Vigilantes do Anoitecer
26 Capítulo 25
Quando eles disseram que iríamos nos tornar Protetores – a primeira classe da Ordem dos Guardiões – eu não achei que iríamos ter que esperar tanto pra isso de fato acontecer, pois de acordo com eles teríamos que esperar até a lua cheia pra cerimônia ocorrer. Não que eu entenda alguma coisa, mas vai entender o que se passa na cabeça dele.
Nós quinze dias que se seguiram, todos os Iniciados não pararam de treinar – inclusive eu e Skye que ainda tínhamos os nossos treinos diários com tia Serenity – e vez ou outra você podia ver um Ancião caminhar calmamente dentre os seus "discípulos" e observa-los atentamente. Apesar deles terem falado que todos nós já fomos avaliados e que todos havíamos passado, eu tenho as minhas duvidas quanto a isso, porque se isso fosse realmente verdade nenhum eles precisaria ficar inspecionando a gente quase todo dia.
Na parte da manhã, Skye e eu ainda éramos forçadas a acordar cedo pra ir treinar com minha tia, e ficávamos assim até a hora do almoço, já na parte da tarde nós duas nos juntávamos aos nossos amigos – porque Sky acabou fazendo amizade com eles também – e treinávamos com eles. Alguns desses treinos eram realmente divertidos, principalmente quando juntava Alex, Elric e Thomas, três palhaços juntos, não dá muito certo.
Todos eles se surpreenderam em um certo dia, quando nós decidimos ir treinar com nossas respectivas armas na Arena – como nós éramos seis, nós acabamos conseguindo uma autorização para treinarmos lá – e eu acabei usando a minha foice, afinal, eu quase não a uso, porque de inicio eu não tinha muita confiança em mim mesma para usa-la, agora eu havia treinado e muito, então a diferença está quase que tangível do meu antes e do depois, e já sinto confiança suficiente em mim mesma e em minhas habilidades que não vejo mal algum em usa-la.
—É uma visão... Um tato quanto... Macabra – Thomas comentou ao me ver segurar a foice atrás das costas, sua ponta encurvada quase encostando no chão, enquanto eu a segurava com ambas as mãos atrás da costa.
—Por quê? – questionei sem entender de fato o que ele queria dizer.
—Bom, se você se olhasse no espelho, você conseguiria entender – ele respondeu.
—Parece uma ceifadora vestida toda de preto, segurando a foice e olhando com um olhar psicopata pra gente como se quisesse roubar a nossa alma – Alex continuou apoiando Thomas em seu comentário, me fazendo soltar uma alta gargalhada o que provavelmente deve ter deixado eles ainda mais apreensivos quanto a minha sanidade mental.
—Eu hein. Vocês tem esse tipo de pensamento e depois eu sou a psicopata.
Eles deram de ombro e o assunto foi esquecido porque Elric apareceu nos chamando, falando que a simulação já estava pronta e que podíamos entrar na Arena.
Assim que entramos, a simulação começou, o lugar que antes era somente uma sala vazia se transformou em uma cidade completamente destruída, talvez o cenário de alguma guerra antiga aqui ou na Terra, só sei que se antes os meninos me achavam macabra eles tinham certeza que eu não era nada comparada aquele lugar.
Vários prédios estavam caídos, alguns ainda permaneciam de pé, mas tinham quase todos os seus vidros quebrados ou alguma parte de sua estrutura torta. Havia diversos postes caídos ou dobrados de uma forma estranha, carros abandonados aqui e ali, alguns davam a impressão que haviam batido – como o que estava preso em uma parede de um prédio qualquer – e pegado fogo, provavelmente por causa da batida, alguns outros carros se encontravam virados ou simplesmente deixados na rua com portas abertas e vidros quebrados. Várias lojas jaziam abandonadas assim como toda a cidade, restos de comidas, roupas e outros utensílios estavam espalhados pelo chão, assim como diversos panfletos de uma propaganda qualquer que eram carregados pelo vento.
Apesar de ser uma simulação, não havia nenhuma alma viva ali, nenhum barulho, o único som que podia ser ouvido era o do vento que estava praticamente uivando – se é que isso é possível – e do barulho dos nossos passos estalando sobre o concreto que estava cheio de detritos e lixos aleatórios.
Nós caminhávamos juntos, um protegendo a retaguarda do outro, pode-se esperar que aconteça qualquer coisa a qualquer hora e em qualquer lugar aqui, não podemos abaixar a guarda nunca.
—Isso não está silencioso demais? – Ally perguntou, enquanto atravessávamos uma antiga avenida daquela cidade.
—Até demais – Skye respondeu.
De repente escutamos o barulho de algo caindo, nós nos viramos olhando pra onde o barulho tinha vindo, com as armas já na mão prontos pra enfrentarmos o que quer que seja, quando vimos um gato sair correndo de perto de uma lata de lixo, que aparentemente era o que havia caído.
—É só um gato – Elric disse, contestando o obvio, revirei os olhos,
—Odeio gatos – murmurei mais pra mim do que pra qualquer outra pessoa, mas Skye ouviu e levantou uma sobrancelha questionando.
—E porque odeia gatos? Eles são tão fofos! – ela disse fazendo gestos que parecia que ela estava imaginando que estava com um gato os braços e apertava ele bem forte, tadinho do gato, morreu enforcado sem nem existir.
—Porque eles são criaturas traiçoeiras e que trazem azar.
—Que mentira!Eles não trazem azar! – Skye parecia estar pronta pra apontar todos os lados positivos de um gato, mas antes que eu pudesse falar algo, fui jogada para o lado por Thomas que se jogou em cima de mim me fazendo cair no chão com ele por cima de mim e um projétil passou bem no lugar onde eu estava.
