Capítulo VII

A equipe de reforço chegou em algumas horas, mas não era uma simples equipe do exército era a equipe do Box, Yntu, Kali e Volu (o único dos soldados que ainda não foi citado no livro), eles eram comandados pelo Comandante Alter. Eu e Karmedis não conseguimos acreditar que a equipe de apoio era a equipe que brigamos no primeiro dia que viramos soldados, mas de qualquer forma eles eram ajuda e ajuda não se escolhe e assim acolhe.

O dia tinha sido cansativo e o próximo seria pior que o último então todos foram dormir cedo, exceto Box e Volu que ficaram treinando na academia da nave. A uma e vinte e três da manhã acordei com um pesadelo horrível então ouvi algumas pancadas vindo da academia. Fui lá conferir.

Chegando a academia Box e Volu ainda treinavam, mas estavam cansados e muito suados (dava para ver suor pingando aos montes no chão e também dava para perceber que tinham pingado muitas gotas antes dessas).

Claud- Ainda estão treinando?

Box- Fiquei sabendo que nossos inimigos são barra pesada.

Claud- É o que eu diga.

Volu- Não era pra você estar dormindo?

Claud- Era tanto como vocês.

Box- Não. Você sabe como eles são, nós não. Temos que estar preparados para tudo.

Claud- Não é nem um bicho de sete cabeças.

Volu- Mas ele tem o nome de um bicho de duas cabeças.

Claud- Isso foi mais ironia. Na verdade o nome vem porque...

Box- Nós sabemos a história. Não já vimos como essa coisa é. Então queremos estar prontos.

Claud- Pequeno detalhe que vocês não sabem. Essa coisa aguenta muita pancada. Digo força.

Box- Sua tudo bem, mas quero vê-la agüentar a minha.

Claud- Eu dei dois chutes e um soco no maxilar dela. Sabe o que ela fez em seguida? Deu risada.

Box- Tá bom, depois você contou outra piada.

Volu- Às vezes você bateu fraco por causa do desespero.

Claud- Eu chutei a cara dela com a sola da bota do exército. Qualquer soldado perderia dentes e o maxilar com um chute desses, mesmo sendo fraco. Um animal de porte grande poderia ter a mandíbula deslocada com um chute que eu dei. Agora o bicho nem cambaleou, ele simplesmente virou a cara pra mim, riu e se levantou para me atacar.

Box- Isso muda as coisas. Mas por que você não esta dormindo?

Volu- O barulho ta atrapalhando?

Claud- Não, na verdade eu sonhei com isso.

Box- Com nós treinando?

Volu- Para de ser idiota. Com o cérberus.

Box- E como foi?

Claud- Foi assim: “Estava eu em uma sala, não sabia como tinha parado ali, mas sabia muito bem que sala era aquela. Era a minha sala de botânico, que sonhei minha infância inteira e ela estava do jeito que sempre imaginei. Nem percebi que era um sonho a princípio, mas me toquei quando olhei para a fotografia que estava em cima de minha instante e então reparei que lá estava com meus pais e uma garota muito bonita, da qual não me lembrava em minha vida, mas sabia muito bem que se tratava de minha esposa.

Olhei a fotografia por alguns segundos e entendi que era um sonho então resolvi me aproveitar do sonho de infância e comecei a andar pelo laboratório a fora. Não encontrei ninguém a princípio e fiquei conturbado com isso, comecei a correr pelos corredores, que mais pareciam um labirinto, e dei de cara com uma porta no final do corredor que estava. Cheguei bem perto e abri a porta, dentro da sala tinha uma repartição de vidro, que indicava algo perigoso ou ainda a teste, então olhei para a sala a procura de um tanque de oxigênio com máscara. Achei um bem ao lado da porta, o coloquei e fui ver o que tinha atrás da repartição. Lá vi uma mulher muito bonita, parecendo a da foto e algo monstruoso em cima dela. Ela virou a cabeça para mim e gesticulou com a boca um ‘socorro’. Eu estava prestes a entrar em pânico quando me lembrei que eu era um soldado e que aquilo era um sonho. Quando abri os olhos procurei algo que pudesse matar a criatura, olhei rápido pelo laboratório e vi uma serra de cortar osso, peguei-a e entrei na repartição de vidro. Não tinha reparado antes, mas era uma floresta igual à de Júpiter, mas pouco dei importância queria salvar a moça. Quando atravessei alguns metros adentro da mata eu a vi dilacerada e sangue por toda a parte. Fiquei deprimido, mas estava disposto a vingá-la, fiquei com muito ódio de vê-la daquele jeito. Quando ia me virar para caçar a coisa eu a ouvi dizer ‘Não me abandone’, fiquei horrorizado, como alguém tão machucado poderia ficar vivo e ainda por cima de tudo falar? Olhei para a garota novamente e vi a vida sumir de seus olhos. Não tinha mais sentimento algum de ódio e sim de medo. Se a coisa poderia fazer aquilo com a garota, imagina comigo que estava num local desconhecido e aberto, a meu ver. Mas estava disposto a morrer lutando (nem lembrava que aquilo era só um sonho) então liguei a serra e me virei, assim que virei vi algo pronto para atacar, mas estava de costas para mim, então ele pulou e bateu a cara no vidro que fechava o local. Resumindo ele tinha atacado meu reflexo no vidro então percebi que era minha chance de atacar, já que ele estava tonto então fui para cima com a serra ligada. Quando eu ia matar a criatura vi o mesmo bicho que encontrei em Júpiter, dando a risada dele e o vi pulando para o lado e correndo atrás da mulher que ali tinha sido morta. Não entendendo o porquê ele queria atacá-la de novo, já que ela se encontrava num estado diferente de mim, eu resolvi segui-lo para ver o que ele faria. Depois que me virei não o vi atacando nada e a garota ainda estava do mesmo jeito de antes. Virei-me de novo e só vi a boca dele vindo aberta na minha direção e de repente tudo escuro”.

