Vida Roubada

40 Capítulo 36


Notas iniciais
Big cap para terminar a fic...

Espero que gostem...

*-*

Karen estava paralisada, tensa, era como se estivesse vivendo aquele desespero com eles, era como se fizesse parte daquele terrível momento.

- Ela morreu? Foi isso? – perguntou estalando os dedos.

Ele sorriu em resposta.

- Você gosta de corridas de formula-1? – Karen olhou para o seu paciente confusa, o que diabo isso tinha haver? – Há alguns anos teve um piloto que fez história... Um brasileiro... Ayrton Senna... E certa vez ele falou algo que é simplesmente a verdade sobre a morte... “O dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a cinquenta anos. A única coisa certa é que ela vai chegar!”

Karen engoliu em seco.

- E chegou para “Isabella”? – perguntou nervosa.

- Chegou quando tinha que chegar... – disse quando sua mente voltava para aquele dia aterrorizante.

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Estava paralisado, com medo... Morrendo de medo, simplesmente não sabia como tinha conseguido trazer Isabella para o hospital, sua mente estava um turbilhão, tudo o que conseguia lembrar-se era que havia ligado para Rose e que ela chegou alguns minutos mais tarde, ajudando-o a levar sua mulher e seu filho ao hospital. Percebendo que aquele era o ultimo lugar que poderia ficar uma criança, Rose acabou deixando-o sozinho no hospital e levando Rebecca até Ângela.

Estava tão fora de si que não sabia ao certo quanto tempo havia passado, só percebeu que estava há longos minutos sem noticias quando viu seu irmão, sua sogra com Ben, Rose e Emmett andando apressado em direção a ele, que dava passos de um lado a outro no corredor.

- Edward... A minha menina... Por favor, me diz que ela esta bem... – disse Ângela com lágrimas caindo por sua face.

- Ela... Eu não sei Ângela... Sinceramente não sei como tudo isso aconteceu... Eu... – suspirou tentando controlar o nó que se intensificava cada vez mais em sua garganta.

- Ai meu Deus... Isso não pode estar acontecendo, pais jamais devem perder seus filhos... Jamais... – murmurou Ângela levando as mãos até sua face.

Carinhosamente Rose abraçou sua mãe.

- Tudo vai ficar bem mamãe, acredite! – sussurrou Rose.

- Eu não posso perdê-la Rose, não agora que as coisas estão se encaixando... Já seria injusto perdê-la antes, mas agora que ela me aceitou como mãe, agora que ela esta feliz... É tão errado...

Edward escutou as palavras de Ângela e simplesmente quis sumir, fugiu para longe e acabou encontrando uma capela, onde a imagem de Jesus sendo crucificado estava bem amostra ao centro da parede principal. Havia velas por todo o lugar e sem entender como, simplesmente caminhou até a imagem de Cristo e se ajoelhou.

Ahh...

Fazia tanto tempo que não fazia algo assim, por anos não entrava em uma igreja e se ajoelhava, nem mesmo para agradecer pelo tanto que havia conquistado, mas agora lá estava ele, ajoelhado e implorando pela misericórdia divina, tentando se lembrar de como rezar para que Deus, de algum modo que ele pudesse lhe escutar e não lhe tirar a mulher que amava e o filho que havia acabado de ganhar... Ele e Rebecca precisavam dos dois, vivos e bem...

- Edward... – sentiu a mão de seu irmão apertando levemente seu ombro antes que ele tivesse dito uma só palavra.

- Pensei que talvez você fosse ficar com Rebecca... – sussurrou Edward com a voz falhando.

- Rose tentou esconder de mim e de Ângela o que estava acontecendo... – Edward lembrou-se vagamente que ela havia lhe dito que tentaria não dizer nada a ninguém, para não assustá-los, inventaria qualquer desculpa para que ficassem com Rebecca. Pelo jeito ela não conseguiu. -... Mas foi impossível para ela, afinal, Isabella é sua irmã... E...

- Era de se esperar... Rose esta desesperada também... Foi muito sangue... Isabella perdeu muito sangue, esta tão pálida... – disse Edward cortando o que seu irmão estava dizendo e deixando as ultimas palavras ir morrendo aos poucos.

Jasper se ajoelhou ao lado de seu irmão e segurou sua mão mais próxima.

