Vidas Valentes
5 Manhã Calma
Notas iniciais
A voz da mulher o deixava mais ansioso a cada voo que anunciava, o avião havia atrasado, Aiden já deveria ter chego, era isso que Heitor pensava. Já fazia 5 anos que eles não se viam, por isso estava apreensivo, ele também não sabia o que o seu pai acharia dos seus olhos que agora estavam azuis, e ficavam mais claros a cada dia que se passava, a voz quase mecânica anunciou que o avião de Aiden havia chegado, Heitor se levantou da cadeira à andar para o meio da multidão.
O garoto viu um homem ruivo acenando, era seu pai e ele parecia estar bem, seu cabelo estava maior, a intenção de Heitor era ir andando até seu pai, mas a ansiedade era tanta que acabou correndo, o ruivo abriu os braços para um abraço e foi exatamente o que aconteceu, os dois se abraçaram para matar as saudades que tinham.
-Saudades- Falou Heitor.
-Eu também. — Respondeu Aiden, ainda abraçado ao seu filho. — Mas infelizmente só poderei ficar um mês com você, terei que voltar para lá depois.
-Tudo bem pai – Falou, se separando do mais velho, o qual levou um susto quando viu a cor dos olhos do menino à sua frente.
-O que aconteceu com seus olhos? Eles eram pretos, não é? Não estou velho o suficiente para esquecer a cor deles!
-Longa história pai, é um pouco impactante...-Suspirou Heitor- Por isso irei te contar quando chegarmos em casa, agora você deve estar cansado, vamos comer primeiro, está bem?
O de olhos bege apenas concordou e começou a andar ao lado do de olhos azuis, há muito tempo eles não comiam juntos, então decidiram ir para o restaurante favorito deles, para comemorar a reunião do pai e do filho, mas mesmo assim, Aiden ainda se sentiu incomodado com a coloração dos olhos de seu filho.
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Aiden e Heitor chegaram ao apartamento e enquanto o mais novo levava as malas para o quarto o mais velho se jogou no sofá, “por que os olhos dele ficaram azuis?”. Pensou o ruivo, quando ouviu passos em direção à sala sentou corretamente, Heitor sentou-se ao lado de seu pai porém não olhava para ele, apreensivo, ele deu um suspiro e começou a explicar ao seu pai, sem ocultar nenhum detalhe, Aiden, por sua vez, ouviu tudo sem expressar nenhum sentimento.
-Entendi.- Disse assim que Heitor terminou de falar. — Parece que chegou a hora, irei pegar uma coisa, fique aí. — Se levantou.
Aiden andou até a cozinha e pegou uma escada pequena, voltou para sala e subiu na escada pequena, o ruivo empurrou o teto que se destacou, era um teto falso. Dentro havia um livro de capa dura marrom, era um livro velho, e ele tinha uma espécie de tranca em espiral.
— Esse é o livro que sua mãe usava, é sobre magia, tudo que você precisa saber está escrito aqui. – Disse Aiden com sua voz um pouco trêmula.
-Como foi que eu nunca percebi isso? –Reclamou Heitor frustrado
-Sua mãe, depois que decidiu ter você, achou nesse livro uma informação sobre dyrest como você.
-Você quer dizer que não tem relação com animal?
-Exatamente, as vezes eles não conseguem despertar por causa da falta de magia, então eu e ela vimos que talvez você acabaria sem magia, mas se caso o animal dentro de você acordasse, Merian escondeu este livro pra ser seu guia. – Terminou, entregando o livro para o menino.
Heitor pegou o livro com cuidado, com medo de deixa-lo cair, sua mãe havia deixado para ele, então não queria que acontecesse nada ao livro, ao seu guia. O de olhos azuis colocou a mão em cima da tranca, ouvindo um barulho em seguida, como cadeado se destrancando, quando percebeu, estava aberta. Vendo isso, o garoto abriu com cuidado, as páginas estavam velhas e amareladas, as letras escritas com tinta, a mão, os desenhos também. Em cada página havia uma definição sobre tudo, mas era a base.
-Merian uma vez me disse que magia não pode ser ensinada, pois ela é o reflexo da alma de cada usuário, o máximo que se pode ensinar é a base. – Explicou o ruivo.
Heitor fechou o livro, seus olhos estavam marejados. Ela pensou nele até mesmo antes dela morrer. “Obrigado, mãe”. Pensou, sentiu ser abraçado pelo mais alto, o qual o menor retribuiu, os dois necessitavam disso. Eles se separaram e sentaram corretamente, quando Aiden se pronunciou:
-Irei te ensinar a lutar enquanto estiver aqui...
-Não pai, você não está em condições disso. – Retrucou.
-Não retruque, eu sou o seu pai e você precisa lutar, nunca se sabe quando aquela criança e o “pedófilo” vão aparecer de novo!
-Mas pai, é melhor você descansar.
-Heitor, eu estou doente, não morrendo. Me trate como sempre tratou!
-Está bem... – O garoto abaixou o olhar, derrotado. Seu pai colocou a mão no ombro de Heitor.
-Eu estou preocupado com você, e não estarei aqui o tempo todo para te proteger, então vou te ensinar a se proteger. – Desabafou.
-Mas só se você prometer que não vai fazer as coisas que o médico te proibiu, como correr. – Falou Heitor.
-Tudo bem, eu prometo. – Mesmo não querendo. – Nós iremos começar amanhã, esteja preparado.
