Vizinhos

8 Bônus - Somethings Never Change


Notas iniciais
Ehhhhhhhh!! Uru Take-hime de volta com Vizinhos! Oi pessoal! Enfim vou colocar um ponto final nessa história, espero que os que me acompanharam até aqui tenham gostado, obrigado a todo o apoio que me deram, nos comentários e recomendações, eu dei o meu melhor nessa fic e executei exatamente o que havia imaginado pra ela (tirando a cena das janelas que me veio de repente na cabeça). Eu não me arrependo de nada, gostando do meu trabalho em primeiro lugar é uma forma de confiar que outras pessoas podem gostar (ou não) do que fiz. Eu pretendo trabalhar mais vezes com BunnyJack, eu realmente amo esses dois e boas ideias podem ser elaboradas com eles, então quem costuma olhar a categoria do filme pode me encontrar mais vezes. É a primeira vez que faço um bônus para uma fic, espero que vocês gostem e mais uma vez, obrigada por tudo! Sem mais delongas: Boa Leitura!

O sinal estridente tocou por todo o prédio e Jack o ouviu como se fosse o anuncio de sua liberdade, saindo da sala rapidamente como os demais alunos. Já devia estar acostumado com os trabalhos pesados e as tenebrosas provas durante os semestres, mas era sempre tão desgastante... Principalmente agora que o ano estava terminando. O que mais queria fazer era chegar em casa, tomar um bom banho e ir relaxar ao lado de Aster, curtindo um bom filme. Chegou a abrir um sorriso com a ideia, apressando um pouco o passo até que trombou com alguém no corredor. O garoto foi ao chão com o susto e Jack tratou de estender a mão, reconhecendo o amigo imediatamente.

– Sandy, me desculpe. – ditou ao ajudá-lo a se levantar – Se machucou?

O rapaz sorriu e negou com a cabeça, tranquilizando-o e seguiu com ele pelo corredor. Sandy era um ano mais velho que Jack, embora sua baixa estatura poderia dar a impressão inversa. Tinha lindos cabelos loiros que pareciam brilhar como ouro, olhos castanhos e apesar de muito sociável, não tinha muitos amigos. Isso porque era mudo e não conseguia se comunicar facilmente com os outros, era uma alegria para si que Jack entendesse seus sinais e assim conversavam sem maiores problemas. Se conheceram ali na faculdade mesmo e o considerava seu melhor amigo praticamente, além de ter se tornado um confidente do albino. Jack tinha certeza de que qualquer assunto que tratasse com o outro seriam respeitados e mantidos em sigilo.

– Finalmente acabou, teremos um descanso até o ano que vem... Meus ombros estão duros. – o albino resmungou e fez o outro rir, lhe dando tempo para respondê-lo com os sinais – Sim, eu sei. Mas se quiser me visitar, não tem problema nenhum... Até o Aster gosta de você, então certamente ele não iria se incomodar. – esperou mais um pouco e teve que sorrir – Está tudo ótimo entre eu e ele, você sabe... Nosso relacionamento já dura a 5 anos afinal. Tanto tempo se passou e eu não costumava pensar no futuro, mas estou feliz com isso. Tivemos nossos altos e baixos, problemas internos e externos, ainda assim conseguimos contornar isso e nos mantivemos unidos.

No inicio Jack evitava falar sobre seu relacionamento para não gerar mais conflitos, durante esses 5 anos aprendeu que nem todas as pessoas iriam aceitar facilmente e não queria trazer mais dor de cabeça para si ou para o namorado. Teve até certo receio de contar para Sandy, mas além da surpresa o loiro aceitou muito bem e lhe apoiou em momentos difíceis, por isso chegou a levá-lo para casa e este conheceu sua mãe e Aster, sendo adorado por ambos. Na verdade foi o namorado que lhe ensinou a linguagem de sinais e graças a isso conseguia entender plenamente o amigo, era até vantajoso quando não queria que as demais pessoas ao redor escutassem bastava sinalizar com ele também e a conversa se tornava, tecnicamente, secreta.