- Eu amo Isabella, ela é minha irmãzinha que nunca tivemos e é duro não saber que ela esta 100% bem... Assim como é difícil para eu ver seu sofrimento... – Edward olhou para o seu irmão e nem ao menos se preocupou em esconder o quanto estava sendo difícil para ele também.

- Jasper... Eu sei de seus sentimentos por Isabella... Já entendi e... Sei que se sente triste por mim, sei por que se fosse o contrario eu também ficaria triste por você...

- Eu sei disso.

Os dois irmãos sorriram tristes um para o outro.

- Rebecca...? – perguntou Edward.

- Alice ficou com ela... – Edward assentiu e então Jasper apertou a mão de seu irmão – O que me diz de orarmos juntos?

Edward mordeu os lábios e olhou para cima, respirou fundo e então confessou sua fraqueza ao seu irmão.

- Não sei por onde começar... Faz tanto tempo...

- Então acho que podemos nos ajudar... – Edward arqueou a sobrancelha assustando com a certeza na voz de seu irmão, de repente ele parecia o irmão mais velho, aquele que havia nascido para proteger e amar o mais novo. – Eu meio que voltei as graças de Deus faz pouco tempo, e ainda estou reaprendendo... Mas se tem uma coisa de que não me esqueço, é dos ensinamentos de nossa mãe... Lembra o que ela sempre nos falava: Deus sempre escuta quando falamos com o coração, com a verdade. Acho que poderíamos começar por ai...

Realmente foi uma bela lembrança, uma lembrança que acabou por acalentar o coração de ambos, que amenizou um pouco o desespero que eles estavam vivendo. Simplesmente fecharam os olhos, pensaram em tudo o que haviam vivido e no quanto Isabella era importante, assim como no quanto aquele novo ser era especial e entraram em contato com a fé interior que tinham, que haviam esquecido.

- Edward!

O tempo passou e com ele Emmett veio ao encontro deles, buscando por eles. Com o coração acelerado, Edward virou-se e o encarou.

- O que foi...? – perguntou tremulo, mas logo sentiu o braço do seu irmão passando por seus ombros, dando apoio.

- O médico trouxe noticias do bebê... – disse Emmett.

Os dois irmãos se olharam e então Jasper assentiu para o irmão.

- Vamos?

- Eu... Eu estou com medo... – confessou.

- Eu também, mas estamos juntos nisso... Não importa o que aconteça, estamos juntos nisso... E isso deve servir para alguma coisa!

Emmett sorriu ao ver a cumplicidade e carinho de um com o outro, e juntos os três voltaram ao corredor do desespero e se surpreenderam ao ver Carlisle ao lado de Rose e Ângela.

- Pai! – os dois disseram juntos.

- O que o senhor esta fazendo aqui... Pai eu não...

- Por favor, não continue Edward, você é meu filho, nem precisava vê-lo para saber que esta sofrendo, eu sinto quando algo não esta bem com algum de meus filhos... – aproximou-se de Edward e emoldurou a face de seu filho – Eu estou bem, quem não esta bem é você, eu senti isso, por isso liguei para sua casa e não consegui falar com ninguém o que acabou me deixando mais desesperado... Então liguei para a casa de Jasper e Alice apesar de ter tentado me enrolar acabou me contando que Isabella e meu mais novo neto estavam no hospital. Meu filho, não poderia fingir que não sinto seu desespero, não poderia fingir que não estou preocupado com minha nora, não poderia fingir que não ganhei mais um neto... Eu simplesmente não poderia deixar minha família de lado sabendo que vocês precisam de mim, não seria eu.

- Não... Não seria... E por mais que quisesse preservar você disso tudo, fico feliz que esteja aqui! – confessou Edward antes de abraçar seu pai.

Foi somente alguns segundos, mas ter o consolo de seu pai foi tudo o que ele precisou para recarregar as baterias e ter forças para encarar tudo o que viria. O medico que havia atendido sua esposa tinha acabado de chegar e se juntou ao medico que estava cuidando de seu filho. Tremendo, aproximou-se e então recebeu o diagnostico.

- O menino esta bem... Acredito que ele tenha chegado quase ao final de uma gravidez normalmente, mas é muito difícil de dizer exatamente quanto tempo ele tem, é pequeno tem 2, 560 kg e mede 42 cm. É saudável e está faminto, conseguimos leite com uma das mães da maternidade, vai ficar bem. – disse o jovem e moreno medico.

Edward suspirou aliviado, fechou os olhos e agradeceu a Deus silenciosamente, antes de o medico mais velho, de cabelos grisalhos e barba começasse a falar.