O menor concordou com a cabeça, em seguida abriu o livro novamente, ansioso para começar a ler, e seu pai curioso tentou ver, mas não se sentiu bem, deixando a cabeça pendente para o lado, então logo deitou no sofá, e acabou cochilando. Quando acordou, seu filho estava na cozinha, e pelo cheiro, estava cozinhando. Ele pegou seu celular e viu que eram 19 da noite, Heitor devia estar fazendo a janta.
-Você devia ter me acordado. – Reclamou o ruivo, já levantando do sofá.
-Você estava dormindo que nem uma pedra, então acabei fazendo a janta. – Ele fez uma pausa. – Já acabei, só falta colocar a mesa.
-Que colocar a mesa o quê! Vamos comer na sala.
Heitor acabou soltando um riso fraco, e Aiden ficou com um sorriso vitorioso quando viu seu filho com dois pratos e talheres nas mãos, indo para a sala e sentando no sofá. Havia arroz, feijão e bisteca. O mais velho não fez cerimônias e devorou o que havia no prato, murmurando algo como: “ Comida de hospital é muito ruim”. Ao termino da janta, Heitor levou a louça para a pia, e a lavou enquanto o ruivo fazia piadas dizendo que o de olhos azuis parecia uma menina fazendo tudo aquilo, deixando o mesmo irritado e constrangido. Depois Aiden foi para o quarto dormir, Heitor foi para a sala tentar dormir, estava com a cabeça cheia, não sabia se conseguiria dormir.
"Como ele conseguiu? " Heitor perguntou a si mesmo, o de olhos azuis estava parado em cima de um tatame apenas olhando para seu pai, o qual estava com uma pose de vitorioso e uma uma cara de deboche. Os dois estavam em uma academia de karatê, de um dos amigos de Aiden, agora como ele conseguiu pegar a academia emprestada por um dia inteiro? Esta era a questão que Heitor estava se fazendo desde que eles chegaram.
— Seguinte, filho — começou Aiden- por você ser um dyrest sua força física, sua velocidade e sua agilida aumentaram, porém o seu corpo não está preparado para isso, se você usar uma força sobrehumana com o corpo que tem, seu músculos vão atrofiar, por isso nos vamos fortalecer seu corpo. Mas vamos começar com calma, faça 50 flexões
— nossa que ir com calma legal hein...- Disse Heitor deitando no chão e se posicionando
A medida que o menino fazia as flexões, percebeu uma coisa: estava muito fácil fazê-las. " Deve ser por causa que sou meio dragão" pensou o menino, fazendo as flexões com a maior facilidade, bem, pelo menos com mais facilidade do que ele já tenha feito. Ao término das flexões, estava com os braços doloridos, e estava cansado
—Sua mãe já comentou comigo sobre isso — começou Aiden — sua força aumentou drasticamente, mas seu corpo não acompanhou, você vai ter que aprender a controlar sua força.
Heitor apenas concordou, os dois voltaram ao treinamento. Aiden passou uma série de exercícios e Heitor fez sem descanso
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Às sete horas da noite, os dois já haviam parado o treinamento e voltado para casa. Heitor estava deitado no sofá, cansado e com os braços e pernas doloridos, por causa de tanta força que foi colocado encima deles.
Aiden estava na cozinha fazendo algo para os dois comerem, ou seja, esquentando uma lasanha da sadia no microondas e pegando os pratos e talheres, quando ouviu o som do microondas retirou a lasanha, e repartiu na metade, colocando uma metade para cada e então levou para sala onde seu filho já estava se ajeitando no sofá para os dois sentarem.
—Aqui filho- disse Aiden, dando um remédio para Heitor- é para sua dor, você forçou muito seus músculos hoje, janta, toma o remédio e depois vai descansar.
— Por que será que eu fiquei com dor pai?- perguntou Heitor um tanto bravo
— Não sei, filho, por que será? — Respondeu Aiden, dando risada do rosto de indignado do filho
Os dois começaram a jantar e ligaram a tv, colocando no jornal, estava passando uma reportagem sobre estranhos buracos e túneis que apareceram do nada na região, não havia nenhum sinal do que poderia ter feito tais buracos.
— Estranho, né? — falou Heitor — O que você acha que pode ter causado isso?
— Olha de todas as probabilidades a mais possível é magia, mas se alguém falar que é, certeza que é internado — Respondeu Aiden, fazendo Heitor rir um pouco.
— Estou com um pressentimento muito ruim sobre isso, seja o que for.
O resto do jantar foi silencioso, apenas com o som da tv, quando terminaram apenas deixaram a louça na pia, iriam lavar amanhã, e foram para a cama, sofá no caso do Heitor. O menino demorou para dormir, estava com aquele pressentimento ruim, sabia que alguma coisa não estava certa, ficou pensando nisso, até que o sono bateu e ele finalmente conseguiu dormir
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"- É aqui, não é?- perguntou um garoto de cabelo loiro encaracolado e olhos vermelhos
— Sim é aqui mesmo- respondeu uma menina ruiva com olhos rosa e roxo.
— Eu não sinto nenhuma presença aqui, tem certeza?- comentou um garoto negro de olhos verde claro
— Mas é aqui — falou Heitor dando um passo a frente — Onde nós vamos descobrir tudo
Os quatro ali presentes começaram a andar em direção ao castelo a frente, o chão estava totalmente desrregular, havia pedras flutuando ao redor deles, e não havia céu, eles estavam em um lugar no nada, um de muitas quebras."
Heitor acordou calmo, porém com o mesmo pressentimento ruim da noite anterior. " Por que eles me parecem tão familiares? Quem são eles?" Pensou Heitor.
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