– O pior de tudo é que nesses dias que fico sobrecarregado com coisas da faculdade eu nem posso curtir meu namorado direito. No máximo arranco uns beijos dele, imagina isso? – Sandy negou com a cabeça e achava divertido ver como o amigo se mostrava dependente dos carinhos e toques de Aster – Eu sei que ele pensa no meu bem e que devo me concentrar pra tirar notas boas, eu quero me graduar aqui afinal... Mas encher minha cabeça com conteúdo e deixar meu corpo na miséria é cruel demais, não acha? – a expressão divertida de Sandy era adorável e o mesmo sinalizou um pouco mais a frente para mostrar a presença de alguém – Hm? Oh, é a Tiana...

– Jack! Sandy! – a garota acenava para os dois enquanto os esperava na saída do prédio – E então? Acham que foram bem?

– Se eu não for bem, vou ser castigado então espero que sim. – o albino devolveu com bom humor enquanto olhava para o loiro que respondia com sinais – Sandy diz que ele não sentiu muita dificuldade.

– Que bom... Eu também espero não levar bomba em nada. Mas na ultima prova eu já estava tão esgotada que não sinto que coloquei todo meu empenho... – ela ajeitou uma mecha de seu cabelo verde chamativo para trás da orelha, onde pendia um brinco de pena – Nem sei se lembrar do seu sorriso confiante me ajudou, Jack...

– Lembrar do meu sorriso? Que isso? Um amuleto?

– Não, é que eu adoro o seu sorriso! – ela devolveu carinhosamente e sorriu.

Os três caminharam até sair definitivamente do campus e iam conversando, sendo que Jack tinha que comunicar as respostas do amigo para Tiana já que ela não entendia a linguagem de sinais. O albino sabia que a garota tinha uma queda por ele e chegou a conversar com Sandy sobre isso, mas não tinha como retribuir os sentimentos dela e já havia sido claro quanto a isso, não havia outra pessoa no universo que pudesse ter seu coração além de Aster. Os três chegaram no ponto de ônibus e ali se separaram já que cada um tomava uma condução diferente e Jack veio escutando musica no celular até descer no ponto mais próximo de casa, caminhando lentamente até lá.

Sua mãe não estava em casa, na verdade ela havia viajado para o interior por causa de um parente adoentado e não pode ir com ela obviamente por causa da faculdade, mas preferia assim já que não queria ficar longe dos amigos e principalmente do namorado por muito tempo. Tomou um bom banho e colocou uma roupa mais confortável, não esquecendo de recolocar a aliança que vivia em seu dedo antes de sair de casa mais uma vez para ir até a do lado, tirando a copia da chave do bolso para abrir a porta. Era como ter duas casas, vivia indo de uma para a outra e quando recebeu a chave da casa de Aster foi uma alegria muito grande. O encontrou na mesa da cozinha conferindo alguma coisa no notebook e tratou de chegar por trás, passando os braços por seus ombros.

– Oh, chegou... Foi tudo bem? – Bunnymund ergueu a cabeça e ganhou um longo selinho nos lábios.

– Sim, foi. Pelo menos eu espero que sim...

– Eu também... Afinal me fez te ajudar nos estudos!

– Era muita coisa pra fazer! – se defendeu, roubando mais alguns beijos até que seus olhos azuis focaram na tela do aparelho – O que está vendo?

– Checando os e-mails. Vai ter uma reunião hoje com alguns velhos amigos, estava conferindo onde vai ser.

– Hoje? Justamente hoje?

– Sim Jack, hoje. Por quê? – Aster estranhou aquele tom, afinal não tinham marcado nada e não era uma data especial.

– Porque eu passei dias infernais e pensei que, como finalmente estou livre, ia poder relaxar e curtir com meu namorado... – o albino resmungou e chegou a ficar emburrado, lendo o e-mail alheio – Seus amigos tem bom gosto pelo menos, um Sushi Bar hein...

