Violetta - O Recomeço
26 Capítulo 12 - O Regresso Comprometido (continuação)
Notas iniciais
Depois de desligar Angie desceu, Ludmila estava ao piano com Pablo e Brenda continuava na cozinha...sem que ninguém se apercebesse ela colocou-se por trás de Pablo e começou a cantar com Ludmila...
Esta es una história sin final
Empezó como um cuento y no acabará
Habla de pasión, de mi profesión
Es donde voy y quien soy
Es más fuerte que yo
Si una nota suena em mi interior
Me vuelvo el cantante y la cancion
Me vuelvo luna y también sol
Yo solo quiero cantar, tocar tu alma com mi voz
Yo solo quiero bailar, dar alas al corazón
Porque la música es vocación, es mi pasión
No es obsesión, es lo que soy…Aaaahhhhh
La música es mi verdade, Y no voy a enganar
— Tinha saudade de cantar contigo...- diz Pablo abraçando-se a Angie...
— Sim, faz muito tempo que não cantávamos juntos...acho que a última vez foi na nossa festa de despedida do Estúdio...
— Antes de nos tornarmos professores...foi há muitos anos...
— Vocês os dois parecem dois velhos a relembrarem-se do passado...até parece que são assim tão velhos...- diz Ludmila rindo-se dos dois...
— Não somos velhos...mas temos boas recordações do passado...- diz Pablo sorriso para Angie.
— Sim, temos boas recordações...mas também algumas não tão boas…
— E que tal se fossemos todos comer, antes que comecem para aí a chorar que nem umas “Marias Madalenas”...- afirma Brenda, saindo da cozinha e rindo-se dos dois já com os olhos vermelhos a ponto de chorar…
— Sim vamos, eu estou cheia de fome...- diz Angie abraçando Ludmila.
— Vamos porque a Angie tem que alimentar a minha irmã ou irmão...- diz Ludmila com um sorriso meio brincalhão.
Entretanto ao jantar Angie conta como correu a conversa com Gérmen, Ludmila não hesitou em lhe perguntar se tinha contado sobre o bebé...Angie sorriu e afirmou que lhe tinha contado, e que este tinha ficado feliz, se bem que iriam ficar separados cada um no seu local, sem saber quando e como iriam voltar a estar juntos. Contou-lhes também que não iria ficar em Buenos Aires...
— Angie, mas vamos para onde? Quer dizer eu vou contigo...
— Se quiseres, sim claro que podes ir comigo. E antes que me perguntem estou a pensar voltar para Rosário.
— Mas porque é que não ficas, sabes que podes ficar aqui o tempo que quiseres e o lugar de professora é teu...
— Eu sei Pablo e agradeço a oferta, mas eu preciso sair daqui. Eu não me quero encontrar com José, nem com a minha mãe.
—Mas Rosário?- Pergunta Pablo...
— Porque em Rosário tenho a minha família: os meus tios, os meus primos; não vou estar sozinha.
— Tens a certeza? Sabes que podes ficar aqui...- afirma Brenda com um ar sério, como que a garantir-lhe que não lhe incomodava nada a estadia dela ali com eles...
— Sim tenho, e tu Ludmila...sei que tudo isto é difícil e…eu gostava muito que viesses comigo, mas percebo se não quiseres ir.
— Ludmila, se não quiseres ir com a Angie, podes ficar aqui connosco não há problema. Eu e a Brenda vamos ter muito gosto em te ter cá em casa.
— Isto foi tudo muito de repente, mas...Pablo eu agradeço a oferta, mas eu vou com a Angie. Tu e esse bebé são a minha família, e não e vou deixar sozinha.- e levantando-se abraça Angie como uma filha abraça a mãe...pois era o que elas eram de certa forma.
No dia seguinte Angie e Ludmila acordaram bem cedo, hoje era o dia em que iriam ao asilo ver Priscila, depois á tarde Angie iria com Brenda ao médico tinha que começar a fazer o pré-natal e ver se tudo estava bem com o bebé. Pablo e Brenda também já tinham acordado, uma vez que hoje tinham os dois, aulas no estúdio e ainda por cima tinham óptimas notícias para dar a Fran, Diego, Camila, Broduei e a Andrés. Naty e Maxi iriam ficar a saber das notícias de Vilu por Ludmila, já que Naty ia com Lu ver Priscila.