Box- Nossa você é um bom contador de histórias.

Volu- Pareceu até filme de terror, quando a personagem vira e o monstro o ataca.

Claud- O que é filme de terror?

Box- Eu só sei, porque convivo com ele. Porque também nunca tinha ouvido falar disso.

Não tinha filmes na nossa época. Tinha voltado para algo mais clássico como óperas, teatros, livros, livros animados (eram livros que quando aberto contava a história em holograma) e teatros holográficos.

Volu era um ávido colecionador de filmes, ele tinha muitos em seu Oculivro. Ele passou um filme de ação muito bom para eu e Box ver, dizia que era o seu preferido. Quando o filme acabou já era três horas e quarenta minutos. Fiquei muito empolgado em ver algo diferente então resolvi pegar vários do Oculivro do Volu.

Claud- Posso passar esses filmes para o meu Oculivro?

Volu- Eu vou dormir, vai passando aí. Boa noite. Box você vem ou vai treinar mais um pouco?

Box- Já vou. Nem assisti ao filme inteiro. Boa noite Clauder.

Claud- Boa noite pessoal.

Enquanto passavam os filmes resolvi treinar um pouco. Quando percebi esse pouco tinha se tornado muito, já tinha se passado três horas, já eram seis horas e quarenta e dois minutos. Fiquei espantado com o tanto que tinha treinado, mas mesmo assim resolvi continuar treinando, Karmedis acordou dez minutos depois e veio se juntar a mim, contei a ele sobre como tinha sido a minha noite de sono, ou melhor, dizendo de pesadelo. Depois contei de que tinha visto Box e Volu treinando e então contei finalmente do filme, ele ficou impressionado, mais até que eu, e que seguido disso fiquei treinando a madrugada toda. Lógico que ele duvidou, mas eu falei item por item dos filmes que tinham passado de um Oculivro para o outro (já que toda vez que passava um soltava um pequeno “bipe”, então conferia qual que era e memorizava, pois desdo início sabia que ele iria duvidar). Depois de alguns minutos treinando entra a Linter querendo falar conosco.

Linter- Oi pessoal. O... Nossa que cheiro horrível!

Claud- Não fui eu quem soltou.

Karm- Mas quem esta fedendo aqui é você.

Claud- Eu?

Karm- Puro suor. Senti esse urubu morto quando entrei na sala.

Linter- Eu ia falar para vocês irem para o CDC e esperar a nave decolar e sair da atmosfera para voltar ao treino, mas vai tomar banho. Os dois, para garantir que o outro não tenha contraído. Eu aviso o pessoal lá no CDC.

Tomei o banho e me troquei para ir ao CDC para a nave poder decolar. Fui para o CDC e a nave decolou sem problema algum enquanto chegávamos a base Norte e durante o desembarque do

Monitor. Depois que o deixamos em segurança na base nos encaminhamos para a região contaminada e colocamos uma nave que os cientistas desenvolveram pra ser um projeto de uma base para aquela determinada região. A nave se meio que transformou para ficar parecendo um centro de pesquisas, que futuramente seria utilizada para fazer pesquisas daquela área, mas por enquanto ficou como sendo uma base para colocar suprimentos e servir de abrigos para nós.

Instalamos a nave com todos os requisitos pedidos pelos cientistas que construíram e depois começamos a nos preparar para o que poderia vir dentro daquela floresta. Nossos objetivos eram os seguintes:

Primeiro: Capturar o maior número de espécies da flora encontrado.

