Os raios solares atravessam a brecha da cortina verde e rebatem suas luminosidades em meu rosto. Sou forçada a trocar de posição, rumo ao pé da cama para continuar a dormir, mas neste movimento o sono se dissipa.

O hábito matinal me transformou em um robô. Ando descalça até o banheiro e lá tomo um banho rápido e escovo os dentes. A vestimenta escolhida é um vestido amarelo com uma sapatilha confortável.

Enquanto como na velha cozinha, percorro os olhos no calendário. É difícil imaginar que há um tempo eu não passava de uma mera mendiga. A filha da rua que foi salva por uma parente distante.

O nome era Verônica e sua função foi me ajudar. Digo isto porque logo depois recebi uma carta dela, dizendo que partira para casa. Eu deveria estar grata pela ajuda, mas me sinto abandonada.

Valentina, este é o meu nome. O meu primeiro fio de memória é do hospital Sabedor, onde acordei há onze anos. Sem nome, sem passado, filha da noite estrelada. Ninguém me procurou, então tive que seguir sozinha mundo a fora.

A calçada da praça do Tempo era o meu dormitório. O céu era o meu teto, o papelão que cobria o corpo esquelético era o cobertor. Nem sempre comia, por isso todo alimento que ganhava era como ouro aos meus olhos.

E foi aí que Verônica apareceu. Me deu um lar e comida abundante. Mas o principal, proporcionou para que eu tivesse uma boa educação e não sofresse dali em diante. Assim, virei professora de português aos vinte e quatro anos.

Minha vida começou aos quinze, e sei que por mais que eu tenha todo o conforto desejado, o céu estrelado e o chão empoeirado me trazia mais felicidade do que hoje, com todos os meus pertences e sonhos amargos com o homem sem face.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.