– Desculpe, eu nem percebi que seria no mesmo dia. – compreendia o incomodo de Jack, mas nada poderia fazer – Estamos combinando de marcar esse encontro há tempos, alguns são amigos que não vejo desde a faculdade, então vai ser algo nostálgico. Eu te levo se...

– Não, tudo bem. Eu estou cansado e não quero atrapalhar seu reencontro com o pessoal. – tranquilizou o namorado, sorrindo – Convenhamos, seria meio estranho eu estar lá no meio de vocês sendo que não os conheço nem nada assim... Ah, North vai?

– Sim, ele faz parte do grupo então não tem como deixar de aparecer. Tem certeza de que não quer ir?

Jack confirmou com confiança e Aster compreendeu, anotando o endereço do Sushi Bar em um papel a parte e desligou o notebook, se levantando para preparar o almoço dos dois, com a ajuda do albino. Não era de sair muito e como trabalhava em casa o seu lado caseiro havia se agravado, mas se não fosse dessa vez, certamente North iria invadir sua casa só para arrastá-lo até lá. Este era o seu amigo mais próximo e um dos poucos que sabia sobre sua relação com Jack, além dele ter feito questão de ser apresentado ao garoto. Lembrava do frio na espinha que sentiu quando North começou a analisar o albino de cima a baixo e pensou que ele fosse falar alguma besteira, mas apenas abraçou Frost e o tirou do chão com todo aquele seu jeito amistoso e bonachão de ser, rapidamente ganhando o afeto do rapaz.

Os dois almoçaram com tranquilidade, Jack falava de suas provas finais e tornava a agradecer pela ajuda que o namorado lhe deu nos dias anteriores, foi muito importante apesar de estressante. Aster pegava no pé dele para não fazer corpo mole e tentar guardar o máximo de informações possíveis, fazer revisões constantes e o que entendia chegava a lhe ensinar um pouco, mas preferia que o garoto caminhasse por si mesmo. Acabavam por ficar sem muito contato nesse período já que Jack precisava dormir cedo e depois que voltava da faculdade tinha uma nova sessão de intermináveis estudos, então tentava afastar qualquer distração que pudesse prejudicá-lo, isso incluía a si mesmo. Felizmente esses períodos passavam e mais alguns tempo o albino se formaria, então podiam suportar com certa tranquilidade.

Jack ligou para a mãe depois do almoço para saber como estavam às coisas e contar que as provas haviam terminado, felizmente parecia que tudo corria melhor por lá também e dentro de alguns dias a Sra. Frost estaria de volta. Depois de desligar, foi ajudar o namorado a escolher a roupa para a reunião com os amigos e tinha ímpetos de agarrá-lo para que não fosse, afinal se empenhou tanto naquele dia imaginando que finalmente poderia estar com ele... Ainda tinha um pouco do seu egoísmo infantil, mas sabia controlar isso muito bem e de certa forma queria que Aster se divertisse ao invés de ficar enfurnado em casa como sempre. Isso o fazia pensar em um meio de provocar o namorado, afinal nunca se cansava de ver sua expressão irritada, mesmo depois de todo esse tempo.

– Agora que paro pra pensar, você é um verdadeiro coelho escondido na toca.

– Muito engraçado... – ironizou e o albino sorriu satisfeito ao ver seu semblante fechado, mas o desfez assim que voltou a se concentrar nas vestes – Azul ou verde? – perguntou, se referindo a duas camisas que segurava.

– Eu amo azul, você devia ir com ela em minha homenagem. – Jack prosseguiu com a brincadeira, mas se aproximou e segurou a verde, colocando sobre o peito do namorado – Mas confesso que você fica muito gato com a verde, ressalta os seus olhos.

– Se você babar na camisa, eu não vou poder ir com ela. – dessa vez Aster o acompanhou na brincadeira, aprendeu a ter um pouco mais de bom humor graças ao outro – Mas sou um gato ou um coelho afinal?