Assim que acabaram de tomar o pequeno-almoço e se arranjaram, Angie e Lu saíram e foram buscar o par “Naxi” e partiram a caminho do asilo onde Priscila se encontrava desde o acidente. Ninguém falava do assunto, pois Ludmila não gostava que se tocasse no assunto, mas a verdade é que ela tentava apagar aquele momento da sua mente...mas nunca tinha conseguido, nem iria conseguir e ela sabia disso, porém se ninguém falasse sobre aquilo ela também não o teria que fazer e era exactamente isso que ela queria, não falar sobre isso. Na altura Gérmen e os médicos do hospital onde ela estivera internada quiseram que ela tivesse acompanhamento de um psicólogo, mas Ludmila recusou, ela apenas queria sair do hospital e ir para Itália onde estava Frederico á sua espera.
Angie sabia que ela não queria falar, mas também sabia que ela nunca esquecera daquele dia...o dia em que eles estiveram quase a perder Vilu. Era um sábado, estavam todos num parque em Sevilha fazendo um piquenique antes de os miúdos partirem no Tour...Angie e Gérmen tinham acabado de se casar, e estavam todos felizes. Os professores estavam todos sentados a conversar e a acertar os últimos detalhes para a Tour, junto deles estava Gérmen e Brenda, que apesar de não serem professores estavam também eles, de certa forma, envolvidos na organização. Até que de repente ouvem um tiro...quando olham para trás, de onde veio o estrondo veem Vilu de costas para eles, abraçada a uma Ludmila com um leve sorriso e mais atrás Priscila com uma pistola apontada para as duas...Vilu e Ludmila caem ambas ao chão e apenas nessa altura percebem que foi a última que levou o tiro, Priscila está de novo pronta para atirar, mas com as últimas forças que tem Ludmila protege de novo Violetta. E nessa altura que Leon, Diego, Broduei, Maxi e Andrés a conseguem e enquanto uns a seguram Diego tira-lhe a pistola das mãos. Frederico corre para Ludmila que continua a sorrir para Vilu que chora junto dela. Gérmen e Angie correm até elas, e enquanto Gérmen olha para Ludmila, Angie acalma Vilu e vê se esta está ferida ou não. Pablo entretanto chama a ambulância e a polícia, que chegam rapidamente, enquanto Priscila é presa, Ludmila é levada para o Hospital. No final de todo o processo Priscila é dada como desequilibrada e enviada para um asilo, onde ficará até ao fim dos seus anos, já que foi considerada mentalmente desequilibrada. Ludmila depois de algumas semanas no Hospital consegue recuperar pelo menos em termos físicos, uma vez em termos psicológicos os médicos tentaram várias vezes que ela fosse seguida, mas Ludmila sempre se negou.
Antes de viajar para Itália, no final do Tour, com Frederico Ludmila quis ir ver Priscila, apesar de tudo ela era sua mãe, contudo tudo o que poderia correr mal correu, Priscila completamente louca confundiu-a com Angie e quase a matou de novo apertando-lhe o pescoço. Por sorte o guarda que se encontrava ali próximo ouviu um barulho, Ludmila com algum esforço conseguiu fazer cair uma cadeira, e salvou-a de uma morte certa. Quando Gérmen soube do sucedido, ameaçou processar o local e exigiu que se caso Ludmila quisesse voltar a ver a mãe que não fosse deixada sozinha.
E assim iria ser desta vez, quando Angie ligou a marcar fez questão de lhes dizer que não a queria sozinha com Priscila que teria que haver no mínimo dois seguranças na sala com Ludmila e com Priscila. A viagem decorreu assim em silêncio, uns porque não sabiam o que dizer, outros por não quererem se quer falar sobre o assunto. Quando chegaram, era visível o nervosismo de Ludmila...Naty abraçou-a, e deu-lhe a mão como que a dizer-lhe que estaria com ela o tempo todo, Maxi estava atrás das duas, Angie fechou o carro e foi ter com as duas.
— Lu podemos ir embora se quiseres. Ninguém te vai julgar se não fores vê-la.
— Eu quero ir, eu preciso de ir…mas a verdade é que há uma parte de mim que está aterrorizada. Mas ela é minha mãe...e só me tem a mim.
