V.i.z.i.n.h.o.s

1 Capítulo 1 - Luke Robert Hemmings


Notas iniciais
"Find something that makes you happy and don't let anyone take it away from you. - Luke Hemmings."

Ele estaciona sua moto na calçada do bar Beanery quase que automaticamente. Era um hábito parar lá quase todas as vezes que se lembrava dela. Todo aqueles fios claros caindo sobre suas costas delgadas. Sua cintura fina e aquela pele clara, por onde o rapaz adorava passear seus dedos, somente para vê-la arrepiar-se sob seus toques. Era incrível tê-la, e terrível saber que tudo havia desmanchado-se tão facilmente. Luke sabia que grande parte da culpa de tudo que aconteceu era dele, mas também sabia que a outra grande parte da culpa era do pai dela, Sr. William Leithold. Tratava-se de um homem frio que, para Luke, sentia prazer em acabar com ele e afundar Scarlett junto.

Bem, na verdade, Luke a afundou. Scar tinha de tudo para ser uma ótima garota, mas ele fez questão de estragar tudo isso. Às vezes ele se perguntava se Scarlett teria futuro se ele não tivesse aparecido naquela maldita corrida. Se ele não tivesse pedido um beijo e mais algumas coisas para ela caso ele ganhasse. Desde aquele dia ele notou que tudo estava perdido. Como? Quando o cheiro dela em suas roupas o fez desejar por mais. Ele queria ter a garota somente para ele, mesmo sabendo o quanto isso era, de fato, impossível.

Suas mãos vão de encontro a beirada do balcão gélido e ele se ajeita no banco alto, bufando enquanto levava sua mão até sua testa, apoiando a mesma ali. O homem do bar, Christopher, sabia bem o único pedido que Hemmings fazia: “uma garrafa de whisky e balas de hortelã, pois eu não quero feder a álcool caso encontre com Deus. À propósito, já disse como eu gostaria de morrer hoje, Chris?”. Era sempre a mesma melancolía, e Luke estava cansado de tudo isso. Ele queria sua Scar de volta. Com ela as coisas pareciam ser menos monótonas.

Ao sentir uma presença estranha ao seu lado, Luke suspira, preparando-se para o pior – e, bem lá no fundo, para o melhor. Seus dedos frios vão de encontro aos seus cabelos e, assim que ele abre os olhos, depara-se com o olhar claro e oblíquo de sua amada Scarlett. A garota sorri e leva uma das mãos até os fios claros de Luke, afagando-os. O rapaz solta um suspiro e leva os lábios até a mão da loira, que nega com a cabeça com sua atitude, afastando a mão delgada e delicada de seu rosto com a barba por fazer.

– Sabe o quanto eu odeio quando vem aqui. – Ela murmura enquanto reveza o olhar entre seus olhos e a bebida a sua frente. – Por quê está me deixando, Luke? Por quê não está lutando por nós?

– Seu pai não parece o tipo de homem que aceita uma luta. Ainda mais quando o prêmio é a filhinha querida dele. – Luke bufa, não querendo demonstrar sua imensa vontade de realmente lutar por eles. A garota ri divertida, jogando levemente a cabeça para trás, fazendo com que Hemmings tivesse vontade de chupar-lhe o pescoço até deixar marcas escuras, para mostrar a todos que ela pertencia a ele, e a mais ninguém.

– Diz isso como se fosse uma coisa horrível me ter como prêmio. – Ela leva as mãos até o rosto de Luke, beijando-lhe devagar enquanto afagava suas bochechas gélidas. Os lábios de Scarlett continuavam macios e quente como antes, só que melhores depois de tanta saudade. Luke permite-se arfar contra a boca carnuda da menina, puxando-a pela cintura. Ela sorri quando os lábios dele vão de encontro à pele de seu pescoço, arrepiando-a por completo. Ele sentia falta. Ela queria sentí-lo novamente perto de si. – Deus, Luke. Por favor, leve-me com você. Faça algo bom comigo... – Ela pede em um suspiro levemente sôfrego. Por mais que quisesse não demonstrar toda a saudade que também sentia, era impossível. Eles eram um só juntos, e todos conseguiam notar isso, por mais que os dois fizessem pouco caso.