—Viu? Azar! – falei, mostrando que o fato de quase ter sido acertada por um projétil era por causa daquele maldito gato que apareceu na hora que não devia e nos distraiu, assim não vimos que tinha atirado na gente, mas especificamente em mim! – Obrigado – agradeci olhando pra Thomas que se levantou e me ajudou a levantar antes de responder:
—Por nada – respondeu me dirigindo um pequeno sorriso enquanto tirava as suas armas dos coldres, eu o imitei e apertei o bastão na minha mão fazendo ele se transformar na foice negra que ela era, já indo pra perto dos outros que também estavam com as suas armas na mão, prontos pra batalha.
Nós formamos um pequeno circulo cada um vigiando uma direção diferente, todos empunhando as suas armas, somente esperando.
—Três horas! – Skye gritou nos alertando, todos nós nos viramos pra ver o que ela estava apontando e vimos de repente seres encapuzados correrem pra fora de uma loja e se posicionarem atrás de um carro e firmarem suas armas pra atirarem na gente. Antes que eles pudessem atirar Thomas retirou duas pistolas dos seus coldres e atirou na cabeça dos dois atiradores que já estavam com o dedo no gatilho.
—Tori, seis horas! – Skye me informou e eu girei minha foice sem saber o que estava vindo pelas nossas costas, mas mesmo assim confiando nela e agindo instintivamente, cortei o ar no lugar que ela havia indicado e acabei acertando uma criatura que estava vindo por trás da gente.
Abri os meus olhos – nem havia percebido que tinha os fechado – e observei a criatura ao qual eu havia enfiado a minha foice bem no meio da sua barriga que agora escorria um sangue negro que deixava um cheiro de podridão no ar. A criatura parecia...um elfo...eu acho... Não tenho absoluta certeza do que era aquilo. Ele tem a pele escura, meio acinzentada, como um cadáver, ele também possuía dois pares de orelhas pontudas e peludas – nojento –, e um nariz bem pontudo e curvado – como se ele tivesse aqueles narizes de bruxa de contos de terror, ou algo assim –, ele vestia trapos que mal cobria a sua pele toda que parecia ser bem dura apesar de ser toda enrugada. Seus olhos eram vazios, desprovidos de qualquer tipo de emoção e parecia agir por instinto, e a única coisa que ele queria – porque ele não quer mais nada agora – é nos atacar e tentar derrubar um de nós, mas minha foice na sua barriga parece que foi o suficiente pra para-lo, porque enquanto eu fazia essas observações de como ele era, mais sangue ia caindo no chão, e aos poucos ele foi definhando, até que do nada ele explodiu e se transformou em pó, caindo no chão lentamente, como se o tempo tivesse congelado enquanto isso acontecia, se misturando ao sangue nojento que havia caído no chão.
—Que cheiro esquisito – Ally reclamou colocando a mão no nariz e fazendo careta.
—Não chegue muito perto – Thomas avisou, quando viu que Alex estava se aproximando e que Ally fez menção de fazer o mesmo – Isso é um Kolobad.
—Um Kol...o que? – questionei, porque pra mim ele estava falando outra língua.
—Um Kolobad— ele repetiu.
—Um gnomo – Elric esclareceu quando viu que eu iria perguntar de novo.
—Ahh – falei agora que tinha compreendido – Porque não falou isso de uma vez?
Ele deu de ombros, parecia que não iria responder, mas Elric fez o trabalho por ele.
—A família dele é descendente de alemães, ás vezes ele mistura uma língua com a outra sem perceber – ele deu de ombros – Tive que aprender algumas coisas em alemão só pra poder conversar com ele e conseguir entende-lo um pouco, porque ás vezes ele nem percebe que faz isso.
—Legal – Skye elogiou baixo, mas acho que fui à única que ouvi seu comentário por estar do lado dela.
—E como você sabe o que ele falou? – questionei.
Ele deu de ombros – Não sei falar alemão, pelo menos não muito, mas sei que aquilo – ele apontou pra pilha de cinzas do gnomo – é um gnomo.
Ri e assenti, já esperava por uma resposta como aquela.
—Tá... Mas porque eu não posso tocar nisso daí? – Ally questionou apontando para o monte de poeira que antes era o gnomo e que agora soltava uma pequena fumaça preta que ajudava a espalhar o mau cheiro de antes – Não que eu queira... É só curiosidade... – ela completou depois meio hesitante.
—Isso é venenoso – Thomas respondeu simplesmente, recomeçando a andar e nós fomos forçados a ir atrás dele, voltando a ficarmos atentos pra ver se tínhamos mais alguma surpresa indesejada.
—Como sabe?
—Você já viu o Roggs? Um cara baixinho, calvo e com barba?
—Não.
—Exatamente.
Andamos algum tempo em silencio, novamente com somente os nossos passos ecoando sobre o vazio que aquela cidade destruída possuía, as respirações descompassadas e um pouco alteradas por causa do pequeno confronto que tivemos há alguns segundos atrás.
Eu não me aguentei de curiosidade e acabei perguntando:
—O que aconteceu com esse tal de Roggs? E o que ele tem haver com isso?
