Vitaliis - Introdução
4 Capítulo IV
Capítulo IV
Acabou o estágio e o Capitão veio perguntar quem continuaria no campo militar.
Cap- Quem de vós continuará na área de militar?
Karm- Eu, capitão.
Dint- Eu também.
Lun- Eu quero mais do que nunca.
Atrav- Não. Eu não quero não. Isso é muita pressão pra mim.
Nah- Também estou fora.
Lound- Não vou ficar também não. Chega de matar, atirar, machucar, sangrar, vomitar. Chega! Quero paz na minha vida.
Cap- Então quatro desistiram do estágio...
Claud- Não. Eu quero continuar sendo militar.
Karm- O quê?
Cap- Isso é sério?
Claud- Sim. Acho que me encontrei antes de entrar na merda.
Cap- Você tem certeza absoluta? A Carrera militar é sem volta, praticamente.
Claud- Procuro por um caminho que não tenha opções.
Cap- Você vai se arrepender.
Claud- É isso o que espero.
Cap- Pra vocês que vão continuar. Peguem seus acessórios no subsolo 3. Peguem o VATB para a CMN e se alistem para a África. Eles entraram em contato com vocês e em mais ou menos duas horas vocês embarcaram para a África.
Karm- Tudo isso hoje?
Cap- Deve ser. E para quem não vai continuar deve pegar as coisas no subsolo e pegar o VATB para onde vocês fizeram os testes para definir sua área e farão uma queixa formal porque não querem continuar na área encaminhada. É só falar que vocês não agüentam ver sangue e pronto. Alguma dúvida?
Nah- E se não nos encaixarmos em nenhuma das profissões?
Atrav- Se mata.
Cap- Vá para a área pública. É porque lá só tem coisas simples. Tipo trabalhar de professor, faxineiro, vendedor, etc. São coisas fáceis e não precisam de tanta vocação. Eu acho. Acho que aqui é a nossa despedida. Boa sorte no futuro de vocês. Pena que todos não quiseram a carreira militar. Vocês tinham futuro.
Claud- Tinha?
Cap- Alguns ainda têm. Mas falo vocês como equipe. Então adeus. – Karmedis foi abraçar o capitão de brincadeira. Saí pra lá. Que isso?
Karm- Todo mundo abraçando.
Todos atacaram o Capitão até ele ceder. Quando o imobilizaram deram um abraço em grupo, mas tudo foi por brincadeira. Depois disso todos desceram e foram atrás de seus equipamentos. Eu e Karmedis resolvemos passar o dia juntos, já que não tínhamos com quem passar ou se despedir. Nós éramos isolados da sociedade. Convidamos Dintero e Luna para vir conosco, mas ambos tinham família e vida. Luna tinha que falar com os pais e com a irmã e Dintero tinha que ver sua avó.
A viagem foi longa e sem conversa alguma, todos ficaram calados. Quando desembarcamos nós dois se despedimos dos nossos parceiros e seguimos viagem. Alistamos-nos e ficamos sabendo de que o VALD (Veículo Aéreo para Lugares Distantes, é parecido com um avião, mas é o dobro de um Jumbo e não tem asas, ele contem quatro hélices acopladas na parte exterior sem falar que é movido a energia eletromagnética) só seria lançado em quatro horas. Karmedis teve a ideia de sairmos à cidade para comprarmos alguns acessórios para o trabalho.
Na primeira loja que entramos compramos um canivete e uma faca de soldado que eletrocutava o inimigo, em seguida fomos numa reguladora de armas, compramos algumas roupas específicas para o deserto, floresta, altitude, entre outras. Sei que quando terminamos de ir nas lojas parecíamos até duas garotas saindo do shopping. Depois que prestamos atenção no horário e ainda faltavam duas horas e meia resolvemos voltar pra estação e guardar nossas coisas no porta-treco (lugar onde você guarda seus objetos, na rodoviária, até a partida do seu veículo). Depois resolvemos sair pela cidade procurando o que fazer.