Antes de tudo dar errado, o pai de Scarlett achava Luke um bom garoto e ofereceu um emprego para ele em uma de suas lojas e, como um bom sogro que mostrara-se ser no início, aumentaria o cargo e o salário do rapaz aos poucos, mas desde que Hemmings descartara a oportunidade, Sr. William começou a duvidar de que ele seria boa coisa para sua pequena. Luke achava que poderia ter futuro como piloto, e estava certo. Ele tinha jeito nisso. Mas o pai de sua garota não achava a mesma coisa. Na verdade, ele só não achava que Luke, um homem desempregado e que jamais poderia pagar um jantar para Scarlett em um dos restaurantes caros que a garota costumava ir, fosse digno de sua filha. Nada mais justo. Pena que ele não sabia que Luke mal se importava com isso...

Porém Scarlett se importava. Ela gostava de jantar e passear, gostava de ganhar mimos e andar arrumada, e o pai dela prometeu não dar nada disso para ela se a mesma continuasse junto com o rapaz que ele tanto desprezava. Não que ela não o amasse, muito pelo contrário, mas Luke tinha uma teoria: ela gostava de seu corpo, mas não de seu jeito. Ela gostava de como ele não tinha medo do mundo, mas não gostava do jeito que ele fugia da realidade. Os pensamentos de Luke fizeram com que ele se afastasse da garota, engolindo a seco.

– Eu não quero me iludir mais, Scarlett. É melhor pararmos por aqui. Seu pai sabe onde você está? É melhor ir embora. – Ele murmura enquanto abria o lacre da garrafa de Whisky, contando somente com a ajuda da pouca unha que tinha. A garota revira os olhos, pegando o objeto de sua mão e dando adeus ao seu lacre com suas grandes unhas vermelhas. Luke bem que sentia falta de tê-las cravadas em suas costas.

– Talvez eu não queria ser seu amigo, Scarlett. Talvez eu já tenha notado que fomos feitos para ser mais do que isso, diferente de você. – O garoto bufa audivelmente, dando uma longa golada no conteúdo escuro da garrafa em sua mão.

– Deixe de agir como criança, Hemmings. – A garota reclama com o nariz levemente franzido. Logo ela sorri de um jeito sapeca, e Luke percebe que aquilo não iria durar muito. Seu joguinho não iria durar muito. Ele estava prestes a entregar os pontos para aquela mulher. Os braços dela vão em direção ao pescoço de Luke, enlaçando-o de uma maneira que fez ele arrepiar-se por inteiro ao cogitar a ideia de ter seus lábios unidos mais uma vez. – Meu pai está resolvendo alguns assuntos fora do país. Eu tenho todo o tempo do mundo. – Ela deposita um selinho rápido nos lábios dele. – Só não pode ser na minha casa. Você sabe como os empregados do meu pai amam você. – Ela diz de uma forma irônica.

Luke assente, levantando-se e puxando a garota de forma apressada para um local mais reservado do bar. Ele, ciente do que aconteceria, paga de uma vez a bebida, por mais que mal tenha tocado direito na mesma.

Ao chegar até o local, num pequeno estalo de pensamentos, acompanhando a batida da música baixa que tocava no recinto. As mãos de Luke vão de encontro à cintura de sua pequena, girando-a até que as costas da mesma fosse de encontro à parede rústica do local. Scar ri de uma maneira divertida enquanto fita o rosto do rapaz. Uma de suas mãos vai de encontro ao seu rosto, e ela morde o próprio lábio inferior com certa insegurança.

– Sabe que, se fosse da minha escolha, eu escolheria você. – Ela diz em um sussurro, e Luke quase se deixa levar, mas sabia o que ela realmente queria que ele fizesse. Ela pensava como seu pai. Ela pensava como a imbatível Leithold que era.