– Meu lindo Coelhão!

Jack riu e passou os braços em torno do pescoço alheio, atacando-o com os lábios em seguida e compartilharam um beijo gostoso e profundo. O albino havia crescido um pouco mais nos últimos anos, tanto em altura como em personalidade. Amadureceu, embora não tenha perdido sua essência de menino brincalhão e sabia o quanto deixava sua mãe e namorado orgulhosos, principalmente em seu empenho na faculdade. Bunnymund lembrava que quando começaram o relacionamento, sequer imaginava que iriam tão longe e que se mantivessem tão apaixonados um pelo outro como no principio. Agora nem podia imaginar sua vida sem Frost e sempre que superavam alguma dificuldade ou resolviam algum desentendimento, isso fortalecia sua confiança e sentimentos.

– Ah, Jack... Eu ainda tenho que terminar aqui, não me distraia assim. – pediu assim que percebeu que estava quase largando as roupas no chão e agarrando-o.

– E lá se vai o meu plano... – o albino resmungou, rindo enquanto via Aster revirar os olhos – Estou morrendo de saudade de você, sabe disso... Mas você tem que ir nessa reunião sim, é importante. Se importa se eu ficar esperando aqui até você voltar?

– De maneira alguma. Quando eu voltar, prometo que serei todo seu.

Jack abriu um sorriso amplo com aquelas palavras e não resistiu em roubar mais alguns beijinhos até libertar o namorado e terminar de ajudá-lo com as roupas. Aster não pretendia demorar muito realmente, era o tempo de rever os amigos, saber das novidades e conversar um pouco, além de apreciar a comida e depois viria para o aconchego do lar, para os braços do albino. Com as roupas separadas, pode ir tomar um bom banho e Jack foi pra sala escolher algum filme ou série para assistir, o que prendesse mais sua atenção. Em quinze minutos, Aster já estava passando pela sala devidamente vestido e perfumado, fazendo o namorado suspirar ao acompanhá-lo com o olhar. Havia optado pela camisa verde, com uma calça jeans cinza escuro e um sapatênis nos pés, criando um visual bonito e estiloso.

Os dois se despediram com outro beijo demorado e assim que checou se estava com o endereço do local, carteira e chaves, pode sair de casa e foi caminhando até o ponto de ônibus mais próximo. Já havia pesquisado a rota na internet para chegar até lá, então não foi muito complicado e teve que andar pouco até ver a fachada do Sushi Bar, reconhecendo imediatamente o carro vermelho estacionado próximo a ele, assim como seu dono que saia do veiculo e logo acenava para si com um sorriso. North era mesmo muito caloroso com os amigos, isso nunca ia mudar... Por isso não reclamou quando se aproximou e recebeu um típico abraço de urso dele.

– Aster, meu bom amigo! Finalmente saindo da toca...

– Eu sei, eu sei... Mas vamos rever bons amigos, eu sabia que precisava vir.

– De fato, de fato. E você ainda não comprou um carro? Como consegue viver sem?

– Diferente dos demais, eu não gosto de ficar dentro de uma lata como essa e me estressar com o transito da cidade. – Aster tinha uma opinião clara quanto a veículos: tirando o ônibus, ele não se sentia nenhum pouco confortável em usar e preferia até mesmo andar a pé – E da ultima vez que eu aceitei sua carona, quase me matou do coração!

– Que exagero! Só porque eu gosto de correr um pouco... – North ria divertido enquanto dava tapinhas amigáveis nos ombros do outro – E como está o Jack?

– Bem, as provas e apresentações terminaram hoje, então ele finalmente pode descansar até o ano que vem.

– Isso é ótimo! O Natal está chegando, então porque vocês não vêm passar a ceia comigo? Ou então eu posso passar com vocês... – North não se intimidava em se convidar para a festa dos outros, ainda mais o Natal que era sua data favorita e tirando a companhia de seus adoráveis cães e gatos, vivia sozinho e por isso adorava encontrar os conhecidos e fazer novas amizades – Já pensaram no que vão fazer?

