Vijukei No Monogatari

2 Capítulo 2 A organização militar


Notas iniciais
Olá!
Postando mais cedo, olha que legal!
o/
Ah! GEnte obrigada pelas reviews, fiquei tão feliz em ver a q fic ta agradando que decidi trazer o cap mais cedo! Espero que gostem! ; D
Para facilitar aos que não tem muito costume em saber quem é quem no mundo Jrock da PSC ( ou nos que eram do PSC no caso do Miayvi) eu editei algumas imagens com fotos de cada um, nomes e mais ou menos o visual que imagino na fic, mas mais ou menos ok? =]
estão nos links:
http://imageshack.us/f/502/apresentao3.jpg/( Bandas)
http://imageshack.us/f/20/apresentao2k.jpg/ ( Família Ishihara)
Oiiiiee Gente aqui é Azumi-Chan,nem era pra mim vir escrever aqui porque ser continha de minha flor e eu ser apenas a bétinha dela,mas né eu vim dizer um Oizinho e avisar que ja está tudinhooo betado e que ameeei o cap novo e espero que voc~es também gostem!Beijinhooos ♥

Capítulo 2 – A organização militar


–Eu não acredito que o conselho aprovou isso.


O homem vestido com sua armadura enfeitada de pedras preciosas, originais daquele feudo, andava enfezado de um lado para o outro em frente a um outro baixinho e de manta num estranho tom de dourado.


O salão luxuoso e de requinte estava cheio de samurais em suas laterais e alguns senhores que possuíam mantas de uma coloração prateada se dispunham atrás do senhor feudal de aparência bonita e elegante.


Um clima de tensão era sentido no local e até mesmo certa hostilidade estava presente nas manifestações silenciosas. Kohara se mantinha sentado em seu trono de luxo e aqueles que o observasse minuciosamente perceberiam um nervosismo camuflado na face alva do jovem senhor de trinta anos e cabelos negros e curtos, que escondia seu olho esquerdo sob um tapa-olho negro incrustado de pequenos adornos de ouro.


–Pare de se mover tanto, Saga, mantenha sua postura! – o conselheiro chefe em traje dourado, conhecido apenas por Nao, censurou calmamente.


–Isso é loucura, é pedir por um golpe militar, é loucura! – O general Saga continuou a praguejar, mas dessa vez mantendo-se parado.


–O senhor Ogata Hiroto e o general Amano Shinji – um dos servos anunciou e logo duas figuras completamente distintas adentraram o grande salão.


O general, de nome Shinji, era alto e possuía um porte magro, apesar da armadura tradicional e da tonalidade preta de sua vestimenta lhe dar uma aparência forte. Os cabelos negros passavam da nuca e o olhar lembrava muito ao de um predador felino.


Em contraste ao general, Hiroto era incrivelmente baixo para os seus vinte e seis anos, e além de uma pele levemente queimada do sol possuía cabelos longos e loiros, semi-amarrados em um rabo de cavalo alto, deixando grandes mechas lhe caírem pelas costas e pela face. A armadura o dava um aspecto estranho já que o rosto lembrava ao de uma criança, apesar da feição fechada e séria.


Os visitantes só pararam sua marcha altiva assim que se encontravam em frente ao atual senhor feudal de Hana, feudo que uma vez já fora domínio da família Ogata.


O Kazamasa se ergueu em respeito aos convidados.


–Koraha-san! – Hiroto foi o primeiro a falar, e logo um descontentamento pela falta de reverência por parte dos dois recém-chegados se espalhou.


–Ogata-san! – o senhor feudal respondeu, puxando as mangas longas de seu traje claro, cruzando os braços a sua frente de modo respeitoso.


– Então querem apoio dos samurais de nossa família? Não consegue lidar com os invasores sozinho? – o menor provocou, não era segredo o ódio que a família Ogata guardava contra os tomadores de seu trono.



–Não sou amante da guerra, mesmo assim, o exército de Hana não teria problema algum em defender nossa casa se a luta fosse justa, acredito que trezentos mil homens como adversários não ofereça condições de vitoria nem para os demônios de Akai Ame, capazes de vencer batalhas contra números até trinta vezes maiores – o Kazamasa rebateu, utilizando um tom brando e apaziguador.


–Trezentos mil? Nem Shiroyama possui um exército tão numeroso assim! Quer que eu acredite que invasores chineses conseguiram passar esse número pelo mar até a baía de Hana? – o Ogata desdenhou.


Saga se adiantou, mas foi segurado pela mão pequena de Nao que o forçou a continuar em seu posto.


–Se duvidas dos vigilantes de Hana, talvez devamos ir até a praia e confirmar com nossos próprios olhos? – Kohara jogou.


–Não seria má ideia – o Ogata respondeu, parecendo começar algum tipo de desafio.


–Acha que somos burros em deixar que Shou-sama corra tal perigo? – Saga conseguiu se livrar da mão do conselheiro e se adiantou, se colocando ao lado de seu senhor, em frente ao general adversário que não parecia nada contente com a intromissão do jovem de vinte e sete anos.


Hiroto deu de ombros, era esperar demais que Kohara ficasse tão vulnerável e desprotegido por vontade própria.


– Se acreditarmos em seus dados e aceitarmos nos unir ao seu exército com nossos cinco mil soldados... o que ganharíamos com isso? – o baixinho se resumiu, querendo logo saber até onde o senhor feudal estava disposto a ir e talvez conseguisse a chance de retomar o trono à sua família.


–Os invasores planejam conquistar e subjulgar toda Vijukei, não acha que manter a vida a liberdade e a dignidade de seu povo sejam recompensas suficientes? – Kohara continuou, tinha que mostrar o porquê de estar ocupando aquele posto, tinha que honrar sua família a e memória de seu pai, mas tinha que salvar a população que tanto confiava em si.


–Liberdade? Dignidade? Vida? Muito estranho logo você falar isso – o herdeiro de Ogata sorriu em escárnio, aumentando a tensão entre os samurais fieis ao atual senhor de Hana – minha família e meu povo foram escorraçados para a fronteira do feudo, destituídos de seus bens, aclamados perdedores e tratados como lixo quando seu avô tirou o trono do meu. Liberdade? Meu povo não a possui, já que somos obrigados a relatar todas nossas ações ao seu conselho e conviver com fiscais do feudo em nossas terras. Dignidade? Acha que é isso que usamos para conseguir comida e insumos em prol de nossa sobrevivência e atividades quando nos humilhamos aos seus mercadores para que vendam aos “perdedores da coroa”? Então me diga, Kohara-san? Sem liberdade e dignidade, há vida? – deu um passo a frente, encarando de perto o herdeiro de Kazamasa, mesmo que não conseguisse se aproximar de seu rosto pela diferença de altura, sorriu de lado ao notar o homem fraquejar e ficar sem resposta – se entende do que falo, me diga qual a sua proposta para que eu aceite que meus homens se unam ao exército que nos dizimou cinco décadas atrás e nos matém sem liberdade e dignidade durante todo esse tempo?