– Sei. – Ele mente. Na verdade, ele só queria sentí-la novamente, então acreditaria em suas mentiras e promessas vazias pelo menos dessa vez. Deixaria se levar somente essa noite.

Scarlett sorri, como se definitivamente acreditasse nas palavras do rapaz. Talvez acreditasse. Luke sempre achou uma graça o jeito que ela era ingênua, mas ele sabia muito bem que, o que ela tinha de ingênua, ela tinha de sínica e astuciosa. Ele não sabia se ela realmente acreditava nele, ou se somente queria fazê-lo pensar que acreditava.

A garota praticamente arrasta Hemmings para o banheiro masculino, onde sabia que nenhum homem se importaria com o que eles estavam fazendo. Luke leva as mãos até a cintura dela, erguendo-a de forma que desse para colocá-la em cima da pia de mármore do lugar. Ela passa a beijá-lo de forma intensa, entrelaçando suas pernas na cintura de seu ex-namorado. Ela sabia que jamais dariam certo, mas o seu corpo encaixava tão bem no dele...

Os lábios do garoto desgrudam-se da boca de sua pequena, deslocando-se até seu pescoço macio, o que a fez suspirar de prazer, jogando o corpo para trás de um jeito que o fez sorri de lado. Ele sabia bem que ela não o pertencia, e preferiu encarar aquilo somente como um reencontro entre amigos... Mas era tudo muito difícil quando se tratava da pequena e indomável Leithold. E era impossível vê-la apenas como uma amiga.

– Me faz sua, Luke... Eu quero ser sua. – A garota pede entre suspiros manhosos, logo levando os dedos experientes e apressados até os botões dos jeans surrados do rapaz, brincando com o mesmo antes de tirá-lo por completo. – Merda, tire logo essa maldita blusa. Está atrapalhando meus planos de arranhar suas costas...

O garoto ri nasalado, para logo tirar seu casaco de flanela vermelho, fazendo a garota suspirar aliviada e levar as unhas médias até as costas largas e levemente musculosas de Hemmings, arranhando-as, com a intenção de deixá-lo marcado. Nenhuma vadia iria querer ir para a cama com alguém que fosse comprometido. Pelo menos Scarlett tinha isso ao seu favor.

Luke chuta sua calça para longe e dá adeus a sua blusa por um tempo, segurando firme nas coxas de sua garota e a levando para uma das cabines mais próximas, dando graças ao bom Deus por não estar fedendo. Ele não queria que algum homem entrasse e visse o corpo nu de Scarlett. Enquanto eles estivessem juntos, somente ele poderia ter aquela visão privilegiada. Na verdade, ele era bem possessivo quando se tratava dela.

Ele fecha a cabine com a ajuda de um de seus pés, logo se sentando na tampa do sanitário e deixando que Scarlett fizesse um bom trabalho enquanto rebolava em seu colo, lambendo seu pescoço como uma gata bem educada faria. Ele sorri com os olhos fechados, levando os dedos até a barra da camisa curta que ela usava. Maldita. Ela sempre gostava de exibir o que tinha.

– O que está esperando? Tire logo de uma vez... – Ela rosna entre dentes, para logo levar as próprias mãos até a barra da pequena blusa, tirando-a e jogando-a no chão, para logo tomar o rosto de Luke entre suas mãos e beijá-lo com vontade enquanto ainda rebolava em seu colo. O rapaz sentia que iria perder toda a noção que ainda tinha...

Ela estava adorando causar tudo isso.

✖ ✖ ✖

Leithold sai do bar antes de Luke, com os braços cruzados na frente do corpo, tentando proteger-se do frio e da leve garoa noturna. Seu táxi a aguardava, e Luke sentia-se culpado por não poder levá-la até sua casa sem ser morto pelos empregados de Sr. William. E ele mal via exageros nesse pensamento.

– Foi incrível. – Scarlett deixa escapar, virando-se para o garoto.

