Violin

24 Dia 24 — Imbranato


Notas iniciais
Finjam que não são duas horas da manhã, okay? Nesse momento, estou olhando o relógio e vendo 23:59. Melhor ainda, existem lugares do mundo em que ainda é quarta-feira. Vamos fingir que eu estou nesse lugar e fica tudo certo q Beijos de luz para vocês e espero que gostem. Ficou bonitinho. Abraços o/

Sherlock não tinha ideia de quando tudo começara, mas sabia que não fora assim desde sempre. No começo eram amigos, e somente amigos. No começo, tudo o que Sherlock apreciava era a boa companhia e as risadas.

Ele não percebeu exatamente o momento em que isso se modificou, embora vez ou outra pensasse que devesse ter percebido. Tinha algumas teorias, é claro, mas seu conhecimento sobre aquilo — falar a palavra, mesmo que em sua própria mente, era um pouco complicado — era limitado, então duvidava que alguma delas se provasse correta em algum momento.

Sherlock também nunca sentira o sentimento antes, nunca amara ninguém de maneira romântica em sua vida.

Então, se era desajeitado ao amar, não era realmente sua culpa. Ele não sabia como dizer ou demonstrar, nunca sabia se estava sendo frio demais e em que medida ele poderia sê-lo, uma vez que não se sentia confortável em expor o seu coração para ninguém.

Se ele não sorria com frequência ou repetia “eu te amo” todos os dias, não era por amar John menos — embora John frequentemente achasse que fosse —, mas por não saber como fazê-lo. Temia que seus sorrisos parecessem falsos e suas palavras se tornassem insignificantes.

Temia que, ao demonstrar, percebesse que o seu sentimento era menor do que parecia ser em sua mente. Ou pior, o amor poderia se provar muito maior do que ele podia suportar. Muito mais intenso.

A verdade era que, mesmo com toda essas ressalvas quanto ao amor, Sherlock amava. Sentia-se de John, e somente dele. Não havia outra pessoa no mundo que seria capaz de fazê-lo se sentir daquela maneira, com o coração batendo mais rápido e as mãos suadas. Com os sorrisos sem motivos e os pensamentos desperdiçados.

Era completamente compreensível, portanto, que ele se atrapalhasse ao amá-lo.

Só precisava que John entendesse o fato.