—Ele estava em uma viagem, pra visitar a família no sul, parece que o lugar fica perto de uma floresta ou rodeada por uma, não me lembro muito bem do certo, mas o fato é que ele se encontrou com uma criatura dessas um gnomo – ele disse isso como se a palavra saísse estranha em sua boca, talvez o fosse já que ele está acostumado a falar certas coisas em alemão – Ele conseguiu derrota-lo facilmente, mas logo depois que ele virou poeira ele viu uma coisa brilhante no chão, aonde os restos do gnomo estavam e ele não viu mal nenhum em ver o que era, talvez ele tenha pensado que era algo valioso ou mágico que ele estava carregando consigo, então ele enfiou o braço até o cotovelo pra conseguir pegar o objeto, ma assim que ele encostou na poeira sua pele começou a queimar. Era como se a poeira fosse acido que estava corroendo a pele dele.
—Que horror! – Ally exclamou, colocando as mãos na boca, provavelmente imaginando a cena na sua mente.
—Pois é – ele concordou – Mas o pior é que o cara é tão azarado que mesmo depois de ter se afastado da pilha ele conseguiu queimar o rosto ainda porque de repente começou a ventar logo na direção dele. Ele tem algumas cicatrizes no rosto e o braço queimado tem uma pele meio enrugada, é nojento e esquisito. Muitas crianças da aldeia que ele mora morrem de medo dele.
—Se ele é desse jeito mesmo então elas têm razão de ter medo – Skye comentou e nós assentimos.
—E como é que você sabe de tudo isso? – Elric perguntou curioso, falando pela primeira vez em tempos já que tinha permanecido calado desde que Thomas começou a contar essa história.
—Esse cara treinou comigo quando nós éramos Iniciantes – explicou – Depois disso ele sempre se mantém mais afastado da Ordem e só aparece pra fazer alguns trabalhos quando realmente é necessário, pois ele tem um olho ruim.
—Aposto que foi porque caiu daquela poeira nós olhos dele – Alex supôs e Thomas acenou com a cabeça concordando discretamente e depois fazendo um sinal que havia percebido algo.
Olhei pra Skye, esperando que a mesma tivesse visto alguma coisa também e a mesma olhava para o alto de um prédio com o cenho franzido, ela percebeu que eu estava a observando e se virou pra mim fazendo um gesto com a cabeça, acenei, mostrando que eu havia entendido. Ela levantou sua mão mostrando três dedos,contando regressivamente e quando chegou no um nós duas pulamos pra trás e no que era pra ser o "zero" uma rajada de balas surgiu atingindo o lugar que estávamos antes.
O pessoal acabou se assustando com a súbita explosão de tiros e o barulho correspondente dos mesmos logo depois tudo virou um caos e centenas – pelo menos me pareceram centenas – de criaturas diferentes surgiram do nada, saindo de alguns prédios abandonados, ou dos bueiros ou simplesmente surgindo da esquina, empunhando clavas, alguns pareciam estar com armas de fogo na mão – assim como a pessoa que atirou na gente do alto do prédio –, pedaços de madeira e/ou ferro que deveriam ter encontrado no chão, mas a maioria estava com as mãos limpas, quer dizer o quão limpa a mão de uma dessas criaturas pode ser. Eles gritavam e grunhiam coisas totalmente sem nexo e por um momento nós ficamos sem reação e totalmente surpresos, não esperávamos que o ataque surgiria assim do nada, e que fosse ser tantos assim, mas depois que a hesitação foi embora, nós atacamos com tudo e não recuamos um minuto sequer.
Tinha me esquecido como era participar de uma simulação, a euforia e a adrenalina que trazia era incrível e inebriante, e talvez eu deva sugerir a tia Serenity pra instalar um quarto desses na fazendo quando voltarmos – se e quando isso acontecer – porque não a nada melhor para praticar do que simulações e chegam bem perto da realidade, mas acho que esse é o objetivo delas não é mesmo? Fazer com a gente treine e enfrente diversas criaturas e situações complicadas e diferentes para que na hora do confronto de verdade, na vida real, a gente não tenha medo ou hesitação.
Os gêmeos como sempre fizeram uma dupla, Alex com sua espada e Ally com seu chicote, na maioria das vezes Ally agarrava um monstro com seu chicote – sendo mais eficiente quando ela conseguia prender ele no pescoço do seu alvo – e logo ela ativava o mecanismo do chicote que fazia com que ele criasse espinho por toda a extensão dele matando assim a sua vitima que nem tem tempo de reação. Seu ataque era um pouco mais lento que o de o recomendado, mas Alex recompensava isso com sua força e agilidade na hora de manejar sua espada e cortar ao meio qualquer um que ousasse tentar chegar perto da sua irmã. Eles também usavam os elementos de vez em quando, botando a situação a favor deles, Alex controlando o fogo e Ally o ar, que por diversas vezes ajudava Alex a aumentar o alcance do seu fogo.
Elric e Thomas eram uma dupla no mínimo interessante por serem opostos quanto a escolha de armas, mas mesmo assim conseguem se sair muito bem e tem uma sincronização que é pra dar inveja pra qualquer um. Elric é o tipo de cara que gosta de lutar com os punhos, no mano a mano, e mesmo que eu considerasse isso muito perigoso ele sabia se virar, e também não quer dizer que ele simplesmente vai pra uma luta com as mãos limpas, não, nem mesmo o meu irmão seria burro o suficiente pra fazer algo assim, suas mãos estavam cobertas por luvas que tinham espinhos por quase toda ela, além de que ele obviamente segurava uma faca de tamanho médio em cada mão, e se ele não acertava com os punhos e seus espinhos ele fazia questão de cortar seus alvos com as facas. Thomas já preferia usar armas de fogo e possuía uma em cada mão e eu tenho certeza que ele tinha outras armas presas ao seu corpo. Ele tem uma ótima pontaria e eu ainda não o vi errar nem uma vez desde que esse confronto começou, e de certo que eu o vi salvando Elric algumas vezes enquanto estava distraído com um alvo, embora meu irmão nunca fosse admitir tal coisa.
