Notas iniciais
E aqui está o segundo capitulo prometido para hoje, espero que gostem :) Aqueles que conseguirem que desejarem conhecer outros projetos meus, existe um de fantasia atual assim como essa e outra mais medieval, links no final do post para os interessados ;)

X – Morgareth

Era a primeira vez que via meu senhor daquela forma. Desde o evento na torre ele estava cada vez mais agitado e nem sempre num bom sentido. Mesmo com todos os detalhes do plano estarem ocorrendo da maneira que queríamos algo o incomodava muito e temia perguntar o motivo.

Babalathe estava de volta e os elementos para o resto do ritual estavam mais do que pronto esperando só o dia correto para acontecer. Ainda assim ele acreditava que algo poderia dar errado. Que algum elemento estava para surgir e mudaria todo o ritmo do jogo que manipulou de maneira tão perfeita até agora.

Por algum momento pensei que fosse o retorno dos dragões, mas ele havia provado que o filhote de dragão vermelho não era um adversário para as ossadas de dragões que tínhamos e nosso senhor usufruía de seus poderes. Então o que poderia ser? O que o faria ficar de tal forma que estava matando seus servos por pura antipatia e quebrava diversos de seus corpos e até ossadas sem motivo aparente.

Aos poucos cada dia mais ossos eram depositados no salão principal. Chamávamos aquilo de salão, mas era apenas uma enorme caverna subterrânea capaz de caber diversas cidades pequenas lado-a-lado. Aquele local era não apenas o nosso refugio, mas aonde preparávamos nosso exercito. Cada um daqueles esqueletos reunidos ao longo de séculos se tornaria um bando de soldados sedentos por morte e sem conhecer coisas como medo e dor. Ali preparávamos o próximo passo da necromancia e a arma que culminaria na nossa vitória.

Tínhamos milhões de esqueletos já reunidos e cada dia mais chegavam das pilhagens que realizamos. O mundo agora só conhecia o valor das guerras e do extermínio e isso era ótimo para nós. Tínhamos conseguido milhares de ossadas de vampiros e centenas de lobisomens. Era bom demais para ser verdade.

E nosso senhor Zan continuava com medo.

Por um momento pensei em perguntar o que o atormentava e me aproximei então vi que alguém teve tal idéia assim como eu e antes que pudesse se aproximar o suficiente vi ele gritando de dor enquanto garras sombrias apertavam cada pedaço do corpo dele e o deterioravam como se fossem feitas de ácido. Mas não fiquei assustado. Eu precisava falar com ele.

A cada passo o medo que teimava em surgir se dissipava e algo que não sentia a anos se aflorou. Tinha coragem. Talvez pela preocupação com meu senhor. Não era realmente relevante o motivo. O importante era a minha obrigação em ajudá-lo com tudo que precisasse. Mas não podia fazer isso de maneira tão direta quanto os anteriores:

–Meu senhor – falei de maneira mais respeitosa possível e me aproximando o mais abaixado que pude e com a voz mais silenciosa possível, os olhos dele caíram sobre mim – Rá encurralou o demônio e sua equipe nas pirâmides. Ele não sairá de lá tão cedo.

–Ótimo, ao menos para alguma coisa ele serviu – brandiu meu senhor sentando em um trono de ossos que ele moldou apenas erguendo seu dedo.

–Mas em compensação Odin caiu. De alguma forma Oberon e seus aliados conseguiram pará-lo.

–Estaria surpreso se não tivesse sentido isso chegando junto com aquele enorme poder. Mais um dragão despertou a poucas horas, Morgareth. Aqueles que não se viam a milênios estavam voltando e já temos dois novos em poucos meses.

–Meu senhor, devemos agir agora?

–Logo. Não demoraremos mais aqui. Já estou com tudo pronta para enfrentar aquele deus maldito e obter o que é meu por direito – não sei quando ou como aquele ovo negro surgiu nas mãos esqueléticas de meu senhor Zan, mas ali estava ele – Aquele que deveria se alimentar do conhecimento oculto. O conhecimento sombrio escondido da luz da razão humana. Venho tentando isso a milênios e nada dele acordar. Estou cansado de tentar.

–Então o que fará?

–Se o filho não me obedece recorrei ao pai como sempre. Mas dessa vez não poderei mais me controlar. Mesmo no combate na torre eu me controlei. Não mais.

–O que queres dizer, mestre?

–O quero dizer, meu querido Morgareth, é que logo chegará o momento de me ser verdadeiramente útil.

–Senhor?

–Não irei mais usar esses corpos decrépitos. Não mais. E se não irei mais usá-los não há sequer um único motivo para mantê-lo sem seu devido poder, sua mente e seu Nome.

–Como assim, senhor?

–Ah sim, tudo que eu disse. Preciso de você com toda a sua força se quero acabar com esses novos dragões nascendo, seus donos e aquele maldito de Babalathe. Preciso de você, Morgareth. Ou deveria dizer Sofoifcro?

Minha cabeça latejou por um momento. Toda a minha existência tremeu ouvindo aquilo. Aquele na minha frente sorria enquanto eu só sabia gritar de fúria. Ele havia me enganado todo esse tempo. O Traidor. Aquele que matou meu antigo cavaleiro. Que afundou toda uma nação no meio do Atlântico. Que roubou meu filho de mim.

O ovo ali nas mãos de Zan. Não era dele. Não pertencia a ele. Meu filho não seria dele!

–Era isso que eu queria – aquele desgraçado apenas ria de mim, eu, um dragão-rei sendo zombado pela mais vil das criaturas! – Não posso mais usar seu poder aos poucos, não naquela antiga forma sua sem sequer consciência de quem era.

–Acha que eu vou te emprestar meu poder?!

–Eu não estou pedindo. Seu Nome é meu assim como seu poder. Assim como logo terei o corpo de Babalathe. Agora vamos meu adorado e rebelde servo. Vamos acabar com toda a Criação.

Notas finais
Comentários, elogios, críticas, ou melhorias, comentem :) Não há combustível melhor para mim como escritor do que seus feedbacks ;) http://fanfiction.com.br/historia/442101/A_busca_pela_Estrela_Gelada/ http://fanfiction.com.br/historia/593739/O_Exorcista/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.