Vida com Dragões
3 O Maior dos Prêmios
Notas iniciais
Longe do arquipélago, passando encostas, oceanos e tempestades, havia uma grande ilha completada por extensas florestas, um vulcão inativo, portos cheios de navios de carga e batalha e uma vila grande e muito bem estruturada.
A vila contava com seus habitantes (todos muito bem armados e sempre prontos para uma luta), as várias moradias eram enfeitadas com restos de dragões empalhados (asas e caudas eram as preferidas na decoração) e bem ao fundo do vilarejo estava a maior residência da ilha: a casa do líder daquele povo.
A casa era muito grande, possuía colunas de madeira e paredes de pedra, o quarto e a sala eram amplos e com poucos pertences a vista e, seguindo para um pequeno cômodo separado, havia uma escrivaninha a frente de uma grande estante repleta de livros, mapas e arquivos.
Nesta residência, saindo pelos fundos, havia uma ala de troféus! E não eram apenas as asas ou caudas a preferência, eram as cabeças! Zíper Arrepiante, Nadder Mortal, Pesadelo Monstruoso, Gronkle, Tambor Trovão, Morte Murmurante, Estridente... Haviam todos os tipos de dragão naquela sala. Mas uma área de troféus era especial!
Indo mais ao fundo daquela área, em um ambiente separado e muito bem cuidado, estavam os maiores tesouros da coleção! Fúrias da Noite! Centenas de peças dos dragões mortos, escamas e peles estendidas em cores que variavam entre preto, cinza, branco e prata.
Nesta casa, vivia um homem alto, musculoso, moreno, cabelos e barba pretos, olhos esverdeados, roupas feitas de couro de dragão (mais especificamente, Fúria da Noite), botas e carregava três espadas consigo (uma na cintura e duas nas costas). Este era Harlock! Ele era o líder da Ilha dos Caçadores.
Um entusiasta da adrenalina da caça aos dragões e do valor de venda das criaturas, ele liderava uma ilha inteira de pessoas que partilhavam sua paixão (mesmo que não fosse apenas pela caça aos dragões). Frio e sempre pronto para enfrentar uma caçada, sua personalidade era severa e cruel. Não admitia traição, covardia ou insubordinação!
Nada era relevado, nem mesmo vindo de seu dragão. A muito tempo ele havia trocado uma valiosa informação com outro caçador que se dizia capaz de controlar os dragões: Drago Sangue Bravo! Drago lhe presenteou um feroz e completamente submisso dragão em troca de informações sobre o paradeiro de uma Besta Implacável.
O dragão presenteado era, pelo menos, do triplo do tamanho de um dragão comum daquela espécie. Os dragões Fornalha possuíam cristas grandes e onduladas, patas curtas e fortes, escamas dorsais arredondadas, caudas médias com espinhos nas pontas, asas grandes, um corpo robusto de comprimento médio e variavam nas mais incríveis combinações de cores. Para um dragão que deveria ser do tamanho de um Nader Mortal, o de Harlock chegava a ser maior que um Pesadelo Monstruoso!
O dragão não tinha um nome, era desenhado em vermelho e laranja e tinha olhos dourados. Sua majestade contrastava com as marcas características de como foi severa sua doma. Harlock o deixava preso em um estábulo e apenas soltava durante as caças.
Naquele dia o dragão não fazia sequer um mínimo som! Harlock havia perdido uma grande presa e já planejava como faria para caçar um novo dragão! Na sala dos Fúrias da Noite, ele expandia seus pensamentos em voz alta.
— Eu perdi você! Que tristeza. Você teria sido uma perfeita adição a minha coleção. – ele acariciava uma grande presa cinza que tinha uma corrente anexada – Mas, graças a seu antigo mestre, eu finalmente vou poder caçar um velho conhecido meu. Isso será muito divertido! – a risada cruel ecoava enquanto Harlock encarava o espaço reservado para outro Fúria da Noite na parede.
Saindo de sua residência e indo para uma grande plataforma de pedras, Harlock acendeu a palha como um sinal de batalha – seu sorriso ia de um lado para o outro enquanto os gritos de entusiasmo de seu povo ecoavam por sua ilha. Todos já saiam de suas casas e seguiam para o salão de reuniões que ficava a poucos metros da casa de Harlock.
— Hoje nós nos prepararemos para uma inédita caçada! – ele tinha total atenção de seu povo, que já imaginava como seria emocionante a nova caçada – Eu descobri a existência do último grande prêmio! Nós iremos a caça de um Fúria da Noite! – entre gritos de entusiasmo e emoção, os caçadores já se preparavam para agir e queriam saber quando iriam começar.
— Senhor, quantos navios devo preparar? – ao lado de Harlock estava seu fiel braço direito: Bartok. Ele aparentava ser bem jovem, era grande em seus muitos músculos, cabelos marrons, pele clara e olhos castanhos.
— No momento apenas deixe toda frota de prontidão. Quero reunir informações primeiro. – Harlock percebeu a surpresa de Bartok com sua ordem e, por ser o único na ilha que tinha este direito, questionou seu líder.
— Harlock, não iremos atacar imediatamente? – a dúvida de Bartok era compartilhada pela tribo que aguardava uma resposta.
— O Fúria da Noite que vamos caçar está bem protegido e ainda preciso de mais informações sobre onde ele está vivendo agora. – isto foi tudo que disse e seu povo aceitou (exceto Bartok que sabia que ali tinha mais alguma coisa) – Vão e preparem-se! Muito em breve iremos a caçada que entrará para história! – na euforia, seu povo se dispersou e foi cumprir suas palavras.
