Os três voaram encima de Julie como uma raposa voaria para devorar um coelho indefeso.

O garoto de cabelos encaracolados tapou a boca dela com um olhar desesperado.

– Você está doida? Para de gritar!

Naquele momento, Julie já estava tonta por causa do choque e do estresse mental que aqueles espíritos estavam causando a ela.

Ele tirou a mão branca como uma folha de papel dos lábios dela e respirou fundo.

– Não vamos machucar você, eu juro – Disse, sorrindo de uma forma bastante falsa para alguém que queria convencer Julie de alguma coisa.

– Você é real ou foi a bala de coca que Bia pediu para eu experimentar? – Gaguejou Julie, encarando o morto/vivo/foda-se.

– Bala de coca? – Perguntou o de cabelos negros para o loiro do lado direito do fantasma canastrão.

– Sei lá cara – Respondeu o do lado esquerdo, sem mostrar interesse.

– Agora que todos estamos calmos, vamos falar como indivíduos normais – Disse Cachinhos, ajeitando o blazer preto.

Eles se levantaram da cama dela e desamassaram as roupas um pouco formais demais para um dia de verão comum.

– Meu nome é Daniel. O de cabelo preto é Felix e o loiro é Martin – Disse o de cabelos enrolados, que agora Julie conheça e o nome e não precisa ficar inventando apelidos.

– Julie – Gaguejou de novo.

– Muito prazer Julie – Respondeu Daniel, sorrindo de forma sarcástica.

Naquela hora o medo já havia passado e a curiosidade (e raiva) tomaram lugar.

– O que exatamente estão fazendo no meu quarto? – Perguntou, agora meio irritada por causa da mudança repentina de sentimentos.

– Nós moramos aqui – Rebateu Daniel, sentando em um banquinho preto perto do meu armário.

– E vocês pagam IPTU? – Rebateu Julie, cruzando os braços.

– É claro que não. – Disse Daniel, também cruzando os braços.

– Então vocês não podem morar aqui, agora sho – Falou, movimentando as mãos em direção a porta.

Daniel tomou o pulso dela e aproximou o rosto de Julie do dele.

– E se a gente não quiser?

A palavra para Daniel não era bonito. Ele era charmoso. Não que isso diminuísse ele, só que bonito não era o suficiente, era muito mais envolvente que isso.

Porém, mesmo com essa opinião, não pensou duas vezes.

Julie usou o jeb com toda a força que ela tinha para afastá-lo. Quando parecia desnorteado, entrou em posição e mandou um direto bem na bochecha esquerda de Daniel, fazendo-o cair pesadamente no chão. Voltou a posição.

Os três pareciam chocados.

– Você luta boxe?! – Perguntou Martin, sorrindo animado.

– E sou muito boa. – Voltou o olhar para Daniel e sorriu com prazer – Nem pense que pode me tocar e me tratar do jeito que você quiser, seu merda.

Felix e Martin riram, enquanto Daniel levantava emburrado.

– Perdoe o nosso amigo – Disse Felix, com um sorriso infantil – Ele é arrogante, metido e irritante, mas tem bom coração.

– Eu estou cagando para a merda do coração dele – Falou, saindo da posição.

– Uma lady – Daniel falou, ajeitando o blazer de novo.

– Obrigada – Respondeu Julie, sorrindo para ele.

Daniel estreitou os olhos.

“Acho que fiz um inimigo”.

– Julie! A Bia está na porta! – O pai de Julie gritou da escada.

– Ok, fala para ela subir! – A menina gritou de volta.

Voltou o olhar para eles.

– Agora, façam o favor e desapareçam antes que ela entre aqui.

Daniel sorriu de forma arrogante.

– Nós vamos voltar.

E sumiram.

Respirou aliviada e Bia entrou no quarto.

– E ae Julie!

Sentou do lado de Julie na cama. Parecia bastante animada.

– Você não sabe o que aconteceu comigo! Eu vou sair amanha!

Julie estava pensando o quanto aquilo era especial.

Decidiu que não era.

– Com um garoto.

Ainda não achava especial.

Porém, pelo bem de uma amizade feminina, sorriu tentando parecer interessada.

– Jura? Com quem? – Perguntou, sorrindo.

– Você lembra aquele garoto do terceiro ano que passou correndo pela gente no ano passado e me derrubou no chão? – Bia perguntou, eufórica.

– Lembro? – Perguntou, sem entender a alegria dela.

– Ele disse que me achava bonita e me convidou para uma festa nesse sábado! – Ela disse, deitando na cama logo depois – Ele é lindo, não acha?

– E qual é o nome do jovem? – Indagou, desviando da segunda pergunta.

Bia deu uma risadinha.

– Lucas.

– Estou feliz por você Bia – E estava mesmo. Dessa forma ela poderia esquecer Anthonny.

Anthonny é um garoto que Bia amou desde a oitava série, mas nunca teve coragem de dizer para ele. Um dia ele chegou até as duas e chamou Bia para sair.

Ela ficou muito feliz, se arrumou com afinco e foi com ele ao cinema.

O namoro começou bem, mas Anthonny não era um cara tão legal assim. Gostava de mandar na vida de Bia e fazer com que ela virasse algo que ele queria que ela fosse.

E depois de um mês, traiu ela com uma vadia com silicone até o fígado.

Bia ficou arrasada, e nada que eu fizesse poderia anima-la.

Passou um tempo e ela melhorou um pouco. Porém fazia uns meses que não a via rir assim.

– Mas você vai comigo né? – Ela perguntou, esperançosa.

Respirei fundo.

– Não é que eu odeie festas – Resmungou Julie, desanimada – Mas vai um monte de gente que eu não conheço. E geralmente a comida dessas festas é ruim, então não vou ter nada para fazer.

Bia cruzou os braços.

– Para de pensar em comida! Ele disse que eu poderia te convidar e que você podia chamar um amigo! Por que não chama Nicholas?

– Ele não é meu amigo.

– Ainda! Vocês dois ficariam muito fofos juntos – Bia disse, sonhadora

– Eu não quero nada com ele. – E não queria mesmo. Não se dava bem com essa historia de sentimentos, de dividir a vida dela com alguém e se preocupar com o outro.

– Ah vamos lá Julie! Pelo menos vai comigo, eu juro que faço qualquer coisa se você for.

– Eu posso ficar encostada em um canto sem interagir com nenhum dos seres da festa? – Perguntou, emburrada.

– Sim! – Ela disse, esperançosa.

Respirou fundo de novo.

– Ok Bia, eu vou.

Ela levantou e deu pulinhos pelo meu quarto.

– Julie você é a melhor! Não sabe o quanto de agradeço!

Abaixou a cabeça, derrotada. Ia ser um sábado irritante.

Notas finais
Críticas :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.