Segundo: Capturar o maior número de espécies da fauna encontrado.

Terceiro: Matar algum ser vivo só em caso de não conseguir imobilizá-lo.

Quarto: Cada integrante da pesquisa deve estar com uma câmera de vídeo acoplada ao respirador. E terá que funcionar a partir da saída da nave.

Quinto: Só descansar depois de no mínim quatro horas trabalhadas.

Sexto: O intervalo para descanso só será tolerado por trinta minutos.

Sétimo: O trabalho será finalizado quando um cronometro controlado da Terra. Ele indicará quando o trabalho será finalizado e por quanto tempo será o descanso (com relação a dormir).

Oitavo: Após dezoito horas trabalhadas retornar a Terra com as espécies.

As equipes foram designadas com algumas especificações diferentes das comuns. Primeiro que a pesquisadora Linter ficaria catalogando espécies de plantas e seria protegida por ambos os comandantes. Já o Ungia (o pesquisador da equipe do Box) seria protegido por Karmedis, Box, Terbatu, Volu e eu (Clauder). Enquanto nós iríamos para a pesquisa em campo os outros soldados ficariam nas armas ou de plantão para proteger os mecânicos das equipes.

A pesquisa começou e nenhuma espécie da fauna avia sido capturado, matado ou se quer mesmo avistado, mas em compensação o número de espécies da flora parecia que havia sido duplicado ou até mesmo triplicado com relação da última vez que tínhamos estado naquele ambiente.

Nenhuma alteração nos procedimentos havia sido requisitada. Os soldados estavam até assistindo com relação no recolhimento de espécies da flora. Por não ter nada para fazer e para aumentar o índice de produção dos integrantes. Após o primeiro expediente (4 horas e 35 minutos) foi decretado um descanso de 6 horas, por conseguinte de os indivíduos não terem uma noite de sono apropriado e a atmosfera aumentava o cansaço do corpo humano.

Mesmo passado às 6 horas mais as 4 horas que tivemos trabalhando (somando o total de 10 horas e meia) não havíamos nem capturado a imagem de algum ser biótico que seria irracional ou racional, que claro fosse identificado através da fauna, porque da flora tínhamos de sobra.

Um alarme tocou, todos sabiam o que era “hora de voltar o trabalho”, isso foi o que ouvi de vez um som agudo e contínuo. Eu não me sentia cansado e acho que nenhum dos meus companheiros de trabalhos também estavam cansados, mas mesmo assim acho que a grande maioria não acharia ruim de continuar descansando mais algum tempo. Mas teria que ser um tempo indeterminado, porque descansar em outro planeta em um ecossistema que não é seu por natureza e ficar pensando que a qualquer momento você terá que voltar pra esse ecossistema totalmente modificado com constantes riscos, tanto a saúde (por conta do Vitaliis, que não podíamos respirar) e tanto pelo fato de que ali havia “monstro” (animais que eram predadores por natureza).

Todos saímos da VAPE prontos para qualquer problema que ocorresse, mas parecia que a natureza movida a Vitaliis estava de folga, pois nada de biótipos da fauna. Mais 4 horas catalogando plantas quando recebemos a seguinte mensagem via Oculivro.

Ruiv- Como vocês estabeleceram 6 horas de descanso. Todos, eu repito. TODOS trabalharam por um turno de no mínimo 10 horas. Já foram compridas 4 horas dessas 10 horas de serviço. Então nada de parada para necessidades, lanches, cochilos, etc. Algum comentário final? Ótimo. Agora todos de volta as suas tarefas.

Eu olhei para a minha equipe e resolvi descontrair um pouco.

Claud- Relaxem! Só faltam 6 horas para o descanso.

Volu- Mas quanto tempo você acha que ficaremos depois das horas trabalhadas? Porque eu duvido muito que teremos mais 10 horas de descanso.

Box- É verdade, quanto tempo descansaremos?

Karm- Como disseram no começo, provavelmente, será de 30 minutos.

Volu- E pensem bem se não ocorreu nada em mais de 14 horas parados neste local vocês acham que irá acontecer algo de estranho ou diferente agora?

Após a frase de Volu acabar ouvimos um grande urro que pareceu com o da última vez. Mas seguido do urro ouvimos muitos barulhos estranhos como se fossem gritos de guerra. E após aparecer o mesmo “amigo” que encontramos da primeira vez apareceu uma espécie nova. Como se estivesse caçando o nosso “amigo”.

Karm- Senhor, temo um problema. E não é com cães alienígenas dessa vez.

Ruiv- E seria sobre o que?

Claud- Acho que o mais perto seria como “seres humanos extraterrestres”.