Vivendo Do Passado
8 Cap 08 - A Conferência no Rio
Enquanto a amizade das duas fora recuperada, e tudo voltara a fiel normalidade, a relação entre Olívia e Mickey estava ficando cada vez mais insustentável. Olívia perseguia a esposa com a idéia de que estaria sendo traída, e as duas estavam cada vez mais afastadas.
- É um absurdo você chegar todo o dia em casa porque está levando sua amante em casa! — alfinetara Olívia, repentinamente, após ter passado uma noite inteira em greve de silêncio.
- Não começa com isso de novo Olívia, pelo amor de Deus, Lília é apenas minha secretária.
- E você leva toda noite a sua secretária em casa?
- Eu a sigo, é diferente. E ela também é minha amiga, e eu temo por ela. Eu te contei sobre o cara, aquele da ameaça.
- Sim, falou, e até agora eu não entendi o que ela foi fazer no seu escritório.
Mickey se lembrou de que não havia contado a situação completa para Olívia, por medo de sua reação. Não quis assumir que Lília estava apaixonada por ela, porque sabia o que isso iria significa para o casamento delas. A situação já estava muito ruim, para piorarem. Ela sempre buscara o caminho da honestidade e da transparência, mas ultimamente Olívia estava sendo tão incompreensível que estava ficando difícil manter a palavra.
Por azar de Mickey e sorte de Lília, a advogada precisaria comparecer no Rio de Janeiro à conferência, e a firma decidiu acrescentar fins publicitários ao roteiro, o que indicaria a necessidade de mais alguém com ela. O irmão como sempre, mostrou-se indisposto, e Olívia não pôde. Sobrando apenas Lília, que aceitou imediatamente, Olívia como sempre não aceitou muito bem.
- Você o que?
- É apenas uma conferência. Vou precisar viajar. Mas volto amanhã pela tarde. Só passarei uma noite no Rio.
- Uma noite? Você acha pouco? Com ela?
- Ela é minha secretária, Olívia. Já conversei com você sobre isso.
- Ela sente algo por você, Mickey.
Mickey se calou, por um segundo. Como Olívia poderia saber isso, se nunca tinha dito nada?
- Tenho certeza disso. — Continuara.
- Olha, Olívia, o que ela sente ou deixa de sentir, não me importa. Está bem claro para ela que somos apenas amigas. Relaxe.
Olívia começou a rir, nervosa.
- Relaxar? Isso é por que não é com você. Pare e pense. Acha que isso está sendo legal comigo?
- Eu chamei você pra ir comigo e você não vai.
- Eu não posso ir. Minha irmã está precisando de mim, já conversamos sobre isso.
- Eu sei. E eu entendi isso. Então por que você não me entende também?
Olívia ficou sem ação. Não sabia mais o que dizer. Mickey sempre fora a melhor de palavras, e a última palavra nas D.R... Não é a toa que virou advogada.
Contrariada, fingiu entender.
A conferência correu absolutamente normal. À noite Mickey e Lília jantaram juntas às 20h no restaurante do hotel, e depois foram para seus respectivos quartos. Tudo acontecendo absolutamente normal, com a excessão de que Lília roubara o celular de Mickey durante o jantar, enquanto a outra havia ido ao banheiro. Trocara, pelo seu (que comprara do mesmo modelo e aparência).
Olívia ligou para Mickey às 23h, como havia decidido que faria, para confirmar que a esposa não estaria lhe traindo, e Lília fez questão de atender. Porém, antes, aproximara-se do quarto de Mickey, para parecer mais realista. Colocara a mão no fone para que do outro lado da linha não se ouvisse a batida, e continuou:
- Olá Sra. Ramos.
Após um breve silêncio na linha, Olívia disse — curta e grossa:
- Chame a Mickey por favor.
- É claro, Sra Ramos. Vou chamá-la.
Nesse momento Mickey atendeu a porta, e deu de cara com o celular. Lília movimentou as mãos em silêncio e fez aquela expressão de 'olha só, trocamos', mas apenas disse: — "Sua esposa".
Meio assustada, Mickey respondeu.
- Obrigada... Lília.
Estranhando a situação, ela pegou o telefone e falou com a esposa que parecia histérica do outro lado da linha, enquanto procurava o outro celular para trocar com Lília.
Lília foi até seu quarto, enquanto a discussão entre Mickey e Olívia continuou por horas.
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