Seis meses. Seis longos meses em que estamos treinando com Serenity Simon. Apesar de ela ser uma mulher pequena e de baixa estatura, ela derrotou homens duas vezes maiores que ela, o que logo mostrou para todos nós que ela sabe o que faz, e eu depositei toda a minha confiança nela para ela me treinar. Mas a ideia de treino dela estava muito além da minha compreensão.

Lutar. Correr. Abaixar. Esquivar. Rolar. Arremessar. Desviar. Praticar. Atirar. Defender. Atacar. E no processo, tentar não morrer.

Todo santo dia, de oito da manhã às nove da noite treinando. O tempo todo. Nós só tínhamos o final de semana para descansar, e eu usava esse meu tempo livre para ler o livro da Câmara dos Lordes que Ally havia me mostrado a um tempo atrás. Eu já li cada pedacinho dele, mais de uma vez e existem dezenas de coisas que cada Casa esconde do mundo, coisas que se tornassem pública podiam semear o caos no meio da paz de todos. E eu queria muito saber quem escreveu esse livro, para perguntar como ela sabe de tudo isso e se sabia mais, mas o livro só estava assinado como: Uma Bruxa. Seja lá que bruxa é essa.

Em meio a todo esse treinamento, ainda tínhamos aulas teóricas em que aprendíamos tudo sobre como ser uma wicca. Eu aprendi vários rituais que nós fazemos para nos aproximarmos mais da Mãe Natureza, para nos alinharmos ao ritmo natural das forças vitais marcadas pelas fases da Lua, para manter o equilíbrio oh algo assim.

A situação só vai de mal a pior. Os Guardiões que estavam encarregados de buscarem os culpados do ataque da Cidadela conseguiram pistas de que os mandantes do ataque estavam escondidos na Floresta Draco. A Floresta Draco ficava em Southland, antigamente era a terra natal dos dragões, mas isso foi há muito tempo, e essas belas criaturas não existem mais, mas dizem que há espíritos dos dragões na floresta e que eles expulsam qualquer visitante indesejado. Eu não acreditava nisso, sinceramente, para mim, era só histórias que a aldeia que existe a beira dessa floresta inventou, para manter suas crianças afastadas da floresta. Agora, depois do que aconteceu com a primeira equipe de busca, eu estou começando a acreditar que lendas são reais.

A primeira equipe de busca era composta de sete integrantes, totalmente capacitados para o trabalho, eles ficaram dois dias naquela floresta, e somente um voltou. Eu não conheço o cara que sobreviveu, mas dizem que ele não sabe dizer o que aconteceu lá, e nem onde estão os outros, ele não se lembra ou não que contar, ele ficou catatônico depois da floresta, ele mal consegue dizer uma frase completa sem começar a tremer e a gaguejar. Os Sentinelas decidiram dar um tempo para ele para ver se ele se recupera, isso foi a três meses atrás. E isso é tudo o que Ally descobriu e contou para nós.

Ally vai se sair uma ótima espiã, se ela quiser. Ela consegue se esgueirar em vários lugares e passar despercebida de tudo e todos, e até hoje eu não soube de ninguém que a tenha pegada em flagrante, e talvez alguém daqui descubra esse potencial e ela consiga entrar para o esquadrão dos espiões, onde eu tenho quase certeza que ela vai se sair muito bem.

Alex por outro lado é bom com computadores, ele sempre amou mexer e sempre foi ele que invadiu os computadores da escola, quando nós queríamos entrar lá para fazer alguma brincadeira. Ele quer ser recrutado para trabalhar na Sala dos Problemas e aprender mais coisas que ele pode fazer com o seu dom com os computadores.

Dylan já é igual a mim, ele gosta mais da ação e das lutas, e é por isso que nos reaproximamos de novo e nos tornamos grandes amigos em tão pouco tempo. Mesmo mortos de cansaço, nós sempre ficávamos um pouco mais nas salas de treino e praticávamos juntos. Thomas que acabou se juntando ao nosso círculo de amizade, de vez em quando fica com a gente e nos ajuda para aperfeiçoar o velho e nos ensina coisas novas, para não ficarmos somente naquilo.