— Eu percebo-te, mas se te faz ficar mais calma vais estar sempre acompanhada e se te sentires mal e quiseres sair é só fazeres um sinal...
— Tu não vais entrar comigo?- pergunta Ludmila, ficando de repente ainda mais nervosa.
— Acho melhor não, sabes que se a tua mãe me vir pode...bom não vale a pena arriscar. Mas a Naty pode entrar contigo se ela quiser.
— Claro que vou, não te vou deixar sozinha Lu...- Responde Naty sem hesitar, apesar de ter um Maxi a fazer-lhe sinais para que não entrasse, mas Naty nunca deixaria a amiga, e Angie sabia bem disso.
— Bom, então eu e o Maxi ficamos cá fora á espera…- diz Angie, e seguem assim os quatro, o caminho até á entrada do Asilo. Quando lá chegam já estão o director e dois guardas á espera deles, Angie estranha toda esta recepção, contudo assim que o director lhe pede para falar com ela em privado Ludmila que está já uma pilha de nervos fica ainda pior.
— Eu gostaria de saber porque é que Ludmila não me pode acompanhar, afinal Priscila é a mãe dela e...
— Bom eu preferia primeiro falar consigo, mas se faz questão a menina poderá a acompanhar-nos.
— Ludmila, vamos?- pergunta Angie a uma Ludmila cada vez mais nervosa…- Calma, talvez só queiram dar notícias de como ela está.- e olhando de novo para o homem…
— Muito bem, sigam-me então, podemos ir ao meu escritório. – e seguem assim o director, assim que chegam Ludmila reconhece o médico que trata de Priscila, e olha para Angie preocupada, esta apenas a abraça dando-lhe um sorriso... – Bom penso que se lembram do Dr. Olivera, ele está encarregue da paciente.
— Sim eu sei quem é o médico da minha mãe. Mas afinal podem-me explicar o que está a acontecer? Porque é que estamos aqui?
— Bem Ludmila, não é?- Pergunta o médico...e esta acena apenas com a cabeça…- não se atormente, o que temos para te dizer são boas notícias.
— Boas notícias, o que é que aconteceu? – pergunta Ludmila agora com um leve sorriso na face.- Afinal o que é que se passa com a minha mãe?
— A Sra. Ferro tem mostrado sinal de melhorias. Temos feito vários tipos de terapia está mais consciente do que fez e do porquê de estar aqui.
— Isso quer dizer exactamente o quê?- Pergunta Angie, com alguma preocupação na voz: iria Priscila ter alta do asilo? E iria para onde? Seria presa, ou será que sairia em liberdade? Não, ela tentara matar Violetta e apenas não o conseguira fazer porque Ludmila se colocou á frente acabando por ser ela atingida, ela não podia sair assim.
— Bem, se ela continuar a apresentar melhorias não há razão para continuar aqui, e sendo assim iremos aconselhar o tribunal para que seja transferida.
— Isso quer dizer que ela continuaria presa…mas numa cadeia?- pergunta Ludmila
— Sim, basicamente seria isso. A Sra. Ferro foi acusada de Tentativa de Homicídio e tem uma sentença a cumprir...sendo que neste momento apenas tem cerca de ano e meio cumprido…- explica o director do asilo.
— Bom e se realmente a Priscila sair daqui, quando é que isso iria acontecer exactamente?
— Bom não lhe posso dar uma data exactamente, mas o tribunal com certeza irá informar os familiares, neste caso a filha ou o tutor.
— Tudo bem, isso são muitas informações. Mas e agora posso ir vê-la?
— Sim claro, mas não tem mais perguntas?- Ludmila acena negativamente com a cabeça...- Bom então acompanhe-me eu irei consigo.
E enquanto Angie vai ter com Maxi à entrada, Naty vai ter com Ludmila, que a esperava no corredor, e segura-lhe na mão como se fosse uma boia de salvamento, como se estivesse prestes a afogar-se, e apesar de lhe estar a magoar Naty não diz nada pois sabia que ela precisava dela...quando finalmente os guardas e o médico param Ludmila olha para Natália, sorrindo esta segura forte na mão da amiga dando-lhe assim a coragem necessária para entrar, suspira fundo olha para o médico que dá o sinal ao guarda que está pronto para lhe abrir a porta.