Agora sozinhos, Bartok decidiu questionar o que seu líder não estava contando para todos. A explicação de Harlock fez seu coração acelerar e as palavras faltarem
{Explicação ON}
Harlock havia sido avisado que, em uma ilha distante, seu velho contato o aguardava para conversar. Indo para ilha em seu dragão, Harlock viu uma Espécie Alfa recostada em uma rocha abandonada – o dragão parecia exausto.
Indo pela areia, ele avistou Drago também recostado contra uma pedra. Ele estava com ferimentos bem graves de um ataque de dragão e não parecia que aguentaria muito mais tempo.
— Quem foi o inimigo que conseguiu fazer isso com você, Drago? – para alguém que tinha um exército de dragões sobre seu comando, Harlock nunca esperou ver tal cena.
— Esse dragão tentou ir para Vanaheim (terra sagrada onde os dragões vão no final de suas vidas – apareceu na série) comigo e eu fui atacado pelas sentinelas da ilha. Depois eu ainda enfrentei um dragão Ceifeiro Submarino (Submarine Ripper – dragão das profundezas que cria redemoinhos; apareceu na série) e esse lagarto depois ainda entrou em um ninho de Terror dos Mares (dragão que solta choques e vive nas profundezas – série). – Drago tentava expressar sua fúria mais seu ferimento não deixava que fosse muito longe – O que me diz de uma informação em troca de um favor? – a expressão fria de Drago dizia tudo para Harlock.
— Algo me diz que vou gostar disso! – ele ria com o que poderia ganhar – Muito bem. Pode falar!
— Eu sei onde está o Fúria da Noite que você não caçou! – as palavras de Drago fizeram um enorme sorriso de satisfação surgir no rosto de Harlock – Ele está com o líder da ilha de Berk, Soluço Haddock. – Drago precisou parar para se controlar! Ainda sentia muito ódio de Soluço.
— Interessante! Muito interessante! – Harlock ria descontrolado já se imaginando caçando o dragão e fez uma pequena pausa para analisar como Drago se sentia em relação a Soluço – Eu diria que você e este tal de Soluço tiveram uma grande briga e ele te derrotou! – novamente ele ria! Agora nada mais importava na verdade, tudo que queria era seu prêmio.
— Miserável, preste atenção! – Harlock via o ódio nos olhos de Drago – Há dois anos eu enfrentei Soluço e o dragão para poder controlar os dragões que ele tinha domado e que o outro Alfa controlava. Mas no final ele e o dragão me pegaram. Se pudesse voltar atrás, teria eu mesmo matado aquele dragão sem pensar duas vezes. – ele quebrou uma pedra ao seu lado enquanto se retorcia de raiva – O Fúria da Noite dele é um dragão alfa! E o Soluço doma dragões de todas as espécies. Todos os vikings em Berk tem dragões e todos os dragões que o Alfa que matei controlava vivem lá. – novamente ele precisava parar para pegar ar.
— Um Fúria da Noite Alfa!? – Harlock parecia surpreso e curioso ao mesmo tempo – Esse dragão não deixa de me surpreender. Agora quero ainda mais caçá-lo. Eu já ouvi o nome desse viking. Ele é bem famoso por conseguir domar dragões e fazer pessoas conviverem em paz com eles, mas ninguém falou sobre um Fúria da Noite.
— Pode acreditar! Não subestime aqueles dois e nem os outros vikings da ilha! Todos os dragões deles são treinados e vão lutar por eles e o Alfa. – Drago se certificou de advertir Harlock.
— E o que devo fazer para você? Essa informação não foi gratuita. – ele já esperava para descobrir.
— Acabe com ele! Acabe com todos se quiser! Eu não ligo! Desde que o garoto tenha seu fim, o resto não importa. – Drago podia estar fatalmente ferido, mas ainda conseguia fazer a expressão mais sombria e cruel que Harlock apenas lembrava de ver quando olhava seu reflexo no espelho.
— Vai ser um prazer imensurável! Parece até pouco pela informação tão preciosa que me deu. – Harlock fez uma pausa para olhar o Alfa que continuava com eles – Posso caçar ele? – a pergunta soava como uma criança ansiosa para pegar seus brinquedos.
— Faça como quiser. Esse dragão merece bem pior por me fazer isso tudo. – Drago definitivamente não se importava com o que Harlock fosse fazer ao Alfa.
Sempre pronto para uma caçada, Harlock já sacava sua besta e começava a atacar o dragão. Mesmo exausto, um dragão da Espécie Alfa nunca deixaria de ser um excelente desafio. E foi! Harlock o caçou pelo oceano até outra ilha e continuou a cerca-lo, até o dragão decidir revidar. Atacando com tudo que lhe restava, o dragão foi de encontro ao Fornalha e conseguiu tempo para escapar – mesmo que isso tivesse lhe custado sua última presa.
Agora sim Harlock estava furioso! Sua caçada nem havia atingido seu auge e agora a presa tinha fugido para o fundo do oceano. Nunca que ele acharia um dragão no fundo do oceano (mesmo que seu dragão fosse feroz e ele amasse caçar, não podia se arriscar, em um território que não era próprio seu, contra um dragão que podia controlar outros).
Voltando para a outra ilha, ele reparou que Drago já havia sucumbido a seus ferimentos. Sendo grato pela boa parceria que tiveram, ele lhe deu um funeral ali mesmo.
{Explicação OFF}
Tendo compreendido o que preocupava Harlock, Bartok saiu para cumprir suas ordens e aguardar o dia em que iriam à caça não apenas do último Fúria da Noite, mas também de todos os dragões de Berk e seus treinadores.
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