– Não se acostume. Isso não vai acontecer de novo. – Ela dá de ombros, sabendo que tudo aquilo era uma falsa máscara. Scarlett sabia que Luke nunca conseguia cumprir sua promessa de “jamais me aproximar dela. Nunca mais”.

– Não? – Ela se aproxima dele, dedilhando o colarinho de sua blusa antes de puxá-lo bruscamente ao seu encontro, fazendo o garoto engolir a seco. Scarlett riu. – Diga isso somente quando for forte o suficiente para me afastar quando eu estiver prestes a te beijar. Me diga, Luke... Você quer que eu me afaste? – Ela inclina levemente a cabeça. O garoto avança sem pensar duas vezes, capturando os lábios dela com os seus, a beijando vorazmente, sem se importar com o gosto que definitivamente ficaria em sua boca por mais tempo. A garota o afasta, depositando um beijo leve em sua bochecha, para logo o soltar. – Preciso ir, Luke. Pode deixar, eu vou te dar o que você quer: isso não vai mais acontecer se eu te encontrar novamente. – Scarlett não permite que Luke dê sua resposta. Ela logo entra no táxi, que dá partida em direção a casa dela.

Luke ficara sem chão.

Ele a queria mais do que qualquer outra coisa, e sentia-se frustrado com o fato do pai dela sempre achar que é o dono da razão, e que somente o que ele planeja é o melhor para Scarlett.

Luke odiava aquele homem.

E não era só porque o mesmo se recusava a fazer suas vontades. Não. Luke o odiava pelo simples fato de não deixar que Scarlett vivesse. Por mais que a menina optasse por escolhas erradas, ela jamais fazia isso com segurança, como ele. Ok, ela tentava demonstrar coragem, mas Luke sabia muito bem que era mentira. Uma mentira bem grande. Ela tinha medo de seu pai, e jamais conseguiria enfrentá-lo como sonhava em fazer.

Luke revoltava-se com isso.

Ele queria que Scarlett pudesse viajar com ele. Sentir a brisa macia afagar seu rosto. Ele queria mostrar a ela o gosto do mundo, enquanto sentia o gosto de seu corpo. Ele queria protegê-la das coisas ruins e aproveitar as coisas boas junto com ela. Luke tinha o maldito sonho de fazê-la feliz, mas era impossível quando todos torciam para a infelicidade dos dois.

Luke simplesmente para de pensar e caminha em direção a sua moto, subindo na mesma e dando partida até sua casa. Ele sabia que faltavam apenas algumas horas para o primeiro dia de aula na nova Universidade Yaler, e ele estava o mais puro e concentrado desânimo. Ultimamente, ele só tinha vontade de ficar debaixo do edredom, escrevendo músicas sobre a pele macia de Scarlett e tendo muito sono pela manhã.

Sua mãe caracterizava-o como “o parasita do lar”. Luke tinha um irmão mais novo, que sempre pedia para que ele fosse nos treinos, mas ele nunca estava presente. O que estava fazendo de melhor? Nada. Absolutamente nada. Ele via mais graça nisso. Quando ela pedia para que ele colocasse o lixo para fora, ele fingia que não escutava. Ele era uma espécie de hóspede, que só estava na casa de sua mãe para dormir e comer.

Ele não se orgulhava disso. Nem um pouco. Mas o que quer que fizesse, ou onde quer que fosse sem Scarlett, não tinha graça. Ele até gostava dos treinos de futebol americano do seu irmão, mas gostava ainda mais quando dividia o pacote de amendoins com sua Leithold.

A vida era uma merda.

Logo ele estaciona sua moto na garagem de casa, para logo tirar seu capacete, bagunçar os fios claros e descer da moto, indo para dentro de casa. Sua mãe estava no auge dos 50 anos de idade, e ainda apostava na loteria. Luke as vezes torcia por ela em segredo, pois pensava que, se ele fosse rico, o pai de Scarlett não o odiaria tanto. Era uma possibilidade.

