Vitaliis - Introdução
24 Capítulo XXIV
Capítulo XXIV
Tentava contactar Karmedis, mas ele estava desacordado e minha perna latejava cada vez mais e mais dor eu passava. A dor estava tão intensa que eu mal podia tocar na calça, que o menor movimento de ondulação da calça eu já gritava de dor. Não conseguia me locomover, pois a roupa tinha sido danificada com a explosão e a queda, então não tinha forças pra ficar me arrastando e nem pra permanecer com o tronco levantado. Aúnica coisa que consegui pensar foi ligar para o meu Comandante, pois eu sabia que ele não me deixaria morrer e nem Karmedis (se ele já não estivesse morto), mesmo a guerra estando muito tensa o Comandante nos mandaria uma equipe de resgate.
Claud- Clauder contactando Ruivan.
Ruiv- Pode falar soldado.
Claud- Falar? Comandante, estou te contactando para implorar por minha vida.
Ruiv- Como é que é?
Claud- Karmedis e eu explodimos o aéreo porta-aviões com suas intruções, mas é que tivemos que jogar a nave de encontro com o lugar que o senhor nos instruíu. E quando fomos ejetados, a explosão nos jogou para longe, mas nossos paraquedas eram para a gravidade terrestre, então viemos para no solo de Jupiter, mas com muitos hematomas. Pelo menos eu, pois Karmedis caiu longe de mim e está desacordado. Eu acho que estou com o perna direita quebrada e a fratura é exposta, pois está saindo sangue e não consigo tocar a região perto dela.
Ruiv- Estamos localizando sua posição e mandarei uma equipe imediatamente. A única coisa que te peço é: Fique vivo!
Claud- Antes de desligar, vocês conseguiram destruir a última nave sem nós? Se quiser esperar nós para destruirmos essa nave.
Ruiv- Não se preocupe soldado, ela bateu em retirada, quando percebeu que estava sozinha. Nossos danos foram muitos para insistir no combate. Agora estamos nos recuperando. A equipe já esta a caminho.
Claud- Senhor.
Ruiv- Pode falar.
Claud- Alguém que eu conheço foi abatido?
Ruiv- Que nós identificamos, foram os seguintes nomes: Ungia, Gin e Terbatus.
Claud- Lamento pela suas perdas, Comandante.
Ruiv- Compartilho o mesmo sentimento para com você. Agora só aguente até a equipe chegar aí, pois não quero colocá-lo nessa lista de nomes.
Claud- Câmbio, desligo.
Tomei coragem e retirei minha faca, que ficava no bolso da perna direita, achei estranho uma faca pesar tanto (até parecia que era feita de chumbo). Reuni toda coragem que tive e puxei o pano que grudava em minha perna, de tanto sangue que tinha, e comecei a cortá-lo com a faca. Cortei o pano em volta da minha perna, o que deixou a minha perna direita como um short de vez uma calça, o resto do pano cortei para tirá-lo sem pegar no machucado. Evitei o máximo possível para não olhar para o machucado, mesmo tendo olhado com o canto do olho, não quis deixar aquela imagem na minha cabeça, então com o pano que cortei enfaixei em cima, para parar o sangramento e para não ser infectado com o vitaliis, por via das dúvidas.
Enquanto enfaixava a perna vi a sobra de alguma coisa me cobrir, mas percebi que a única coisa que tinha era minha faca, já que não estava com minhas coisas, que ficavam na minha roupa de combate, e o que tinha deixei na nave para não atrapalhar enquanto pilotava a nave. Virei meu tronco e tentei acertar a perna da sombra, mas esta se desviou rápido de mais, mas antes de eu olhara para o individuo que tinha se esquivado ele começou a falar.
Karm- Calma! Você está mesmo atento.
Claud- Karmedis. Você está vivo?
Karm- Acho que sim.
Claud- Por que você não respondeu pelo Oculivro?
Karm- Ele quebrou na queda.
Claud- E onde você arranjou essa máscara?
Karm- Eu tirei da cadeira e quando levantei tirei minha roupa e deixei bem ali.
Claud- Tinha uma máscara na cadeira.
Karm- Sim, já entrou em contato com o pessoal?