— Se quiser sair, basta caminhar até ao guarda que estará à porta, eu vou estar sempre junto de si...hoje demos-lhe um calmante de manhã por isso vai estar bastante tranquila.
A porta abre, primeiro entra o Dr. Olivera, depois entram Ludmila com Naty sempre de mãos dadas, e de seguida entram os guardas ficando um junto à porta e o outro caminha para junto de Priscila.
— Sra. Ferro…Priscila. Lembra-se que lhe dissemos que hoje teria uma visita? Veja quem a veio ver?- Priscila que estava de costas para a porta e olhava pela janela vira-se…
— Ludmila? És mesmo tu? – Priscila olha para Ludmila com um olhar que esta não percebe se é de surpresa ou de mágoa, ou ainda de rancor.
— Sim, sou eu…eu vim te ver porque…
— Porque te obrigaram?
— Não, claro que não…
— Ou será que for porque achaste que ficava mal não vires ver a tua mãe…porque não te querias sentir culpada por me abandonares à minha sorte neste sítio…
— Não mamã, eu simplesmente não tenho vivido na Argentina. Eu vivo com o Fede em Itália.
— Ah! Desculpa eu não sabia, também nunca me contaste nada…já não me contas nada, é como se te tivesses esquecido que eu sou a tua mãe apesar de tudo.
— Eu nunca me esqueci que és minha mãe…mas…
— Mas aquela Angie deve ser muito melhor que eu, podes dizê-lo. Eu percebo, ela é uma víbora que vos enfeitiçou a todos mas um dia eu vou recuperar tudo o que ela me roubou.
— Eu pensei que…tu não mudaste mamã. Continuas igual…e sim a Angie é muito melhor que tu. Ela deu-me o que tu nunca me soubeste dar…
— O quê? Amor? O amor não vale nada Ludmila, é uma ilusão…
— Não, ela deu-me mais que isso, deu-me: afecto, carinho, atenção, compreensão…tudo o que tu nunca me deste, nem um pai tu conseguiste dar-me…sim eu sei que o meu pai não é meu pai...
— Sua…- Priscila tenta chegar perto de Lu, mas o guarda agarra-a…
Ludmila olha para a mãe, e percebe nesse momento, que por muito que passem os anos ela nunca mudará, ela será sempre a mesma mulher mesquinha e rancorosa de sempre.
— Acho melhor acabarmos com esta visita, Priscila tente acalmar-se um pouco…eu já volto para falarmos sobre o que se passou.
Ludmila olha uma última vez para a mãe, ela sabe que será a ultima vez que a irá ver, e depois de virar as costas a Priscila e sair pela porta do quarto, não aguenta a abraça Naty e chora, chora tudo o que nunca chorou desde que tudo aconteceu. Quando chegam perto de Angie, Ludmila larga Naty e vai abraçar-se a ela, que não lhe pergunta nada e apenas tenta acalmá-la. Ao fim de um tempo Ludmila acalma-se olha para Angie e fala finalmente.
— Nunca devia ter vindo Angie. Ela não muda, ela nunca vai mudar…
— Lu…eu só quero saber uma coisa, ela magoou-te?
— Não…ela tentou mas o guarda segurou-a. Mas o que mais me magoa não são as marcas físicas que ela me pudesse deixar…o que mais me doeu foi perceber que ela nunca vai mudar, ela nunca vai ser a mãe que eu sonhei que ela fosse.
— Lu sabes que me tens a mim, a Vilu, o Gérmen, a Clara e tens…
Angie olha de relance para a sua barriga, e Ludmila percebe que ela fala daquele bebe que ela espera e que seria seu irmão assim como Vilu e Clara o eram. Mas também essa família que ela ganhara estava desfeita, estava separada por causa de uma pessoa que apenas via a sua felicidade, a sua razão…alguém tão egoísta como a sua mãe. E não era justo, Gérmen e Angie já tinham passado tanto para ficarem juntos, Violetta sofrera demais durante anos, e Clara estaria ela destinada a uma vida com a de Violetta? E o bebé que estava para vir, será que iria crescer sem o pai? Tudo era extremamente injusto e cruel, e Ludmila tinha que fazer alguma coisa, mas o quê?