Senhora Hemmings dormia tranquilamente no sofá da sala com uma cartela azul em mãos. Alguns números estavam marcados, e ela possuía uma sorriso no rosto. Luke ri fraco, tirando o papel de sua mão delicada e a obrigando a deitar-se no sofá sem acordá-la. Ele pega um cobertos no armário da área de serviço e cobre sua mãe. Antes de ir para seu quarto, ele deposita um beijo demorado na testa dela, afagando seus fios castanhos antes de subir as escadas, indo em direção ao quarto de Chuck.

O garoto jogava videogame em pé na cama, dando alguns pulinhos as vezes, animado com a partida de futebol. Luke revira o olhos, tirando seu casaco da cintura e o estalando nas pernas do menor, fazendo-o rir e pausar o jogo, jogando-se na cama.

– Achei que fosse ficar mais tempo no bar. Você nunca volta antes das 23h. – Luke dá de ombros, sentando-se ao lado do garoto.

– Hoje foi rápido. Não queria ficar bêbado. – Chuck ri, mexendo-se levemente na cama. – Do que você está rindo, pequena praga?

– De você e desse sorrisinho no canto da sua boca. Já ficou bem claro. A titia Scar estava lá? – O sorriso de Luke se desfaz ao ouvir aquela maldita mania que Chuck tinha. Hemmings suspira, dando de ombros.

– Sim, estava. E pare de chamá-la assim. Não estamos mais juntos.

– Mas você sente vontade de estar, o que é quase a mesma coisa pra mim. – Luke revira os olhos. – Se continuar desse jeito, vou te levar pra um psiquiatra.

– Pra onde você acha que eu vou te levar se não parar de falar? – Chuck gargalha quando o mais velho passa a fazer cócegas nele, mas logo para, com medo de acordar a mulher no andar de baixo. – Desliga esse videogame e vai dormir. Amanhã nós temos aula.

– Tudo bem, irmão chato. – Chuck cantarola, dando play no videogame. É claro que ele não obedeceria.

Luke caminha para o seu quarto enquanto tira sua blusa. Ao chegar lá, ele joga toda sua roupa em cima da cama, indo direto para o banheiro com uma toalha e uma boxer verde em mãos. Ele não tinha paciência para escolher cores. Afinal de contas, ninguém veria mesmo.

Pelo menos ele havia acertado quando foi com boxer vermelha para o bar. Scarlett sempre dizia que vermelho era a cor certa para ele.

Obrigado, Universo.

Hemmings entra no box, ligando o registro no mais frio possível. Ele precisava despertar e tirar todo minúsculo resíduo de perfume de Scarlett que ainda pudesse estar em seu corpo.

Ele não queria se lembrar dela.

Pelo menos era essa sua vontade.

Mas nada ia de acordo com suas vontades mesmo...

Ele se lembraria dela.

Com certeza.

✖ ✖ ✖

O rapaz acorda com seu despertador tocando aquela maldita música do Bon Jovi, que o fazia ter calafrios. Ele sabia que aquela música possuía o significado de “ou você levanta, ou trabalha no Burguer King. Escolha”.

Ir para uma nova Universidade não estava nos planos de Luke. Na verdade, Luke não tinha muitos planos. Tudo o que ele queria era encher uma mochila com comida, CDs das suas bandas de rock prediletas, colocar Scarlett em seu colo e ir para um lugar bem distante da calorenta Califórnia.

Ele só queria paz.

Coisa que ele não conseguiria ter se Scarlett fosse com ele.

Reformulando: Ele só queria comida e rock. Só isso.

Após secar seu cabelo úmido, Luke veste a blusa do colégio e um jeans para lá de surrado. Ele amarra seu casaco na cintura e pega sua mochila, que ele – por algum milagre – havia lembrado de arrumar ontem pela manhã.

Ele desce as escadas, caminhando para a cozinha em passos gloriosos, ou pelo menos ele tentou acreditar que poderiam ser classificados assim.

– Bom dia. – Ele faz um cumprimento geral, recebendo um tapa nas costas de Chuck.