- A Sra. Cullen sofreu de complicações, pelo que vi ao examiná-la ela sofreu um aborto, mas não chegou a afetar o desenvolvimento da outra criança, entretanto durante toda a gravidez ela sofreu com o deslocamento de placenta, talvez por isso tenha acreditado que não estava mais gravida, afinal, vinha sofrendo de sangramentos. Porém o real problema foi durante o parto, além de ter cortado o cordão umbilical de forma errada, Isabella sofreu com problemas de contração uterina... Seu útero não queria se contrair como normalmente ocorre após um parto... Não se tem explicações do porque isso ocorre, talvez o fato dela ter feito uma cesariana antes, tenha facilitado... Mas de fato não sabemos...

Edward piscou confuso e angustiado.

- O que isso quer dizer exatamente...? – perguntou.

- Isso quer dizer que ela perdeu muito sangue e por pouco, por um fio bem fino... Conseguimos reverter à hemorragia, massageando o útero e fazendo com que ele se contraísse, um verdadeiro milagre... Isso quer dizer que também conseguimos salvar o órgão.

- Então ela esta bem? – perguntou Jasper ao lado de seu irmão.

O medico suspirou.

- Não exatamente...

- Doutor, por favor, não esconda nada! – pediu Ângela chorando.

- Não temos tempo para isso. Conseguimos reverter à hemorragia, mas ela perdeu muito sangue, esta fraca, precisa urgentemente de sangue e... Bem, Isabella possui um tipo de sangue raro o que dificulta as coisas... Precisamos urgentemente encontrar sangue O negativo.

Edward suspirou preocupado, onde ele encontraria alguém com o mesmo sangue, ele, seu irmão e seu pai eram B, sabia que Rose era O, mas o RH era positivo o que a desqualificava para a doação, assim como Ângela. Olhou para Emmett, mas pela cara dele percebeu que ele também não era compatível. Estava começando a pensar em ligar para todos de sua lista telefônica quando algo inesperado aconteceu.

- Sou compatível! – Ben disse, deixando a todos paralisados. – Meu sangue é O negativo, não tenho doença alguma e posso doar para Isabella.

- Ben! – o espanto na voz de Ângela realçava bem o que todos sentiam. Na verdade ela nem ao menos se lembrava desse detalhe, da semelhança sanguínea dos dois mesmo Ben não sendo o pai de Isabella.

- Eu amo você Ângela, amo demais... Sei que você não sente o mesmo por mim, mas deve sentir alguma coisa, ao menos um carinho, afinal, ainda esta comigo mesmo depois de tudo que fiz... Mas o que realmente importa é que te amo e que sempre farei tudo para evitar que sofra... E isso significa dar minha vida em troca da de Isabella... Então, o que seria doar um pouco de sangue? Acho que quase nada!

Ângela balançou sua cabeça algumas vezes e então se aproximou.

- Não diga isso... Eu também te amo... Não é aquele amor adolescente que sonhei e que por muito tempo achei ser o certo... Aquele dos contos de fadas sabe?... Mas é amor e é real... E é ainda mais real agora, depois desse ato lindo... – disse se aproximando e dando um beijo nos lábios de seu marido, percebendo o que nunca chegou a notar, finalmente depois de anos ela acabou entendendo o quanto ele era especial e que havia ficado ao lado dele por todos esses anos porque o amava, não porque era o certo.

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Karen sorriu.

- Ela não morreu! – disse sussurrante. – Ele a salvou, logo ele...

- Logo ele... – disse o velho homem com o olhar distante. Karen o observou silenciosamente por alguns instantes.

- Mas ela morreu em algum dia, depois, não?

O velho olhou para sua enfermeira e sorriu.

- Porque da pergunta? – a questionou.

- Porque se a mulher da sua vida ainda estivesse viva, duvido muito que você estivesse aqui! – disse Karen.

- O que disse? – retrucou de forma divertida.

- Qual é? Acha mesmo que já não saquei quem é você na historia? Antony, você pode ter mudado seu nome para não me fazer descobrir que você é o Edward, embora eu não entenda o porquê, mas depois que você defendeu o “Emmett” quando ele levou seu irmão para o seu casamento com “Isabella” citando Carlos Drummond de Andrade sobre a cegueira do amor... Ficou claro para mim que só poderia ser você, até porque “Emmett” jamais conheceria “Isabella” como você, ele jamais falaria dela como o brilho nos olhos e admiração apaixonante como você falou dela durante toda a história.