Kohara se sentiu soar frio, por mais que quisesse dar orgulho a sua família e povo não gostava das partes ruins de suas obrigações e segredava não concordar com o que seu avô e pai haviam feito no passado, mas jamais passaria por cima das medidas e atos de seus antecessores.


–Amplio suas terras até a saída para o mar – fez sua oferta, causando um alarme nos homens de prata que murmuravam entre si.



Um sorriso quase vitorioso e de aparência travessa bailou nos lábios do menor.



– E retira a obrigatoriedade dos relatórios e a fiscalização é claro! – barganhou.



O Kazamasa estreitou os olhos para o baixinho, com certeza a aparência quase infantil do outro escondia um terrível negociante e líder. Sabia que sua primeira oferta já o traria enormes problemas com seus conselheiros que sussurravam às suas costas e em especial traria a fúria de seu general e melhor amigo, mas estava em uma situação de necessidade, nada ficaria acima do bem de seu povo e de seu país, mesmo que ele arriscasse perder o trono por isso.



–E retiro a obrigatoriedade dos relatórios e os fiscais – assentiu por fim.



–Inaceitável! – Saga gritou, não conseguindo mais se conter diante da cena a sua frente – Shou-san – chamou seu senhor e amigo, colocando-se a sua frente para encará-lo – o que está fazendo? Não podemos confiar neles, com parte da costa e sem monitoração esses perdedores vão conseguir fazer o que desejam há anos, e se organizarem para retomar o trono de Hana! Não vê?


– Eu sei – para o sobressalto de Saga, seu amigo Shou lhe parecia firme em suas palavras, coisa que dificilmente o Kazamasa conseguia ser, mesmo após quinze anos a frente do feudo – mas tudo isso não valerá nada se não houver feudo ou povo, se formos dominados pelos invasores logo Hana, Kazamasas e Ogatas serão mortos e destruídos, qual o sentido de proteger um trono sem um feudo?


–Isso não é certo, Shou... – o general continuou, sendo interrompido pela voz alta e comandante do conselheiro chefe de cabelos desfiados de um castanho claro.


–Basta, Takashi! Ponha-se no seu lugar e não conteste as ordens de seu senhor – Nao se fez ouvir – o conselho apóia as suas decisões, Kohara-san, mas nós delimitaremos a área a ser ampliada.



Kohara apenas assentiu, voltando a mirar seu pequeno rival que ainda se mantinha ameaçadoramente sério.



–Creio que agora esteja de acordo a juntarmos forçasl


–Sim... por enquanto – Hiroto assentiu, o sorriso travesso lhe voltando aos lábios – afinal, eu nunca fui com a cara dos chineses mesmo – deu às costas com a mesma falta de solenidade com a qual entrou ali – em dois dias o resto de nossos homens chegarão à cidade imperial, espero que sejam bem tratados – continuou a falar enquanto caminhava em direção a saída, se virando para o senhor de Hana assim que alcançou as portas do salão — vou voltar para minhas acomodações na cidade, mas Tora deverá ficar aqui, ele e seu generalzinho descontrolado têm muito o que analisar e estruturar, não quero enviar meus homens para morte, espero o documento oficial de nossa negociação em minha sala até o final do dia – finalizou, mais uma vez mostrando suas costas e se colocando para fora do local, sendo acompanhado por alguns de seus próprios samurais de guarda pessoal.



–Esse garoto só pode ser louco tão louco quanto o avô dele era! – Saga rugiu, fuzilando o pequeno que havia sumido do local, voltando seus olhos para o tal Tora em seguida, fechando mais ainda o seu semblante ao vê-lo em uma altivez desrespeitosa – como se eu fosse aceitar que ele me dissesse algo sobre comando e estratégia.



–Pela sua defesa lamentável na baía de Hana, acredito que não saiba ao menos o que as palavras “comando” e ‘estratégia” significam – o Amano revelou o tom desdenhoso de sua voz pela primeira vez desde que chegara, tratando logo de tirar o que restava da paciência do general mais novo que puxou sua espada em um impulso, avançando sobre o maior.



Um grande barulho de exclamações rodou pelo ambiente quando Shinji puxara sua espada e se defendera do primeiro ataque de Saga, os dois entrando em uma disputa de habilidade e técnica. Takashi recuou e pareceu afrontado pela ousadia do general de Ogata, voltando a investir contra o inimigo, tendo mais uma seqüência de ataques bloqueados.


Nenhum dos outros samurais se atrevia a impedir, quando generais lutavam era um luta individual e de honra, mesmo que o adversário em questão fosse alguém das terras Ogatas, tal costume e valor seriam cumpridos.



Kohara olhou para Nao, ele sabia dos costumes e não os desobedeceria, mas ver seu amigo e general, que costumava vencer oponentes em um golpe, ter todas suas investidas frustradas por alguém era algo que o deixava em aflição. Luta entre generais só terminaria quando um dos dois se rendesse ou morresse e mesmo que a situação e motivo fossem idiotas, tinha medo que tal regra fosse realmente seguida.



O coração do senhor feudal se apertou quando a espada de Saga caiu ao chão e todo o ressinto pareceu chocado e surpreso com a derrota do militar que nunca havia perdido um combate sequer. O prodígio de Hana, o general invencível havia sido derrotado por um dos homens de Ogata numa disputa sem sentido.



–Não – Kohara falou para si, planejando vocalizar aquilo em um grito de ordem quando viu Tora se aproximar de seu amigo de infância, mas assim que abriu os lábios percebeu este guardar sua espada, apenas dando mais um passo, de modo que ficasse próximo ao ouvido do perdedor do embate.



–De onde eu venho, quando um homem perde uma luta e sobrevive pela vontade de seu oponente, esse homem se torna propriedade do vencedor, imagino que esse costume já não mais prevaleça, mas saiba... Saga, não é? – o Amano começou a sussurrar perto da orelha de um Sakamoto paralisado e descrente de sua derrota — ... saiba que em minha cultura... você é meu – finalizou, passando pelo estagnado general, seguindo em direção ao atual senhor de Hana — Seu general apenas teve um leve descontrole, tenho certeza de que conseguirei contribuir para nossa vitória... então.... onde fico? – falou, deixando o que parecia ser um projeto de sorriso se formar em sua fronte.



Shou se permitiu uma respiração aliviada ao ver que a vida de seu amigo não estava mais em risco. O Kazamasa ergueu o braço em direção a um dos servos nas saídas laterais do salão e logo uma das jovens moças do palácio se colocou em reverência ao seu lado.