Skye e eu...não sei como descrever nos duas muito bem, somos no mínimo imprevisíveis. Sim, acho que essa é a palavra certa para nos descrever, visto que nenhuma de nós duas tem um padrão definido enquanto lutamos, porque sempre agimos com os nossos extintos, Skye na maioria das vezes prevê o ataque inimigo e consegue se desviar facilmente e cortar o mesmo com uma das suas espadas. Ela usa duas espadas do tamanho do meu braço ais ou menos, conhecidas pelo nome de Espadas Gêmeas, por serem absolutamente iguais em cada detalhe, e acredite, eu já passei horas tentando achar alguma diferença nelas, mas não consegui encontrar nenhum, embora até mesmo Skye tenha me ajudado nessa busca sem sentido, curiosa pra ver se elas realmente tinham alguma coisa de diferente, mas não encontramos nada, absolutamente nada e foi frustrante perceber que perdemos horas do nosso dia de folga vistoriando as Espadas Gêmeas. O fato de suas espadas serem gêmeas é um tanto quanto irônico já que Skye possui o poder da Casa Gemini – porque herdou do seu pai – mas mesmo sim ser do signo de sagitário. Quem disse que essa garota fez sentido alguma vez na vida?
Eu por outro lado, lutava apenas com a minha foice e não tinha a vantagem de Skye de poder saber o que o meu oponente vai fazer em seguida então eu tinha que pensar muito antes de agir pra não cometer nenhum deslize e impedir que qualquer um deles me acerte, e é claro, a cada minuto tentando me superar cada vez mais e ir cada vez mais rápido. Agora que eu já tive um treinamento com tia Serenity que me ensinou como usar minha arma direito, eu já tinha mais confiança na hora de usa-la e maneja-la, girando ela rapidamente e passando de uma mão pra outra sem me preocupar em fazer algo errado, eu nãoo cometeria erros assim novamente. Vez ou outra Skye falava algo, me indicando onde, quando e como certo monstro iria agir, e era mais fácil matar eles antes que eles sequer dessem um passo em sua direção. Minha foice já estava pingando sangue preto dos monstros que eu havia matado e que haviam se transformado pó, eu tomava o máximo de cuidado possível pra não pisar em nenhum dos montinhos de poeira e rezava pra que a simulação não criasse nenhum vento e aquele pó fosse na minha cara, porque por mais que seja uma simulação eu não iria me machucar de verdade mas iria sentir a dor se fosse real e eu não to nem um pouco afim de sentir dor desnecessária.
—Abaixe – Skye disse já manuseando uma de suas espadas e cortando o ar acima da minha cabeça, bem no lugar que eu estava antes, me virei a tempo de ver que criatura era e eu acho que era um outro gnomo, embora esse fosse mais alto e mais feio que o primeiro.
—Eles estão me irritando. Não acaba nunca! – comentei enquanto nos posicionávamos uma de costas pra outra olhando atentamente em volta esperando o próximo oponente.
—Eles tentaram arrancar minhas espadas de mim! Você acredita nisso? – ela disse indignada.
—Tentaram roubar os seus filhos? – perguntei tentando esconder um sorriso.
—É!
—Então acaba com eles e não deixem eles pegarem seus filhos – sugeri, enquanto flexionava os joelhos para conseguir ter uma base de apoio melhor e fazia um arco com a minha foice na horizontal, conseguindo acertar dois de uma vez.
—Claro, nem precisava falar – Skye logo partiu pra cima das criaturas novamente, manuseando perfeitamente as Espadas Gêmeas, as quais ela praticava desde pequena. Não havia hesitação em nenhum dos seus movimentos, e o cenho franzido só demonstrava o quão concentrada ela estava enquanto golpeava com as espadas.
Me lembro do dia em que Skye me mostrou as espadas, ela disse que eram herança de família, mas sua mãe não era do tipo que gosta de usar espadas e por esse motivo nunca chegou a usa-las durante muito tempo, preferindo o bom e velho arco e flecha. De certa forma eu entendo, porque tia Serenity é uma pessoa centrada e calculista quando tem um oponente a frente – podemos perceber isso apenas jogando xadrez com a mesma – e pra uma pessoa que é boa em estratégias e coisas assim, o melhor a se fazer é ficar de longe da batalha, observando e aprendendo, mas tendo uma arma sempre a mão, que no caso é o arco, para recorrer caso necessário, resumindo: ela é uma estrategista e quando mais longe ela puder ficar para observar, melhor. Skye e eu por outro lado somos o tipo de pessoa que gosta de ação, da luta, de estar em movimento e de agir, não conseguiríamos fazer a mesma coisa que minha tia pelo simples fato de não termos paciência para ficarmos quietas e invisíveis longe de tudo e de todos, ajudando somente de longe e quando fosse necessário, isso não servia pra gente de jeito nenhum.
Sinceramente, todos aqueles monstros estavam me irritando. Eles não param de aparecer! E eles são quase que totalmente iguais, com algumas poucas diferenças, quem foi à desgraçada que pariu esse tanto de monstro? Tinha TV em casa não?
Cansada de todos eles já, mandei que meus amigos abaixassem, quando eles olharam pra mim e viram o que eu iria fazer eles se abaixaram imediatamente. Eu rodei a foice em cima da minha cabeça e quando a abaixei invoquei o poder de fogo que tinha dentro de mim, e em vez de simplesmente cortar o ar uma rajada de fogo surgiu, se ampliando a cada segundo na horizontal, cortando ao meio cada monstro que estava perto da gente, fazendo com que eles virassem pó instantaneamente.
