Virtua

1 Capítulo 1 - Xenosputer


Notas iniciais
Primeiro capítulo da minha história de ficção científica fantasiada. Espero que gostem, eu tenho ela em mente faz quase 3 anos, e só agora comecei a escrever. Perdoem meus erros, tanto de escrita como erros dentro da história, pois ainda sou amador e escrevo apenas por hobby.

Era mais ou menos 9 horas da manhã quando Dionísio acordou assustado. Levantou da cama no mesmo instante, assustado, pois tinha ouvido um grito tão grande e que tinha até mesmo atravessado o campo de força que seu sono pesado proporcionava a ele. O rapaz correu até a sala. Vazia. Correu até a cozinha. Vazia. Ele sabia que o grito tinha vindo de algum lugar da casa. Parou, coçou a cabeça, botou a mão no rosto, balançando a cabeça negativamente. A ficha tinha caído.

– Alberto, o que você aprontou dessa vez? — perguntou para si mesmo em voz alta, e andou até a cozinha. De lá, abriu a porta que dava para o quintal, e por alguns instantes parou, para tampar os olhos do brilho do sol, que naquela hora da manhã, já se mostrava firme e forme no seu posto de trabalho. Logo em seguida, com a visão acostumada ao sol, voltou a andar em direção ao quartinho que havia nos fundos da casa, que era onde seu irmão havia instalado sua oficina. Dionísio tinha o costume de chama-la de “Casa do Maluco”, pois Alberto passava mais tempo lá dentro do que no resto da casa. A porta estava entreaberta, mas de dentro não vinha som algum, o que era estranho, pois Alberto sempre estava fazendo uma barulheira tremenda lá. Com calma, Dionísio abriu lentamente a porta, e ao adentrar, se deparou com Alberto observando um computador e Dognix sentado ao seu lado, quieto. Aquilo era estranho, muito estranho, pois Alberto tinha o costume de falar sozinho, o tempo todo, repetindo para si mesmo suas fórmulas, ideias e cálculos. Dognix percebeu a presença de Dionísio e correu em sua direção, com a língua de fora. O rapaz o pegou no colo, acariciando sua cabeça metálica, como sempre fazia e o cão gostava.

– Você não vai acreditar, cara! O Alberto fez uma parada muito louca! — disse o cão, com sua voz eletrônica e levemente cômica. Dionísio não estava surpreso, em vista que para Dognix tudo que Alberto inventava era “louco”. O próprio Dognix era um invento de Alberto, um cachorro robótico, na sua terceira versão, que o cientista desenvolvera para lhe fazer companhia. Ele era parecido com um dachshund, a diferença era que seu corpo era metálico, pintado de branco, e no lugar dos olhos tinha um visor com pontos azuis que indicavam sua íris, que modificavam de cor dependendo do seu humor. Ele também falava e segundo Alberto, possuía um QI de 442, embora Dionísio achava que isso fosse piada, pois o cão jamais demonstrava ser tão inteligente assim. Dogebóticos Niotrommetic Xenos III era o verdadeiro nome do cachorro robótico batizado por Alberto, que significava “Cachorrobótico Niotrommético Xenos Terceiro”, mas todos chamavam por Dognix pois era mais fácil de se falar. O “cachorrobótico” estava em sua terceira versão, pois a primeira havia sido atropelada por um caminhão e reduzida a sucata e a segunda havia fugido depois de uma discussão com Alberto. Dognix era simpático, gentil, não fazia sujeira, sabia pedir a sua comida educadamente e não mordia ou afugentava os carteiros, falava sempre usando as gírias do momento e jamais abandonava Alberto, embora gostasse muito de sair passear com Dionísio.