–Por favor, acomode Amano-san em um dos quartos de hóspedes da casa sul – deu a ordem, e a jovem se ergueu em silêncio, pedindo com os olhos para que o homem alto a acompanhasse, coisa que Shiji fez sem pestanejar, uma boa hora para conseguir observar direito a tão inviolável propriedade do grande senhor Kohara.



–Saga – Kohara chamou baixo ao se aproximar do amigo.


–Pelotão de defesa, se retirar! – o general atônito gritou em sua mais alta voz, fazendo com que os samurais ao redor do salão se encaminhassem de modo organizado para fora do ressinto.


–Saga... – o senhor feudal tentou mais uma vez, sendo ignorado pelo amigo que saíra em uma caminhada rápida em direção a saída lateral sul do ambiente.


Os passos eram pesados e os olhos se negavam a deixar as lágrimas de ódio se derramar, apesar da feição vermelha demonstrar o quão alterado o jovem de cabelos curtos e negros estava. Um porte altivo apesar da derrota que acabara de sofrer, e uma decisão em sua mente, quando aquela guerra acabasse ele seria o primeiro a vencer e matar o maldito general Ogata que o humilhara.



“Vou matá-lo, com certeza o mato”



Tomou o rumo de suas acomodações, usaria o dojo de sua pequena casa dentro da propriedade de seu senhor para treinar, se havia alguém capaz de derrotá-lo tudo que teria que fazer era treinar e se tornar mais forte que esse alguém.



Shou não seguiu o amigo, conhecia a personalidade e gênio deste e sabia que o melhor seria deixá-lo espairecer em seus treinamentos solitários. Apesar disso, não deixava de se preocupar, era a primeira vez que Saga perdia uma luta, não tinha ideia de como aquilo afetaria a auto-estima do general, mas com certeza as coisas seriam muito complicadas a partir daquele momento.



– Por que não avisou que pedimos reforços de Shiroyama? – Nao perguntou baixo ao seu lado, uma vez que todos os outros conselheiros já haviam se retirado.



– Os Shiroyamas estão planejando uma aliança com os outros feudos, a mensagem de Fukaku-sama dizia que até mesmo os demônios de Akai Ame estariam do nosso lado... estamos para ver algo inédito em Vijukei, mas... tudo isso levará muito tempo e os invasores provavelmente já planejem um ataque aos vilarejos mais próximos da costa, não podemos esperar e perder mais território, por isso vocês aprovaram minha decisão de pedir união de forças com os Ogatas, mas... eu não confio neles, não gosto de guerras e desses jogos militares, mas quero o melhor para o meu povo, e acredito que a dinastia Kazamasa seja o melhor... – o jovem senhor começou seu discurso, parecendo muito mais lógico do que parecera durante todo o incidente de antes — ... quero ver se Ogata-san tentará algo contra o trono mesmo sem termos expulsados os invasores ainda, quero saber até onde posso acreditar na preocupação dele com o avanço dos inimigos, se ele soubesse que os cento e trinta mil soldados de Shiroyama estão marchando para cá com o possível apoio de Akai Ame e Ishihara, ficariam recuados...



–Será que vejo finalmente pensamentos de um líder racional? – Nao se admirou, não esperava que o garoto pacífico e bondoso algum dia se renderia ao temor da guerra e começaria planejar armadilhas para adversários.



–É algo que eu devo fazer, mesmo que não goste, não é como se eu fosse deixar os Ogatas fazerem o que quiserem... se eles derem um passo em falso, com certeza Fukaku-san estará mais do que feliz de nos ajudar a nos livrarmos deles – Kohara estatuou, demonstrando uma seriedade anormal para si, mesmo que os olhos ameaçadores tivessem uma melancolia escondida em seu interior.


–Mantenha seus amigos perto e os inimigos mais perto ainda... quem será que te ensinou isso? – o conselheiro chefe sorriu minimamente, de modo esperto, provocando um sorriso semelhante no mais novo.



–Você, foi no mesmo dia que me falou sobre tudo ter uma moeda de troca e que ao se descobrir qual é a moeda de cada um, amigos e inimigos custam o mesmo valor – Shou respondeu, mesmo que não gostasse aquelas palavras terem saído de sua boca... era seu dever... era seu destino.



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O homem de cabelos caramelados e roupas extravagantes, para o líder de um feudo, andava altivamente pelo longo corredor caótico da maior casa vermelha de todas as terras de Vegas. Seu nome verdadeiro ninguém conhecia, na verdade nomes não eram importantes naquele feudo, pois os domínios deste eram sem leis, governado apenas pela lei do mais forte e mais poderoso, que nos últimos cinco anos acontecia der ser o ex-traficante de escravos Byou, que destituíra o antigo senhor feudal de seu trono, assim como aquele tinha destituído seu antecessor.


Muitos achavam que por se tratar de um feudo sem leis e lideres indefinidos, a pequena extensão de terra não sobreviveria muito após sua separação de Hana há cinco décadas, mas para a surpresa, ódio e alarme de todos Vegas se tornara área comercial valiosa e perigosa, pois abrigava os piores tipos de pessoas condenadas pela leis e morais dos demais feudos, desde prostitutas a ladrões e assassinos... o caos organizado.


Era fato que todos os líderes de Vegas deveriam ter ciência do que sustentava a região e todos que ocuparam o lugar realmente a tinham. Vegas era o lugar do pecado e da depravação, não havia justiça ali que não fosse a do dinheiro e interesse, não havia moral, não havia regras e não havia garantias... por isso era perfeito para o tipo de população que o formava. E era básico de qualquer um que tomasse o trono de Vegas para si o quanto os bairros vermelhos eram importantes em seu reinado, funcionando como áreas de prazer até postos de informações e órgão consultivo, afinal, pessoas começavam a falar coisas valiosas quando estavam naquele ambiente.


Os samurais que acompanhavam o homem de kimono em tonalidade parcialmente colorida olhavam interessados para as brechas de algumas portas de quartos, enxergando cenas interessantes ali dentro, mas sem jamais deixarem-se distrair, ganhavam bem para fazerem o que faziam, poderiam pagar pelos serviços da casa mais tarde.


–Negócios vão bem como sempre, pelo que vejo! – Byou vocalizou assim que mirou a figura sentada em uma mesa baixa dentro de um aposento luxuoso, não tinha problemas com identificação aos dois guardas que plantavam guarda na frente do escritório do dono do lugar, pois era cliente VIP do ressinto.


