Vizinhos
6 Capítulo 6 - First Step
Notas iniciais
Era uma tarde bem tranquila e Aster estava sentado no sofá de sua sala, tentando revisar seu trabalho com certa dificuldade. Isso porque o rosto de seu vizinho volta e meia invadia sua mente e não o deixava se concentrar, mas isso já estava se tornando até comum para ele. Jack surgia tão facilmente em seus pensamentos que nem tentava mais lutar e sabia que também tinha que arrumar toda sua situação com ele, principalmente depois do que havia acontecido há alguns dias atrás, em suas janelas. Foram arriscados, muito arriscados por sinal... A Sra. Frost estava em casa naquela noite, mas felizmente costumava ouvir a TV bem alto e por isso não havia escutado o filho. Se alguém tivesse passado na rua naquele momento, então tinham que torcer para que não fossem conhecidos de tal pessoa.
Bunnymund se sentia culpado por ter se deixado levar daquela maneira mesmo que aquele garoto sempre tenha o levado a limites extremos, afinal era o adulto da dupla e tinha que ter tido mais consciência de seus atos no momento. Jack ainda era um adolescente, mesmo que faltasse pouco para atingir a maioridade e ele já era um homem de meia idade, sendo assim podendo ser facilmente acusado de ter seduzido e desvirtuado o rapaz. Pelo menos ainda não havia tocado em Jack fisicamente... Ainda. Vontade não lhe faltava naqueles últimos dias e ainda não tinham conseguido conversar direito pelo albino estar na temida semana de provas, então devia ter mergulhado a cabeça nos estudos. Se não por sua própria vontade, pelo menos a mãe o persuadiu a isso.
Sabendo que não conseguiria se focar, Aster deixou o trabalho para outra hora e decidiu ir cuidar da horta no quintal da frente para se distrair um pouco, isso o ajudava a colocar os pensamentos em ordem. De um terrível incomodo, Jack passou a ser um enigma para si e atualmente era a pessoa por quem nutria um sentimento muito forte. Inicialmente era raiva, mas agora não podia classificar dessa maneira já que realmente se sentia atraído e desejava o rapaz com cada vez mais força. Devia ter perdido o juízo, era o que pensava de si mesmo... Se apaixonar por um garoto era uma coisa que jamais havia passado por sua cabeça, mas lá estava ele pensando em Frost, desejando ver ele e até descobriu que podia sentir ciúmes dele. Ontem mesmo o vira jogando um pouco de bola na rua com os amigos e qual não foi sua surpresa ao sentir aquela característica irritação sempre que algum garoto tocava o albino com muita proximidade.
Estava mesmo perdido, havia entrado em um caminho no qual não sabia se realmente queria encontrar a saída e precisava se entender com aquele rapaz de uma vez. Ou deixavam as coisas claras ou teriam que se afastar até todas aquelas sensações e sentimentos sumirem de vez. Jack ainda era jovem, tinha muito o que viver e muitas pessoas a conhecer, provavelmente encontraria alguém mais interessante e mais próximo de sua idade dali há algum tempo e isso trazia uma insegurança para Aster da qual não costumava se permitir ter. Com Jack, sempre correria riscos... Dentro e fora de um possível relacionamento, afinal além da diferença de idade também havia o fato de ambos serem homens e a sociedade, mesmo que mais liberal atualmente, ainda não aceitava completamente esse tipo de relação.
Enfim, a cabeça de Bunnymund fervia de pensamentos e contradições até que desviou a atenção para o quintal alheio assim que ouviu barulho no portão. Jack havia acabado de chegar, sendo que havia saído da escola e ido até a casa de um dos amigos para jogar vídeo game, podendo se distrair um pouco depois de um massacrante período de provas. Estava cansado e por isso tinha a intenção de seguir reto e entrar em casa, tomar um bom banho e tirar um cochilo até a hora do jantar, mas seus olhos se desviaram para a casa ao lado, suspirando ao pensar no vizinho. Queria vê-lo, já fazia um tempo que não se falavam e não fazia ideia do que poderia estar se passando na mente do outro depois do que houve. Por fim acabou percebendo a presença de Aster no quintal e não conseguiu conter uma risadinha ao ver apenas o topo de seus cabelos e os lindos olhos verdes atrás da cerca.