— Angie, achas que posso ir ao Estúdio durante um tempo, quero me distrair…
— Claro que sim, eu levo-te…vocês ficam com ela meninos?- Angie nessa altura vira-se para Naty e para Maxi que estavam um pouco mais afastados delas.
— Sim claro que ficamos. Mas não vamos para o Estúdio…vamos para o Art Rebeld. O pessoal está lá à nossa espera.- diz Naty.
— Bom, então para o Art Rebeld…vamos?- Pergunta Angie virando-se para Ludmila que continua abraçada a ela.
Quando chegam ao Art Rebeld, Angie despede-se dos três e segue caminho para casa onde Brenda a espera para ir á consulta que ela marcara para essa tarde. Quando chega, vê Pablo em casa o que não é muito normal àquela hora, o que a faz pensar que talvez tenha acontecido alguma coisa com Brenda…
— Pablo. Aconteceu alguma coisa com a Brenda? Foi o bebé?- Mas Pablo continua calado até que se ouvem vozes vindas da cozinha e…- Mamã!
— Angie. Eu precisava de falar contigo, e apesar de o Pablo me ter tido que tu não querias falar comigo...
— E não quero, já me disseste tudo o que tinhas que dizer...e mais. Por favor podes ir-te embora.
— Angeles, eu não vou sair daqui sem me ouvires. Eu ainda sou tua mãe…
— Tu deixaste de ser minha mãe no momento em que decidiste tirar-me a minha filha de mim. Tu deixaste de ser minha mãe no dia em que te juntaste com aquele “homem”…
— Eu não te admito que me fales assim…eu sou tua mãe, e sou avó e estou a tentar fazer o melhor para todos: para ti e para as minhas netas. Eu não vou ficar sem elas novamente...e se o Gérmen pensa...
— Mamã, não foi o Gérmen que as afastou de ti…foi o homem com quem tu estás, foi ele que obrigou o Gérmen a fugir. E ao contrário do que pensas ele não raptou ninguém, porque eu sabia para onde ele ia, e aliás eu fui com ele…
— Tu...foste com ele, fugiste com ele, tu fizeste parte de todo este rapto...
— Sim eu fui com o Gérmen, e estávamos felizes...até que aconteceu o que aconteceu á Vilu. E eu...pensei que tu devias estar com a tua neta.
— Tu sabes onde ela está? Tu sabes onde está a Clara? Angeles tu tens que me dizer, tens que dizer á polícia...
— Nem que me torturem mamã...eu não vos vou dizer onde elas estão...não vou, e agora podes ir-te embora por favor.
— Angie, eu não saio daqui sem que me digas onde estão as minhas netas e se te recusares eu...eu vou...
— Faz o que quiseres...eu não te vou dizer, e agora vou-me embora eu tenho uma coisa marcada com a Brenda, por com licença.
— Angeles, não me obrigues a fazer o que eu não quero...
— Faz o que quiseres...eu amo-te mamã, apesar de tudo o que me estás a fazer. És minha mãe e eu não consigo deixar de te amar...mas o que estás a fazer eu não te perdoou…nunca te vou perdoar.
Depois destas palavras, Angie dá um breve beijo em Angélica e sai com Brenda. A viagem de carro até ao médico é taciturna...extremamente taciturna, até que Brenda decide cortar todo aquele silêncio.
— Angie, estás bem? Ainda não disseste uma palavra desde que entrámos neste carro.
— Estou...- Angie disse calmamente, mas com uma voz trémula...- não, não estou. Depois da consulta eu e a Lu temos que nos ir embora...
— Embora? Como assim embora?- Brenda está perplexa com a atitude de Angie; ela percebe que a amiga está nervosa, ansiosa…mas ao mesmo tempo com uma calma que aflige.
— A minha mãe não vai ficar quieta, ela vai dizer ao José que eu sei onde eles estão. E senão ainda hoje, amanhã vão aparecer policias á vossa porta á minha procura.
— Angie, a tua mãe não te vai entregar á policia, eu tenho a certeza…ela é tua mãe.
— A minha mãe talvez não, mas o José eu não tenho dúvidas. Eu não posso arriscar, temos que nos ir embora ainda hoje.
— Angie e vão para onde? Vocês não podem andar de avião ele encontra-vos num instante…
— Brenda eu não vos vou dizer para onde vamos...é mais seguro para vocês se não souberem nada. Mas eu sei para onde vou...não te preocupes, bom já chegámos.