Pronto, pensei satisfeita, serviço completo.
—Ei, Tori! – Alex me chamou, me virei em sua direção e observei se levantar com uma expressão carrancuda no rosto me encarando fixamente – Por que fez isso?
—Hããã, eu cansei deles e quis acabar com essa simulação logo? – respondi, embora tenha soado como uma pergunta porque eu não sei bem o que responder diante aquela pergunta.
Alex bufou diante a minha pergunta se virou pra meu irmão e apontando pra mim disse:
—Eu não treino mais com ela.
—Isso foi muito infantil da sua parte – comentei, fazendo ele se voltar pra mim com um bico no rosto – Além do mais, você poderia ter feito a mesma coisa que eu fiz há tempos atrás, já que também controla o fogo. Não fez porque não quis.
—Eu não fiz porque não se egoísta e também não quero chamar atenção pra mim mesmo desnecessariamente.
—Agora eu sou egoísta e quero aparecer? – perguntei um pouco mais alto que o normal me exaltando – Não sou que estou sendo infantil demais sem razão nenhuma. E alias eu não sei por que tá reclamando, porque não importa se morrermos nessa simulação porque isso aqui é só um treino, e se fosse de verdade a única coisa que teríamos que fazer é acabar com eles o mais rápido possível e nos escondermos, porque eu não sei se você se lembra do protocolo, mas ele diz que caso confronte um inimigo que está em maior numero que você a única coisa tem que fazer é se esconder e esperar ajuda o mais rápido possível – lembrei a todos do protocolo que todos nós tivemos que praticamente decorar nos primeiros dias de aula – Então me desculpe se eu fiz o que achava certo.
Assim que eu terminei de falar a simulação acabou, sumindo, como se nada tivesse acontecido e a cidade nunca tivesse existindo. Como sempre a Arena se desligou sozinha assim que cumprimos os objetivos desse jogo, deixando a todos em uma sala enorme e completamente vazia, com é claro, nós seis ali dentro, parados, olhando um pra cara do outro sem saber o que fazer.
Sinceramente, eu não sei por que Alex está dando esses chiliques como se fosse uma mulherzinha de TPM, simplesmente não entendo, e agora também não faço questão de entender. Girei nos meus calcanhares e segui em direção à porta que havia se aberto automaticamente assim que a simulação acabou, e logo pude escutar passos me seguindo, antes de passar pela porta apertei o botão bem no meio da minha foice, fazendo-a se encolher ao seu tamanho original um pequeno bastão preto com detalhes em vermelho.
As meninas se dirigiram para o vestiário feminino e os meninos para o masculino, obviamente, nós tiramos os macacões que usamos pra treinar lá dentro, os mesmos macacões que tem um painel no peito que acende de acordo com os ferimentos infligidos durante a simulação. Ally disse – provavelmente tentando aliviar o clima pesado que se instalou do nada – que todos nós conseguimos passar por uma simulação de nível Alto sem que ninguém "morresse", sendo que Skye e eu fomos as únicas que permanecêssemos com os nossos painéis verdes, indicando que não havíamos nos machucado em momento algum durante o treino, na hora que notamos isso nós sorrimos uma pra outra e fizemos um "HI-5" contentes porque nossos treinamentos estão dando resultados.
Nós terminamos de trocar de roupa e saímos do vestiário, encontrando os meninos do lado de fora que pareciam entediados, talvez pelo fato de termos demorado pra trocar de roupa, mas isso se deve ao fato de que ficamos ficando conversando lá dentro, e todo mundo sabe que duas ou mais mulheres juntas, sem nenhuma presença masculina não dá muito certo, justamente pelo fato de que só vai sair fofoca dali... Na verdade eu quero dizer que só vai ter uma troca de informações uteis na vida de cada uma dessas mulheres, afinal somos pessoas cultas e pessoas cultas não fofocam.
To querendo enganar quem? É claro que estávamos fofocando! E que jogue a primeira pedra aquela mulher que nunca fofocou na vida!
Como ainda era cedo, Ally conseguiu nos convencer a dar um passeio fora da Ordem – e posso dizer que ela teve que argumentar e muito pra me convencer em ir até a cidade, porque eu tenho certeza que ela quer fazer compras e eu não to nem um pouquinho afim disso – e é claro que ela convenceu os meninos a irem conosco, sobre o pretexto de que eles não poderiam deixar nós três andando sozinhas em uma cidade super movimentada e perigosa ainda mais a noite. O extinto protetor deles se ativou e eles logo se prontificaram em nos acompanhar, e na hora que eu percebi o que Ally havia feito, eu revirei os olhos mentalmente e soltei uma risada baixa, porque é claro que ela só quer alguém pra carregar as bolsas das compras que ela irá fazer e como os meninos são lerdos demais pra perceber isso – até mesmo Alex que deveria estar acostumado com as artimanhas da irmã – eles se dirigiram a cidade com a gente.
Nós nos dividimos em dois carros, visto que não caberia todo mundo em um carro só, ainda mais depois que Ally fizesse as suas compras embora os meninos não soubessem disso ainda, sendo que um dos carros foram só as meninas e outro os meninos e nós conseguimos chegar no centro da Capital rapidamente – claro, porque Skye dirige igual uma maluca – porque os carros da Ordem são extremamente rápidos e de ultima geração, o que me faz gostar um pouquinho mais daquele lugar.
