Vingar
2 Capítulo 1
Diana estava lendo as notícias da manhã e aproveitando o primeiro dia de suas merecidas férias. Ela adorava trabalhar no hospital, mas justamente por ser médica ela sabia que alguns dias apenas para descansar poderiam ser mais milagrosos que qualquer remédio comprado na farmácia.
Sua indignação a respeito da última notícia a respeito de um senador em particular foi interrompida por batidas na porta.
Sua casa era afastada do centro da cidade e até de outros vizinhos e poucos ousavam ir lá sem prévio aviso. Na verdade o único que tinha essa ousadia era seu irmão, Eduardo. Sua sessão de insultos através da porta foram interrompidos quando, ao abri-la, uma mulher desconhecida coberta de sangue usou suas ultimas forças para dizer “Não me leve ao hospital”.
Aquilo ia contra a lógica. A mente de Diana sempre foi muito lógica. Mas algo na forma como aquela mulher agiu a fez acreditar que havia alguma razão muito lógica. Ela sabia que já estava correndo perigo. As duas opções que lhe vieram rapidamente à mente eram que a mulher era uma fugitiva criminosa ou uma fugitiva de um criminoso. De qualquer forma, seu juramento a impedia de esperar muito tempo. Ela precisava salvar uma vida. Onde tinha ido parar suas férias mesmo?
Sua experiência na emergência fez com que não fosse muito difícil encontrar o problema mais grave. Apesar de vários ferimentos, uns mais graves que outros, ela sabia que o pior eram os dois ferimentos de bala. Um na perna e um na costela.
Não era o ideal, mas Diana conseguiu se virar com alguns equipamentos que sempre tinha em casa (e seu irmão dizia que eram mero exibicionismo) e as bebidas que ganhava de presente de Eduardo todos os aniversários, mas que nunca bebia. A bala da perna ela conseguiu remover, mas a da costela ela não conseguiu encontrar. Pelos ferimentos ela entendeu que a bala tinha atravessado o corpo da mulher morena que sujou toda a sua roupa de cama.
Após um breve tratamento dos outros ferimentos ela fez o que sempre fazia quando estava em apuros: ligou para seu irmão mais velho. Enquanto o esperava chegar ficou pensando em como conseguiria os medicamentos que ela precisaria para se recuperar. Já tinha uma ideia formada quando Eduardo bateu em sua porta.
“Parece que você resolveu finalmente abrir aquelas garrafas, hein? Já estava começando a ficar magoado e acreditar que você não tinha gostado dos meus presentes.”
Após o comentário inicial, Eduardo reparou que sua irmã estava mais pálida que o normal. E viu que as coisas não estavam exatamente bem quando ela simplesmente disse em tom nervoso: “Preciso lhe mostrar uma coisa”.
Ao ver uma mulher inconsciente deitada na cama de sua irmã, objetos cirúrgicos à mostra e sujos e a roupa de cama suja de sangue Eduardo ficou sem palavras por alguns segundos, o que pra ele era algo extremamente raro. Quando falou, o que saiu de sua boca foi “O que você fez?”.
Diana percebeu o quanto seu irmão estava assustado e por isso explicou tudo que tinha acontecido. Eduardo não sabia o que fazer. E agora, sua atitude a respeito disso poderia custar-lhe a carreira, já que trabalhava como investigador criminal. O instinto o levou a olhar mais de perto. As conclusões dos dois eram as mesmas: aquela mulher havia sido torturada. Mas o que os intrigava era seu aparente desejo de não ser identificada, o que seria a única razão plausível para que não quisesse ir ao hospital.
Eduardo resolveu ouvir o que ela teria para dizer antes de tomar alguma atitude. Por essa razão ele foi comprar os medicamentos receitados por Diana usando a história que ela havia formulado antes que ele chegasse.
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