Enquanto esperavam pela consulta Angie aproveitou para falar com Ludmila, contou-lhe tudo o que se tinha passado e que teriam que se ir embora assim que ela terminasse a consulta. Ludmila ficou algo triste por se ter que afastar dos amigos de novo...mas ela não iria deixar Angie sozinha, ela e aquele bebe eram a sua família. Assim combinaram que ela ia andando para casa para fazer as malas, Naty iria com ela...já que queria estar com a amiga até ao ultimo minuto.
Quando Angie acabou o telefonema, chamaram-na para a consulta, ela conhecia bem a médica, já que Angie sempre fora acompanhada por ela desde nova, tinha sido também a médica de Maria. A Doutora Miriam Rodriguez, tinha sido amiga de escola de Maria, conhecia Angie desde pequena. Era uma visita assídua em casa de Angélica e de Miguel, pois apesar de Maria ter seguido uma carreira como cantora e Miriam uma carreira de medicina, nunca deixaram de ser amigas. Fora ela que acompanhara a gravidez de Maria, e estivera presente no nascimento de Violetta; acompanhara também a primeira gravidez de Angie e o nascimento de Clara. E apesar de desta vez não poder acompanhar esta gravidez até ao fim, Angie sabia que podia confiar nela, ela sempre fora como uma irmã para Angie.
— Angie, como estás? E a Clara, deve estar enorme, e a Vilu? Eu vi-a num site a cantar, e canta tão bem como Maria.
— Está tudo bem. A Clara está enorme e cada dia mais esperta...e a Vilu é uma cópia de Maria.
— Bom, mas se me vieste ver é porque tens novidades, certo?- Angie apenas sorriu...e não preciso mais nada para a Dra. Miriam...- Ok, e estamos a falar de quanto tempo?
— Bem pelas minhas contas umas 4/5 semanas. Mas antes preciso que me prometas uma coisa?
— O que é que se passa Angie? Tu separaste-te do Gérmen?
— Não...quer dizer oficialmente não, se bem que tecnicamente, estamos a viver longe um do outro…mas isso é uma história bem comprida. Eu preciso que me prometas que a minha mãe não vai saber desta gravidez?
— Espera...a tua mãe não sabe que estás grávida. Quer dizer que não é ela que está lá fora á tua espera...
— Não, é uma amiga. Miriam eu preciso que me prometas...por favor.
— Angie, sabes que eu como médica não posso falar, mas também sabes que eu te conheço a ti e á tua mãe há muito tempo, que vocês já são mais que pacientes...
— Eu sei, e por isso te estou a pedir. Eu e a minha mãe neste momento estamos...afastadas. Para te resumir a história, ela uniu-se ao pai do Gérmen, e conseguiu tirar-nos a guarda da Violetta e da Clara. Eu não quero que ela me tire...- Angie não aguenta mais e as lágrimas caiem-lhe.
— Não me parece nada da Angélica. Mas eu prometo-te que não vou dizer nada. Agora podemos ir ver esse bebé lindo?
— Sim podemos...- Angie segue a Dra. Rodriguez e deita-se na marquesa, a enfermeira que entretanto entrara com Brenda coloca-lhe o gel na sua barriga e a médica começa a fazer o exame. Este parece que demora mais do que Angie se lembrava, e começa a ficar ansiosa...- Miriam, está tudo bem? Estás com uma cara...
— Calma, está tudo bem sim, só queria confirmar algo...e podes ficar descansada está tudo bem...estás com 6 semanas.- Angie suspira aliviada, e virando-se para Brenda sorri.
— Vês, para quê tantos nervos...os nossos filhos vão ser os melhores amigos...assim como os pais.
— Sim podes ficar descansada...eles vão ser todos amigos uns dos outos...os três.- Angie olha para a medica, não percebendo logo do que ela estava a falar, os três? Mas Brenda estava grávida de um rapaz, um! E ela estava...e naquele momento entendeu o que a médica estava a dizer, ela estava...
— Queres...estás a dizer-me que eu estou...eu estou á espera...eu estou...