– Eu já te vi, coelhão! – o garoto avisou com o costumeiro bom humor, ainda mais que havia se lembrado mesmo de um coelho com a cabeça para fora da toca, só faltaria as orelhas.
– Oi para você também, Jack. – resmungou, se erguendo finalmente e se apoiou na cerca – E as provas?
– Fiz a última hoje, ainda bem. – deixou escapar um suspiro de alivio, mostrando como estava cansado – Se eu visse mais um questionário na minha frente, acho que iria pirar.
– Pense pelo lado bom, agora vai poder ficar livre de novo. – tentou confortá-lo de alguma maneira, mas logo ficou um pouco sério – Jack, precisamos conversar.
– Eu imaginei... – o albino engoliu em seco, um pouco preocupado.
– Bem, venha aqui em casa amanhã depois do almoço... Pode ser?
– Combinado.
Apesar de um pouco hesitante sobre o que aquela conversa traria para os dois, acabou sorrindo e jogando uma piscadela para o vizinho antes de entrar em casa. Bunnymund balançou a cabeça e deixou um pequeno sorriso tomar seus lábios, pensando que aquele garoto realmente fazia o que queria e como queria, por isso mesmo o deixou tão louco da vida no inicio e agora o deixava louco em outro sentido. Decidiu voltar para casa, finalmente meter a cara no trabalho que estava acumulando e pensar no que preparar para o jantar. Amanhã teria uma conversa decisiva com Jack e precisaria estar totalmente preparado para isso, esperando que o adolescente também se preparasse.
... X ...
No dia seguinte ambos cuidaram de seus assuntos matutinos e esperavam com certa ansiedade o encontro da tarde. Antes disso, claro, veio o almoço e puderam ficar bem alimentados afinal a Sra. Frost era uma cozinheira de mão cheia e Aster não era nada mal pilotando o fogão, como um costumeiro homem solitário. Depois de abastecido, Jack teve que ajudar a mãe com algumas coisas em casa antes de poder sair, o que aumentou sua ansiedade e o fez praticamente saltar a cerca entre as duas casas o mais rápido possível, apesar de não ter estabelecido um horário para o encontro com seu vizinho. O que tivesse que sair dali, seria definitivo e tanto um como o outro estava bem consciente disso. Bunnymund veio atender a porta assim que ouviu batidas e deixou o garoto entrar, apontando o sofá em silencio para que ele se sentasse.
– Bem, estou aqui... Vai me aplicar a cadeira elétrica ou a forca? – Jack não resistiu em começar com suas brincadeiras assim que notou o clima pesado demais pelo semblante extremamente sério do outro.
– Isso vai depender de que rumo tomaremos com essa conversa. – Aster não deu margem para a provocação alheia, muito menos se irritou. Não era hora de perder a cabeça nem de fazer gracinhas – Ultimamente temos vivido tempos estranhos... Incomuns e inimagináveis.
– Eu concordo... Quando eu ia imaginar que ia ficar gamado no meu vizinho carrancudo. – por ser um moleque ainda não conseguia se brecar tão fácil, mas estava levando o assunto a sério a sua maneira.
– Jack, sinceramente... É isso mesmo que sente por mim? – Bunnymund encarava o rapaz, suspirando em seguida – Inicialmente eu achei que isso pudesse ser apenas mais um plano seu para me irritar, mas... Já não acredito nisso e devido aos últimos acontecimentos, estou me convencendo de que fui arrastado por esses sentimentos também.