– Mal tivemos tempo de pensar em alguma coisa além dos estudos dele esses dias... Mas eu não me incomodaria de ter você conosco e acredito que Jack também não. – Aster realmente não se incomodava e continuou falando enquanto se dirigiam para a entrada do estabelecimento – Provavelmente a mãe dele vai preparar a ceia e vamos passar com ela, eu vou ajudar no que puder obviamente... Agora que Jack ficou livre dos compromissos com a faculdade, podemos pensar em decorar as casas e a árvore de natal também.

– Hmm... A Sra. Frost, hein? – North acariciava a própria barba, dando um pequeno sorriso – É uma mulher muito gentil e doce realmente, como o filho. Ela me causou uma boa impressão quando a conheci.
– Pelo visto não foi apenas uma boa impressão...

Aster riu assim que viu as bochechas do amigo ganharem um leve rubor e tentou contradizê-lo, mas logo encerraram o assunto ao serem levados até a mesa reservada para o encontro, encontrando alguns amigos já sentados e os cumprimentaram com alegria e uma pontada nostálgica. O Sushi Bar tinha varias características orientais, desde acessórios e pinturas que decoravam as paredes até pequenos detalhes como ramos de cerejeira colocados sobre as mesas e a suave musica que envolvia o ambiente. Aster se interessou principalmente pelos vasos de porcelana pintados a mão e na estátua de Buda colocada em um canto estratégico do local. Assim que se acomodaram na mesa, ficaram conversando um pouco até os últimos amigos chegarem e finalmente poderem pedir o que comer e beber.

Ao todo eram oito homens ocupando uma das mesas no canto, entre a casa dos trinta e quarenta anos, a maioria havia se conhecido na faculdade e não se viam há muito tempo, alguns mantendo contato só pela internet. Aster se sentia bem ao rever aquele pessoal, o fazia se lembrar da época que era um jovem sem tantas preocupações e responsabilidades, levando a vida de uma forma mais tranquila. As perguntas sobre como estava à vida de cada um começaram a aparecer e não foram abafadas nem com a chegada das barcas cheias de comida e do sakê que os acompanharia, afinal estavam animados com aquela reunião e precisavam comemorar em grande estilo. Aster não teve muita dificuldade em usar os hashis, mas foi muito divertido ver North se atrapalhando por completo e chegando a lançar um sushi nas costas do garçom antes de desistir e optar pela segurança do garfo.

A maioria já era casado, com filhos e suas vidas agora se resumiam a cuidar da família e trabalhar, como era comum da maioria das pessoas. Aster evitou entrar nessa parte do assunto e concentrou mais sobre o trabalho, causando um pouco de inveja nos amigos por não precisar ficar enfurnado em um escritório ou trabalhar em algo que não gostava só por causa do salário. North era o solteirão do grupo, mas não se intimidou por conta disso e contou com entusiasmo sobre seus projetos, seu incrível talento para criar coisas e seu imenso amor por animais e crianças que o fazia sempre doar, seja dinheiro ou objetos, para instituições de caridade. Todos ali o admiravam por essa personalidade tão bondosa e altruísta, era quase certo afirmar que todos ali se conheceram e tornaram-se amigos justamente pelo magnetismo de North.

O tempo ia passando e as barcas iam esvaziando assim como o sakê, deixando todos meio altos além de perder a noção do tempo. Na ultima vez que Aster havia checado o relógio do celular era 21:15, mas agora já havia se passado mais de duas horas e eles pediam mais bebida já que seus estômagos estavam cheios. Não pretendia se embebedar, queria voltar sóbrio pra casa e ao mesmo tempo ainda não queria ir embora já que estava divertido ali com os amigos. Em sua indecisão, já tomava mais alguns goles e todos ali se alteravam, rindo e conversando um pouco mais alto do que realmente deveriam. Quando Aster percebeu, o assunto na mesa já havia caído em um foco constrangedor...