Raramente vejo Anthony, pelo o que Ally me falou, ele sempre está em uma missão ao qual ele se voluntaria para ir. Parece que temos mais um que não gosta de ficar parado. Com a proximidade de Thomas Anthony acabou por começar a ficar de vez em quando no nosso círculo de amigos, por assim dizer, ele não é muito de falar e às vezes parece que ele só esta lá por causa de Thomas – ao qual eu descobri, são amigos desde que se lembram.

Hoje, era domingo, e eu não tinha nada para fazer, Ally estava em algum lugar metendo o nariz aonde não é chamada – não que eu esteja reclamando, pois é assim que ficamos sabendo do que acontece aqui –, Alex estava com Kayla conversando sobre computadores e outras coisas que eu não me dei o trabalho de prestar atenção, pois não é a minha praia e não me interessa. E eu não vejo Dylan desde o café, então resolvi procurar por ele, para eu não ficar sozinha por muito tempo, eu já estou começando a ficar entediada aqui.

Depois de olhar no seu quarto, no refeitório e na Pista de Corrida da Morte – como eu carinhosamente apelidei depois de alguns hematomas na minha pele, e de ter a impressão de ver a Dona Morte várias vezes – eu decidi olhar as Salas de Treino, e eu acabei encontrando ele nada caixas de vidro lutando contra Tony.

Eu não sei o que é mais estranho: Dylan lutando contra Tony, ou Tony lutando contra Dylan.

Os dois não devem ter trocado mais que meia dúzia de palavras em todo o tempo que se conhecem... quer dizer, todo o tempo em que eu vi os dois juntos, porque Dylan é primo de Thomas e Thomas melhor amigo de Anthony, então eles devem ter se encontrado uma vez ou outra antes da Ordem, é quase impossível que eles nunca tenham se encontrado, mas mesmo assim, é muito estranho ver os dois juntos e ainda por cima lutando.

A Caixa de Vidro é literalmente uma caixa retangular de vidro, que geralmente duas pessoas entram e lutam até um deles desistir e se declarar perdedor, às vezes com armas às vezes somente mano a mano. Não havia mais nada na caixa além dos dois, em pé, um de frente para o outro e com os punhos levantados frente ao rosto. Eles não me viram, e continuaram a trocar socos e chutes, se chocando repetidas vezes. Ambos estavam um pouco machucados, embora Dylan aparentasse estar com mais machucados que Anthony.

A tatuagem que mostra que Anthony é um Vigilante estava a mostra por ele estar com uma camiseta preta justa que mostrava claramente o seu abdômen definido. Dylan por outro lado, estava com uma camisa de manga curta branca, e ela era mais solta que a de Anthony, então eu não posso dizer se ele tem o abdômen definido tanto quanto Anthony. Sempre gostei de abdomens definidos em homens, mostra o quanto eles batalharam para tê–los e para ficarem forte... e eu estou falando como uma verdadeira pervertida. O que deu em mim? Balancei a cabeça expulsando esses pensamento da minha mente e voltei a prestar atenção na luta deles. Os dois aparentavam estar bem cansados, o que demonstra que já estão ali há algum tempo, o cabelo dos dois está grudado em seus rostos devido o suor que escorria em suas faces por causa da intensa atividade física que eles estavam praticando.

De repente, Anthony girou o corpo e acertou o cotovelo na barriga de Dylan, Dylan se dobrou automaticamente por causa da dor momentânea no abdômen, Anthony aproveitou que ele se abaixou e o projetou seu punho acertando a mandíbula dele fazendo o cambalear para trás. Anthony se abaixou e deu uma rasteira em Dylan, o fazendo cair no chão batendo as costas com tudo e antes que ele pudesse processar o que estava acontecendo, Anthony subiu em cima dele e lhe deu um soco de direita no rosto com muita força, fazendo Dylan virar rapidamente a cabeça pro lado por causa da força do impacto, além do alto barulho que encheu a sala por causa do soco. Anthony levou o braço até atrás do corpo, se preparando para dar outro soco em Dylan.