– Gather Roses* sempre foi e sempre será a maior e melhor casa vermelha de toda Vegas e de toda Vijukei! – o atual proprietário, conhecido pelo nome de Kazuki desde a época em que era mais um dos trabalhadores do local, antes de herdar o lugar da ex-prostituta e também ex-dona de Gather Roses após a morte desta, respondeu em uma voz sedutoramente sorridente enquanto parecia preencher algum pergaminho.


–Vê-lo atrás dessa mesa sempre irá me parecer estranho, seu corpo foi feito para os pecados da carne, não para questões administrativas – o senhor de Vegas provocou, não esperando convite e se sentando perto a mesa baixa, de frente para o dono.


– Até mesmo em Vegas algumas normas precisam ser cumpridas se quer-se ter um controle de um negócio, mexer com números e dinheiro nunca será cansativo para mim, assim como ceder prazer a quem pagar também não será! – o jovem de vinte oito anos e cabelos negros e longos respondeu em seu mesmo sorriso provocante, estranhas jóias lhe enfeitavam o lábio inferior e os cantos abaixo deste também, a yukata negra o conferindo uma aura sensual e erótica, juntamente com um arco singular na sobrancelha esquerda.


–Quer dizer que ainda podemos relembrar os velhos tempos? – Byou continuou, correspondendo ao sorriso sedutor do dono de Gather Roses.


–Eu falo a língua do dinheiro, Byou-san, então dialogue em meu idioma que tudo será possível! – respondeu, continuando com o jogo apesar de saber que o parceiro de negócios e ex-amante não seguiria com a partida, ninguém estaria disposto a pagar o absurdo que cobrava por seu corpo, e tratava de deixar tudo assim.


–No dia que eu assaltar os cofres de Shiroyama, quem sabe! – Byou respondeu, como esperado — por enquanto estou interessado em seus serviços mais baratos... conseguiu o que eu queria?


–Hunf, chega a ser ofensivo você me perguntar se eu consegui algo – Kazuki sorriu em desdém, se levantando e caminhando lentamente até a jovem moça maquiada que se mantinha ao canto da sala, balbuciando algo para ela. Logo a moça sorriu em aprovação e saiu do aposento.


–Ele já vem, pode pagar adiantado – o negociante estatuou em uma falsa simpatia, voltando ao seu lugar anterior.


–Com certeza, como se eu fosse burro para tal – Byou retribuiu o falso sorriso, colocando uma pequena bolsa de moedas em cima do tampo de madeira – metade agora, a outra depois que eu confirmar as habilidades da minha encomenda.


Kazuki deu de ombros e recebeu o pagamento, já sabia que o senhor de Vegas agiria daquela forma.


–Só uma coisa, ele exige que haja um contrato – estatuou, voltando a checar algo em seus documentos.


–Contrato? – Byou estranhara, aquela palavra não era muito usada naquele feudo.


–Sim, contrato, ele quer ter certeza que só vai ser usado para a finalidade para qual esta sendo contratado, ele mesmo redigiu o documento – explicou, separando um dos pergaminhos em cima de sua mesa e projetando-o para o loiro caramelo.


Byou pegou o papel e o lera rapidamente, sorrindo de lado, descrente com o que lera.


–“Qualquer ordem de atividade que não esteja descrita acima ou não seja relacionada a tais implicará na anulação do contrato e o contratado terá o direito de matar e despedaçar seu contratante ou qualquer um que tenha cometido tal ato” – repetiu a parte final do documento, sorrindo para a idiotice que tal pedaço de papel representava.


–Se eu fosse você não acharia engraçado, ele pode fazer isso e se olhou bem, minha assinatura está no papel, quer dizer que eu assegurarei o cumprimento dos termos – o proprietário comentou, sorrindo quando viu a risada do amigo se transformar em uma feição contrariada.


– Estaria disposto a agir como regulador de algo como isso? – Byou levantou uma sobrancelha, analisando a situação minuciosamente, não era normal Kazuki se envolver nos problemas alheios, mas era fato que o dono de Gather Roses possuía muita influência e subordinados, poderia ser o novo senhor feudal se esse fosse seu desejo, mas era sabido que todos proprietários da casa não se importavam com o posto de senhor e muito menos se interessavam em governar um feudo como aquele já que seu negócio era bem mais lucrativo e simples.


–Eu gostei do rapaz, acho que você também vai gostar! – Kazuki respondeu, no minuto seguinte a porta da acomodação se abriu, revelando a moça de antes e um homem de estatura média, cabelos loiros em uma tonalidade clara, passando dos ombros, a franja parecia estar amarrada para trás e apesar das jóias curiosas abaixo do lábio inferior e no canto esquerdo deste o homem dava a impressão de inocência e gentileza, mesmo que as roupas escuras pudessem oferecer alguma conotação maligna, agravada pela coloração singular dos olhos, uma mistura de azul e verde brilhantes em torno da íris escura.


–Te apresento Jin, ele é meio youkai como pode vê e tem experiência em batalhas, já que participou das últimas seis grandes guerras entre Shiroyama e Akai Ame – Kazuki apresentou, pedindo com um aceno de cabeça para que Jin se aproximasse.


–Quantos anos ele têm? – Byou perguntou, já que por suas contas para ter participado de tantos embates entre os dois feudos rivais a criatura deveria ter no mínimo cento e cinqüenta anos.


–Eu não acho educado perguntar a idade de alguém! – Jin revelou sua voz calma e doce.


–Tem certeza de que esse é o estripador sobrenatural que pedi? – Byou contestou, não reconhecendo nenhum traço de insanidade e maldade naquele hibrido de aparência pacífica.


–Sim – Kazuki assentiu – sei que ele pode não parecer ser o que é, mas não acha que isso é ainda melhor? Ou gostaria que eu conseguisse um híbrido animal que precisa ser mantido em jaula?


–Não um animal, mas... alguém ameaçador! – Byou continuou a contestar – pedi isso a você porque sei que você tem contatos com essas aberrações estranhas, pensei que valeria o preço que estou pagando.


–Com sua licença, Byou-san... se quer ver alguma demonstração do meu serviço eu posso dá-la! – Jin interrompeu a discussão apontando para os dois samurais de guarda do senhor de Vegas.


Ambos os homens se sobressaltaram e fuzilaram o menor com o olhar.


–Tudo bem, prove que fiz um bom negócio, se é mesmo o estripador que eu pedi, devore esses dois – o senhor deu a ordem, descrente de que o hibrido fosse mesmo obedecer.


Kazuki assentiu a ordem do amigo, fazendo este se surpreender quando viu um borrão preto se mover em direção a seus soldados, deixando seu queixo cair quando notou Jin segurar seus guardas pelo pescoço, levantando-os como se fossem leves como uma pluma. Os olhos claros brilharam em um amarelo vivaz e as mãos se apertaram, as vítimas foram perdendo os movimentos lentamente até que os ossos, pele e músculos se partiram, as duas cabeças desprendidas de seu corpo rolaram pelo piso da acomodação. O grito da jovem moça se fez ouvir antes desta tombar ao chão em um desmaio.