- Poderia ser Jasper... – argumentou.

- Não, não poderia, não conheço seu irmão pessoalmente, mas pelo que você me contou sobre ele, acho que não é do estilo dele demonstrar tanta sensibilidade com as palavras... Embora ele também seja apaixonante assim como você!

Os dois gargalharam e depois de algum tempo, seu velho amigo suspirou.

- Sabe Karen... Sua perspicácia é algo que sempre me admirou e me preocupou também...

- Como?

- Você esta certa... Mas errou em uma coisa.

- Em que? – perguntou curiosa.

- Eu me chamo mesmo Edward, conheço o dono da casa de repouso, quando vim para cá pedi que meu nome verdadeiro fosse preservado, por isso fique registrado com Antony Webber... Mas para você não poderia mais mentir sobre isso...

- Seu nome não é Antony...?

- Me chamo Edward... Edward Masen, o Cullen que lhe apresentei na história era o sobrenome de solteira de minha mãe. – disse fazendo com que ela olhasse para ele assustada.

- Masen... Por acaso é parente dos donos da empresa Masen...? – perguntou ao se lembrar da indústria imobiliária conhecida por toda a Inglaterra.

- Não exatamente, digamos que sou um dos sócios! – confessou deixando-a pasma.

- Eu não entendo... Você não era advogado? Ao menos foi isso que me disse ao me contar toda a historia, eu...

- Ahh Karen... A vida é uma enorme caixinha de surpresas. – ele olhou para longe – Ben conseguiu salvar Isabella... Finalmente tudo havia se encaixado, foi um sensação tão boa voltar para casa com meu filho, me pequeno Charlie e minha esposa, ele recebeu o nome do avô materno... Foi à sensação mais deliciosa de minha vida... Na verdade uma das melhores sensações de muitas que tive ao longo da vida... Por um tempo tentamos encontrar explicação para tudo o que havia acontecido, como não tínhamos percebido?... Mas acabamos deixando de lado e somente agradecendo pela doce surpresa... O tempo foi passando, a vida foi seguindo seu curso... Dois anos depois Isabella engravidou novamente, tivemos mais um menino, nosso Jake e por ultimo, quando já não esperávamos mais, tivemos nossa linda e doce Beatriz, ao menos dessa vez conseguimos descobrir antes do nascimento... – sorriu – Alice também engravidou mais duas vezes, teve a meiga Mary e a esquentada Vanessa... Rose tentou engravidar, mas suas gravidezes nunca seguiam em frente, foram anos tentando e então acabou adotando varias crianças... Ela e Isabella passaram a cuidar de crianças como Rebecca, ajudando mães a entenderem seus filhos... As duas cursaram medicina... Estudaram e se dedicaram por anos, talvez por isso Rebecca tenha chegado tão longe... Sabia que a media de vida de uma criança com síndrome de Down era de 15 a 17 anos?...

Karen viu que além das lágrimas os olhos verdes do doce amigo brilhavam de amor e admiração e pela primeira vez sentiu como se aquele olhar fosse familiar de algum modo.

- Nossa Rebecca tem 63 anos hoje... Ela esta viva... Trabalha na empresa, é verdade que não com tanta frequência como antes de engravidar... Ela se casou e tem uma filha... Minha doce e linda Rebecca me deu uma linda neta... Sabe, ela deu o nome de sua filha de Esme em homenagem à avó, você nem imagina o quanto isso foi emocionante para mim e para Jasper...

Ele nem precisa dizer, Karen percebeu isso na emoção contida na voz de Edward.

- Então, Rebecca soube sobre você, Jasper e Isabella? – perguntou Karen.

- Sim, ela soube, nos três contamos como combinamos e... Ela nunca foi à escola, tudo o que aprendeu foi Isabella que ensinou, mas teve contado com seus irmãos e seus primos, com cerca de 10 anos nos questionou do porque somente ela tinha dois pais, confesso que todos nos ficamos com medo, mas Rebecca nos surpreendeu, ela sempre nos surpreendeu, aceitou tudo muitíssimo bem.

O ambiente ficou silencioso por alguns poucos minutos e então Karen suspirou.

- É incrível... Ela deve ser uma mulher incrível, de fato... Já vi casos de mulheres com síndrome de Down que engravidam, mas é muito difícil para a mulher portadora da síndrome, ter uma criança denominada normal, dizem ser algo quase raro...