— Só porque eu escolhi lutar com um arco e flecha, não quer dizer que eu não seja bom com os punhos – Anthony sibilou para Dylan, sua voz demonstrava uma raiva que ele estava tentando conter – Não me subestime, garoto.

Eu pude ver Dylan engolir em seco e depois de um movimento calculado, ele levantou as mãos em forma de rendição, e depois de um longo segundo Anthony saiu de cima dele abaixando o braço. Dylan se sentou devagar, como se estivesse em uma jaula com um leão e a qualquer movimento o mesmo o matasse, não posso culpa–lo, nesse momento Anthony parecia realmente assustador, com a expressão fechada e seus olhos cor de esmeralda crispando com uma raiva que ele tenta conter dentro de si, ambos os punhos fechados com força – os nós de seus dedos estavam começando a ficar brancos, demonstrando o quanto ele tava fazendo força para manter os punhos fechados, e provavelmente tentando se controlar – só ajudavam a completar o seu visual e fazer qualquer um temer ele. Agora eu entendo porque metade das pessoas daqui tem medo dele, só pelo fato dele ser um prodígio, já diz muito a seu respeito, e agora, que eu o vi lutando para valer – e não de forma contida como foi há alguns meses atrás na Academia quando nós dois lutamos juntos – eu posso acreditar em tudo o que eu ouvi falar a seu respeito, embora eu ainda tenha os meus motivos pra acreditar que ele não lutou com todo o seu potencial.

Anthony não possui parceiros, nem mesmo Thomas seu melhor amigo. Ele prefere trabalhar sozinho e até agora nossos superiores têm respeitado isso, por ele mostrar ser bastante eficaz na sua carreira solo. Pelo o que Ally me falou, quando ele está em uma missão e precisa lutar contra alguém, ele não tem piedade, e só para quando a pessoa se rende ou não tem mais como falar se é que você me entende. Ninguém sabe dizer do porque ele ser tão frio e sem emoções assim, pelo menos, quem sabe não fala nada, e eu tenho certeza que Thomas deve saber de algo, mas ele é fiel ao amigo e não vai revelar nada sem a permissão do mesmo, o que me deixa super frustrada com isso. Além disso, a única coisa que eu sei é que ele tem 18 anos, seu nome é Anthony Makalister e que ele odeia ser chamado de Tony – embora algumas pessoas ainda o façam – e que ele se tornou um Vigilante com 17 anos, ou seja, um ano atrás. O resto, ainda é mistério pra mim. Quem sabe um dia eu não descubro?

— Tori? – uma voz me despertou dos meus devaneios, eu voltei a olhar para a Caixa de Vidro e vi Dylan levantando – O que está fazendo aqui?

—Estava procurando você – expliquei ainda encostada na mesma parede desde que cheguei aqui – Queira ver se você estava livre, mas você está ocupado então eu volto depois.

Eu desencostei da parede e rumei para a saída.

—Não precisa sair – Anthony chamou minha atenção novamente, me fazendo virar e olhar para eles de novo – Nós já acabamos aqui – ele voltou seu olhar para Dylan, que inconscientemente deu um passo para trás, sob o olhar mortal de Anthony – Tenho certeza que ele provou o seu lado e eu o meu. Não há mais nada para ser dito aqui.

Anthony saiu da Caixa de Vidro, e pegou uma bolsa que estava no canto ao lado dos bancos, ele seguiu para os vestiários masculinos, Dylan só saiu, quando viu Anthony desaparecer pelas portas duplas do vestiário, ele olhou para mim e me lançou um sorriso de canto.

