Visível? Só para você
2 Capítulo 1
Os três voaram encima de Julie como uma raposa voaria para devorar um coelho indefeso. O garoto de cabelos encaracolados tapou a boca dela com um olhar desesperado.– Você está doida? Para de gritar! Naquele momento, Julie já estava tonta por causa do choque e do estresse mental que aqueles espíritos estavam causando a ela. Ele tirou a mão branca como uma folha de papel dos lábios dela e respirou fundo.– Não vamos machucar você, eu juro – Disse, sorrindo de uma forma bastante falsa para alguém que queria convencer Julie de alguma coisa.– Você é real ou foi a bala de coca que Bia pediu para eu experimentar? – Gaguejou Julie, encarando o morto/vivo/foda-se.
– Bala de coca? – Perguntou o de cabelos negros para o loiro do lado direito do fantasma canastrão.– Sei lá cara – Respondeu o do lado esquerdo, sem mostrar interesse.– Agora que todos estamos calmos, vamos falar como indivíduos normais – Disse Cachinhos, ajeitando o blazer preto. Eles se levantaram da cama dela e desamassaram as roupas um pouco formais demais para um dia de verão comum.– Meu nome é Daniel. O de cabelo preto é Felix e o loiro é Martin – Disse o de cabelos enrolados, que agora Julie conheça e o nome e não precisa ficar inventando apelidos.– Julie – Gaguejou de novo.– Muito prazer Julie – Respondeu Daniel, sorrindo de forma sarcástica. Naquela hora o medo já havia passado e a curiosidade (e raiva) tomaram lugar.– O que exatamente estão fazendo no meu quarto? – Perguntou, agora meio irritada por causa da mudança repentina de sentimentos.– Nós moramos aqui – Rebateu Daniel, sentando em um banquinho preto perto do meu armário.– E vocês pagam IPTU? – Rebateu Julie, cruzando os braços.– É claro que não. – Disse Daniel, também cruzando os braços.– Então vocês não podem morar aqui, agora sho – Falou, movimentando as mãos em direção a porta. Daniel tomou o pulso dela e aproximou o rosto de Julie do dele.– E se a gente não quiser? A palavra para Daniel não era bonito. Ele era charmoso. Não que isso diminuísse ele, só que bonito não era o suficiente, era muito mais envolvente que isso. Porém, mesmo com essa opinião, não pensou duas vezes. Julie usou o jeb com toda a força que ela tinha para afastá-lo. Quando parecia desnorteado, entrou em posição e mandou um direto bem na bochecha esquerda de Daniel, fazendo-o cair pesadamente no chão. Voltou a posição. Os três pareciam chocados.– Você luta boxe?! – Perguntou Martin, sorrindo animado.– E sou muito boa. – Voltou o olhar para Daniel e sorriu com prazer – Nem pense que pode me tocar e me tratar do jeito que você quiser, seu merda. Felix e Martin riram, enquanto Daniel levantava emburrado.– Perdoe o nosso amigo – Disse Felix, com um sorriso infantil – Ele é arrogante, metido e irritante, mas tem bom coração.– Eu estou cagando para a merda do coração dele – Falou, saindo da posição.– Uma lady – Daniel falou, ajeitando o blazer de novo.– Obrigada – Respondeu Julie, sorrindo para ele. Daniel estreitou os olhos. “Acho que fiz um inimigo”.– Julie! A Bia está na porta! – O pai de Julie gritou da escada.– Ok, fala para ela subir! – A menina gritou de volta. Voltou o olhar para eles.– Agora, façam o favor e desapareçam antes que ela entre aqui. Daniel sorriu de forma arrogante.– Nós vamos voltar. E sumiram. Respirou aliviada e Bia entrou no quarto.– E ae Julie! Sentou do lado de Julie na cama. Parecia bastante animada.– Você não sabe o que aconteceu comigo! Eu vou sair amanha! Julie estava pensando o quanto aquilo era especial. Decidiu que não era.– Com um garoto. Ainda não achava especial. Porém, pelo bem de uma amizade feminina, sorriu tentando parecer interessada.– Jura? Com quem? – Perguntou, sorrindo.– Você lembra aquele garoto do terceiro ano que passou correndo pela gente no ano passado e me derrubou no chão? – Bia perguntou, eufórica.– Lembro? – Perguntou, sem entender a alegria dela.– Ele disse que me achava bonita e me convidou para uma festa nesse sábado! – Ela disse, deitando na cama logo depois – Ele é lindo, não acha?– E qual é o nome do jovem? – Indagou, desviando da segunda pergunta. Bia deu uma risadinha.– Lucas.– Estou feliz por você Bia – E estava mesmo. Dessa forma ela poderia esquecer Anthonny. Anthonny é um garoto que Bia amou desde a oitava série, mas nunca teve coragem de dizer para ele. Um dia ele chegou até as duas e chamou Bia para sair. Ela ficou muito feliz, se arrumou com afinco e foi com ele ao cinema. O namoro começou bem, mas Anthonny não era um cara tão legal assim. Gostava de mandar na vida de Bia e fazer com que ela virasse algo que ele queria que ela fosse. E depois de um mês, traiu ela com uma vadia com silicone até o fígado. Bia ficou arrasada, e nada que eu fizesse poderia anima-la. Passou um tempo e ela melhorou um pouco. Porém fazia uns meses que não a via rir assim.
– Mas você vai comigo né? – Ela perguntou, esperançosa. Respirei fundo.– Não é que eu odeie festas – Resmungou Julie, desanimada – Mas vai um monte de gente que eu não conheço. E geralmente a comida dessas festas é ruim, então não vou ter nada para fazer. Bia cruzou os braços.– Para de pensar em comida! Ele disse que eu poderia te convidar e que você podia chamar um amigo! Por que não chama Nicholas?– Ele não é meu amigo. – Ainda! Vocês dois ficariam muito fofos juntos – Bia disse, sonhadora– Eu não quero nada com ele. – E não queria mesmo. Não se dava bem com essa historia de sentimentos, de dividir a vida dela com alguém e se preocupar com o outro.– Ah vamos lá Julie! Pelo menos vai comigo, eu juro que faço qualquer coisa se você for.– Eu posso ficar encostada em um canto sem interagir com nenhum dos seres da festa? – Perguntou, emburrada.– Sim! – Ela disse, esperançosa.Respirou fundo de novo.– Ok Bia, eu vou.Ela levantou e deu pulinhos pelo meu quarto.– Julie você é a melhor! Não sabe o quanto de agradeço!Abaixou a cabeça, derrotada. Ia ser um sábado irritante.
Notas finais
Críticas :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor