Vida em outro mundo
6 Lar, não querido, lar. (Matheus.)
Notas iniciais
—Então você é quem meu filho e os amigos dele não param de falar? — Disse um cara com roupas negras e chamativas (mas, considerando que todos aparentam estar usando cosplay) com um volumoso cabelo vermelho e, como o Luke, tem um segundo par de orelhas no topo da cabeça. Será que todos esses outros pares funcionam? Por acaso ele falou amigos? Ele tem amigos?
Então o pai dele é um zoroark (eu acho). Mais uma coisa a adicionar a lista crescente de coisas assustadores que enfrentarei todos os dias. Um cara mais alto que eu (quase todos são mais altos do que eu) capaz de criar ilusões dos meus maiores medos. A minha vida realmente é perfeita.
—Por acaso ele é tímido? — Sinceramente, ele me amedronta mais que o filho dele. Não quero deixá-lo com raiva, logo posso aproveitar a máscara de timido, que é mais útil que minha face de medroso.
—Pai, você está deixando ele desconfortável. — O Luke disse evitando olhar para mim, o que é um alívio pois, obviamente, não seria eu quem o afastaria de mim.
—Oh. Desculpe-me. — Ele pareceu síncero será que... não.
Eu não posso me abrir agora que tenho a opção de fugir. Eu já teria, se não fosse pelo fato que estou em outro mundo repleto de criaturas capazes de me matar.
—Vamos logo. Sua mãe quer muito conhecer o seu novo... amigo. E antes que eu me esqueça, meu nome é Illu. — Foram os pais dele que escolheram o nome do Luke? Porque para escolher Illu para um pokemon capaz de criar ilusões é algo 'lindo'.
Quando eles entraram num carro prateado não vi outra opção além de também entrar.
Paramos depois de vinte minutos.
—Chegamos. Espero que goste daqui. — O, aparentemente gentil, pai do Luke disse com um sorriso. Por que a família com quem ficarei tinha que ter dentes/presas assustadores.
Era uma bela casa vermelha de dois andares. Jugando pelo exterior ela é melhor que a minha anterior.
Minha anterior...
Só agora percebi que essa seria a casa onde eu passária o resto da minha vida. Não acho que viverei o bastante para poder me mudar para outra casa.
O interior estava bem limpo. Olhando em volta encontro uma minccino limpando a casa. (Por acaso isso é preconceito?) Quando a minccino se virou, me percebeu e iniciou uma conversa.
—Você deve ser o garoto de quem os mestres...
—Luana, já disse para você parar de nos chamar de mestres. Isso faz você parecer uma escrava, o que é deprimente. — Disse Illu para a minccino de roupas cinzas, cabelos já grisalhos mesmo aparentando estar no meio dos vinte e cinco (cosplay) que, embora estivesse conversando, esteve varrendo usando a sua cauda. Depois de alguns segundos percebi. FINALMENTE UM NOME CRIATIVO NESSE MUNDO.
—Desculpe. Séria muito incomodo perguntar qual é a sua éspecie, nunca vi um pokemon parecido com você.
—N-Não precisa se preocupar. — Illu respondeu por mim. — Ele é ummmmm... — Ele não sabe o que responder, eu nunca falei para o Luke o que eu sou.
—Humano. — Respondi temendo a fragilidade de meu disfarce caso eu não falasse, mesmo que falar humano também seja.
—Nunca ouvi falar dessa éspecie antes.
—Ela é muito rara.
—Se é assim. Bem terminei aqui então vou para casa. Até amanhã.
—Até amanhã. — Com isso ela se despediu. Entre o Luke, o Illu e os médicos. Ela foi quem mais me deixou confortável. Ela não tinha nada que me deixasse com medo a primeira vista.
—Minha mãe deve estar fazendo as finanças no computador no andar de cima. Vamos logo para acabar com isso. — Nossa tinha até me esquecido que o Luke estava aqui.
Subi as escadas e vi uma mulher usando um computador.
—Mãe, nós chegamos. — Luke falou chamando a atenção da lucario fêmea.
Analisando a mãe dele, eu percebi que ela usava uma blusa azul com mangas amarelas, calças amarelas e botas pretas. Ela também tinha os três espinhos, uma cauda amarela e um cabelo loiro com quatro listras pretas (os sensores).
Ela era shiny.
—Nem tinha visto o tempo passar. Olá! Meu nome é Carla e você é? — Estou supreso, não imaginei a mãe do Luke pergunta de forma tão direta. Novamente, perdi minha esperança em nomes.
—M-Matheus, madame. — Disse meu nome intimidado pois embora ela possua a mesma altura que eu (Aleluia) ela ainda tem um grande poder. É só vê o Luke, é obvio que ele tem bons genes.
—Não tenha medo, vem cá me dá um abraço. — Sério isso, ela diz para mim não ter medo e ela quer me dá um abraço.
—NÃO!
...
...
...
...
...
Eu gritei com ela. Agora eu irei morrer.
—Desculpa, eu tinha esquecido de que você não é resistente o suficiente para poder resistir o meu espinho. — Foi nescessário eu quase morrer de medo para você se lembrar!
—Acho melhor eu te mostrar o seu quarto. — Fiquei um pouco feliz com o que Luke falou. Agora vou poder me trancar desse mundo.
—Aqui. Antes esse era o antigo quarto de minha irmã.
—Onde ela está?
—Num lugar melhor...
—Desculpa, eu...
—Ela se casou e se mudou para um bairro melhor. — Depois disso ele foi se juntar aos pais, possivelmente irão falar sobre o que farão comigo. Não há mais volta.
O quarto estava limpo, devem ter limpado pela minha chegada. Deixei a minha mochila no chão e continuei a analisar o quarto. Tinha uma cama não tão macia como a do hospital, mas acho que eu tinha entrado em um estado semi-vegetativo então não posso julgar a cama. Tambem tinha uma TV antiga. A porta... não tem tranca, ótimo, meus planos de me trancar do mundo falharam.
—Só pode estar de brincadeira. — Falei irritado devido ao mundo não estar ao meu favor.
Me deitei na cama, só para esperar o tempo passar. Olhei pela janela e observei o céu desse mundo pela primeira vez.
Pelo menos o céu desse mundo é o mesmo.
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