– Fala do que fizemos nas janelas? – questionou, embora soubesse ser exatamente isso – Bom, eu realmente quis te provocar naquela hora... E consegui muito mais do que eu esperava. Está caidinho por mim também, não é? – não resistiu em abrir um sorriso amplo com essa pergunta.
– Pirralho... – Aster resmungou, mas permaneceu focado no assunto – Sabe o quanto isso foi errado? Poderíamos ter sido pegos, tivemos muita sorte... Além disso, eu sou bem mais velho que você Jack. Ficar com alguém da sua idade é praticamente um atestado de pervertido...
– Ei, eu vou fazer dezenove logo! – foi a vez do albino resmungar, mas começou a pensar no lado do outro também – Eu sei que temos uma diferença de idade, mas eu nunca parei pra pensar nisso. Digo... Não me incomodo com isso, eu gosto de você do mesmo jeito. E eu sei que você vai dizer que por sermos dois caras, a situação piora... Mas eu não posso querer estar com quem eu quero e ser feliz assim?
– Claro que pode, mas você ainda é jovem e tem muito que aprender. Tem muita coisa ruim nesse mundo, pessoas que vão te julgar por cada mínima coisa que fizer e pode sofrer, mesmo que não tenha dado motivo algum para isso. – Aster era a voz da experiência da dupla, tinha que mostrar os riscos do caminho que o garoto queria trilhar – Além disso, isso que você está sentindo pode ser uma mera curiosidade, animação passageira... Uma experiência que você queira viver por um curto período de tempo. Afinal está cheio de pessoas interessantes por ai... Eu não acredito que acabe tendo uma relação duradoura comigo.
– Você é uma pessoa interessante. – Jack rebateu e decidiu falar o que pensava dele, mesmo que isso lhe rendesse um rubor pelas bochechas – Assim que eu te conheci, fiquei intrigado com essa sua cara amarrada, como se tivesse chupado limão azedo estragado. – riu da cara que Bunnymund fez em seguida, pegando um dos travesseiros do sofá como escudo – Eu queria ver outra expressão no seu rosto, por isso fiquei te importunando... Mas ao invés de um sorriso, eu só conseguia receber sua irritação e o rosto mais fechado. Você me intrigava com isso, me instigava a continuar tentando... Inconscientemente eu estava sempre procurando saber mais de você.
– Pelo menos sabe direitinho como me deixar bufando de raiva. – Aster acabou sentindo o coração tamborilar com aquelas palavras... O garoto sabia como se expressar, mesmo que de forma simples – E então você se descobriu atraído por mim?
– Bom, como eu te disse antes... Te ver só de toalha parece ter desencadeado algo no meu cérebro e no meu corpo, algo que nunca senti antes. Eu simplesmente não conseguia parar de pensar em você assim e como estava bonito. Quando eu percebi, já estava tendo que me aliviar por conta de algum sonho erótico com você.
– Te ouvir falando assim continua parecendo tão surreal... Mas tive muitas provas de que diz a verdade. – se fosse pensar nas vezes que pegou o albino se tocando, mesmo que de longe, iria perder completamente o foco – Eu nunca pensei que perderia a cabeça daquele jeito, mas quando notei já estava te acompanhando e pensando que seria bom se não tivesse aquela distancia.
– Então você realmente gosta de mim também. – Jack se sentiu alegre e não resistiu em se aproximar do outro, segurando seu braço – Vamos, você bem que podia dizer... Eu já te disse.
– Jack, precisamos continuar. – alertou, vendo o garoto morder o lábio inferior ao se sentir contrariado – Eu realmente sinto alguma coisa por você, não vou negar... Mas entende como isso será difícil? Sua mãe principalmente poderá ir contra e até me acusar de ter te seduzido ou algo assim... Na rua boa parte das pessoas não vai ver com bons olhos, talvez nem mesmo nos enxerguem como um casal e sim como parentes. – não que fosse tão velho assim, mas se insinuassem algo assim ia se sentir bem desconfortável – Temos gostos, personalidades e objetivos completamente diferentes. Praticamente somos opostos e eu não vejo como isso pode dar certo.
