Virus

2 Capítulo 1 - O capuz azul marinho


Acordei caído no piso de algum prédio no centro da cidade. Eu estava coberto de sangue, mas pude perceber que não era meu. Levantei-me do chão e caminhei até a borda do prédio para tentar me localizar. Estava um silêncio perturbador, e as ruas estavam completamente desertas, exceto pelos carros abandonados. Mas percebi que havia um homem lá em baixo, parecia estar com muita raiva, outro homem veio até ele, que o derrubou com um só golpe, ele pulou em cima do segundo homem, e mordeu seu pescoço. Pude ouvir os gritos de dor dele, soltei um gemido de nojo, imediatamente, o primeiro homem olhou para mim. Ele começou a correr na direção do prédio, saltou em uma janela, e começou a escalar o edifício. Afastei-me da borda do prédio para ver se havia algum modo de escapar, mas, o prédio em que eu estava era mais distante dos outros. O mais próximo estava a mais ou menos, quinze metros e era muito mais baixo. Havia uma mulher lá, ela vestia um capuz azul marinho, não pude ver seu rosto.

- Pule! –Gritou ela.

-Mas é muito alto, eu não irei conseguir! –Respondi. No mesmo instante, o homem que escalava o prédio, alcançou a borda.

- Pule! – Repetiu a mulher. O homem começou a correr na minha direção. Sem muitas opções, pulei na direção da mulher, e ao aterrissar no outro prédio, rolei para frente e fiquei em pé. Olhei para minhas pernas, e por mais incrível que pareça, elas estavam inteiras. Pude ver o homem que estava atrás de mim, parado na borda edifício em que eu estava. Ele virou-se e sumiu de vista.

A mulher começou a correr, e eu, segui-a. Um pouco mais a frente, ela parou.

- O que foi? – Perguntei.

- Cala a boca! – Disse ela me forçando a se abaixar.

No prédio seguinte havia pelo menos, vinte dessas coisas. Quando fui perguntar a mulher o que era aquilo, tropecei numa barra de ferro, o que fez um barulho enorme. Imediatamente, todas as coisas que estavam no outro prédio, olharam para nós. A mulher começou a correr, e eu também.

Olhei para trás e vi todas aquelas coisas correndo atrás de nós. Elas eram muito ágeis, não havia obstáculos para elas. A minha frente, não tinham mais prédios, somente a praia. A mulher pulou para fora do prédio sem hesitar, e eu, sem pensar, fiz o mesmo.

Antes que eu pudesse sentir o vento bater em meu rosto, algo me puxou para trás e cai rolando um andar abaixo do prédio. Parecia ser um escritório de contabilidade abandonado.

- Quem é vo...

- Shhh! – Disse ela me aquietando.

Pude ver pela janela, vários vultos caindo rapidamente, elas caíram todas no asfalto com um baque surdo. Após alguns segundo, elas levantavam e corriam em direções diferentes. Ficamos em silêncio por mais alguns instantes até eu perguntar:

- O que eram aquelas coisas e porque não morreram com a queda?- No mesmo instante em que perguntei, um homem entrou pela janela da saída de emergência. Por um momento, eu achei que ele fosse nos pedir ajuda, mas então, ele abriu sua boca e revelou dentes pontiagudos e tortos. A coisa começou a correr na direção da mulher encapuzada e com um salto incrível, avançou em seu pescoço, mas ela, com um golpe rápido, o rebateu pela janela do prédio.

-Uau! Como você fez isso? – Perguntei.

- Kung-Fu! – Respondeu ela.

†††

Finalmente, as coisas ficaram mais calmas. A mulher encapuzada havia fechado todas as janelas do andar com algum tipo de ‘’Blecaute instantâneo’’. Sentei-me próximo ao elevador de serviço e relaxei um pouco.

- Será que agora você pode me explicar o que está acontecendo? – A perguntei.

- Claro. – Respondeu ela tirando o capuz que cobria seu rosto, revelando-se, uma garota de mais ou menos 16 anos. Tinha seus cabelos negros e curtos jogados pelo deu rosto fino.