Conseguimos arranjar um lugar perto da rua principal, onde ficavam as melhores lojas e depois descemos seguimos uma Ally saltitante que ia em direção as lojas de roupas como se fosse uma criança prestes a ganhar o seu presente de Natal, pensar nessa analogia me fez lembrar que o Natal será daqui a três meses, e eu não sou muito de comemorar essa data, não é tão importante assim pra mim, mas pra muitas pessoas aqui em Andrômeda, – famílias tradicionais que ainda seguem culturas e antigos costumes do antigo lar – ainda é uma data especial e que é comemorada todo ano simbolizando o nascimento de Jesus cristo. Eu não acredito muito nas histórias cotadas pela Igreja Católica da Terra, afinal, a história é contada pelos vencedores e os perdedores são sempre os tachados por vilões e você não se pode confiar muito no que dizem, ainda mais em uma história que é contada a mais de dois milênios se contarmos em anos terrestres. Mas eu também não julgo quem acredita nessas coisas, ou em outro tipo de religião, pra mim isso é uma coisa muito realtiva e vai da pessoa de cada um, não devemos opinar nem nada do tipo em uma coisa que não nos diz respeito, pra mim, todas as histórias contadas pelas diferentes religiões são todas iguais de certa forma, somente contadas de diferentes pontos de vista, porque não existe ninguém no mundo que pense igualmente você, portanto acho uma tolice quando vejo em livros de histórias que diversas pessoas no passado já morreram por causa de religião, porque certa igreja tinha uma crença e pra ela nenhuma mais era a certa, que todas estavam erradas e que qualquer outra religião ou crença diferente da imposta por eles era é errada e eram considerados pagãos, impuros. Se é assim, então eu também sou uma pagã, porque não concordo que algo assim já aconteceu, e pode acontecer de novo.
Eu acredito que algo existe sim, existem inúmeras provas que mostram que algo divino acontece, mas não defino o que é, porque estou longe de ter a certeza de afirmar que algo assim é real.
Existem muitas famílias em Andrômeda que vieram da Terra e continuaram seguindo suas crenças, religiões, e suas culturas, é até uma coisa bem comum de se encontrar em uma cidade ou outra, principalmente quando você esta na Capital onde você pode encontrar de tudo um pouco, desde restaurantes italianos até lojas retros e lojas de comias típicas do nosso próprio planeta mesmo. É tudo tão diversificado que me dá prazer e visitar o centro mesmo que seja acompanhada por uma maníaca por compras.
Enquanto eu estava perdida em meus devaneios, eu era arrastada por Ally junto com Skye de loja em loja, enquanto a mesma provava inúmeros sapatos, roupas, a acessórios e o que mais tivessem pela frente e na maioria das vezes ela escolhia algumas coisas pra mim e para uma entediada Skye que parecia querer roubar a faca de uma mulher que estava sentada em um banco do outro lado da rua descascando uma maça e enfia-la no próprio pescoço pra não ter que provar mais nenhuma roupa, e eu estou quase fazendo o mesmo.
—Pra que esse interesse em vestidos de festa? – perguntei enquanto me jogava em um dos sofás da loja que havíamos acabado de entrar junto com os meninos, que já estavam carregando algumas sacolas de Ally.
Ally me olhou como se eu fosse um ET e por um momento eu me pensando se eu havia feito algo de errado.
—Você não ouviu o pronunciado dos Anciões outro dia não? – perguntou incrédula.
—Deveria ter ouvido?
—Claro que sim! Eles disseram que a nossa cerimônia de iniciação é uma festa de gala e nós temos que ir vestidos apropriadamente – ela respondeu satisfeita consigo mesmo enquanto olhava mais um vestido cor de rosa, pensando nas mil e uma probabilidades dela usar aquele vestido com determinada acessório ou sapato que ela já havia comprado.
Me virei pra Thomas – que também foi arrastado pra esse passeio, e parecia muito arrependido por ter se deixado ser convencido – e ele assentiu com a cabeça concordando com a afirmação de Ally.
—Que droga! – murmurei comigo mesma enquanto me levantava e ia dar uma olhada em alguns vestidos.
—Nem me fale – Skye concordou enquanto passava ao meu lado indo em direção a um dos provadores com três peças de roupa na mão, provavelmente escolhidas por Ally.
—Muito bem, prove esses aqui, Tori – Ally pediu me entregando uns cinco vestidos diferentes e me empurrando pra um provador.
—Por que a cerimônia é um evento de gala? – perguntei para Skye que estava no provador ao lado.
—Porque, pelo o que eu fiquei sabendo, algumas famílias pertencentes à Câmara dos Lordes vão estar presentes, como em todas as outras formaturas – explicou ela, enquanto eu tentava fechar um vestido que tinha um fecho nas costas, e que parecia impossível para eu fecha-lo sozinha – E ninguém da Ordem quer fazer feio perante eles, muito menos os Anciões que vão celebrar a cerimônia.
—Isso tudo é por causa de alguns nobres metidos a besta?
—Cuidado com o que fala! – Skye me repreendeu, embora eu pudesse ouvir pelo tom usado que ela estava querendo rir – As paredes têm ouvidos.
—Pior que eu nem duvido disso.
—Pois é... Mas respondendo a sua pergunta de antes: sim, isso tudo é por causa deles, porque são eles que bancam a Ordem – ela respondeu um pouco mais baixo que antes, e eu tive a impressão que ela se aproximou da parede que divida os nossos provadores pra poder falar isso.
—Mentira! – exclamei incrédula.