– Eu sei que está tentando me mostrar como essa relação pode ser uma furada. Mas entenda... – Frost acabou levando as mãos até rosto do outro para que se encarassem fixamente – Eu sou um moleque teimoso e quando eu quero uma coisa, não costumo desistir dela. Nesse momento o que eu mais quero é estar com você, então eu vou ser egoísta e assumir todos os riscos se eu puder ter uma chance. Você é mais racional e eu sou mais emoção, tudo pode dar errado e mesmo assim quero te calar com um beijo. Eu não sei do futuro, mas me importo com o presente... Será que não podemos viver nele juntos?
Os olhos azuis brilhavam como safiras, era o que Bunnymund pensava depois de ouvir aquelas coisas do albino. Ali estava o garoto travesso e irritante que tirava sua paz mostrando toda sua vontade de estar perto de si, exibindo pontadas de maturidade... Será que ele deixaria de ser um brincalhão incorrigível dali a alguns anos? Isso não importava realmente, Jack tinha razão afinal. Preocupação demais com o futuro o faria esquecer o presente e nele estava realmente tentado a mergulhar em um relacionamento com o outro. Como sabia dos problemas que viriam, como imaginava as barreiras que teriam que enfrentar, como calculava todas as falhas daquela união ilógica, mas o amor não era uma conta que gerava um resultado exato. A instabilidade desse sentimento é que o tornava tão imprevisível e gerava receio.
Como Aster parecia ter se perdido em pensamentos, o adolescente decidiu matar sua vontade e encurtou a distancia que havia entre eles, colando os lábios um no outro. Seu vizinho despertou finalmente e não o afastou, na verdade o acomodou em seu colo e trocaram seu primeiro beijo que carregava muitas emoções. As bocas se encaixavam lentamente e o encontro tímido entre as línguas pouco a pouco foi intensificado, transformando o beijo em um profundo contato. Jack sabia o que fazer, mas a experiência do outro lhe rendia pontos para deixar o garoto completamente arrepiado e entregue em seus braços, fazendo Bunnymund perceber como poderia desarmá-lo. Quando o beijo foi encerrado, Frost tinha um sorriso nos lábios e o outro soltou um suspiro de desistência.
– Você fez algum pacto com aquela minha cueca, não é possível...
– Que nada, é você que não resiste ao meu charme. – ria novamente das expressões alheias, mas voltou a se arrepiar assim que ganhou uma mordidinha no queixo – Enfim... Vai deixar de ser tão cabeça dura e me dar uma chance?
– Acho que perdi o resto de sanidade... Mas sim, vou. – concordou e revirou os olhos ao ver o garoto erguer os braços na maior animação, comemorando – Vamos fazer as coisas direito... Conversar com sua mãe e tudo. Quanto menos problemas melhor, por mais que não possamos escapar de alguns.
– Por mim tudo bem... Qualquer coisa para estar com você. – apoiou a testa na de Aster, pensando que sua mãe iria levar um susto e tanto, mas esperava que ela compreendesse – E você não tem idade pra ser meu pai, relaxa... Pensem o que quiser, eu ainda acho você um pedaço de mau caminho.
– Ah é? – acabou rindo daquela denominação que recebeu – Deveria continuar com a boca ocupada para que não diga mais besteiras.
– Farei isso com o maior prazer.
Jack voltou a tomar os lábios alheios, agora com mais vontade e alegria por conseguir estar perto do outro daquele jeito, como sempre quis. Foi retribuído como antes e passaram alguns minutos curtindo os beijos, gravando o sabor na memoria por completo. O albino era um pouco mais afobado e suas mãos não ficaram quietas, deslizando pelos braços, ombros e costas do vizinho até chegar ao fim da camisa que ele usava e tentar invadi-la. Bunnymund sentiu um arrepio com a ponta dos dedos alheios tocando seu abdômen e imediatamente segurou o pulso do rapaz para barra-lo, apartando o beijo em seguida com um olhar semicerrado. Parecia ter adivinhado as intenções de Jack, mas não parecia compartilhar da mesma ideia.