— Você pode esperar eu tomar um banho? Depois sou todo seu – ele brincou estendendo os braços, me fazendo rir. Eu fiz um gesto com a mão o dispensando, e ele logo correu para o vestiário com a sua bolsa.

Existem várias salas de Treinamento, cada uma abrangendo um foco diferente, essa sala, era para treinamentos em dupla em si, batalhas para ser mais específica, embora tenha outras coisas aqui também, como por exemplo, os alvos que estão dispostos no final da sala, para praticar pontaria. Eu comecei a andar pela sala, me dirigindo para o final da mesma, ao mesmo tempo observando tudo, Dylan iria demorar então eu vou achar alguma coisa para me distrair enquanto o espero, e eu vou optar por treinar minha pontaria, que definitivamente é péssima, tirando as raras vezes que eu consigo acertar o alvo corretamente.

Não sei quando tempo fiquei praticando, fiquei tão distraída, que eu não percebi ninguém chegar perto de mim, até que eu senti uma mão no meu braço e outra na minha cintura.

—Você está no ângulo errado, assim nunca vai conseguir acertar o alvo – suas mãos se moveram e me mudaram de posição – Concentre se no alvo, somente nele.

Ele estava muito perto e eu podia sentir o calor de suas mãos aonde ele me tocava, e eu podia sentir seu hálito na minha nuca enquanto ele falava comigo, embora ele não estivesse fazendo nenhum outro contato a não ser as suas mãos, uma na minha cintura e outra no meu braço, eu podia sentir a eletricidade que emanava dos nossos corpos próximos.

— Se não conseguir se concentrar assim, você pode imaginar a pessoa que mais odeia nesse mundo e que ela é seu alvo – ele riu baixinho – Isso funciona pra mim. Agora, tente fazer um movimento leve, mas preciso com o seu pulso, e jogue o seu braço para trás, assim – ele me direcionou pelo caminho certo, e eu não soube fazer mais nada a não ser ficar parada, enquanto ele me manipulava como uma marionete – E apenas, jogue.

Seguida pelo impulso de suas palavras, eu fiz o que ele me mostrou e arremessei a faca no alvo, ela cortou o ar com mais força e velocidade do que todas as minhas antigas tentativas e acertou o alvo.

Bem no meio.

Me virei feliz para Anthony e ele me lançou um sorriso de lado.

—Se continuar praticando, em poucos dias vai ter uma pontaria perfeita – ele me disse, e pegando a sua bolsa ele deu meia volta e caminhou em direção à saída.

—Anthony! – gritei seu nome chamando sua atenção, ele se virou pra mim com uma sobrancelha levantada como se me perguntasse algo – Obrigada!

Ele sorriu novamente, mas dessa vez com todos os dentes e se virou para sair novamente, mas antes que saísse pela porta ele disse:

— Por nada, princesa.

Princesa? De onde ele tirou isso? Ele não me deu tempo de falar mais nada e sumiu porta a fora, e antes que eu pudesse pensar muito no assunto, Dylan surgiu do vestiário, carregando sua bolsa e secando os seus cabelos molhados devido ao banho. Ele sorriu abertamente pra mim, e me chamou para ir até ele.

—E então? Quer fazer o que?

—Bom, eu estava pensando em ir...

***

Dylan e eu passamos o dia juntos, atoa, somente passeando e conversando. Ele acabou contando o que fez durante esses anos em que estivemos separados, eu até descobri que há um ano atrás ele tinha uma namorada, mas ela descobriu que ele queria ser um Guardião aí ela terminou com ele, por ter medo de perder ele e não conseguir suportar, alguma coisa assim, vai entender essa garota.

Nós acabamos voltando bem tarde para a Ordem, porque ficamos cavalgando dentro dos domínios da mesma. Como ainda estávamos em treinamento, nós não podíamos sair da Ordem, quando nos formarmos nós poderemos sair e até podemos escolher se queremos continuar morando aqui ou e outro lugar.