–Suas ordens são para devorar? – Jin se adiantou em uma expressão incrivelmente branda e gentil, deixando os corpos decepados caírem ao chão e se abaixando para pegar uma das cabeças, erguendo-a pelos cabelos sujos de sangue e abrindo sua boca em movimento de ingeri-la.


–Já basta, Jin, acho que você assustou Byou-san – Kazuki ditou, não estava com vontade de ver aquela cena novamente.


–Ele já assinou o contrato? – Jin perguntou, virando os olhos que voltavam a sua coloração clara para ambos os homens sentados.


–Ainda não – Kazuki respondeu.


–Hum, então minha fidelidade ainda é sua – deu de ombros, deixando a cabeça despencar de volta ao piso – não era meu prato predileto mesmo – completou ao lamber as mãos ensangüentadas, se assemelhando muito a um canino.


–Então... ainda quer fazer negócio? – Kazuki perguntou em direção ao congelado senhor de Vegas que demorara mais alguns segundos antes de tomar o pergaminho com velocidade em sua mão, se apossando da pena e tinta de seu amigo, assinando o contrato com rapidez. Um sorriso satisfeito bailou nos lábios de Byou.


–Ele é perfeito! – ditou, se levantando de sua acomodação e se aproximando da estranha criatura que havia adquirido – com certeza, Kazuki, você tem sempre as pessoas ideais para me servir, e eu jurava que seu talento para escolhas certas se restringia a boas meretrizes e prostitutos.


–Ah! Você não deve me subestimar, Byou-san, e claro... todos os outros serviços da casa também estarão sempre a sua disposição, afinal você é cliente VIP! – o proprietário respondera – Jin, como última ordem de seu ex-contratante peça para enviarem alguém aqui em cima para limpar sua bagunça quando estiver indo embora, seu showzinho fez Yuko-san desmaiar.


–Sim! – Jin assentiu em um sorriso meigo, não se assemelhando em nada com o hibrido que acabara de decepar a cabeça de dois samurais.


–Última ordem? – Byou perguntou, notando algumas particularidades estranha no modo como aquilo foi dito – coisa de canino, a fidelidade pertence ao seu atual dono até este a passar para um próximo, mas o dono anterior tem direito a uma última ordem... com tantos casos de youkais nessa região, você ainda não aprendeu sobre as características de cada um? – desdenhou em um sorriso provocativo – cuidado, Byou-san... um senhor que não conhece bem os seus pertences pode acabar sendo destituído por sua ignorância, assim como um dono que não conhece seu cachorro pode acabar sendo mordido por ele.


–Bem, vou me certificar de aprender mais – Byou assentiu em uma feição ultrajada – agora se me der licença, tenho que apresentar ao general do meu exército seu mais novo braço direito.


Byou se retirou do local, guardando o contrato em suas vestes, sendo seguido fielmente pelo hibrido. Permitiu-se olhar rapidamente para o outro e notou esse lhe sorrir quando percebeu ser alvo de sua atenção como se fosse de fato um cachorro cumprimentando seu dono. Na verdade poderia até imaginar as orelhinhas levantadas e o rabinho balançando, fora impossível não pensar que apesar de toda a cena sangrenta de antes, Jin em si parecia um cãozinho fofo e dócil.


“Kazuki tinha razão... eu gostei dele”



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– Eu posso sentir a sua hostilidade e a de seus homens daqui, trate de serem mais gentis, eles são aliados e não inimigos – Fukaku murmurou para o filho mais velho a sua direita.


–Não posso obrigar aos meus homens e a mim mesmo considerar demônios como aliados – Aoi respondeu, permanecendo com o seu olhar sério e desrespeitoso para o horizonte ainda vazio da entrada da cidade imperial de Shiroyama.


–Se não quiser que eu o destitua do status de herdeiro e passe ao seu irmão é melhor se comportar, pois qualquer ação hostil e violenta por sua parte e por parte de seus homens me fará deixar isso escrito no meu testamento – o senhor ameaçou, fazendo o general de trinta e três anos se enfezar e bufar de lado, desrespeitoso. Sabia que seu pai jamais cumpriria aquela promessa, pois entre os maus ele era o pior, Kai como senhor feudal seria pedir para transformar todo o feudo em laboratórios de pesquisas.


–Seus aliados já não deveriam ter chegado? A informação de que eles haviam cruzado a fronteira entre os feudos é de sete dias atrás, quer que nos aliemos a um povo que não consegue nem ao menos vencer essa distância em uma semana? – Yuu provocou.


Fukaku bufou ao mirar o semblante gozador de seu filho.


–Com sua licença, Fukaku-sama, há um mensageiro do palácio– um dos soldados se aproximou, apontando para o jovem rapaz que parecia cansado de tanto correr. Para alguém humano a marcha do palácio até a fronteira da cidade demoraria ao menos dois dias, fora o que demorara a marcha de cerca de mil homens de Shiroyama até tal lugar para aguardar os convidados de Akai Ame.


–Algum problema? – Fukaku perguntou, esperando o jovem se recompor.


– Os soldados de Akai Ame, estão no palácio, chegaram há dois dias! ... Iríamos enviar Ruki-san para que fosse mais rápido, mas ele teve que ficar para amenizar a hostilidade de alguns soldados de Shiroyama – o garoto falou em um fôlego difícil.


Aoi fechou seu sorriso no momento em que escutara a mensagem e franziu o cenho em estranheza.


–Como não cruzamos com eles pelo caminho? – Kai vocalizou a dúvida que se espalhava a frente da formação.


–Eles chegaram quando nós estávamos saindo, há três caminhos para sair do palácio, apesar da estrada se tornar apenas uma na metade do percurso – Fukaku explicou, sorrindo, humorado, pelo visto os soldados de Hitoru ainda não tinham perdido o costume de surpreendê-lo.


–Bem, vamos voltar? Mais dois dias de marcha... só espero que nenhum de seus homens tenha feito alguma besteira, ou você pagará por isso! – inquiriu para o filho mais velho, aumentando mais a expressão de ódio no rosto deste.


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Qual fora a surpresa de Fukaku ao chegar a seu palácio e encontrar seus convidados acampados do lado de fora da primeira muralha após dois dias de marcha.


–Mas o que é isso? – o Shiroyama pestanejou, não acreditando no modo como seus soldados tratavam aliados em uma situação de guerra.


O senhor de mais de sessenta anos apressou seu cavalo para chegar logo ao modesto acampamento de meia centena de tendas, sendo acompanhado de seus filhos e parte da cavalaria reduzida de viagem.