Alberto se encontrava parado em frente a um velho computador, no qual ele sempre testava alguns inventos, mas desse vez tinha algo errado. Alberto exibia um sorriso estranho, e quem não conhecesse poderia dizer até mesmo diabólico, mas Dionísio sabia que o aquele sorriso significava. Significava que Alberto tinha feito algo grande, algo realmente grande, algo grande pra caramba, alto tão grande que Dionísio tremeu nas bases. Aquele computador poderia ser a calculadora para a pergunta para a vida, o universo e tudo mais, poderia ser uma bomba capaz de destruir uma galáxia inteira ou então um localizador de vida marciana. Dionísio não tinha certeza do que era, mas ele tinha certeza que aquilo significava algo grandioso. Alberto então lentamente se virou para Dionísio, ainda sustentado o sorriso no rosto. Alberto era um rapaz magricelo, não muito alto, de cabelo compridos, barba rasa e óculos redondos, que passava praticamente todo o seu tempo inventando coisas novas, escrevendo teorias, resolvendo cálculos impossíveis e criticando a sociedade. Alberto era uma pessoa extremamente inteligente, mas era sua excentricidade o fazia diferente de todos as grandes cabeças que existiam no mundo, e todo mundo pensava que ele era um louco que sabia demais. Tanto é que era por isso que seu pseudômino era Xenos.

– Dio, olhe para esse computador — disse Alberto, apontando para o velho computador de monitor de tubo, gabinete velho e empoeirado, teclados com as letras quase todas apagadas e sujo de migalhas, mouse com esfera quase falhando. Dionísio automaticamente mirou o computador e ficou-o observando, esperando que a qualquer momento algo acontecesse. Passou vários minutos, e nada aconteceu. Nada mesmo. Dionísio fitou o irmão, com uma cara bem irônica.

– Ta, e dai? — ergueu os ombros e as mãos, zombando com a cara do irmão. Ele esperava bem mais do que aquilo. Alberto não gostou muito e se estressou.

– Cara, olha isso! — apontou novamente para o computador e dessa vez foi até ele, dando tapas leves no gabinete. — Você está olhando para o Xenosputer Neotrom 1.0! — falou com tanta clareza e de forma tão simples que parecia que o Xenosputer Neotrom 1.0 era um simples relógio de pulso. Dionísio voltar a fitar o computador, depois seu irmão, depois o computador e enfim para a cara de êxtase do seu irmão.

– Xenosputer? Você tá cada vez pior pra dar nome pro seus inventos. — zombou Dionísio de novo, apenas para irritar seu irmão. Dessa vez Alberto apenas ajeitou os óculos e voltou a observar seu invento, cruzando os braços.

– O Xenosputer não é um simples invento cara, o Xenosputer é foda! — disse Dognix, entusiasmado. Dionísio o ignorou, pois sabia que Alberto o tinha configurado para que ele sempre fosse a favor do criador. Alberto olhou o cachorro e fez um sinal de positivo com o polegar pra ele.

– O Xenosputer é equipado com uma placa mãe Xenosneotrom DDR42, um processador Xenosneotrom I42 42.000 GHz, uma fonte Xenosneotrom 420W e um cooler Xenosneotrom 420X420X42 para aguentar essa belezinha. — falava Alberto, sem esquecer nenhum detalhe. O irmão mais novo não compreendeu muito bem.

– Xenosneotrom? Cara, use sua criatividade para nomes diferentes! — falou Dionísio, atordoado com a quantidade de informação. — Eu nem mesmo entendi a diferença que essas porcarias fazem nesse computador.

Alberto observou seu invento antes de prosseguir.

– Meu caro irmão, isso tudo que eu disse torna esse computador… — virou-se completamente, para fitar melhor Dionísio. — ...o computador mais incrível, rápido e inteligente do mundo! — deu enfase nas últimas palavras, exibindo logo em seguida o sorriso que Dionísio conhecia muito bem. O rapazinho não estava enganado, seu irmão realmente tinha feito algo… Incrível. E bem rápido. E inteligente. Dionísio andou até perto do computador, obsevando-o cuidadosamente, Dognix no seu colo cheirando seu pescoço. Ele não viu nada demais, o computador nem mesmo parecia funcionar direito.

– Vou ligar esse troço aqui então, e vou aproveitar pra ver se ele roda uns jogos ai que eu baixei… Dai vamos ver se ele é tudo que você disse. — Dionísio colocou Dognix no chão e se aproximou para apertar o botão do computador, mas no exato momento que isso iria acontecer, foi interrompido por Alberto, apreensivo.

