Vida com Dragões
20 Vultos no Céu
Notas iniciais
Soluço havia conseguido atrair Harlock para si e os dragões e deixou o resto do comando de ataque com os outros líderes e seus amigos. Bartok estava tentando coordenar as frotas que tinham, mas era um só e suas ordens não chegavam com o barulho interminável que o caos da batalha estava gerando.
O mix de sons agradava e motivava os grupos de Soluço, Alvin, Mala, Dagur, Atali e Heather, enquanto acuava e desorientava o lado de Harlock e Bartok. Beserkers com seus gritos insanos de animação, dragões rugindo em frenesi, vikings entusiasmados em seu sucesso presente e navios de caçadores sendo destruídos aos montes, eram a sinfonia que Soluço esperava e deixava Harlock cada vez mais nervoso.
Era isso! Já chaga! Tudo foi longe demais! Harlock decidiu realmente ignorar o resto do que acontecia e se focar em uma única coisa: Soluço e os dragões. Eles eram os reais prêmios! A verdadeira vitória apenas estaria garantida quando matasse os dois maiores líderes! E era exatamente isso que pretendia.
No chão queimado do que antes foi a vila de Berk, Soluço e Harlock estavam frente a frente, enquanto os dragões ajudavam a limpar as forças de ataque por terra que permaneciam.
Soluço nunca foi o melhor em lutar diretamente com outra pessoa, mas ele já vinha treinando há anos contra Astrid – e se podia aguentar um treino sério de dez minutos com ela três vezes por semana, outros adversários ele deveria poder enfrentar também. Um pouco mais difícil, julgando pela raiva de Harlock e sua habilidade impressionante em manusear duas espadas ao mesmo tempo.
Soluço tinha sua espada de chamas e seu escudo versátil e revestido de Ferro de Gronkle e Harlock estava com suas três espadas, as quais Soluço precisava pensar em como tirar dele. Seria perigoso, mas tinha uma ideia para desarma-lo.
Em sua luta, Harlock conseguiu desarmar Soluço e arremessar sua espada para longe, o que o obrigou a sacar seu escudo. Harlock não sabia sobre as armadilhas do escudo ou que Soluço havia feito um segundo revestimento para ele com a mesma ideia do equipamento novo de Banguela. Uma camada extra de mistura de Âmbar de Canção da Morte com Ferro Gronkle.
Soluço ficou apenas se defendendo de Harlock até o momento certo, quando estavam perto da parede do Grande Salão. Um ataque duplo de Harlock foi a chance perfeita de Soluço juntar suas forças e bater as espadas entre a pedra e o escudo, quebrando-as no ponto mais próximo possível do punho.
Soluço estava com dor em seus ferimentos que foram muito forçados por sua participação no plano de ataque – tinha descansado bastante, sobre a persistência de Astrid e Valka, antes da luta, mas isso não significava que podia abusar da sorte (exatamente o que estava fazendo).
Temporariamente forçado a parar por conta da dor, aquele era um momento que ele não tinha para dispor; uma que Harlock aproveitou para usar sua terceira espada para ataca—lo. O que teria funcionado se Banguela não tivesse atirado contra ela e a quebrado e a Fúria da Noite branca tivesse vindo por trás e o acertado com sua cauda contra a parede de pedra.
— Obrigado amigão. – ele apoiou-se no dragão e acariciou sua cabeça – E a você também garota. – Soluço parou pensativo rapidamente – Eu ainda não te dei um nome certo? Precisamos escolher assim que tudo acabar.
A Fúria branca achou ter ouvido um gemido que pareceu ter passado despercebido a Soluço e Banguela. Ninguém pode prever o que aconteceria em seguida!
A dragão aproximou-se para pegar Harlock e foi agarrada por ele, sendo obrigada a alçar voo em direção a batalha que se seguia. Soluço e Banguela não tiveram tempo de reagir e concordavam que deveriam salva-la o quanto antes. Soluço nem foi pegar sua espada e seu escudo, subiu imediatamente em Banguela e foi atrás de Harlock.
Harlock estava conseguindo voar na dragão, por estar segurando suas orelhas para baixo e contra a curva do começo de seu pescoço. Assim ficava fácil para ele controlar a dragão e deixa-la dependente de sua orientação. Mesmo ela tentando tira-lo de suas costas, não conseguia.
Os dois dragões indo um atrás do outro e disparando tiros de plasma contra si, geraram uma perseguição veloz e difícil de se acompanhar. Os vikings, caçadores e dragões tentavam ver como estava a situação e tudo que conseguiam era ouvir os sons dos rugidos e tiros colidindo, enquanto vultos rápidos cortavam o céu da tarde.