–Reita-san, acho que Fukaku-sama chegou! – um dos guerreiros mais novos, de aparência frágil, avisou ao ameniano de faixa que encolheu os olhos e notou mesmo ser um homem que batia com a descrição de Takashima-san em cima de um dos cavalos que se aproximava, apesar da grande distância – vá avisar o Uruha – pediu, sendo atendido imediatamente pelo jovem guerreiro que pareceu flutuar até um das tendas mais afastadas.



Fukaku mirara a figura de Reita, parado de modo defensivo e decidira descer de seu cavalo ali, mesmo que estivesse à procura da figura de Hirotu pessoalmente.


–Fukaku-sama! – Reita reverenciou com a cabeça rapidamente assim que percebeu o homem descer de seu cavalo, logo Aoi e Kai faziam o mesmo que seu pai, junto com seus dez comandantes de cavalaria.


–Peço desculpas pelo modo como estão instalados, mas preciso falar pessoalmente com Hitoru para explicar o mal entendido! – Fukaku se adiantou, sentindo seu corpo reclamar dos últimos dias de marcha, realmente estava ficando velho.


–Infelizmente Hitoru-san não pode vir, está em uma idade avançada e não possui condições de participar de uma batalha, mas Uruha-san veio em seu lugar – Reita respondeu, se surpreendendo com a educação do líder daquele bando de selvagens que haviam de comportado de maneira tão hostil quando chegaram ali.


–Uruha-san? – Fukaku perguntou, não sabendo de quem se tratava, Reita iria responder quando percebeu o amigo se aproximar rapidamente, praticamente se materializando ao seu lado em uma corrente mais forte de vento.

A aproximação repentina da imagem bonita e elegante do jovem loiro de coxas a mostra surpreendeu a todos, causando até mesmo postura de guarda nos comandantes e especialmente de Aoi que franziu o olhar ao mirar as roupas estranhas e ousadas.


–Exibido! – Reita sorriu para o amigo – esse é Uruha-san! Está responsável pela liderança de nossos guerreiros.


–Mandam uma mulher como líder de um exército de apenas algumas centenas de soldados? – o general em sua armadura elegante e com os fios negros parcialmente presos vociferou em descrença – vê, meu pai? Estão rindo de nós! Pedimos aliança e eles nos enviam seu pior contingente como demonstração de sua ajuda? – argumentou para seu progenitor, sendo interrompido pela risada escandalosa e grossa do guerreiro de faixa.


–O que é tão engraçado demônio? – Aoi argüiu, colocando a mão em sua espada e encarando o ameniano que não era mais alto que si apesar da espada exagerada às costas fazer com que ele parecesse maior.


–Ele acha que você é uma mulher, Uruha! – Reita comentou em voz alta para ao amigo ao seu lado, de repente muitos outros amenianos se acumulavam em volta do circulo central e também compartilhavam do humor do faixudo, logo o ambiente sendo tomado por gargalhadas.


Uruha suspirou, cansado, mas humorado, como iria lidar com aquela situação?


–Meu nome verdadeiro é Takashima Kouyou, eu sou filho de Takashima Hitoru, mas sou conhecido mais como Uruha e... não sou uma mulher, desculpe decepcionar – Kouyou falou, mostrando o grave de sua voz para os shiroyamianos surpresos.


–Filho de Hitoru? Eu não sabia que ele tinha filho! – Fukaku comentou, meio sem jeito por seu filho ter sido piada para os guerreiros aliados.


–Não costumamos falar muito sobre nós ou sobre nossa vila com estrangeiros... para nos proteger, meu pai com certeza não quis enganar o senhor, ele apenas queria o melhor para mim e para nosso povo! – Uruha continuou em um tom brando e gentil.


–Ah! Sim... jamais pensaria mal de seu pai, ele me provou ser um homem admirável! – Fukaku se retratou.


–Ele também falou muito bem do senhor! – Uruha retribuiu o elogio, sorrindo docemente para o lorde feudal que tinha sido a primeira pessoa naquele feudo a tratá-lo com alguma educação.


–Desculpe o mal entendido, marchamos até a fronteira da cidade para escoltá-los até aqui, mas aparentemente vocês foram muito rápidos e acabamos nos desencontrando pelo caminho – o senhor de Shiroyama tratou de explicar o motivo da confusão e retribuiu o sorriso doce do rapaz, pelo visto era de família saber transmitir confiança e gentileza a outros.


Kai analisou muito bem o povo a sua frente, era a primeira vez que via amenianos já que nunca fora familiarizado com guerras. Não lhe passara despercebido a velocidade sobre humana de tais e muito menos o modo singular como se vestiam, tinha certeza de que havia muito mais coisas misteriosas que rondavam aquele povo e de certo modo se sentia animado por ter tantos espécimes apara analisar.


–Quantos vocês são? – perguntou, tentando contar mentalmente quantos guerreiros estavam no local.


–Nosso exército é formado apenas por seiscentos e sete homens, contando comigo, somos um povo pouco numeroso e alguns de nossos guerreiros já estavam em idade avançada demais para virem, outros ainda eram muito jovens, mas posso garantir que daremos o nosso melhor para proteger as terras de Vijukei e expulsar os invasores – Kouyou tornara a falar, brando e ponderado, demonstrando certo domínio e confiança em suas palavras.


Uma risada isolada vinda do general de Shiroyama se fez ouvir no silêncio, mas logo seus comandantes o acompanhavam.


–Seiscentos e sete homens? Está querendo nos fazer de tolos? É esse o reforço que o senhor diz que nos dará a vitória, meu pai? – Yuu desdenhou, ousando tomar a frente de seu progenitor e encarar o jovem andrógeno, por um momento ficou sem jeito ao mirar a calma que os orbes chocolate transmitiam, mas logo o embaraço se transformou em mais ódio e afronto – vocês não são nada sem aquela floresta maldita, como espera que eu aceite aliar meus homens a meia dúzia de demônios selvagens? – cuspiu em direção ao herdeiro ameniano.


Uruha sorriu minimamente, era engraçado ser chamado de selvagem por um homem que se mostrava tão sem educação quanto aquele, mas sabia que seria assim. Como também sabia qual seria a reação dos demais soldados de Shiroyama quando Fukaku não estivesse por perto, tinha sido um aluno aplicado em cultura estrangeira na época de aprendizado e tinha conhecimento sobre como o respeito era adquirido naquele lugar.


