Vivendo Do Passado
17 Cap 17 - A Manhã Seguinte
No outro dia, pela manhã, Mickey acordou, exausta. Passar a noite no sofá de Lília só não fora pior por que nas últimas semanas ela já estava meio que acostumada a isso. Fora até a porta da jovem, e só relaxara quando a vira dormindo pesado. Ficara decidindo o que fazer, por alguns momentos, até que decidira se aproximar. Sentara na cama, e a analisara por alguns minutos.
Lília era uma mulher tão atraente, que apenas estar perto dela deixava Mickey tensa. Pensara em tudo que acontecera, e no que tinha mudado. Nunca havia sentido nada disso por ela antes. E, de repente, estar perto dela se transformou em uma tortura.
Na verdade, Mickey nunca havia sentido nada parecido por nenhuma outra mulher que não fosse Olívia. Ela fora sua primeira e única, fato este que nunca contara para ninguém, exceto para sua esposa.
Pensava em tudo que ouvira de Olívia na noite anterior. Fora chamada de mentirosa, e de traidora, pela milésima vez, considerando os últimos meses. Mas porque daquela vez teria sido diferente? Sentia-se infinitamente magoada por tudo que saíra da boca daquela mulher, que sempre fora a única na vida de Mickey.
E o término. Seria aquele um término definitivo? Ela não sabia. Ficara tão sem ação com tudo o que ouvira, que nem tivera a coragem de ligar novamente. E para ser sincera, Mickey já andava exausta com tantas discussões, que Olívia desligar o telefone e interromper aquela acabara sendo um alívio. Mesmo que isso tivesse significado a promessa de um término.
Lembrou-se da discussão do dia anterior, pela manhã, do café que Lília lhe trouxe, exatamente como ela gostava. Aquela menina sabia como agradá-la, e estranhamente a conhecia bem, embora a conhecesse a pouco tempo. Já Olívia, mesmo depois de tantos anos juntas, teria lhe dito tantas coisas ruins, e duvidara de tantas coisas, até mesmo do seu caráter. Provara que realmente não a conhecia tanto assim, como Lília lhe dissera à noite em seu surto de bebedeira.
Estava confusa. Não sabia o que fazer, o que pensar, ou o que sentir. Ficara um bom tempo imersa em seus pensamentos, até que notara uma movimentação vindo do outro lado da cama.
Lília acabara de se mecher, e começava a abrir os olhos, bem devagar. Observara todos os movimentos, quieta. Quando finalmente Lília a percebeu ao seu lado, reagiu.
— Você dormiu mesmo aqui?
— Sim. — estranhara. No fundo nem ela acreditava que o seu plano poderia dar certo. Imaginando as consequências de seu comportamento, preocupara-se. — E como você está?
— Bem... por vê-la bem.
Lília se sentou na cama. Por tanto tempo pensara que a solução para o coração de Mickey seria destruindo seu casamento, e agora sentia uma infinita culpa. Embora ainda não soubesse de nada, sentia tudo que tinha acontecido.
— Mas ontem... foi seu aniversário... Você aqui... — tentara em vão construir sentenças, até que decidira resumir seu sentimento de culpa — Mickey...
— É, não foi algo muito legal faltar ao aniversário. E como você já sabe, acredito que não tenho mais uma casa hoje para voltar.
— A culpa foi minha.
— Não foi sua.
— É claro que foi minha. — disse, lembrando de tudo que havia feito desde que elas se conheceram.
— Lília, depois falamos sobre isso. O que importa agora é você me explicar que loucura você tomou ontem. Você fez muitas coisas loucas, sabia?
— Eu lembro de dizer muitas coisas pra você na ponte, e depois no chuveiro. E depois não lembro de mais nada.
— Ah... mas você acordou no meio da noite.
— Espera... — tentara recaptular — Então por isso você disse "como você já sabe" para o término de seu casamento?
— Sim, eu te contei ontem à noite.
— O que mais eu te disse ? — indagara, preocupada.
— Quer mesmo que eu te conte?
— S-sim. — disse, com a voz trêmula.
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