Muitas pessoas preferem morar fora da Ordem, principalmente quando decidem juntar as escovas de dente, se é que me entende. Mas é claro que mesmo não morando na Ordem, essas pessoas ainda recebem missões diariamente, semanalmente ou mensalmente, depende de qual função e posição na Ordem está.

Dylan e eu acabamos conversando sobre isso, e eu não sei se eu vou querer morar em outro lugar. Talvez se em uma das minhas futuras missões eu encontrar uma casa em algum lugar que me atraia e que eu realmente goste, eu posso pensar em morar em outro lugar, mas eu ainda tenho muito caminho a percorrer e muitas coisas para aprender, então vou deixar para pensar nisso depois.

Enquanto jantávamos, a Sra. Serenity se levantou da mesa em que estava sentada e pediu para que nós nos ficássemos até depois do jantar, porque ela queria fazer um pronunciamento. Nem preciso dizer que fiquei ansiosa e não consegui comer mais, né? É eu imaginei que não.

Pareceu uma eternidade até que todos os outros Guardiões se levantassem e saíssem do refeitório, e ficássemos somente nós, os Iniciados e a Sra. Serenity. Nós nos reunimos nas mesas mais a frente enquanto ela andava de um lado para o outro com as mãos nas costas, esperando todos nos acomodarmos.

—Muito bem. Eu pedi que ficassem para dar um recado muito importante para vocês – ela começou, olhando nos olhos de cada um de nós, falando pausadamente – Eu falei com os meus superiores, e mostrei alguns vídeos do treinamento de vocês e anotações que eu faço respectivamente, e eles decidiram que está na hora de começar os preparativos para vocês se tornarem membros oficias da Ordem dos Guardiões de Andrômeda.

Um silencio sepulcral se instalou na sala. Todos nós estávamos surpresos com essa noticia e eu tenho certeza que ninguém aqui esperava por isso. Lancei um olhar para Ally para ver se ela sabia de algo, mas ela parecia tão surpresa quanto eu, então quer dizer que ela realmente não sabe de nada, e eu fico me perguntando o que será que Serenity quis dizer com preparativos para nos tornamos membros oficiais da Ordem.

—E... o que a senhora quer dizer com preparativos? – Zoe perguntou meio hesitante, vendo que mais ninguém iria fazer essa pergunta.

—Três Sentinelas vão vir direto do Palácio de Duran para avaliar vocês nas seguintes modalidades – ela levantou um dedo a cada coisa que ela falava – Primeiro: força e agilidade, vai ser como nas aulas que vocês tem diariamente, na pista de corrida lá fora e nas lutas. Segundo: seus poderes, vocês vão fazer uma pequena demonstração para eles dos seus poderes e o quanto vocês aprenderam aqui, é como se fosse um show de talentos. E Terceiro: nós vamos dar a cada um de vocês uma missão. Vocês vão decidir se querem ir sozinhos, dupla, trio ou até mesmo quarteto, não importa o que importa é como vocês vão se sair nessa missão. Alguma pergunta?

Todos estavam digerindo o que ela havia falado, e até mesmo eu estava sem ter o que falar, embora muitas perguntas gritassem na minha cabeça para sair.

—Crianças, vocês não precisam ter medo, vai ser somente um dia normal para vocês. Se eu soubesse que iriam agir assim eu nem teria contado, eu só contei para no dia em que começarem as avaliações vocês não serem pegos de surpresa quando virem três Sentinelas com pranchetas nas mãos encarando vocês.

—E o que acontece se alguém não passar? – eu indaguei.

—Se alguém não passar é porque não é forte o suficiente, e se não é forte o suficiente, nós não podemos manter essa pessoa em questão, porque ela mais tarde pode por tanto a si próprio em perigo, como a equipe que estiver com ela. E não queremos nenhum desastre, não é?

—Não.