– Jack, é cedo para isso... Pare.
– Não é tão cedo assim, eu estou louco pra isso faz tempo... – resmungou, tentando tocá-lo novamente.
– Mesmo que deseje e fantasie, fazer isso é muito diferente. Lembre-se: você é um garoto e eu não quero me sentir mais culpado do que quando fizemos aquilo nas janelas.
– Será que pode deixar de me ver como um garoto e sim como seu namorado? – ao ser contrariado de novo, Jack cruzou os braços e fechou a expressão – Estávamos indo tão bem, porque tinha que estragar tudo?
– Quem estragou foi você, apressadinho. – rebateu com tranquilidade e pensava que finalmente estava conseguindo domar o adolescente de alguma forma – Vamos oficializar as coisas com sua mãe e ver o que acontece... Tenha um pouco de paciência.
– Eu detesto esperar! Mas já que é assim... Tem que falar com ela hoje.
Os dois acabaram entrando em um acordo e depois de mais alguns beijinhos trocados, Jack foi para a casa e comentou com a mãe que havia convidado o vizinho para jantar aquela noite. Sra. Frost estranhou um pouco o convite repentino, mas aceitou em seguida e começou a pensar no que fazer para os três comerem. O albino ficou ansioso pelo resto do dia já que iriam contar sobre seu relacionamento para ela e dependendo de como reagiria, o namoro poderia ser bom ou já começar com um belíssimo problema. Jack tentou ser otimista ao máximo e até ajudou a mãe na hora de preparar o jantar, indo correndo atender a porta quando ouviu a campainha. Sra. Frost percebeu toda essa agitação do filho e estava bastante curiosa pelo motivo disso.
Aster foi bem recebido por mãe e filho, guiado para a cozinha em seguida onde um caprichado jantar o esperava. Se sentia num encontro para conhecer a “sogra”, embora já conhecesse a mulher há um bom tempo e sabia ser uma pessoa amável e compreensiva. Contava com isso para que seu namoro com Jack fosse aceito... Ou pelo menos respeitado. Durante a refeição tudo correu tranquilamente, com longas conversas entre o vizinho e a dona da casa, sendo que o albino estava ainda mais ansioso para que tocassem no verdadeiro assunto de uma vez. Quando estavam compartilhando a sobremesa é que ele finalmente veio à tona, iniciado pela própria Sra. Frost sem que ela notasse.
– Me surpreendi quando meu filho avisou que havia o convidado para jantar, Sr. Bunnymund. Sempre achei que não se suportavam... E a culpa era de Jack, claro. Sempre aprontando das suas...
– De fato seu filho me provocou com suas artimanhas por muito tempo... Mas acho que isso mudou. Quero dizer... Temos nos entendido melhor ultimamente.
– Oh, é mesmo? Fico feliz com isso, meu filho tem que aprender que não é mais uma criança para fazer essas coisas. Tinha medo que o senhor acabasse indo embora do bairro por conta dele...
– Isso me passou pela cabeça, mas agora... – Aster deu um olhar demorado na direção do outro – Não pretendo sair daqui, de forma alguma.
– Ótimo! O senhor é um vizinho muito agradável, seria uma pena que se fosse... Se Jack pudesse aprender uma ou duas coisas com você, creio que seria um pouco mais maduro.
– Talvez eu tenha a chance de ensinar isso a ele, dada às circunstancias atuais. – ao ver a mulher erguer uma sobrancelha, curiosa com suas palavras, se preparou para dar a noticia – Digo... Jack e eu tivemos uma conversa hoje mais cedo e... Queremos ter um relacionamento.