— Sim, estás á espera de dois bebés, e aqui está a primeira foto…
— Obrigado, obrigado. Ainda não acredito...vou ter dois bebes. Parece um sonho e seria maravilhoso se...- e de repente as lágrimas começam de novo a cair-lhe pela face. Angie estava grávida de gémeos, era maravilhoso, magnifico; porém havia uma sombra nesta felicidade toda: o facto de ela e Gérmen estarem longe um do outro, o facto de não poderem comemorar esta notícia juntos em família.
— Angie, como é uma gravidez de gémeos, e com toda esta ansiedade em que estás a viver neste momento, eu vou querer vigiar-te mais de perto. Por isso vamos marcar uma consulta para daqui a duas semanas.
— Miriam eu vou-me embora de Buenos Aires...ainda hoje.
— Angie...tu tens que acalmar o teu ritmo de vida, tens que pensar nesses bebés. Tens que pensar em ti...
— E é o que eu estou a fazer. Eu não posso continuar aqui, a minha mãe vai descobrir que estou grávida…eu vou-me embora hoje, mas prometo-te que assim que me instalar eu vou a um médico e dou-lhe o teu numero e tu falas com ele.
— Tudo bem eu sei que não vale a pena dizer-te nada. És tão teimosa como o teu pai. Por favor não te esqueças de dar o meu número ao médico que te assistir.
— Eu prometo...e por favor não comentes nada com a minha mãe...
— Está descansada, eu não vou comentar. Cuida de ti e desses bebés. E quando tudo assentar entre ti e a tua mãe, eu vou querer voltar a ver-te e a esses bebés lindos.- e abraça-se a Angie, a relação delas sempre fora mais do que médica e paciente, sempre fora de amigas e de irmãs.
Quando saíram do consultório, Angie estava numa espécie de transe: por um lado estava feliz porque estava á espera de dois bebés, e se esperar um é algo mágico, esperar dois era muito mais que mágico era um milagre. Mas por outro lado, lembrava-se de toda esta situação em que se encontravam: ela e Gérmen a viver longe um do outro, sem saberem bem quando iriam poder ficar juntos de novo; depois havia a questão da guarda da Clara e da Vilu, que eles tinham perdido para José e por isso Gérmen vira-se obrigado a fugir com elas, correndo o risco de ir preso caso fossem encontrados...as suas vidas estavam viradas do avesso, porém e apesar de tudo Angie sentia uma alegria imensa ao pensar naqueles dois pequenos bebés que cresciam dentro dela. Era neles que ela tinha que pensar...Clara e Vilu estavam com Gérmen, e ela sabia que ele as iria defender sempre, e para sempre...mesmo que isso lhe custasse a sua liberdade. O caminho até casa de carro fora ainda mais silencioso, Angie estava com os seus pensamentos, e Brenda que olhava de vez em quando para a amiga vira-lhe de vez em quando um leve sorriso para logo depois lhe cair uma lágrima. Ela sabia que naquele momento Angie estava a passar por tantas e tão antagónicas emoções que não quis perguntar-lhe nada, pois bastava olhar para ela para perceber tudo o que ela sentia.
Quando chegaram a casa, Ludmila estava na sala com Pablo e já com as malas prontas. Pablo olha para ela com um olhar que Angie não conseguia decifrar, por um lado via nele um olhar de alguém que estava prestes a explodir numa discussão, mas por outro via nos olhos dele uma vontade enorme de deixar correr todas as lágrimas que ele tão forçosamente segurava. Ela não consegue dizer-lhe nada, apenas se chega perto dele e abraça-o, forte e com todo o amor que sente por ele. Ela sabe que naquele abraço também ele lhe transmite esse amor...e que entre eles não é preciso palavras, basta um olhar, um gesto para que transmitam tudo o que têm que dizer. Quando finalmente se separam, Angie tem já um rio de lágrimas a correrem-lhe pela face, assim como Pablo que assim que se abraçou á sua amiga, á sua irmã não aguentou mais segurar as lágrimas.
— Tens a certeza do que estás a fazer? Sabes que fugir não é a solução...
— Eu tenho a certeza, se ele sabe que eu estou grávida, ele não vai hesitar em me tirar os meus filhos...- e ao dizer a ultima frase olha directamente para os olhos de Pablo...
— Filhos? Tu queres dizer que...tu vais ter...
— Gémeos...eu sei é difícil de acreditar, mas é verdade. Pablo eu não posso perde-los também.