– Eu e meus homens fomos atacados ao chegarmos aqui, se não fosse por Ruki-san teríamos que entrar em batalha com o exército a que viemos ajudar, por isso, entendo que a rivalidade de vocês para conosco seja algo antigo e difícil de mudar, mas gostaria ao menos que pudéssemos nos respeitar e trabalharmos juntos para o bem de todos – Uruha respondeu, ousando se aproximar mais do general que sabia ser o tal filho de Fukaku que ele mencionara em sua mensagem – Shiroyama Yuu-san? Estou certo? Você é o líder de seus guerreiros e eu sou o líder dos meus, não precisamos ser amigos, mas precisamos nos respeitar, já que seu povo respeita a força, eu o desafio para um pequeno embate amigável, e se eu vencer o senhor muda sua postura ofensiva contra nós e nos trata como pessoas que estão aqui para oferecer ajuda e não guerra – finalizou, vendo o semblante afrontado do moreno se contorcer em fúria.


Não era surpresa para si o povo daquele feudo ser tão descontrolado, mas o olhar assassino que o moreno lhe dera o assustara de alguma forma, por um momento o loiro pensara que apesar de serem chamados dessa forma pelos outros feudos, quem merecia o titulo de demônio seria com certeza o tal general moreno que o encarava com ódio.


–Pois bem, lutemos, mas quando eu vencer você pega sua meia dúzia de bestas e sai de nossas terras – Aoi gritou, se afastando e puxando sua bela espada de lâmina negra, tomando posição de ataque – pegue sua espada – ordenou, o sangue fervendo para cortar aquela pele branca e confirmar a cor do sangue daquele maldito demônio que ousava o desafiar.


Uruha sorriu de lado com o quão prepotente e confiante o general parecia ser e por um momento pensou em perder a luta de propósito apenas para voltar pra casa, já que lutar ao lado de pessoas como aquelas seria mais difícil que enfrentar os trezentos mil chineses sozinho. Mas havia feito uma promessa para seu pai e para seu povo, e ajudando Shiroyama vencer contra os invasores seria ajudar sua vila a não ser invadida também. Além disso, Fukaku lhe parecia um excelente líder e uma pessoa ponderada, um povo inteiro não deveria pagar pelos erros de alguns.


Respirou fundo e ergueu as mãos acima de sua cabeça, formando um X com os punhos delgados adornados por peças de couro que pretendiam ser parte de uma armadura, assim como acessórios semelhantes que lhe tampavam os ombros, peito, cintura e pernas, desde os sapatos de mesmo material até o começo das belas coxas nuas devido ao traje solto de pano leve com fendas. Duas espadas médias e mais finas do que Katanas* comuns pareceram de materializar em suas mãos, surpreendendo aos shiroyamianos. Tinha certeza de que mostrar tanto de suas habilidades os trariam algum problema depois, mas se queria conseguir o respeito e confiança daqueles seres de impulsividade primitiva deveria demonstrar que não estava tentando esconder coisas, apesar de que iria tentar não mostrá-las ao máximo.


–Não vai usar armadura? – Aoi perguntou, não gostando da ideia de lutar com alguém em desvantagem.


–Eu já estou usando – Uruha respondeu educadamente.


–Chama esse traje vulgar de armadura? – o general sorriu em desdém – se você diz, mas não me culpe se sair com algum ferimento grave! – deu de ombros, não deveria pensar naquele ser como uma pessoa, ele não era, não importava se estava em desvantagem.


–Vulgar? – Uruha franziu o cenho pela primeira vez desde que chegara, não entendia o motivo de receber tal ofensa.


–Acho que ele ficou impressionado com seu belo par de coxas, Uruha! – Reita gritou, um pouco mais atrás de si, já que ambos os grupos de guerreiros tinham aberto algo semelhante a uma roda para o embate.


Logo mais gargalhadas dos amenianos espalharam-se pelo local, e até mesmo Kai e Fukaku pareceram compartilhar do humor. Aoi bufou em fúria, já era a segunda vez que aqueles demônios riam de si, com certeza iria ter o prazer de matar cada um e transformar aqueles risos em gritos e choros quando liderasse seu exército até as terras de Akai Ame novamente.


–Vamos logo com isso, fique em guarda – o general moreno ordenou, observando o loiro ainda manter as mãos para cima e cruzadas.


–Eu estou em guarda! – Uruha suspirou em cansaço, não pensava que o general shiroyamiano além de prepotente e selvagem conseguisse ser tão lerdo... apesar de que ele não poderia falar nada sobre lerdezas.


–Cuidado para não acabar se excitando com as coxas do Uruha, general, não acho que seja confortável uma ereção nesse traje tão duro! – Reita brincou mais uma vez, espalhando mais uma onda de risos pelo local e dessa vez Aoi não se controlou, partiu para cima do belo ameniano, tendo seu primeiro ataque bloqueado pelo X de espadas que desceu até onde sua lâmina atingiria.


Fazia muito tempo desde que alguém bloqueava algum ataque seu, mas não era por isso que se surpreenderia. Aoi empurrou a lateral de sua lâmina contra a junção entre as kantanas adversárias, desfazendo o cruzamento entre elas e aproveitou a brecha para atacar o loiro mais uma vez, dessa vez ficando surpreso ao vê-lo praticamente desaparecer de sua frente, quase não conseguindo bloquear o ataque seguinte que viera de sua lateral.


Uruha sorriu, apesar da falta de educação, o moreno possuía boa habilidade e arte com luta de espadas, talvez o general não fosse um total idiota como pensara.


O loiro começou uma chuva de ataques sincronizados contra o moreno, fazendo este ir dando passos para trás à medida que bloqueava seus golpes. Para os espectadores que assistiam a tudo atentamente os generais pareciam estar em uma bela dança de lâminas e seus movimentos pareciam graciosos.


Aoi mais uma vez conseguiu uma brecha e fez o movimento para apunhalar o peito do loiro, não queria mais saber de “embate amigável” queria aquele maldito demônio morto, mas fora surpreendido por seu desaparecimento de sua frente novamente assim que iria cravar sua espada na estranha estrutura de proteção feita de couro.


Pressentiu o ataque em sua lateral e bloqueou-o, mas notou apenas uma espada contra a sua e soube que o ataque duplo viria, entretanto, não esperava que a lâmina já estivesse em sua garganta enquanto o corpo mais alto se moldava às suas costas.


–Acho que venci, um pouco de respeito para comigo e meus guerreiros, o que acha? – o loiro falou perto de seu ouvido, provocando um leve estremecer de seu corpo... de ódio.


A vibração dos amenianos fora animada e Uruha sorriu docemente para seu povo, retirando sua espada da garganta do moreno e saindo de trás de si, voltando para o lado de seu amigo de faixa.


Fukaku deixou um sorriso de lado se formar em seu rosto, parecia estar vendo uma repetição do que acontecera consigo quinze anos antes, mas diferente de si, seu filho não aceitou sua derrota e largou sua espada, se projetando com fúria em direção ao general loiro a sua frente.


