Violin
22 Dia 22 — Right Now
Notas iniciais
A solidão lhe era uma velha conhecida. Sherlock passara grande parte da infância sozinho — mesmo que estivesse rodeado de pessoas. Tinha os pais que, apesar de amorosos, não sabiam como lidar com ele e o irmão. Tinha Mycroft, que raramente tinha paciência para ele, e as pessoas — recusava-se a chamar de colegas, porque não havia nem mesmo o sentimento de companheirismo — do colégio em que estudara, que não conseguiam acompanhar seu raciocínio ou mesmo tinham vontade de fazê-lo.
Também sua adolescência ele passou sem amigos. Ele fora magricela e estranho, de aparência e personalidade. Era o garoto com o nariz enfurnado nos livros ou o garoto das experiências de laboratório que vez ou outra davam errado. Aparecia no colégio sem uma das sobrancelhas ou ia para casa com a blusa chamuscada. Também era o alvo fácil dos grandalhões que queriam implicar com alguém.
Isso até ele descobrir a beleza do pugilismo e ser deixado em paz.
O garoto magricela e estranho se tornou um homem exótico, de maçãs do rosto altas e nariz torto, mas também solitário. Muitas vezes por escolha, algumas por necessidade. A maioria, porém, era porque sabia exatamente o que o relacionamento com as pessoas traria.
Até que conheceu John.
Com ele, descobriu que não precisava mais ficar sozinho. John trouxe para a sua vida as alegrias da amizade e as incertezas do amor. Sherlock descobriu conceitos como lealdade e empatia, e foi capaz de colocá-los em prática. Não por obrigação.
Nunca por obrigação. Não com John.
Amá-lo era fácil, mesmo que lidar com o sentimento crescente em seu peito não fosse. Sherlock, que se orgulhara, um dia, de não precisar de ninguém, via-se frequentemente desejando estar com John em todos os momentos possíveis.
Principalmente durante a noite.
Porque era de noite que as memórias da adolescência se tornavam mais vívidas.
(E ele tinha medo de descobrir que não superara o garoto esquisito que fora um dia).
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