- Minha Rebecca é uma raridade... Ela cresceu, estudou, tendo a mim, Isabella, Jasper e toda a família lutando por ela, foi à faculdade, estudou administração e namorou com Derek Junior por dez anos antes de se casarem, por ele teriam se casado bem antes, mas ela queria terminar os estudos primeiro e começar a trabalhar. Infelizmente meu amigo não estava mais vivo quando isso aconteceu, mas ele chegou a abençoar o namoro dos dois... Três anos depois de casada, Rebecca surpreendeu a todos ao anunciar sua gravidez... E para a surpresa dos médicos Esme nasceu sem portar a síndrome de Down... Confesso que para nenhum de nos isso chegou a ser uma preocupação efetiva, se por acaso minha neta nascesse com a síndrome seria amada como a mãe.

- Tenho certeza que sim... – suspirou – E seus outros filhos...?

Edward engoliu em seco.

- Charlie é advogado como eu... – sorriu – casou-se duas vezes, a primeira esposa que ele arrumou era uma mulher vulgar e interesseira, ao menos conseguiu enxergar isso e se separar, Isabella a odiava, pois graças a ela Charlie brigou com toda a família, mas acabou conhecendo Jennifer, sua atual esposa. Ela é dez anos mais velha que ele, mas de uma simplicidade e cumplicidade incrível. Tiveram dois filhos, dois meninos gêmeos. Já Jake é um poeta, um apaixonado pelas mulheres... Segundo Emmett ele herdou esse lado de mim e do meu pai, embora ele nunca tenha se casado, mas tem um filho que é muito amado por ele... Os dois se parecem demais, sempre estão juntos, sempre trocando de namoradas... Jake diz que a única mulher que poderia se casar jamais poderia ser dele, pois ele nasceu dela. Isabella ficava boba quando ele falava essas coisas, mas eu acho que é porque ele não encontrou sua alma gêmea, tenho fé que um dia ele irá encontra-la, Derek demorou mais encontrou, então tenho esperança de que meu filho terá a mesma sorte um dia... Beatriz é feminista, nossa você não tem ideia o que foi essa menina em sua adolescência... Deixou-me de cabelo em pé de preocupação... Mas acabou se tornando socióloga e possui uma ONG que ajuda mulheres que sofrem violência domestica... É um verdadeiro orgulho tê-la como filha, ver a forma como ela luta por cada mulher... Conheceu seu marido ajudando o próximo, ele é médico e os dois são perfeitos juntos... Ela tem três filhos, duas meninas e um menino... E contra tudo o que se poderia acreditar, ela é uma ótima mãe...

- Aposto que nenhum deles apoiou sua vinda para cá... – disse Karen cortando-o, definitivamente era comovente o forma como ele falava de sua família.

- Não... Eles não queriam que viesse, mas precisei estar em posição parecida com a do meu pai para finalmente entendê-lo... No caso dele, ele precisou se afastar da família, o meu caso foi diferente...

Karen olhou-o confusa.

- Não entendi...

- Não tive somente bênçãos em minha vida Karen, tive meus momentos maus também, meu pai nem ao menos chegou a conhecer Beatriz, Isabella estava gravida quando ele faleceu, foi duro para mim e para Jasper perdê-lo, mas ao menos tínhamos nossos amores conosco, tínhamos nossos filhos. Entretanto, algum tempo depois que Beatriz nasceu, recebi uma visita inesperada... Sarah bateu em minha porta dizendo que precisava de minha ajuda.

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Poderia ser considerado um dia comum, um dia como qualquer outro. Beatriz finalmente estava dormindo o que fez com que Isabella pudesse descansar, Rebecca com quase quinze anos, Charlie com 13 e Jake com dez anos estavam brincando no chão da sala, afinal, estava chovendo e a divertida brincadeira do final da tarde de andar de bicicleta acabou sendo cancelada, ao menos o delicioso bolo de chocolate que a boa e animada Fanny tinha feito estava para sair do formo o que de fato iria compensar os longos minutos que passavam pedalando pelas ruas.

Sorriu.