— E vais para onde? Tu própria me disseste que não podes ir ter com o Gérmen...
— Pablo, eu não te vou dizer para onde vou, é mais seguro. Mas fica descansado eu sei que para onde vou tenho quem me ajude.
— Angie, sabes que vou estar aqui...e vai dando notícias, por favor.
— Eu dou, está descansado...e vocês digam alguma coisa quando este garotão nascer. Eu quero saber...- e de novo as lágrimas teimam em cair, mas nesta altura ela já nem as segura mais e deixa-as simplesmente cair. E deixando o abraço de Pablo, vai-se abraçar a Brenda.
— Está tranquila que nós avisamos…e toma conta de ti e destes bebés lindos. E dá notícias...
— Angie...eu não sei para onde vamos também, mas talvez esteja na hora.
— Sim vamos...Obrigado por tudo aos dois, Pablo eu sei que estás zangada com ela, mas toma conta da minha mãe...
— Angie...eu...tudo bem por ti, e não por ela.
Depois de colocarem toda a bagagem no carro e se despedirem mais uma vez, Angie parte. Pablo e Brenda sabem que aquela é talvez uma decisão muito apressada por parte de Angie, mas ao mesmo tempo percebem que no fundo ela tem medo de ficar sem estes bebés...e se o faz é apenas pensando neles. Ludmila depois de algum tempo de viagem toma coragem e faz-lhe a pergunta que ainda não fizera, mas que estava a querer fazer desde que Angie lhe dissera que se iriam embora.
— Angie...posso saber para onde estamos a ir? Eu sei que não querias falar enquanto estávamos com o Pablo e com a Brenda mas...
— Tens razão...nós vamos para a cidade de onde eu sou, onde nasci: Rosário. Eu fui feliz lá, e vamos voltar a ser nós os quatro...
— Angie, vais mesmo ter gémeos?
— Sim. E vou precisar da tua ajuda, porque se um é difícil...dois vai ser...
— Um caos…- diz Ludmila meio que falando sério, mas dando um sorriso de felicidade.
Angie também está feliz, ela sabe que vai poder contar com o tio, ele sempre foi o seu porto seguro, a sua boia de salvação. Ela sabia que se alguém os podia ajudar nesta situação toda era o Tio Roberto. Ele era casado com a Tia Cristina que era irmã do seu pai Miguel. José nunca concordara com o casamento do seu irmão mais novo com a irmã do seu pior inimigo, mas Roberto amava Cristina e os seus pais também gostavam muito dela e abençoaram o casamento, e José não teve outro remédio senão aceitar. Constanza a irmã mais velha também não gostava muito daquela família, mas se os pais não eram contra não seria ela a contradizer, ao contrário de José que sempre contestava e tinha brigas enormes com os pais, ela ia deixando acontecer esperando a ocasião para partir para acção. Roberto sempre conseguira acalmar os ataques de ira de José, sempre que se encontravam todos juntos como nas festas de aniversários dos seus primos Juan e Marisol. Angie não se recorda de Gérmen nessa altura, mas pensando nisso ele devia ter lá estado, em alguma ocasião ele devia ter lá estado.
Ela sabia que Maria se tinha apaixonado por ele na sua festa dos 17 anos, mas ela era pequena na altura e nem a mãe nem o pai a deixaram ir a essa festa. A única coisa que ela se lembra depois disso eram as tarde que ela passava de vela para Maria e Gérmen...e os doces que Maria lhe dava para que ela fosse brincar. Depois tudo aconteceu rapidamente: o casamento de Maria, o nascimento de Violetta, a morte de Maria, a fuga de Gérmen...
Até que um dia quando ele decide voltar a sua vida toma um rumo que nem ela pensara, ela apaixona-se por Gérmen, pelo seu ex-cunhado, pela pessoa que um dia a fez sofrer afastando-a da sua sobrinha...mas amor tem destas coisas, e ninguém pode fazer nada contra este sentimento tão forte. Ela apaixonou-se e juntos formaram uma família...que era feliz, unida e que de repente foi separada por um outro sentimento: o ódio. Naquele momento restava a Angie esperar que o Amor fosse mais forte que este ódio que os tinha separado...era a única coisa que ela podia fazer…esperar.
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