– Eu não sei vocês, mas... Minha mulher parece estar evitando ter relações comigo. – um dos colegas comentou, já afrouxando a gravata – Faz dias que ela diz que está com dor aqui, dor ali, indisposta... Isso é papo furado quando não querem mais fazer com a gente, certo?

– Ah sim, minha ex-esposa fazia o mesmo... Eu me cansei disso. Depois ela veio reclamar que eu tinha encontrado consolo fora de casa... – outro resmungou, revelando sua infidelidade por conta do álcool – Não me arrependo, minha esposa atual foi minha amante e ela me dá atenção, embora não tanto quanto antes.

– A minha esposa é muito exigente... – outro pareceu querer se abrir nesse assunto também – É quando ela quer, na hora que ela quer... Quando namorávamos ela topava fazer algumas loucuras comigo, mas agora está sempre querendo ser certinha demais.

– Talvez vocês estejam melhores sem fazer do que fazer e não gostar. – mais um colega parecia descontente, virando o sakê de uma vez – Eu e minha mulher caímos na rotina já faz uns dois anos e não temos problema em fazer, mas não tem mais aquela emoção do inicio. As vezes eu penso em fazer algo diferente, mas tenho medo dela não gostar e acabarmos brigando.

– Acho que quando se chega nessa idade, não se escapa desse tipo de problema. – o que estava noivo se manifestou, rindo – Mesmo eu e minha noiva não nos damos muito bem nessa hora, ela é meio doida e quer fazer de mil e um jeitos, mas eu não tenho ritmo para acompanhá-la e ai fica reclamando comigo.

Aster não sabia bem o que dizer naquele momento, então preferiu tomar mais um pouco de sakê. Não gostava de falar de sua intimidade e também não pretendia revelar a verdade para os amigos. Não por vergonha, mas para evitar uma cena e ataques vindos deles, afinal não fazia ideia de como eles poderiam reagir diante da noticia de estar namorando um rapaz. Contou para North pelo mesmo ter notado que estava apaixonado e por confiar em sua personalidade tão receptiva, mas sabia que nem todos poderiam reagir assim. Depois de mais algum tempo chegou a sentir o celular vibrar no bolso da calça, o pegando e vendo que se tratava de uma mensagem de Jack, perguntando se ainda estava no Sushi Bar e se estava tudo bem, então passou a respondê-lo quando um dos amigos resolveu inclui-lo na conversa.

– Ei, Aster! – pareceu notar que estava fugindo do assunto – E você? Nem nos disse se está casado ou não...

– Ah, o Aster deve ser um solteirão que nem o North. – outro comentou com divertimento, batendo na própria testa com a ponta do dedo – Se me lembro bem, ele não se relacionava muito na faculdade, se saiu com umas duas garotas foi muito.

– Oh, verdade... Deve ter ficado com vergonha por estar sozinho e sem poder discutir problemas triviais como este. – havia um pouco de maldade neste ultimo comentário e Bunnymund decidiu ignorá-los com uma expressão fechada.

– Oh, o Aster? Que nada! – North se manifestou e como também estava alterado, não media o que dizia – Ele está em um relacionamento sério já faz uns 5 anos! – seu anuncio fez todos se surpreenderem e olhar para ele, fazendo-o engolir em seco.

– É mesmo? – com a confirmação, todos pareceram mais surpresos ainda – Quem diria, então você finalmente desencalhou. Como ela é? Você sempre me pareceu exigente, então ela deve ser uma super mulher.

– Para suportar sua irritação, também deve ter muita paciência.

– Como vocês são engraçados... – Bunnymund ironizou, revirando os olhos e evitando responder aquelas perguntas.

– Se você não diz... – um dos colegas se levantou e passou os braços em torno dos ombros de North – Você pode nos contar, já que parece saber quem é. Vamos, essa mulher realmente conseguiu aturar o Aster por tanto tempo?