Fanny já estava com eles há quase doze anos, tinha 42 anos e era viúva de guerra e nunca mais quis saber de outro homem, o que acabou fazendo com que ela se dedicasse integralmente as crianças e a Isabella, graças a ela, sua esposa pode cursar medicina. Não foi fácil, foi uma grande batalha para ela entrar na universidade, assim com foi uma batalha para ela concluir os estudos, afinal, como única mulher de sua turma, Isabella era sempre questionada e discriminada. Mas antes de Beatriz nascer ela recebeu o seu diploma, incentivando Rose a seguir pelo mesmo caminho, até porque a dor de não conseguir segurar uma gravidez sequer, estava matando-a.

Ao menos seu pai esteve presente na formatura de Isabella, foi a ultima vitória que ele presenciou de sua família, pois semanas depois acabou falecendo. Segundo os médicos, foi uma morte tranquila, ele estava dormindo e provavelmente nem sentiu dor.

Ah seu pai, como sentia falta dele...

- Quem ai quer um bom pedaço de bolo? – disse Fanny fazendo com que ele levantasse a cabeça e encarasse a magra e alta mulher que tanto os ajudava.

O grito coletivo dos três o fez sorrir, largou o livro que estava lendo no canto e com Fanny levou seu filhos até a cozinha, era simplesmente maravilhoso estar com eles, somente ficar ao lado deles, vê-los crescer a cada dia fazendo uma descoberta nova e o mais incrível de tudo isso, foi descobrir que amava a todos de tal maneira que era impossível dizer que um era mais especial que outro, pois sendo cada um diferente, cada um de seus filhos soube tocar seu coração de um modo único.

Ser pai foi o maior presente que pode ganhar na vida.

- Papai eu quero o maior pedaço! – disse Charlie, como sempre o mais guloso.

- Papai eu quero o que tem mais cobertura! – disse Jake, como sempre louco por tudo muito doce.

Edward se sentou a mesa com eles e sorriu.

- Ok... Acho que Fanny vai poder providenciar tudo... – olhou para Rebecca e sorriu – E você pequena, não tem nenhuma preferencia? – perguntou.

Rebecca que estava sentada ao lado do pai encostou sua cabeça no peito de Edward e suspirou. – Quero você para sempre... – disse manhosa.

Foi tudo o que precisou para parecer uma mulher emotiva, respirou fundo para controlar o choro e beijou o topo da cabeça de sua menina. – Você já me tem para sempre! – sussurrou.

Rebecca levantou a cabeça e beijou seu pai na bochecha antes de começar a atacar seu pedaço de bolo. Olhando seus três filhos ele levou seus pensamentos até Deus e agradeceu por cada um deles como fazia mais de uma vez por dia, todos os dias desde o nascimento conturbado de Charlie...

Uma batida na porta o fez sair de seus pensamentos, Fanny foi atender e quando voltou o surpreendeu com uma frase que poderia ser simples, mas que transformou muito a sua vida.

- Uma mulher esta lá fora procurando pelo senhor, ela diz se chamar Sarah!

Ele não teve duvidas de quem seria essa mulher, afinal, só conhecia uma Sarah, embora não entendesse do porque ela estar lá fora.

Respirou fundo.

- Olha as crianças... Vou ver o que ela quer! – se levantou e antes de sair da cozinha voltou seu olhar para Fanny – Fanny... Se Isabella descer e perguntar por mim e eu ainda estivermos lá fora, diga que já volto, e, por favor, não diga que é Sarah.

Fanny assentiu, fazendo-o seguir em encontro a entrada de sua casa.

Não que ele fosse esconder de Isabella a visita de Sarah, mas ele não gostaria que as duas se encontrassem sem garantir que tudo poderia sair bem. Quando abriu a porta e se deparou com Sarah novamente depois de anos, Edward assustou-se, pois a mulher que encontrou estava tremula e assim que o viu, começou a chorar descontroladamente.

- Hei... Sarah... O que esta acontecendo? – perguntou sem se aproximar muito.

Sarah não esperou, ajoelhou-se e implorou completamente fora de si.

- Por favor, por favor, Edward, salve nossa filha, por favor, salve nossa filha!

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Karen arregalou os olhos diante da revelação, como assim filha?

- Ela teve uma filha com você? – perguntou assustada.

Edward sorriu.

- Uma menina, uma menina linda ao qual eu jamais tive a chance de ser pai.

- Não entendo, como assim? Porque ela não lhe disse antes? Porque ela lhe procurou depois de anos?

Edward respirou fundo.