—É verdade – ela afirmou e logo depois bufou o que me pareceu uma risada – Você achou que os nossos salários vem da onde? De um potinho de ouro no final do arco-íris? – perguntou ironicamente me fazendo revirar os olhos.
—Não, não acredito essas coisas, mas eu também nunca parei pra pensar nisso – respondi com sinceridade.
Realmente, nada disso tinha passado pela minha cabeça antes, claro que é muito bom receber um salário depois de cada missão completa, e até mesmo os Iniciantes que ainda não fazem da parte da Ordem de verdade recebem um dinheiro todo final de mês para que possam se virar por aí, por assim dizer, mas nunca tinha parado pra pensar da onde que eles tiravam dinheiro suficiente pra nos pagar. Curioso isso, porque será que os nobres pagam todas as despesas que a Ordem possui, não Poe ser só porque eles querem que tenha alguém para proteger, vigiar e tomar conta das pessoas, dos patrimônios tanto públicos, quanto privados e históricos, deve ter algum motivo por trás disso.
Escutei a porta da cabine de Skye se abrir, deslizando quase que silenciosamente para o lado, aproveitei que ela tinha parado de vestir uma das roupas que ela havia levado para o provador, e eu também saí pedindo que ela me ajudasse com o fecho que eu ainda não consegui fechar.
—Obrigada – agradeci me virando para um espelho que tinha do lado oposto dos provadores que ocupava toda a parede.
Girei varias vezes observando o vestido verde que estava no meu corpo e apesar dele ser muito bonito eu não consegui me imaginar usando ele em alguma ocasião e já ia voltar para o provador para experimentar outro vestido quando de repente eu vejo Skye parada com o olhar fixo na parede, sem ver nada realmente, o que logo me fez parar ao seu lado e esperar que voltasse para a nossa realidade.
—O que você viu? – perguntei curiosa quando a vir piscar os olhos varias vezes e depois focar o olhar em mim com um sorriso estranho.
—Eu vi você com o seu vestido no dia da Cerimônia de Iniciação, e definitivamente não é esse, que por sinal esta horrível em você. Por que pegou algo assim se não faz o seu estilo? – ela disse já me empurrando para o provador.
—Ally me deu esses e mais alguns que estão aqui – gesticulei para s outros que estavam pendurados, Skye deu uma rápida olhada antes de constatar que o vestido que ela havia me visto na Cerimônia de Iniciação não estava ali.
—Pois trate de tirar esse vestido eu sei exatamente onde você vai achar o vestido perfeito! – ela exclamou feliz.
—Quem é você e o que fez coma minha amiga? – perguntei brincando, pois ela não era de agir assim, muito menos de ficar empolgada do anda pra ir atrás de um vestido, mas ela me lançou um olhar zangado que me fez ficar quieta, vai que ela desiste de me ajudar com o vestido?
—Não me questione, estou fazendo isso para que sua noite seja perfeita!
—Do que diabos você esta falando?
—Anda logo – ela disse simplesmente sem responder nenhuma das minhas perguntas, apertando o bota interno da minha cabine para aporta se fechar saindo antes que a mesma fechasse, me deixando somente com a visão dela com um sorriso maroto no rosto como se estivesse aprontando algo.
Oh Deusa!O que diabos essa garota viu?
Eu retirei o meu vestido e coloquei a minha de roupa de antes e quando eu terminei de me trocar e saí Skye já estava pronta com sua roupa de antes, parada do lado de fora com os braços cruzados e batendo o pé impacientemente, ela me pegou pela mão e me puxou até onde nossos amigos estavam.
Ally aprecia ter desistido de acha um vestido perfeito naquela loja, e parecia estar emburrada com isso, pois ela estava de braços cruzados e com uma tromba do tamanho de um elefante. Os meninos pareciam estar dormindo, com exceção de Alex que parecia tentar convencer Ally de algo, mas a mesma o ignorava.
Skye disse que sabia uma loja perfeita pra comprar os vestidos e Ally logo se animou e segui nós duas pra fora da loja, agradecendo as atendentes antes, que pareciam furiosas por termos tomada tanto tempo da vida delas e não termos comprado nada.
Nós seguimos por algumas ruas durante certo tempo e todo mundo estava começando a ficar impaciente e com fome, até que Skye achou a loja e nós logo entramos na mesma. Deixei com que Skye desse uma voltinha pela loja olhando s vestidos, já que ela havia dito que sabia qual era o meu vestido perfeito, ela que o achasse e eu decidiria depois se é o vestido perfeito ou não.
Depois de um tempo que pareceu interminável pra mim ela voltou com um sorriso de orelha a orelha segurando três vestidos diferentes nas mãos, ela logo chamou Ally e lhe entregou um dos vestidos e depois entregou um pra mim e nós três fomos em direção aos provadores.
Sinceramente eu não estava botando tanta fé assim no vestido, mas assim que e o experimente e eu logo percebi que era perfeito, maravilhoso e que dessa vez eu tiro o meu chapéu pra Skye, ela conseguiu acertar dessa vez, como minha mãe diz: não se pode rejeitar uma coisa totalmente sem nunca ter experimentado antes, e de fato esse ditado caiu como uma luva nessa situação.
Quando consegui desprender meu olhar do espelho eu voltei para o provador e coloquei minha roupa novamente indo até o caixa e comprando o vestido, a atendente ainda quis me vender um sapato pra combinar, mas Ally foi mais rápida que ela e surgiu do nada com um sapato na mão que de acordo com ela combinaria perfeitamente com o eu vestido, eu experimentei dando o meu braço a torcer e quando eu vi que era do meu número e que combinava com a cor do vestido eu decidi leva-lo também, e quando eu vi o preço de tudo, eu dei graças à deusa da por ter minhas economias comigo.
