Vidas em jogo

2 Capítulo dois


O dia amanhece com um miado em seus ouvidos, ela não queria acordar, pedia por qualquer coisa menos acordar. Estava exausta pelo peso do trabalho na noite anterior. Tinha chegado em sua casa uma hora da manhã perto de desmaiar de sono, a movimentação do restaurante era duro e equilibrar isso com a faculdade só deixava seu estado em decadência. Para o seu alívio era domingo, não tinha aula e era seu dia de folga; tinha o dia todo para dormir o quanto queria entretanto uma sirene em forma de miado gritava em seus ouvidos perturbando seu sono. Se perguntou se um minuto de paz em sua vida era pedir muito.

—PARA COM ESSA BARULHO AÍ!!!!!

Jogou um cachorro de pelúcia na porta. A casa ficou em paz. Um minuto de silêncio, talvez dois.

—Miau.

Num tique nervoso seu olho tremeu fechado.

—INOOOO.

—Miau

Ah mas que droga!

Abriu o olho e levantou a cabeça.

—INO FAZ O FAVOR DE SUMIR COM ESSE GATO!!!

Virada pra lua enrolou-se nos lençóis, iria dormir novamente no seu mais belo paz de descanso. Porém, as mecânicas de seu cérebro tornou a funcionar o que trouxe a realidade, percebeu que não tinha gato e nem podia, o prédio onde mora não permitia animais domésticos e obviamente as duas sabiam disso. Então pra ter um gato em seu apê só havia uma explicação:

Seu nome era Ino Yamanaka_.

—Eu não acredito que ela fez isso.- disse entredentes, levantou da cama num puli com os lençóis sendo arrastados consigo e caminhou para a sala a passos pesados e largos. Tinha certeza que dessa vez iria matar aquela oxigenada cabeça de vento.

Sakura havia se perguntado diversas vezes em que lixão havia encontrado a loira não identificada pelos médicos se tinha problemas mentais ou não. Sério. Quando era para irritar ela, conseguia valendo.

No pequeno cômodo que separa a sala dos quartos se digeriu a porta ao lado, passou por cima de uma privada partida ao meio e o resto em estilhaço jogado ao arredores, para sua sorte estava com uma pantufa para evitar machucar os pés. A rosada ignorou a privada bufando, bateu na porta com tanta força que a mesma acreditou que iria arrebentar e não se importaria se arrebentasse, o que ela queria era arrebentar a cara de uma certa loira que não deveria ter despertado seu dragão tão cedo.

—Abre essa PORTAAAAA!!!.- soltou um grito rasgado de tanta fúria que estava sentindo.- Vamos sua mocreia de meia boca abre essa porta. É melhor você não estar me evitando se não vai parar na rua você e esse gato!

Após tanta tentativa de abrir, Sakura encosta a cabeça na porta branca e solta um suspiro fundo. Ela havia tentado empurrar, chutar, bater com os ombros, xingar de todas as formas possíveis mas não sutil efeito. A porta era de madeira e ela sabia que não tinha força o suficiente para abrir daquele jeito. Não se incomodava em chamar atenção dos vizinhos, quem quiser vim que venham reclamar.

Se sentiu tão exausta que não ligava pra nada.

Você não pode se esconder por muito tempo.– pensou lançando um olhar mortal imaginando a loira na sua frente.

Decidiu voltar para o quarto. Iria falar com a loira depois mas antes não podia deixar o fato de ter um gato ali, ele iria destruir tudo, fazer cocô por todo apartamento, seria um caos. Não que ela não gostasse de animais, longe disso, adorava, porém o bichano traria problemas para si no futuro, daria um jeito nele pessoalmente.

Passou por cima da privada outra vez e começou sua busca pelo gato. Olhou pelo sofá revirado, procurou perto da sua tv Led de 42 polegadas com a tela totalmente danificada no chão, procurou na pequena prateleira _o que era pra ser_ agora só havia pedaços de vidro e concreto quebrado junto com os demais livros e pequenas decorações espalhadas na sala. E nada do gato.

Não encontrando a rosada bufou e se dirigiu para cozinha para ver se tinha sorte, porém parou no caminho ao reparar em um fato despercebido. Realmente seus parafusos não estavam no lugar. Fechou os olhos e fez uma pequena reza para que fosse só uma miragem, suspirou fundo e devagarinho virou-se para sala notando o estado em que via.

Além do caos diante de si, havia um grande escrombo no meio da sala e buraco enorme na parede que ia do teto ao chão formando um círculo lindo na sua sala, e a visão de vários prédios de sua cidade. Ainda em choque, imaginou que no meio da noite teria por engano um carro de demolição ter atingido seu prédio enquanto dormia mas... Porquê não acordou? E porque ninguém a acordou?

Aquilo não era só estranho, era bizarro.

Correu para o quarto da Ino sem tirar os olhos do grande buraco batendo repetidas vezes na porta.

—Ino.- suspirou.- Ino acorda, você precisa ver isso!- nenhum sinal da sua amiga, bateu mais forte.- Ino te juro que um buraco negro sugou uma parte da nossa parede, você tem que ver.

Nenhuma resposta, estranhou. Com uma notícia dessa sua amiga já teria saído do quarto. Olhou para os lados pensando em algo. A primeira coisa que lembrou foi seu celular no quarto.

Correu para o cômodo pegando o celular na escrivaninha e digitou o número da amiga ligando entretanto, para a sua surpresa deu fora de área. Aquilo nunca tinha acontecido. Olhou na tela, zero barrinha de sinal.

—Como assim?

Sem sinal? Pela môrde era Tokyo.

Digitou um número de emergência e ligou, aquilo só podia ser sacanagem. Fora de área.

Com vontade imensa de joga o aparelho na parede, se contentou em apenas aperta-lo.

—INOOOOOOOOO.

Gritou numa explosão de raiva. Sabendo que a outra não estava ou queria se fazer de morta decidiu que seria melhor sair.

Guardou o celular no bolso e atravessou a sala chegando no corredor do apartamento, viu que a situação não estava diferente. Andou mais um pouco encontrou um elevador aberto que mais parecia poço de ferro e cabo aço arrebentado. Pelo que podia ver, deve ter despertado até o último andar. Sakura soltou um riso de nervoso e optou para a escada de emergência.

Desceu pelos lances de escada desviando de mais escombros. Chegou no térreo e tudo estava em ruínas não sobrando uma alma viva ali. Olhou em volta fascinada pela cena destruída do ambiente, saiu pela "porta" onde não havia vidro nenhum o que antes tinha.

Cobriu com a mão seu rosto pelo sol forte da manhã, deveria ser umas dez horas mas por ter saindo de um ambiente fechado a luz lhe feria os olhos. Ao se acostumar, deu uma olhada na cidade o que mais uma vez a deixou sem ar. Se sentiu em algum cenário de filme do fim do mundo e ela era mais uma personagem.

Deu uma volta em torno de si só para confirmar o impossível que presencia, balançou a cabeça não acreditando.

—Mas onde é que eu estou?!

Disse colocando as mãos na cabeça de queixo caído.

De duas opções uma:

Ou o bairro que ela estava foi interditado para algum filme apocalíptico ou estaria no inferno e não sabia.

Notas finais
É meus amigos, Sakura entrou numa grande fria. Agora veremos como ela vai lidar com essa situação. Nos veremos na próximaaaa.