- Bom... Dois meses atrás, eu trabalhava como garçonete na Bake´s dog house, e hoje, fujo de assassinos que querem dilacerar minha carne e se deliciar com meu sangue. Eu estava trabalhando quando tudo começou, ouvi um estrondo muito forte, e da janela, pude ver as pessoas correndo e uma fumaça verde escura invadir toda a rua. Enquanto os clientes e funcionários do bar iam até a entrada para ver o que estava acontecendo, eu corri para dentro da dispensa e me tranquei lá, mas havia me esquecido de que ela só abria por fora. Fiquei trancada lá por uns dois dias. Me alimentava do que tinha lá dentro. A todo o momento, eu podia ouvir os gritos lá fora, explosões e tiros. Mas, chegou um momento em que estava silencioso demais, foi quando você apareceu. Eu estava abraçada aos meus joelhos quando um copo caindo ao chão quebrou o silêncio. Logo em seguida, ouvi alguém mexer na porta, e quase que instantaneamente, a porta foi arrancada do seu lugar, e lançada para o meio da lanchonete com uma força impressionante. Era você do outro lado da porta, estava olhando fixamente para mim. Você tinha os olhos muito avermelhados e tinha uma respiração muito ofegante. Assim que me levantei para lhe agradecer, você correu até a entrada. Eu lhe segui, e vi lá fora o caos que estava. Os carros todos abandonados na rua, a sujeira acumulada, e um homem vindo à direção da lanchonete. Você rosnou para ele, que nem se quer hesitou, quando ele chegou perto da entrada, se curvou e mostrou seus dentes horripilantes. Eram sujos de sangue e não tinham uma ordem exata, eram simplesmente, espalhados pela boca. Ele avançou em você, mas sem sucesso. Você o pegou pelo pescoço e o jogou no chão. Ele se levantou e foi se afastando de costas com a mão massageando o pescoço. Depois, você olhou em volta, e saiu correndo. Foi ai que eu decidi seguir você. Em todo o tempo em que você esteve inconsciente, você nunca me atacou. Por isso, achei que, talvez, você pudesse ser diferente dos outros ‘’vampiros’’. E hoje, eu lhe encontrei caído no terraço do Noticiário local.

-... Tudo que eu me lembro, é de estar caído no meio da rua e ouvir um grito. – Eu realmente não me lembrava de nada que ela havia me contado. – Então... Quer dizer que sou um deles? Um monstro? Como você sabe que eu não vou perder minha consciência agora e te matar?

- Eu sei por que não aconteceu antes! – Respondeu ela.

Ficamos em silêncio por uns minutos, até ouvirmos um barulho na rua. A garota tirou uma faca que estava presa em seu sinto e abriu uma brecha no Blecaute para observar a rua. Lá em baixo havia um casal, que aparentemente, estava tentando passar despercebido pelos ‘’vampiros’’. Mas parecia que eles os farejavam. Perceberam o cheiro deles mesmo no meio de tantos outros vampiros. O casal começou a correr, mas eles, que eram muito mais rápidos, os alcançaram facilmente.

- Você está pensando o mesmo que eu? – Perguntou a garota.

- Que se ficarmos aqui mais um segundo iremos morrer de forma lenta e dolorosa?

- Não! Que talvez hajam mais sobreviventes!, talvez, até mais como você! – Disse ela com tom de excitação.

- Não havia pensado nisso, mas, o que vamos fazer então? – Perguntei a garota. Ela ficou pensativa por alguns segundos.

- Podíamos tentar encontrar mais sobreviventes, mais informação. Estaríamos seguros com você. — Respondeu ela entusiasmada.

- Ótimo, mas eu não tenho nenhuma noção de luta.

- Sem problemas, se você for mesmo como eles, irá agir por extinto.

- Você ainda não me disse seu nome! – Antes de eu poder ouvir uma resposta, ela já havia saltado pela janela das escadas de incêndio.