– Calma aí, mano, deixa eu fazer as honras, afinal… — ajeitou os óculos empurrando-o com o indicador. — ...o que você vai fazer você esquecer tudo o que sabe sobre tecnologia. Vai te fazer enxergar o mundo com novos olhos. — e então sorriu novamente, o que deixou Dionísio desconfortável. Ele estava cansado de ouvir aquele discurso do irmão, a cada novo invento. Já deveria ser a trigésima quinta vez que ele iria ver algo que o faria enxergar o mundo com outros olhos. E ele continuava enxergando o mundo do mesmo jeito de sempre. Mas ele estava preocupado com algo, algo que o deixava muito desconfortável. Alberto não havia comentado para ele sobre esse computador potente, pois o cientista sempre avisa quando iria começar um projeto novo. E o que era preocupante era que ele estava trabalhando naquele computador havia meses, embora Alberto nunca fizesse questão de esconder aquilo de Dionísio, apenas não respondia suas perguntas. E para ferrar o negócio de vez, o que deixava Dionísio ainda mais apreensivo e desconfortável, era a presença de quantidades notáveis de neotrom nos componentes do computador. Neotrom era uma energia que Alberto havia descoberto, mil vezes mais potente que a energia nuclear, não radioativa, mas com a potência para destruir uma cidade inteira caso algo desse errado. Era comum Alberto utilizar neotrom em tudo que ele construía, pois uma simples pilha de neotrom era capaz de energizar algo por vários anos, além de ser uma energia que poderia ser facilmente convertida para líquido, sólido ou gasoso. Mas como Alberto era desastrado, explosões sempre ocorriam durante o manuseio da energia, mas nunca algo grave.

Era isso que preocupava Dionísio, que fazia ele sentir o cheiro da merda que estava a ocorrer. Era muito neotrom concentrado em um computador, se algo ali desse errado, assim que apertassem o botão em minutos eles poderiam estar acima das nuvens observando um grande cogumelo de fumaça e destruição aonde instantes havia a casa deles. Isso é, se sobrasse algo deles. Alberto se posicionou na frente do computador, com uma mão no peito estufado, os olhos fechados, a postura reta.

– Um pequeno passo para mim, mas grande salto para a ciência. — suspirou, respirou fundo e então Alberto apertou o botão que ligava o computador. No mesmo instante, adentrou pela porta Pedro, o primo dos dois irmãos.

– Ei Pedro, chegou bem na hora para ver meu novo invento! — disse Alberto, entusiasmado.

– Que pelo jeito não funcionou, deu até tela azul da morte — riu Dionísio, apontando para a tela do computador. Pedro chegou mais perto, olhando para a tela mais atentamente.

– Ei, isso aqui tá meio diferente… — Pedro cerrou os olhos, tentando ler o que estava escrito na tela azul do PC. Alberto achou curioso, e se também se aproximou. Depois de alguns instantes lendo o que estava escrito na tela, ele deu outro grito, do mesmo tipo que havia acordado Dionísio.

– Se é burro cara, para com isso… — ia dizendo Dionísio, incomodado, mas foi interrompido por Alberto, que pulava de alegria.

– Deu certo! Deu certo! Olhem o que está escrito na tela! O maior dos meus inventos deu certo! — falava ele, mais alegre do que nunca.

Dionísio se posiciou ao lado de Pedro, e tentou ler o que estava escrito na tela. O interessante era que a letra no início estava de um jeito, com uma fonte, mas assim que Dionísio olhou atentamente, a fonte da letra mudou para uma que ele gostava muito, e utilizava para digitar seus textos. Era como se o sistema se enquadrasse aos gostos do usuário. Mas o rapaz não sabia como.

Seja bem vindo ao Xenoputer. Você está a uma tecla de iniciar a imersão ao XenOS, o sistema opercional desenvolvido por Xenos que permite ao usuário uma imersão ao mundo virtual jamais antes vista. Aperte enter para prosseguir.