– Namorar, mãe. – o albino não queria perder tempo com mais rodeios, então foi direto ao ponto – Eu gosto dele já faz um tempo e hoje eu finalmente consegui que ele retribuísse isso. E queremos fazer as coisas direito, então o primeiro passo era contar a você.
– Namorar?! – Sra. Frost arregalou os olhos, olhando de um para o outro com incredulidade. Esperava qualquer coisa daqueles dois, menos isso. – Filho, isso é... Oh céus, agora entendo o que aquela cueca faz no seu quarto.
– Você achou?! – Jack foi tomado pelo rubor ao saber que sua mãe, provavelmente indo guardar suas roupas no armário, encontrou a cueca de Aster em meio as suas. Era maior e de estilo diferente do que costumava usar, claro que ela descobriria – Olha, isso foi uma das minhas estripulias... Quando eu peguei essa cueca do varal dele foi quando eu comecei a me dar conta do que sentia. Mãe, eu sei que deve estar chocada, mas... O que eu sinto é serio! Eu realmente sou louco por esse rabugento!
– Ei! – Bunnymund também estava ruborizado, engolindo em seco pelo garoto ser tão direto sendo que tinha se preparado para levar a conversa o mais lentamente possível – Sra. Frost, eu não quero que pense mal de mim ou que fiz alguma coisa para levar o seu filho por esse caminho... Quando percebi, Jack já estava sentindo isso e inicialmente eu pensei que pudesse ser mais uma das brincadeiras dele, mas não é. Também saiba que eu estou tratando-o com o maior respeito, eu sei que ele é só um garoto e...
– Esperem um pouco. – a mulher pediu, vendo os dois se calarem automaticamente e enfim ela pode respirar fundo, levando alguns minutos para pensar no assunto – Isso definitivamente não era o que eu esperava... Vocês começaram com isso hoje mesmo? Não fizeram nada antes?
– Lhe dou minha palavra que não toquei em Jack.
– Por mais que eu quisesse. – completou o adolescente, recebendo um olhar atravessado do vizinho.
–Oh... Mas vocês são, quero dizer... São dois homens e tão diferentes. Meu filho é um menino e senhor já é um homem formado. – ela parecia bastante confusa, apesar de não ser uma pessoa preconceituosa – Pelo menos me sinto melhor por terem vindo falar comigo logo de cara. Só não sei como digerir isso ainda...
– Mãe, escuta... – Jack segurou uma das mãos dela, sorrindo amorosamente – Eu sei que sempre te dei trabalho e sou um travesso nato, além de ter sempre feito o possível para perturbar o Aster. Mas aconteceu... Quando eu vi, já estava amando e eu quero viver isso. Eu sei que é arriscado, tem um monte de problemas... Ele já listou todos pra mim, não precisa repetir o discurso. – revirou os olhos e isso fez com que ela risse – Ainda assim eu quero arriscar e se eu tiver a senhora do meu lado, me apoiando nisso, eu sei que qualquer fardo que aparecer será menos pesado.
– Meu filho... Meu bebê.
Lágrimas vieram aos olhos da Sra. Frost, abraçando-o em seguida com muito amor e carinho, do jeito que só uma mãe consegue dar. Aster ficou admirando a cena com um pequeno sorriso, imaginando que o relacionamento seria aceito mesmo com um pouco de dificuldade. Ela concordou com o namoro, mas avisou que ficaria de olho nos dois e ao menor sinal de que Jack não se sentisse bem com o relacionamento, iria ter uma conversa muito séria com o vizinho. Bunnymund fez mais algumas promessas que cuidaria bem do albino e iria respeitá-lo, se controlando para não rir da expressão contrariada de Jack. Ele teria que ser paciente e esperar, porque mais que alguns beijos e abraços não poderiam ter. Mas haviam passado a primeira barreira com louvor e tinham que comemorar, por isso a Sra. Frost trouxe mais sobremesa e passaram o resto do tempo com agradáveis e divertidas conversas.
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