Vida com Dragões

10 Unidos como um só – Parte 2


Notas iniciais
Aqui está a conclusão das emoções que prometi. Vamos ler com nossos corações preparados o/

Os dias seguintes, a reunião de Soluço no Grande Salão, foram extremamente difíceis.

Mala, Dagur, Heather, Atali e Alvin vieram para uma reunião de emergência com Soluço logo após receberem as cartas de aviso. Todos se certificaram de deixar seus povos em alerta e preparados para qualquer coisa.

Ao chegarem em Berk, repararam que os vikings estavam tensos e inquietos. Nos portos haviam vigias, mas pareciam aflitos enquanto tentavam manter o foco. Na praça central puderam ver alguns vikings acariciando seus dragões em tristeza e dúvida. Procurando Soluço, encontraram Astrid e Eret ministrando treinamentos de defesa contra equipamentos a prova de dragões para os poucos presentes na academia.

Algo deveria estar errado. Logo após uma declaração de guerra, um povo forte e bem preparado como o de Berk nunca deveria estar daquela forma. Era certeza que Soluço já havia dado todas as ordens pertinentes e estava já com algumas ideias e planos em mente. Então porque aquele clima de tensão prevalecia?

Uma resposta óbvia que ninguém queria admitir estar presente: outra batalha se ergueria por alguém visar seus dragões. Drago havia feito Banguela matar Stoico e invadira Berk para dominar seus dragões e assumir sua liderança e, agora, outro lunático, extremamente bem informado e perigoso, declarou guerra por querer caçar Banguela.

Claramente os nervos estavam difíceis de controlar e os pensamentos estavam confusos. Por mais que tudo fosse verdade, também era verdade que os dragões abriram caminho para uma vida melhor no arquipélago, conhecimentos, aventuras e lutaram por eles incontáveis vezes.

Apesar de precisarem entender aquela situação, encontrar Soluço era prioridade ainda. Seguindo para sua casa, eles o encontraram fazendo um pequeno curativo no braço.

— Bem, isso não é o que esperava encontrar. – parados na porta se encarando, o comentário veio de Alvin.

— Eu sei, Alvin. Foi um acidente de voo. – Soluço suspirou e o respondeu.

— Você em um acidente de voo!? – Heather não via sentido na resposta – E não acho que seja a isso que o Alvin se referiu. – ela cruzou os braços encarando o amigo.

— Se estavam falando sobre a tensão na ilha, eu já estou ciente disso. A situação está assim a cinco dias já. – ele suspirou, se sentou e viu seus amigos se ajeitarem na sala da casa.

— Eu devo admitir estar confusa sobre esta situação. – Atali decidiu começar – Você parece já ter dado ordens para uma organização prévia de seu povo; então porque nada parece bem? – era claro que sua dúvida era compartilhada pelos outros.

— Atali, no momento nada está bem. Eu passei os últimos dias ajudando a organizar tudo no arquipélago, verificando medicamentos, pontos de fuga, postos de vigia, estoque de medicamentos e tentando fazer o Banguela se acalmar. – ele respondeu a dúvida dos amigos e fez Dagur se levantar surpreso.

— Espere, irmão! Quer dizer que o B. causou este ‘acidente de voo’!? – Dagur precisava ter certeza e assustou os companheiros.

— Sim. Ele tem estado muito agitado desde aquele dia em que encontramos Harlock e voar com ele tem estado muito difícil. Inclusive ele parece estar ficando agressivo sem motivo aparente; como se seus instintos de ataque estivessem ligados o tempo todo. – a explicação de Soluço levou Mala a uma conclusão preocupante.

— Então nos últimos dias você não tem contato com a ajuda dele para monitorar o arquipélago, os vikings e os dragões. – ela tinha todas as atenções e prosseguiu – Sendo assim, e ainda tendo que controlar os momentos de agressividade de Banguela, não me surpreende que esteja tão cansado e ainda não possa ter voltado sua atenção para a tensão entre seu povo. – todos tinham que admitir que ela estava certa em suas palavras.

As palavras faltaram entre os líderes. A verdade exposta por Mala era incontestável: Soluço e Banguela dependiam muito um do outro. Ambos eram mais que simples amigos: eles eram inseparáveis! Fossem nas aventuras, perigos, descobertas, passeios, tristezas, alegrias, lutas e deveres de chefia.

— Então, como vão as preparações nas Ilhas de vocês? – por mais que Soluço ainda estivesse atordoado, não podia fraquejar agora que tudo estava por um fio e cabia a ele ser forte.

— Pelo que conversamos no caminho até aqui, todos nós já preparamos nossas forças e deixamos nossos povos em alerta. – Alvin foi quem respondeu.

— Entendo. Lembrem-se de ter muito cuidado com ele. Harlock possui excelentes fontes de informação e já pesquisou muito sobre nós. – ele parou enquanto seus amigos confirmavam seu aviso – E, se precisarem, podem usar o Domínio do Dragão como ponto de escape e abrigo.

