Violin

22 Dia 22 — Right Now


Notas iniciais
Gente, minha semana de provas chegou e SOCORRO. Não sei se vai dar para responder os reviews essa semana, mas eu prometo que assim que der eu respondo, okay? Amo vocês :v Ah, esse é o meu segundo capítulo favorito até agora :v Só perde para o Really Don't Care

A solidão lhe era uma velha conhecida. Sherlock passara grande parte da infância sozinho — mesmo que estivesse rodeado de pessoas. Tinha os pais que, apesar de amorosos, não sabiam como lidar com ele e o irmão. Tinha Mycroft, que raramente tinha paciência para ele, e as pessoas — recusava-se a chamar de colegas, porque não havia nem mesmo o sentimento de companheirismo — do colégio em que estudara, que não conseguiam acompanhar seu raciocínio ou mesmo tinham vontade de fazê-lo.

Também sua adolescência ele passou sem amigos. Ele fora magricela e estranho, de aparência e personalidade. Era o garoto com o nariz enfurnado nos livros ou o garoto das experiências de laboratório que vez ou outra davam errado. Aparecia no colégio sem uma das sobrancelhas ou ia para casa com a blusa chamuscada. Também era o alvo fácil dos grandalhões que queriam implicar com alguém.

Isso até ele descobrir a beleza do pugilismo e ser deixado em paz.

O garoto magricela e estranho se tornou um homem exótico, de maçãs do rosto altas e nariz torto, mas também solitário. Muitas vezes por escolha, algumas por necessidade. A maioria, porém, era porque sabia exatamente o que o relacionamento com as pessoas traria.

Até que conheceu John.

Com ele, descobriu que não precisava mais ficar sozinho. John trouxe para a sua vida as alegrias da amizade e as incertezas do amor. Sherlock descobriu conceitos como lealdade e empatia, e foi capaz de colocá-los em prática. Não por obrigação.

Nunca por obrigação. Não com John.

Amá-lo era fácil, mesmo que lidar com o sentimento crescente em seu peito não fosse. Sherlock, que se orgulhara, um dia, de não precisar de ninguém, via-se frequentemente desejando estar com John em todos os momentos possíveis.

Principalmente durante a noite.

Porque era de noite que as memórias da adolescência se tornavam mais vívidas.

(E ele tinha medo de descobrir que não superara o garoto esquisito que fora um dia).