Logo que saímos começamos a procurar algo em específico, foi quando uma garota passou por nós e sorriu, Karmedis achou que foi pra ele e resolveu dar uma investida na garota. Eu aguardei sentado em um banco. Ele demorou um pouco e me explicou.
Karm- Não foi pra mim.
Claud- Lógico que não. Você é feio pra cacete. Queria algo com ela? O que ela falou?
Karm- Que estava ouvindo uma história engraçado no Oculivro e foi uma piada muito boa. Eu ainda perguntei se o lance era com você. Ela falou que não e que estava atrasada.
Claud- Mulheres são uma caixinha de surpresa.
Karm- Dentro do enigma formulado por Sherlock Holmes.
Claud- Mas Sherlock Holmes desvendava crimes e não fazia enigmas.
Karm- Imagina se ele fizesse?
Claud- Ele solucionava casos, porque alegava que os casos só se diferenciavam em tempos. Mas que todos os casos já tinha sido praticados e além disso...
Karm- Cala a boca e vamos andar.
Continuamos na nossa caminhada sem rumo e sem direção. Depois de darmos uma volta por uma praça que eu sequer sabia que existia, essa praça era e ainda é isolada de tudo, as únicas casas que ficavam perto ficavam “de costas” para a praça. Mas mesmo assim eu gostei da praça. Ficamos na praça sem nada pra fazer. Então tive uma ideia, chamei Karmedis para ir com uma loja comigo que tinha visto há pouco tempo. A loja era de artigos esportivos, comprei uma bola de futebol, que era um artigo raro, e resolvemos jogar futebol na praça (os esportes quase foram extintos) e começamos a se machucar porque mal sabíamos tocar na bola. Foi divertido enquanto durou. Faltava apenas trinta minutos para o VALD, então resolvemos enterrar a bola por dois motivos. Primeiro que é proibido entrar com qualquer instrumento relacionado a esporte, se você necessitar de algum o exército te disponibilizará. Segundo que marcamos de voltar em cinco anos para desenterrar a bola.
Depois fomos direto para o embarque do VALD, encaminhamos nossas tralhas para o VALD que nos levaria para a África e deitamos cada um em sua respectiva poltrona. Eu dormi até ser açodado por Karmedis que estava falando que logo pousaríamos na África.
Desembarcando observei que tinha alguns rapazes, da mesma idade que eu, me encarando. Eu já tinha noção do que eles fariam, não seria nada agradável, mas eu não estava com vontade de ser aloprado o resto da minha vida. Mas não reparei no meu parceiro que estava fazendo alguns gestos para o grupo que nos encarava, não era nada obsceno, porém muito estranho (ele tipo queria conversar em particular com os caras, mas não naquele momento).
Fomos para um lugar mais afastado para conversarmos melhor. Karmedis não falou de começo, mas dava pra perceber que estava querendo falar bastante. O nome da “líder” do bando era conhecido como Box (ele treinava horas e horas e qualquer desculpa para ele era treinar mais, o apelido pegou quando ele deu um soco em um cara e falou “receba esse Box”), os outros dois caras que o acompanhavam eram o Kali e Yntu (dois irmãos gêmeos que tinham a descendências dos orientais.
Claud- Por que vocês estavam nos encarando?
Yntu- Você tem algo em mente?
Claud- Eu tenho. E se for o que penso ao vai ser tão fácil.
Kali- E quem disse que nós estávamos encarando vocês?
Claud- Você acha que eu não percebo quando tem três caras olhando pra mim?
Box- Às vezes você quer que tenha homens olhando pra você.
Claud- Eu sei o que vocês querem. E isso não via acontecer.
Box- Não vai?
Karm- Não vai não. Eu sei muito bem o que vocês querem e saibam que vocês não foram os primeiros a quere isso. Na verdade vocês foram o terceiro grupo dessa semana que procuram a nós.
Claud- O terceiro grupo?
Box- Então vocês estão bem encrencados.
Karm- Presta atenção! Não é porque eu e o meu amigo aqui andamos juntos que quer dizer que somos gays. E vou ser claro. Não querermos nenhum relacionamento com um bando de viados iguais a vocês. Entenderam?
Box- O que?