Foi isso que Dionísio e Pedro leram, praticamente ao mesmo tempo. Se entreolharam, olharam novamente para a tela, depois se entreolharam novamente e voltaram a olhar para Alberto.

- Não entendi — disse Dionísio. — Nem eu — Pedro completou. Alberto balançou a cabeça negativamente.

- Bando de ignorantes… Apertem a porcaria da tecla enter e então vocês vão entender isso tudo. — bradou o cientista, aborrecido.

- Bando de ignorantes! — latiu Dognix, imitando o dono, mas ninguém ligou.

Dionísio olhou para Pedro, depois para Alberto, e como não tinha escolha, apertou a tecla enter do teclado. Por um momento, nada aconteceu. A tela do PC então escureu. Parecia que o invento tinha sido um fracasso. Mas apenas, apenas, eu disse apenas, parecia. Uma voz proveniente do computador começou a falar, simplesmente, do nada.

Eu sou XOS, o guia do Xenoputer. Vocês estão prestes a adentrar ao Cyberspaçum. Por favor, sigam minhas instruções assim que estiverem dentro do Xenoputer.

Pedro começou a rir, achando que se tratava de uma brincadeira de Alberto, algo para zoar com a cara deles, e até Dionísio riu, e até mesmo Dognix, sentado ao lado de Alberto, riu. Mas, Alberto não riu. Dionísio o fitou, achando que encontraria o irmão rindo deles, mas o que ele viu foi algo pior. Ele viu algo pior que um fantasma, algo pior que um apocalipse zumbi, algo pior que o armageddon. Ele viu seu irmão retirando os óculos, olhando com os olhos arregalados, a boca aberta, para a tela do computador. Alberto só fazia aquilo diante de uma coisa: quando um de seus inventos, ideias, projetos, seja lá o que fosse, fugia anormalmente do foco principal, de um modo que ele não compreendia, algo tão complexo que o fazia pasmar. Resumindo, aquela era a expressão que Alberto fazia quando não tinha resposta para o que acabara de ver. E Dionísio sabia que era algo assustador.

- C-como a-a-assim? — Alberto dizia, a voz baixa, gaguejando, pasmado. — Isso n-não tem n-nada nada a ver ver nada a ver nada a ver com o que nada a ver com o que eu planejei! COM O QUE EU PLANEJEI! EU NEM MESMO PROGRAMEI ISSO! — as palavras saim embaralhadas, repetidas, e Alberto gritava e sussurava ao mesmo tempo, com sua mente entrando em colapso. Ele odiava ficar sem entender alguma coisa. Dognix abaixou a cabeça, chorando baixinho e recuou alguns passos. Pedro era o que menos havia se impressionado e ainda achava que tudo aquilo era zoeira.

- Ah, corta essa Alberto, eu saquei que isso é brincadeira tua. Se acha mesmo que essa porcaria vai levar a gente pra dentro dela? — zombou Pedro, virando-se caminhando em direção a porta, pronto para ir embora.

Sim, eu vou. E eu não sou uma porcaria. Eu sou um fucking Xenosputer, seu bosta.

Pedro só teve tempo de se virar, confuso com o que tinha escutado. O que ele veria deixaria ele mais confuso ainda. A tela do computador começou a brilhar, um brilho psicódelico, com várias cores, misturando vários formatos geométricos, linhas e pontilhados. E então, ela brilhou até a tela emitir uma forte luz branca, e quando viram, Pedro, Alberto, Dionísio e até Dognix estavam sendo sugados para dentro da tela. Não tiveram tempo de reação, nem nada. Alguns segundos depois, a redicula estava vazia, contendo apenas a mesa com um computador velho, um sofá cheio de bugigangas e outra mesa grande com vários outros papeis e inventos. A tela do PC normalizou, azul, com uma mensagem que não seria lida por ninguém.

Processo de imersão:

100%

Notas finais
Posso dizer que no próximo capítulo começa realmente a aventura. Só isso por enquanto rsrs.