—Então, muito bem, assunto resolvido, a não ser que mais alguém tenha alguma pergunta – ela ficou um tempo em silencio, esperando que mais alguém se pronunciasse – Ninguém? Tudo bem estão dispensados por hoje. A partir de amanhã eu vou diminuir os meus treinamentos com vocês, para que vocês possam começar a treinar por si próprios principalmente os seus pontos fracos. Boa noite e boa sorte.

Aos poucos, cada um foi se levantando e saindo, e quando eu ia fazer o mesmo, Serenity me chamou e pediu que eu ficasse mais um pouco, ela esperou o refeitório se esvaziar e se sentou na cadeira em frente da onde eu estava sentada.

—Seja lá o que for, eu juro que eu não fiz nada – eu comecei a tentar me defender, tá certo que eu apronto algumas coisas, mas eu juro que eu não fiz nada!

Ela riu – Eu sei que você não fez nada, Tori, pode relaxar.

Soltei todo o ar dos meus pulmões, bom, pelo menos eu não estou encrencada, então o que ela quer comigo?

—Tori, eu vim observando você durante todos esses meses e você foi à de longe a que mais me impressionou.

—Isso é bom? – perguntei meio hesitante, ainda não entendendo aonde ela queria chegar.

Ela riu e pegou na minha mão – Sim, isso é bom. Sabe, você me lembra a minha filha, ela tem a sua idade, e vocês são muito parecidas na personalidade.

— É mesmo? – por essa eu não esperava – E qual é o nome dele?

— Skye. Talvez um dia você a conheça – ela me lançou um sorriso carinhoso, e por um momento pareceu perdida em pensamentos, eu estava prestes a balançar minha mão em frente ao seu rosto para chamar a sua atenção, mas ela voltou a si e começou a falar comigo – Bom, vamos continuar, eu não quero prende–la aqui durante muito tempo. Onde estávamos?

— Na verdade, você não chegou a falar nada.

—Ah certo! Desculpe. Eu queria saber se você gostaria de treinar comigo durante um tempo, depois de se tornar uma Protetora.

Eu a fitei confusa – Mas... Nós já estamos treinando.

— Acho que eu devo explicar melhor – ela disse como se estivesse conversando consigo mesma. – Alguns Sentinelas, costumam escolher novos Protetores e até mesmo alguns Vigilantes para treina–los durante certo tempo. Fora da Ordem.

—Assim como o Sr. James e meu irmão?

—Sim. Embora James não possa sair, pois todo o seu trabalho é aqui, então ele treina seu irmão aqui mesmo, mas se você aceitar, eu gostaria que viesse comigo até a minha aldeia natal, Lúpus, fica em Westland.

—Lúpus? Aquela em que os habitantes têm lobos como animais de estimação? – indaguei surpresa.

—É sim, você vai ver que eles são bem amáveis, apesar de terem o tamanho de cavalos – ela riu, como se tivesse em uma piada interna, mas no momento seguinte ela me fitou com seriedade – Pode pensar com calma, querida, vocês ainda tem mais ou menos um mês até a Cerimônia e eu devo ficar uns dias depois dela, pois tenho umas coisas para fazer na Capital ainda. Então, pense com calma, okay?

—Okay. Obrigada, Sra. Serenity.

—Por nada, eu que agradeço se você aceitar minha proposta – ela levantou e me deu um beijo no alto da minha cabeça se despedindo e rumando para fora do refeitório. Eu permaneci sentada onde eu estava, observando ela caminhar, ainda chocada com a sua proposta.

—E Tori?

—Sim?

—Se me chamar de senhora mais uma vez, eu enfio uma faca a sua garganta – sua voz parecia mortal e me deu um arrepio, eu engoli seco. – Boa noite! – ela sorriu e saiu porta a fora.

—Boa... noite.

De uma coisa eu tenho certeza, se eu aceitar sua proposta, eu vou ter um longo caminho a percorrer, e não digo do treinamento, isso eu acho que vai ser fácil se ela continuar nessa linha de agora, eu digo com o que eu falo, porque ela parece mais um campo minado que pode explodir a qualquer minuto.

—Que os Deuses me ajudem.