– Bom dia. – Luke estala um beijo na bochecha de sua mãe assim que a mesma termina de falar, a fazendo sorrir. Amme era sortuda por tê-lo. – Animado para o novo colégio? – Ela pergunta, dando uma mordida em seu sanduíche.

– Para ser sincero, nem um pouco. – Ele suspira, pegando um suco de laranja na caixa dentro da geladeira, suspirando. – Provavelmente não serei aceito em nenhuma fraternidade, os clubes não vão estar nem ai pra mim, e eu vou ser o nerd que anda pelos cantos da escola mordendo a almofada do dedão e que se masturba pensando nas líderes de torcida se aquecendo para o treino. – Chuck gargalha, fazendo a mãe revirar os olhos.

– Não seja tão negativo, Hemmings. – Ela se levanta. – Seu pai ficaria orgulhoso em ter ver entrando pra essa Universidade. É uma grande oportunidade, filho.

– É... Uma grande oportunidade. – Dou de ombros. – Vamos, praga? – Chuck assente, se levantando e indo pegar sua mochila. Luke dá um gole no suco, para logo fechá-lo, deixando-o em cima do balcão. Amme bufa. Era tão difícil pôr as coisas em seu devido lugar? – Tchau, mãe.

– Boa aula para vocês dois. – Ela murmura sorrindo.

– Tchau, mamãe. – Chuck grita antes de fechar a porta. – Vamos de ônibus?

– A pé, mocinho. A mãe tá precisando economizar. – Luke captura seu skate com uma das mãos, colocando-o nas costas, dentro da mochila, sem se importar se amassaria seu material.

– Mas nós vamos a pé todos os dias! Ela não conseguiu juntar o dinheiro ainda?

– Pare de resmungar. Está me irritando.

Amme podia não saber, mas Luke ouviu quando um homem veio visitá-los, dizendo que as despesas da casa estavam atrasadas. Antes de morrer, o pai de Luke não disse muita coisa, mas o rapaz aposta que ele diria algo sobre cuidar da família, afinal, até Chuck ter pêlos pubianos, Hemmings era o novo homem da casa.

E Luke seria capaz de tudo, menos de ver a família sem ter o que comer, morando nas praças da Califórnia. Além do mais, isso era por pouco tempo. Ele tinha fé que sua mãe ganharia com aquela tal cartela azul.

– Odeio andar. – Chuck resmunga, o despertando de seus pensamentos.

– Ainda bem que você tem pernas para isso. – Luke rebate, rindo do irmão.

– Vamos de skate! – O mais novo sugere em tom animado.

Luke avalia a proposta. É, era uma boa ideia.

Hemmings tira o skate de suas costas, colocando-o no chão e abaixando. Chuck entende o recado, subindo nas costas do seu irmão, que ri, passando a dar impulso com o pé. Chuck ria alto, com adrenalina dançando em seu corpo. Era divertido ter Luke como irmão. Muito divertido.

Ao chegar na escola do mais novo, Luke para o skate e o coloca no chão, ajeitando seus fios loiros acastanhados, fazendo-o franzir o cenho, bagunçando-os novamente.

– Não faça nada que eu não faria. – Luke diz, tentando esconder a vontade de rir. – Vai estudar. – Ele o empurra, para logo dar impulso, retirando um papel amassado do bolso e vendo o endereço da Universidade. Porém, assim que seus olhos se direcionam para o “Avenida”, ele sente algo batendo em seu corpo, fazendo-o cair com tudo no chão, arranhando sua bochecha e a palma de sua mão. Um garoto loiro ergue-se, rindo do estado de Luke.

– Presta atenção, otário.

O carro sem teto acelera e, antes que ele simplesmente fosse embora, Luke ergue a cabeça com dificuldade, vendo madeixas loiras de uma certa conhecida no banco de carona.

Maldita Leithold.

Notas finais
Música tema do Luke: https://www.youtube.com/watch?v=88mg_p6HXLg
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.