— Isso será de grande ajuda! – Atali suspirou aliviada – Temos muitos filhotes na ilha agora e fêmeas prestes a fazer seus ninhos. Se formos atacadas, com eles assim, será um desastre.

— Atali está certa. – Heather concordava – Será melhor evitarmos ao máximo as baixas e distrações nessa batalha.

— E, com todos em um único local, não precisaremos separar nossas forças de evacuação. Podemos deixar todos juntos e nos certificar que haverá mais proteção em casos de ataque. – Mala completou o raciocínio das companheiras.

Antes que pudessem continuar sua conversa – agora, referente a sua busca de informações sobre Harlock – uma comoção chamou a atenção do lado de fora. Eram rugidos de dragões misturados a gritos de vikings. Enquanto corriam para verificar, na cabeça de Soluço passou novamente aquele pensamento que o vinha atormentando “O que está acontecendo com você amigão?”; pois era Banguela que evitava que acontecessem brigas com os dragões.

Correndo para a praça central, de onde os sons vinham, os líderes encontraram as pessoas afastadas de Banguela e dos outros dragões.

— Grito, fique calmo! O que aconteceu? – Alvin foi diretamente para seu dragão.

— Tesoura de Vento, pare! – Heather fez o mesmo tentando acalmar seu dragão.

— Scorpion, recolha as caudas! – Dagur correu até seu dragão, deixando Mala o mais longe possível de sua agitação.

— Atali, é melhor ficarmos aqui. – Mala reparou que a amiga pretendia tentar ajudar de alguma forma, mas as duas não seriam o suficiente. Todos os dragões estavam agitados.

Soluço prestava atenção naquela situação desesperadora de caótica. Era agora ou nunca! Se deixasse aquilo passar, se não fizesse nada e se perdesse seu foco, no final, tudo estaria perdido de verdade!

— Parem!!! – Soluço assobiou e fez sua voz se sobressair a comoção – Todos devem se acalmar imediatamente! – ele colocou uma das mãos sobre a cabeça de Banguela.

Como se todos os dragões entendessem seu comando, como se fosse um dragão alfa, e junto dos vikings de Berk, tudo e todos pararam. Os dragões se acalmaram sem demora, os líderes prestaram atenção surpresos aquela calmaria súbita e seu povo virou-se para ele – todos se acumulando na praça central, ficando em cima de telhados, observando da janela de casa ou ficando apoiados, com seus dragões, contra as rochas em volta.

Soluço subiu alguns degraus da escadaria do Grande Salão, Banguela ficou na praça enquanto uma das mãos de Soluço ainda estava em sua cabeça. Em sua atual posição, agora era o grande momento! Tudo ou nada, em um segundo que faria toda diferença do mundo ou seria um desperdício e o prelúdio de um terrível fim.

— Eu sei que não estão satisfeitos com a atual situação. Está não será nossa primeira batalha por termos os dragões ao nosso lado e, talvez, nem venha a ser a última. – o silêncio permitia que as palavras de Soluço fossem ouvidas com clareza – No passado nós enfrentamos os dragões com todas nossas forças, mas tudo isso mudou. Hoje nós convivemos com eles! Eles não são simplesmente nossos ‘animais’ ou criaturas com as quais dividimos nossa ilha. Todos somos parte do mesmo povo! – seu povo, surpreso e comovido, continuava a lhe dar sua atenção – Eles lutaram por nós e nós lutamos por eles! Nós cuidamos e tratamos deles e eles nos ajudaram a cuidar de nossas famílias! Nós dividimos nossas casas e comida! Mas, acima de tudo, nós dividimos nossas vidas e nossos sentimentos.

Com a comoção de sentimentos por suas palavras, Soluço prestou sua atenção em Astrid. Lá estava ela, sorrindo e emocionada com o viking que amava. Muito da força de Soluço vinha da força que ela lhe deu através de seu relacionamento, assim como muito da mentalidade atual dela vinha dele!

Movendo seus lábios com clareza, ela deu a deixa para que Soluço mantivesse suas forças: “Continue! Não pare!”. Sorrindo entre si, ambos sempre retribuíram o apoio que tinham um pelo outro em sua relação.

— Somos um povo e uma família! Iremos continuar unidos como um só até o fim! – ele via que suas palavras haviam alcançado seus povo e aliados – Quem está comigo? – uma pergunta que dispensava respostas e, ainda assim, as recebeu.

Gritos de entusiasmo e os rugidos dos dragões eram um claro sinal de que ele havia conseguido. Os líderes que o visitavam olhavam com admiração e orgulho o sucesso de seu grande amigo.

Agora, invertendo seus papéis, Astrid repousava sua atenção em Soluço e recebeu suas palavras da mesma forma: “Obrigado, my lady.”

Notas finais
Aqui está! Sentiram toda essa motivação? essa força? Espero que sim porque vocês vão precisar delas para o capitulo seguinte ;)