– Bem... – North podia sentir o olhar fulminante do amigo em sua direção, mas estava se divertindo em colocá-lo em saia justa, então novamente não mediu suas palavras – Oh sim, é uma criatura adorável e com uma beleza incomum, sentiriam inveja de sua jovialidade e energia.

– Ah, qual é... Ele não pode ser tão sortudo assim pra ter encontrado a mulher ideal. – resmungou e dessa vez foi para perto de Bunnymund – Nos conte tudo sobre ela. Além do mais, se você ficou quieto até agora ela não deve ser tudo isso ou já estaria se gabando!

– Cale a boca!

Aster estava começando a ficar irritado, mas voltou sua atenção para o celular ao receber uma nova mensagem do namorado. “Estou impaciente, queria que estive aqui comigo... Vai demorar mais ainda?”. Podia imaginar Jack emburrado ao enviar a mensagem e discretamente o respondeu, mas não podia ir embora ainda. Já havia feito menção de se levantar e os amigos vieram em cima, deixando claro que não o deixaria fugir ainda. Conseguiu enrolá-los dizendo que se conheceram ao se mudar e que “ela” sua vizinha, que no inicio não se davam muito bem, mas que ela havia se apaixonado e o fez se apaixonar também, agora um não podia viver sem o outro. Fora deixado em paz por mais um tempo até que o relógio já passava da meia noite e o grupo ainda parecia ter disposição e fôlego para conversar.

– Eu ainda acho que está bom demais pra ser verdade. – para o pavor de Bunnymund, um dos colegas resolveu voltar ao assunto – Jovem, bonita, inteligente, cheia de energia e amor pra dar... Vocês dois não combinaram isso antes de vir pra cá? – se referia a North também, sabendo que ambos eram muito amigos.

– Não... É a mais pura verdade. – North se defendeu com entusiasmo, chegando a bater as mãos na mesa. Havia bebido muito e agora não ia controlar a língua – Aster está melhor do que qualquer um aqui no campo do amor... Ele teve sorte, Jack é completamente apaixonado por ele, é sim... Um rapaz muito agradável, com certeza.

– NORTH! – Aster aumentou o tom para calar o amigo, mas já era tarde demais...

– O que? Um rapaz?

– Um cara? Você namora um cara?

– Você virou gay?!

– CHEGA! – as perguntas vieram como bombas para cima de si e conseguiu fazê-los se calar – Sim, eu namoro um homem. É exatamente como eu contei a vocês, só não falei isso porque sabia que as reações iam ser diversas e alguns de vocês podem estar horrorizados agora, mas se forem me ofender eu prefiro que se calem e finjam que nunca ouviram isso na vida!

– Bom, isso é... Realmente chocante.

– Nós nunca iríamos pensar que você... Nossa.

– Como é ficar com um homem? – um preferiu ignorar a surpresa geral, talvez o álcool tivesse sido um bom fator naquele momento – Ele é “a mulher” da relação?

– Não existe isso de mulher na relação. – Aster massageou as têmporas e não queria realmente lidar com aquele tipo de situação, mas agora era inevitável – Assim como não tem um “homem” na relação entre duas mulheres. Não é tão diferente de ficar com uma mulher, nem se trata disso realmente. É o sentimento que conta e eu realmente o amo, se vocês não forem respeitar isso eu peço que esqueçam o que ouviram, sinceramente.

– Calma Aster, a gente não esperava por isso, mas... Eu pelo menos não vou te ver com maus olhos depois de saber disso.

– É, nem eu. Afinal você sempre foi um bom amigo para todos nós, não é sua relação amorosa atual que vai mudar isso.

