no verão?

– Você não viu nada. Bom a loira é a Rebekah ou tia Bex, como eu a chamava quando era mais nova. Ela é a irmã mais nova e também já teve um caso com o Matt.

– Pera! A sua tia já teve um caso com o Matt Donovan?!

– Sim e também já jogou ele em um rio. – Ele arregalou os olhos. – Não a chamam de Barbie Klaus à toa.

– O Matt também te chamou assim.

– Não se engane, sou o diabo disfarçado. – Eu pisco pra ele. — Elijah é o nobre.

– Aposto que é o cara de terno. – Ele deduz.

– O próprio. Elijah é super legal, cuidadoso e sempre vai atrás da redenção da família. – Eu gostava muito de Elijah. – Ele sempre, SEMPRE cumpre suas promessas.

– E só faltou o homicida.

– Que isso, Kol esta mais pra genocida. Ele é uma versão mais nova, e muito mais sanguinária e instável de Niklaus. – Eu digo me sentando em uma das cadeiras. – Ele foi o meu único amigo por um bom tempo.

– Não me diga que antes de vir prá cá você só teve ele como amigo? – Ele parecia comicamente incrédulo.

– Claro que não. – Eu ri olhando pra ele. – Também teve o Stefan, em 1800 ele foi um amigo pra mim. Eu o ajudei a controlar a sede por sangue e ele também era amigo do meu pai. E teve Marcellus. – Eu suspiro. – Alguns anos depois que os Mikaelson me acolheram, nós nos mudamos para New Orleans. Tomamos a cidade e construímos um império sobrenatural. Lobos, vampiros e bruxas viviam em paz. Klaus adotou um menino que era escravo, ele amou Marcellus tanto quanto a mim e pra mim ele era como um irmão. Mas em 1919 perdemos a cidade e Marcellus morreu. – Era triste relembrar de New Orleans e de Marcel.

– Hey. – Ele passa o braço em meus ombros. – Isso foi há quase um século. Não acho que ele iria querer ver você chorando.

– Você tem razão. Ainda mais que vampiros sentem tudo mais ampliado, quer dizer que eu sempre fui emocionalmente mais forte que ele. — Eu digo me levantando.

– Aonde vai?

– Procurar o Nico. – Aceno com a cabeça pra que ele me acompanhasse. – Não vejo esse garoto desde ontem à tarde. Não posso perder o meu tempo agindo com uma garotinha.

– É verdade, eu não o vejo desde ontem também. – Ele me segue.

Passamos a tarde toda procurando por ele e nada. Perguntamos a todos e nenhum sinal dele. Eu estava ficando preocupada e com raiva.

– Vai ver ele foi embora. – Diz Percy que nos ajudava a procurar. – Ele nunca gostou de ficar no acampamento.

– Impossível. – Eu me continha pra não quebrar nada. – Ele prometeu que da próxima vez que deixasse o acampamento me diria antes. Me dá um mapa.

Alguém deixa um mapa em minhas mãos eu o estendo em cima da mesa e rasgo o meu polegar com os dentes.

– Phesmatos Tribum, Nas Ex Viras, — O sangue não sai do lugar e eu começo a falar mais alto e me concentrando. — Sequitas Saguine, Ementas Asten Mihan Ega Petous! – Nada.

– Ele esta com um feitiço de ocultação. – Disse Matt.

– JURA REI DO OBVIO?! Não notei! – Minha vontade era de fazê-lo engolir aquele mapa.

– LOL, calma talvez a Rachel tenha alguma coisa. – Ele se afastou sabendo que eu ia matá-lo.

– Semideuses se acalmem! Senhorita Dare. – Disse Quíron.

Derrepente os olhos de Rachel ficaram verdes e ela ficou rodeada de uma névoa verde.

Para a cidade das artes devem pelo rei dos fantasmas procurar

A guerra, as trevas e a luz devem se unir

Para o caçador impedir.

Rachel voltou ao normal. Eu não entendia o que caralhos acontecia.

– Acho que a profecia foi para você, senhorita Mikaelson. – Diz Quíron

– O rei dos fantasmas é o Nico. As trevas sou eu. – Eu exalava raiva pelos poros. Como ele foi seqüestrado bem embaixo do meu nariz?! – A guerra é um filho de Ares.

– Eu vou com você. – Disse o Andrew autoritário como se o desafiassem a discordar.

– Como assim caçador? – Disse Percy.

– Obviamente é alguém que quer me matar. – Eu respondo a ele. — O que é uma coisa normal.

– Mas caçadores não matam bruxas. – Disse Matt. – Só vampiros.

– Não é impossível! – A minha raiva aumentava ainda mais. – Eu o matei! Você me viu enfiar a maldita estaca de carvalho branco em seu peito!

– Você que ele pode voltar se tiver... – Matt começa.

– UMA BRUXA! Isso tem dedo de bruxa no meio! – Eu estou prestes a explodir. – A PORCARIA DE FEITIÇO DE OCULTAÇÃO FOI FEITO POR UMA BRUXA! E A MESMA QUE TROUXE O DESGRAÇADO DO MIKAEL DE VOLTA! E ELES PRETENDEM ME ATINGIR COM NICO E ME ATINGINDO.

– Eles atingem o Klaus. – Matt disse seguindo o meu raciocínio. – Mas o que quer dizer cidade das artes?

– Se é Mikael que esta por trás disso eu tenho uma idéia. – Eu tiro o celular do bolso e ligo pro meu pai.

– Hello sweetheart! – Diz Klaus na outra linha.

– Me diz que você não esta em New Orleans! – Eu digo apreçada.

– Na verdade estou. – Ele responde depois de fazer um silencio.

– Prepare três quartos que eu estou indo prai. – Eu desligo o celular.

Eu jogo o meu Iphone contra uma árvore a fazendo explodir. Eu estava simplesmente puta da vida.

– AQUELE FILHO DA PUTA! – Eu grito. – SE ACHA QUE PODE ME FAZER DE ISCA, ESTA ENGANADO! – Eu saio andando.

– Aonde vai. – Disse Andrew.

– Pegar a merda da estaca e vou pra New Orleans! – Eu me transporto pelas sombras, pego as minhas coisas no chalé de Hades e volto pra onde eles estavam.

– Luz é Apolo, então eu vou com vocês. – Disse Mick.

– Não, você não vai. – Matt disse. – Eu tenho mais tempo aqui que você e eu sei lidar melhor com vampiros.

– O que estão esperando?! – Eu estava furiosa e frustrada. – Tenho um original e uma bruxa pra matar!