Eu não acreditei que meu amigo me colocou nessa encrenca, mas amigo é pra essas e outras coisas. Depois dessa fala de Karmedis os dois gêmeos pularam pra cima de nós. Eu fui agarrado em volta dos braços com a intenção de ser imobilizado, mas dei um chute no órgão do Kali (foi o irmão que resolveu me atacar) ele não aguentou a pancada e cai no chão com uma tremenda dor. Então veio o Box me acertando com um cruzado de direita que me fez rodar, foi mesmo extinto nem teria passado pela minha cabeça fazer isso, enquanto girava levantei a perna que não estava usando como apoio e o acertei na região do baço que o fez cair, eu cai por conta do soco mais o impacto que me fez perder o pouco equilíbrio que tinha. Eu levantei rapidamente e pulei em cima dele, enquanto ainda se encontrava numa posição de levantamento e rolamos no chão até que bati minhas costas na parede ele aproveitou meu momento de dor e me acertou um soco no estômago, eu usando o reflexo ou o extinto, ou sei lá o quê, dei um gancho certeiro no queixo. Isso o fez me largar o que me deu espaço para empurrá-lo com a minha perna esquerda, depois que o afastei o acertei com um soco no rosto depois disso foi fácil. Agachei e comecei a distribuir vários socos pelo corpo, a luta estava ganha, mas eu esqueci que tinham mais dois. Um dos irmãos (acho que foi Yntu) me puxou para trás e me acertou um belo chute no baço, do lado esquerdo, eu perdi o equilíbrio e cai para o lado machucado. Então os dois começaram a me chutar, enquanto ficava numa posição defensiva no chão.
Karmedis recobrou os sentidos e pulou em cima dos dois ao mesmo tempo, fazendo caírem no chão, ele caiu junto, mas levantou rápido e começou a brigar com um entusiasmo que dava gosto. Quando levantou acertou um soco em Yntu e sem se virar chutou o abdômen de Kali em seguida acertou outro soco no Yntu, esse foi no rosto, os outros socos seguidos foi em todas as regiões da barriga. Yntu não conseguia se livrar de Karmedis e mal conseguia se aguentar em pé. Eu estava tomando conta de Kali, que não conseguia atacar, acertava-lhe com socos e chutes em todas as brechas que ele dava. Box conseguiu retomar a consciência e partiu para cima de Karmedis, acertou um chute certeiro na coxa direita do meu amigo, esse golpe foi fatal, porque Karmedis percebeu que o chute tinha afetado uma área sensível e a dor não tardou a chegar, ele pretendia se afastar e esperar a dor amenizar um pouco quando Yntu acertou um soco no nariz que o quebrou na hora, Karmedis caiu e nem tentou se levantar.
Eu após perceber que seria o próximo, acertei com muita força na região da cabeça (para o deixar confundido) e na região das costelas (para atrapalhar a respiração). Isso foi em questão de segundos, mas deu certo, ele já estava meio tonto quando eu dei um chute em seu abdômen. Virei-me para encarar os dois que vinham. Eu sabia que minhas chances eram pequenas, mas se eu dificultasse as coisas sabia que eles iriam deixar-me em paz.
Box veio primeiro tentando acertar um soco, ele era muito previsível, mas letal. Eu consegui desviar do soco e o acertar nas costelas, dei três socos seguidos na mesma região das costelas. O corpo dele reagiu com uma joelhada em minha boca. Tentei esquecer a dor e deixar a adrenalina tomar conta do resto, não funcionou. A dor estava insuportável e pra piorar veio Yntu acertou um chute no meu tórax, eu mal conseguia respirar, mas estava determinar a perder batendo. Então fui pra cima de Yntu e comecei a tentar acertar os socos (a visão pouco me ajudava por estar embaçada). Quando eu comecei a acertar alguns dos golpes recebi um chute com a canela no meu abdômen que foi fatal, depois desse eu sabia que estava acabada a luta. Eu olhei para ver quem teria sido, só pra ter certeza, tinha sido o Box. Depois de receber esse golpe e ver quem tinha sido o maldito que teria me acertado cai no chão e tudo se apagou.
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