Os dragões se perseguiam até Soluço ter uma ideia! Ousada e tão insana quanto algo que os gêmeos inventariam, mas algo que funcionaria.
Banguela voou para cima das nuvens e Harlock fez a dragão parar seu voo para tentar encontra-lo – um encontro que veio de cima! Usando seu traje de voo, Soluço caiu exatamente em cima de Harlock e quase o derrubou da dragão; ao menos ele havia solto suas orelhas. Soluço não conseguia recolher sua roupa de voo, Harlock ainda tinha uma adaga escondia e a dragão permanecia extremamente desorientada.
Seria preciso muito mais esforço para derruba-lo e precisaria ter cuidado para não cair também, pois Harlock havia danificado seu traje e seria uma queda livre de centenas de metros contra um mar de batalha cheio de destroços, navios, artilharias e dragões em frenesi.
Deveria decidir tudo o mais rápido possível e em único movimento, de preferência! Soluço decidiu usar algumas ideias de luta de Melequento a seu favor. Acertado um soco em cheio em Harlock, Soluço conseguiu abraça-lo e permitir que ambos deslizassem de cabeça para baixo no corpo da dragão. Ele se segurou com suas pernas o melhor que pode, mas não teria como segurar Harlock com ele – exatamente como pretendia.
Ao virarem ele soltou Harlock em direção a um navio que estava próximo; um movimento que foi seguido de Banguela atacando com fúria! Soluço esperava um tiro de plasma, mas viu ele atrair raios da tempestade do Estridente e direciona-los contra Harlock e os navios.
Um ataque poderoso e destrutivo muito bem dado! Soluço estava agarrado torto na Fúria da Noite e ambos viram que Banguela não era muito resistente a raios, pois estava caindo! Mesmo que seu equipamento de voo fosse revestido, ele por dentro não tinha a resistência do Estridente ou do Terror dos Mares para fazer isso.
— Você pode salva-lo, mas não comigo grudado no seu pescoço. – Soluço se soltou da dragão e começou a cair.
Ela atendeu se pedido e foi salvar Banguela. O dragão estava um pouco desorientado e liberando um pouco de eletricidade, mas tudo bem! Ela o levou para o piso da ilha e tentou procurar onde Soluço poderia estar. Sem sucesso, até ver um enorme dragões bege e vermelho de quatro asas com uma pessoa em cima que segurava Soluço contra si e vinha em sua direção.
— Você é inconsequente demais Soluço! – Valka estava um fera e ele ainda recuperava seu fôlego – Já não conversamos sobre você colocar essas ideias em prática!? Você já quase se matou a pouco tempo! Que coisa. – ele não tinha como argumentar com ela, pois era verdade.
— É verdade, mas eu sou assim mesmo. Não tem o que fazer. – ele afirmou o que ela também já sabia e reconhecia como verdade.
Os dois pousaram na praça de Berk com os dragões e foram seguidos da chegada de Melequento com Harlock – este bastante ferido e desacordado no momento. Tudo muito claro que era hora de acabar a luta de uma vez por todas.
Soluço sinalizou com as chamas de sua espada e pediu que Dente de Anzol se incendiasse para ajudar a chamar a atenção. Os outros líderes viram o sinal e seguiram em sua direção. Agora todos estavam juntos na praça!
— Faça as honras amigo. – ele falou com Banguela.
O rugido alto dele foi um aviso para que os dragões subissem em voo alto e se preparassem para atirar contra a frota de Harlock. Bartok estava perdido, sem saber o quefazer e sem achar seu líder. Quando o silêncio se instalou, a voz de Soluço se sobrepôs.
— Larguem as armas! Esta guerra acabou! – ele chamou a atenção e os caçadores viram que ele havia vencido Harlock e o mesmo se encontrava incapaz de dar ordens, enquanto eles sequer tinham rota de fuga.
— Se continuarem, não haverá mais alternativa onde voltem para sua ilha! – Mala ergueu sua voz.
— Desistam agora! – Alvin deu um passo a frente.
Que outra alternativa existia ali? Sem rota de fuga, sem comando possível, sem vitória e com uma força potente em sua frente; Bartok ordenou que se rendessem.
— Abaixem as armas! Já chega! -ele gritou sua ordem e, por mais que estivessem relutantes, fizeram o que ele mandou.
Bartok desceu no porto de Berk e subiu em direção aos líderes. Que agonia em passar entre as duas filas de dragões até alcançar Soluço e lhe entregar sua espada, como prova de rendição. Ele concordou em ficar preso com Harlock no Grande Salão e enfatizou sua ordem de que seus homens não deveriam reagir ou tentar alguma besteira.
O pôr do sol no horizonte acompanhava o fim de um confronto épico que a história jamais esqueceria.
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