Claud- Sim, e falaram que a última nave fugiu e estão mandando uma equipe de resgate. Você está ferido?
Karm- Uns arranhões, mas o que aconteceu com sua perna?
Claud- Fraturação exposta.
Karm- Fica quieto, vou colocá-la no lugar e te ajudarei com alguns remédios que eu carrego. Toma isso, você vai desmaiar e não vai sentir dor, mas vai acordar com uma puta dor de cabeça.
Tomei a pílula e apaguei em torno de dois segundos depois. Acordei com minha cabeça latejando de dor em todas as regiões, mas não sintia mais aquela pulssação na perna, mesmo me sentindo fraco, pela perda de sangue, já estava até mais disposto. Karmedis olhou para mim e arregalou os olhos e fez um sinal para eu levantar, mas eu não conseguia, pois ainda estava em efeito da pílula, ele disparou um revolver que estava na mão e abaixou para me dar uma injeção, que descobri mais tarde que era adrenalina, o que me fez estremecer o corpo e começar a ouvir normal de novo, e enxergar mais claro. Levantei e procurei minha faca, vi que estava em meu bolso, puxei e vi quem nos atacava. Os humanoides estavam vindo para cima de Karmedis com lanças, machados e martelos (muito primitivos, mas eficazes contra a pele humana).
Empunhei minha faca e acertei o primeiro que veio contra mim no torax, o que fez recuar, em seguida acertei um chute em seu abdômen. Mais um humanoide me atacou, esse veio com um machado, mas com a guarda baixa, suas mãos seguravam um machado a cima da cabeça o que deixava seu tronco desprotegido e foi ali onde acertei com minha faca, girei a faca e retirei de lá. Achei que meu ferimento estava me deixando mais fraco, mas lembrei que a gravidade não me ajudava, pois só consegui me manter em pé, por conta da adrenalina. Até tirar a faca do tronco do humanoide foi mais difícil do que eu achei que seria.
Peguei o machado do humanoide que tinha matado e o joguei no abdômen do humanoide mais próximo (tinha visado a cabeça, mas faltou força). Quando pensei que seria morto, pois não tinha como enfrentar todos na condição em que estava, acho que nem em minha plena condição conseguiria, mas milagres acontece e a nave de resgate chegou, atirando para todas as partes de grande concentração dos humanoides. Os tiros os deixaram desesperados então começaram a bater em retirada. Me larguei no chão de bunda e aguardei enquanto me resgatavam e me colocavam na nave. Sei que apaguei de cansaço e acordei em uma cama de banho tomado e com roupas novas, do meu lado estava Karmedis lendo um livro e sentado, com alguns arranhões pelo rosto. Olhei para ele e comecei um dialogo tentando não parecer que estava com uma baita dor de cabeça, com a perna fraturada, com os musculos doloridos, cãibra na perna esquerda, braço enfaixado e com a audição falha.
Claud- Que livro é esse?
Karm- Hã? Você acordou? Ah! Esse livro é um dos best sellers que o pessoal lia no passado.
Claud- E esse best seller tem nome?
Karm- O código da Vinci.
Claud- Já ouvi falar. Por quanto tempo eu apaguei?
Karm- Trinta de duas horas. Como está se sentindo.
Claud- Como se eu pudesse derrubar mais dois aéreo porta-aviões.
Karm- Muito engraçado, acho que você não consegue nem brigar com um humanoide na gravidade da Terra.
Claud- Me trás um aqui que te mostro.
Karm- Engraçado, mas os médicos falaram que você vai ficar uns quinze dias em repouso, por conta da perna fraturada.
Claud- Tá brincando?
Karm- Não, você também é humano. Sem falar que seu sangue foi contaminado e os médicos tiveram que fazer uma hemodiálise.
Claud- Morreram muitas pessoas no ataque dos GTs?
Karm- Sim, muitas pessoas mesmo. Mas estão mandando outra frota, vão até instalar uma base no solo de Jupiter. As equipes serão reorganizadas.
Claud- Interessante, quantos chegarão?
Karm- Quantos chegaram? Você quer dizer.
Claud- Já chegaram?
Karm- Vieram depois que ficaram sabendo do ataque, vou chamar o médico e pedir para te colocar em uma cadeira de rodas e te mostrar o pessoal.
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