Apesar dessas palavras reconfortantes, Bunnymund pode notar que pelo menos três deles não estavam mais confortáveis, evitando de olhá-lo e apesar de já esperar isso, teria preferido evitar. North o cutucou por baixo da mesa e murmurou um “desculpe” desajeitado e apesar de ter tido vontade de esganá-lo antes, Aster já havia perdido a raiva sabendo que não foi por mal que havia revelado seu relacionamento. Estavam pedindo uma nova garrafa quando sentiu o celular vibrar mais uma vez e engoliu em seco ao ver a mensagem de Jack, dessa vez acompanhada por uma foto. “Vou acabar dormindo... Venha logo, Coelhão ♥” dizia na mensagem e a foto mostrava o albino deitado na cama com um sorriso e não vestia nada além do lençol lhe cobrindo a cintura.

Aquela era a deixa para ir embora, dessa vez os amigos não o impediram e North mais uma vez se desculpou, prometendo recompensá-lo com um grande presente no Natal. Assim que se despediu de todos, Aster deixou sua parte da bebida e comida consumida e lavou bem o rosto antes de sair do Sushi Bar, assim afastaria um pouco do efeito do álcool. Já era tarde da noite e esperar um ônibus seria perda de tempo, então procurou um ponto de táxi e enfim pode ir para casa, demorando um pouco até chegar em casa e pagou pela corrida, procurando a chave no bolso. Assim que entrou, tirou os sapatos e se apressou para chegar ao quarto, encontrando o albino enrolado no lençol e abraçando o travesseiro, parecendo dormir.

– Cheguei tarde... – comentou consigo mesmo, deixando o celular e a carteira sobre um dos moveis e se despiu, subindo na cama em seguida – Jack?

– Que demora! – o albino abriu os olhos, se virando para olhar o namorado. Não ia conseguir dormir até ele chegasse em casa – Você não era um coelho que gostava de ficar na toca?

– Acredite, eu já queria vir a muito tempo. – comentou com um suspiro pesado e roubou um beijo demorado depois de se acomodar na cama.

– Aconteceu alguma coisa?

– North deu com a língua nos dentes, agora todos sabem que eu namoro um cara. – decidiu falar de uma vez, afinal era visível em sua expressão que algo o incomodava – Sei que ele não fez por mal, o álcool deixou todo mundo alto... Mas como eu esperava, nem todo mundo recebeu bem a noticia.

– Sinto muito... Mas isso é algo com que temos que conviver, sempre foi assim... Alguns amigos viraram a cara pra mim também, não posso fazer nada. Existem pessoas que permanecem com a mente fechada...

– Sim, eu sei... Só é complicado e incomodo. Mas amanha já estarei melhor, além de ver quem vai continuar meu amigo ou não. – levou uma das mãos aos fios brancos do namorado, acariciando-o – North vai vir passar o natal com a gente dessa vez, acho que nenhuma instituição deixou ele bancar o Papai Noel esse ano.

– Não tem problema, ele vai ser muito bem vindo e minha mãe vai adorar a presença dele, tenho certeza. – Jack se esgueirou até ficar deitado sobre o outro e mordiscou seu lábio inferior – Mas eu te conheço, sei que não vai esquecer assim tão fácil. Bem, eu posso te distrair por enquanto...

– Ah é? E como pretende fazer isso?

Bunnymund perguntou apenas para dar corda ao outro e ver o que faria, ao ver o sorriso malicioso pintar nos lábios de Jack ele já podia sentir um arrepio de excitação e se deixou levar pelo namorado, afinal também estava com saudade de amá-lo como se deve. Eles não tinham nenhum problema na cama, seus corpos continuavam a “conversar” e a se satisfazer sem problemas, ninguém precisava saber e invejar isso neles. Em 5 anos eles haviam aprendido a suportar seus defeitos e admirar as qualidades que possuíam, construíram um relacionamento na base da verdade, confiança e apoio mutuo, além de se fortalecerem diante de cada adversidade que enfrentavam. Eles também não estavam sozinhos, Jack tinha o apoio da mãe e ambos tinham amigos com quem podiam contar de verdade e isso era muito importante. O que começou como uma rivalidade explosiva se tornou um sentimento tão grande que continuaria a guiar seus caminhos, sem jamais separá-los.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!