Ally e Skye também acharam os seus vestidos perfeitos e Ally também conseguiu convencer Skye a comprar um sapato de salto alto, embora eu tivesse minhas duvidas de que ela iria usar ele mesmo, mas mesmo assim eu não disse nada e deixei a loirinha feliz por ter achado o vestido que ela tanto queria.
Depois de tudo resolvido, nós decidimos que iríamos comer alguma coisa antes de voltarmos pra Ordem e nós começamos a caminha a procura de um restaurante que agradasse a todos, no meio dessa caminhada – nota-se que os meninos estão carregando as nossas sacolas como os cavaleiros que eles são – eu acabei ficando pra trás enquanto caminhávamos e só fui perceber isso realmente quando eu trombei com uma pessoa na rua e acordei do meu estupor notando que não havia sinal de nenhum os meus amigos.
Droga, eu tenho que prestar mais atenção por onde ando, principalmente quando eu estiver acompanhada.
Continuei a andar enquanto pegava meu celular – um pequeno pedaço de vidro que cria vida quando você toca na tela – e começava a discar o primeiro numero que me veio à mente, o numero do meu irmão, mas antes que eu sequer conseguisse apertar o botão pra ligar trombei com outra pessoa na rua, dessa vez batendo de frente com a mesma me fazendo desequilibrar e ir de encontro ao chão.
Parece que hoje não é o meu dia, pensei enquanto caía ao que me aprecia ser em câmera lenta direto pro chão, mas por um milagre eu não caí, pois alguém conseguiu me segurar a tempo antes que eu me esborrachasse no chão, não posso dizer o mesmo do meu celular que caiu com tudo no chão, por sorte, já se foi à época em que os celulares quebravam por qualquer coisa, o que me deixou um pouco mais tranquila e não fez o meu coração sair pela boca.
O estranho – porque eu ainda não me virei pra ver o rosto dele – era bem forte, e eu posso dizer isso somente pelo fato dele ter conseguido m segurar porque eu não sou nem um pouquinho leve. Eu consegui sentir sua respiração na minha nuca, e os braços fortes ao meu redor que me faziam sentir estranhamente mais segura do que o normal, e eu posso dizer que consigo escutar os batimentos do seu coração que parece estar batendo freneticamente, talvez pelo susto de ter trombado comigo e de quase termos caído nós dois, mas por sorte ele tem o centro de gravidade um pouco maior que o meu e consegui impedir que desastres maiores acontecessem.
O tempo pareceu andar em câmera lenta, enquanto eu estava nos braços daquele estranho. As pessoas passavam por nós sem se importar que eu quase me machuquei com o brusco encontrão que eu dei com esse cara, pra eles era como se não existíssemos, todos estão presos em seus próprios mundinhos, preocupadas demais com o seu próprio umbigo pra perceber que algo mais acontece ao seu redor.
Ele me colocou de pé no chão e esperou até que eu conseguisse me firmar até me soltar, automaticamente eu e abaixei e peguei meu celular do chão, conferindo se ele estava realmente intacto e soltei um suspiro de alivio ao constatar que ele ainda estava inteiro.
—Desculpe, eu não estava prestando atenção – falei enquanto me virava e encarava o estranho – Tony?! – exclamei surpresa por ter sido ele com quem eu me esbarrei.
Eu achei que ele fosse fazer cara feia ou protestar por eu tê-lo chamado pelo apelido que ele parece não gostar nem um pouco, mas ele não fez nada, ele apenas sorriu timidamente.
—Não tem porque se desculpar, eu também estava distraído – respondeu lançando um olhar para o celular na minha mão – Quebrou?
Segui seu olhar e ao ver que ele se referia ao meu celular eu balancei a cabeça em negação – Não, está tudo bem.
—E você?Também está bem? – ele perguntou preocupado.
—Estou bem sim, obrigado por não ter me deixado cair – agradeci com sinceridade e acabei rançando outro sorriso de canto dele, o que me fez sorrir também.
—Você esta sozinha? – ele questionou. Hoje ele parecia estar mais falante do que o normal.
—Não, estou com meu irmão e uns amigos, mas eu me distraí e acabei me perdendo deles.
Ele assentiu, não parecia muito surpreso com o fato de eu ter me perdido e ele logo se ofereceu para me acompanhar porque e acordo com ele eu podia tropeçar e cair dentro de um bueiro se continuasse sozinha, não discordei disso, porque eu também não duvido muito que algo assim possa acontecer, porque do jeito que eu estou distraída hoje...
Não muito longe dali, nós encontramos o pessoal em um restaurante italiano, eles haviam pedido bebidas pra mim e pra Tony também, embora eu desconfie que Skye tenha pedido pra nós dois e com certeza ela tinha dito algo pro pessoal pra eles não ficarem preocupados comigo, e já soubesse que algo assim ia acontecer, pois quando entramos todos estavam calmos demais, o que não deveriam, pois eu havia desaparecido, e Skye me lançava um sorrisinho cúmplice que eu queria arrancar da sua cara.
Tony pareceu meio hesitante em aceitar nosso convite para se juntar a nós no jantar, mas depois de um pouco de insistência ele acabou sentando e ficando o resto da noite.
Foi uma noite bem divertida, e naquele momento podemos esquecer todos os problemas que nos cercavam e de toda tensão que estávamos sentindo por causa dos eventos recentes e da Cerimônia de Iniciação que está chegando.
Suspirei, ao me lembrar disso, só espero que tudo dê certo.
Fale com o autor