Uruha não assumiu guarda, pois o moreno estava desarmado, mas também se forçou a não se defender quando percebeu o punho erguido, se deixando atingir por um soco na face direita, cuspindo um pouco de sangue com o impacto.


–Que merda de covardia é essa? – Reita vociferou.


–Mais calmo agora, Shiroyama-san? – foi a única coisa que Uruha perguntara ao general shiroyamiano, desmontando completamente a altivez e o descontrole do moreno que esperava alguma demonstração de que o loiro iria revidar.


Aoi apenas vociferou um grunhido forçado e deu as costas, pegando sua espada no caminho e montando seu cavalo, galopando para longe do acampamento.


–Acompanhem seu general!- Fukaku ordenou aos seus comandantes, que o obedeceram prontamente.


–Peço desculpa pelo comportamento do meu filho, ele é um excelente general e um estrategista brilhante, mas ainda tem muito que aprender – Fukaku se pronunciou, sendo acompanhado por seu filho mais novo até próximo ao líder de Akai Ame.


–Tudo bem, nós sabíamos que seria assim! – Uruha assentiu, limpando um pouco do líquido vermelho que escorria pelo canto da boca.


–Eu posso cuidar de seu ferimento se quiser, sou cientista, pesquisador e médico! – Kai se ofereceu, quase brilhante com a ideia de poder recolher alguma amostra do belo loiro ameniano.


–Esse é meu outro filho, Shiroyama Yutaka, ele é muito bom no que faz, eu garanto que não o machucará! – Fukaku garantiu.


–Eu agradeço, mas não é necessário! – Uruha assentiu – eu aceitaria algum tipo de acomodações para meus guerreiros, estamos a quatro dias dividindo cinqüenta tendas, que conseguimos com a ajuda de Ruki-san, não temos nenhum problema em dormir em acampamentos, mas a superlotação está causando certo desconforto.


–Ah! Sim, é claro, tenho acomodações para seus homens na estalagem militar e acomodações especiais para você e seus comandantes em minha própria propriedade, deveriam tê-los levado para lá, mais uma vez me desculpo pela falta de educação de meus homens, prometo que isso não voltará a acontecer – o senhor de Shiroyama afirmou em sua altivez e elegância, recebendo um sorriso doce e aceno do jovem general – se puderem me seguir, o resto do exército está mais adiante e eu mesmo os levarei até os lugares corretos.



–Sim, vamos só desfazer o acampamento... – Kouyou começara a explicar.


–Não será necessário, apenas peguem suas coisas, peço para alguns de nossos servos desarmarem as tendas mais tarde.


Uruha pensou em negar, não achava certo deixar outros arrumarem sua “bagunça”, mas pressentiu que se negasse a oferta estaria ofendendo ao senhor, então apenas assentiu timidamente.


–Os esperamos mais a frente – Fukaku ditou, recebendo ajuda de Kai para subir em seu cavalo. Galopando lentamente de volta para a aglomeração de seus soldados.


–Será que Ruki-san também dorme na propriedade de Fukaku-sama? Ele ficou tão pouco tempo conosco! – Reita perguntou ao amigo, uma vez que todos já se recolhiam para suas tendas em busca de seus pertences.


–Ruki-san já não te disse que não está livre? – Uruha censurou, era notável o interesse do amigo no mensageiro hibrido que os ajudara, mas a insistência em alguém que já estava prometido acabaria machucando-o, e Kouyou não gostaria de vê-lo sofrer por algo assim.


–Ele disse que só se casará quando completar trinta anos, eu não sei direito o que isso significa, mas Toru disse que isso quer dizer que ele só vai estar não livre quando completar trinta anos, o que significa que eu tenho cinco anos para fazê-lo mudar de ideia! – o faixudo argumentou, causando uma onde de risadas no mais alto.


–Seu otimismo e determinação me divertem! – Uruha começou em humor – boa sorte então, mas eu tenho quase certeza que Ruki-san não dormirá perto de nós, na verdade, acho que ele dificilmente estará por perto já que é um mensageiro e precisa ir para lugares distantes freqüentemente.


–Sério?... se eu me oferecer para ser mensageiro... poderia ir com ele? – Reita insistiu, fazendo o amigo sorrir novamente.


–Reita, você é meu comandante, não pode ficar por aí entregando mensagens! – respondeu.


–Tem certeza? Você não precisa de mim e... – o menor tentava argumentar de qualquer forma.


–Reita, faça o seguinte, Fukaku-sama quer se redimir conosco pelo imprevisto de qualquer modo, porque não pede para ele deixar Ruki-san como nosso ... servo, acho que é esse o nome, por que não pede para deixar Ruki-san como nosso servo? – sugeriu já que o amigo não iria desistir.


–Ele permitiria?


–Não sei, tente – deu de ombros, entrando em sua tenda que dividia com mais onze guerreiros e começando a arrumar as suas coisas.


–Vou tentar, mas se eu não conseguir você também poderia pedir, não acha? – o faixudo continuou. Uruha rodou os olhos, não acreditando que seu amigo estava mesmo lhe pedindo aquilo.


–Tudo bem Reita, eu peço para Fukaku-san, vá arrumar suas coisas que sairemos em alguns minutos – ditou em um tom não usual de ordem, encarando o sorriso satisfeito do menor enquanto esse se retirava do local.


O loiro sorriu para si e continuou a colocar suas coisas dentro de sua bolsa, lembrando-se por um momento de um par de olhos negros em sua direção.


Com certeza o ódio que o olhar do general moreno transmitia era algo que nunca havia visto, não era comum pessoas em sua vila cultivarem tal sentimento, muito menos de maneira tão forte quanto o herdeiro de Shiroyama parecia cultivar. Só esperava que aquele ódio incrustado nos orbes escuros não arruinasse o resultado daquela guerra, pois não aceitaria ver seus homens morrerem por causa de um homem.


Por enquanto só sabia que com certeza o homem chamado de Aoi não deveria ter tido uma vida muito feliz para possuir olhos tão raivosos daquela forma. Talvez uma leve curiosidade de saber o motivo tenha relampejado em sua mente, mas tinha coisas mais importantes com que se preocupar. Uma guerra estava eminente, e deveria cumprir sua promessa, faria o melhor para defender seu povo e país, faria o melhor.



Notas finais
* Música perv da Screw ( PS: uma das minhas músicas favoritas da banda)
* nome dado a um tipo de espada longa japonesa.
bem isso, aí, a fic é da Ichinose, e tem casais que ela não gosta, mas eu já te disse que só fico no feeling pra eles, não disse? =]
Espero que possam comentar como a fic está indo,
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
beijin! Inté semana q vem!!
Reviews onegai? Em prol da permanência do tesão dessa pobre escritora para motivá-la a continuar escrever?