- Quando Sarah foi me procurar, foi para me dizer que nossa filha nasceu com um grave problema renal, ao ponto de precisar de um transplante anos mais tarde. Naquela época transplantes eram arriscados, mas no caso de Emily, não havia outro jeito, ou era o transplante ou era a morte... Ou arriscaríamos ou ela morreria...

Emily... Emily... Emily... Karen sentiu sua cabeça girando, estava começando a sentir como se seu mundo particular fosse quebrado.

Sarah...

Por Deus, nunca fez a associação antes, pois nunca lhe passou pela cabeça o que martelava lá dentro agora. Sarah era o nome de sua avó, Emily era o nome de sua mãe, sua mãe que faleceu antes mesmo dela chegar à adolescência por problemas renais.

Com os olhos arregalados, com um nó na garganta Karen encarou Edward assustada, que simplesmente sorriu timidamente ao perceber que sua neta finalmente havia descoberto quem ele era realmente.

- Não pode ser...

- Foi um processo difícil Karen... Foram meses de expectativa, mas meu rim foi aceito por ela, lembro-me do medico comemorando, tinha sido o seu segundo transplante bem sucedido... Mas sabíamos que não iria durar para sempre, sabíamos que tinha um prazo de validade... E anos depois, bem mais anos que o esperado o prazo se esgotou e ela se foi... Mas nos deixou você!

Karen estava chorando, isso não poderia ser verdade, sua mãe nem mesmo sua avó nunca foram de lhe falar muito sobre seu avô biológico, a única coisa que soube foi que ele não queria filhos com sua avó.

- Sei o quanto tudo isso deve estar sendo difícil para você compreender... Mas entenda Karen, eu tentei, juro que tentei, assim que sua mãe saiu de uma situação de risco tentei me aproximar, mas ela jamais quis, simplesmente me pediu para sumir, me agradeceu pela doação, mas não me queria por perto... Foi uma situação difícil, tentei outras vezes me aproximar mais tive que me afastar, o médico achou melhor não forçar uma relação, afinal, sua mãe estava em um estado delicado... Voltei para meu país, mas nada era igual, foi então que Isabella sugeriu que nos mudasse para Inglaterra...

- Isabella sabia? – perguntou Karen com a voz falhando.

- Claro sim... Soube desde o primeiro dia... Ela até mesmo me deixou no porto quando fui fazer o transplante, infelizmente não pode ir comigo, não queríamos deixar as crianças, Beatriz ainda era um bebê, então Jasper viajou logo depois para cuidar de mim após a cirurgia... Mas foi minha Bella que me segurou todas as vezes que despencava por não poder ser ao menos um amigo de minha filha.

Karen respirou fundo e o encarou.

- E mesmo assim, mesmo com minha mãe não o querendo você veio embora? – perguntou ainda muito confusa.

- Vendi tudo o que tínhamos e passei minha parte da empresa para Aro, soube mais tarde por Derek que a empresa acabou indo a falência alguns anos depois... Jasper, Alice, Rose, Emmett, Ângela e Ben nos seguiram... Você me perguntou sobre a empresa... Foi vindo para a Inglaterra que tive a ideia, coloquei o dinheiro e cuidei para que ele crescesse, enquanto Jasper e Emmett faziam o que sabiam de melhor, criavam... Logo depois Derek e Tanya se mudaram também, Rebecca e Junior já estavam meio que namorando e o jovem rapaz não queria ficar longe da namorada então, acabou fazendo os pais se mudarem.

Derek Junior... Ela já havia ouvido falar dele, dono dos cavalos mais invejados de todo o Reino Unido.

- A empresa foi crescendo e se tornando o que é hoje... Mas, apesar de tudo, jamais me afastei totalmente, fiquei a margem da vida de sua mãe... Apesar de ela me pedir para sumir não conseguir, ela era minha filha e apesar de não ter sido fruto de um grande amor, ela veio de mim e... E eu tinha esperança de um dia poder dizer o quanto eu tinha sorte de tê-la comigo... Mas essa parte de minha vida foi roubada de mim... Eu jamais tive a chance, ela se foi e nunca quis descobrir o que era me ter por perto... Nunca nem sequer quis me ouvir...

- Não faz sentindo... Minha mãe sempre foi calma e teria lhe ouvido se você realmente tivesse a procurado! – garantiu Karen começando a se alterar.

- Não se ela já tivesse escutado coisas sobre mim! – disse Edward.

Nesse momento Karen se levantou enfurecida, para bom entendedor, meia palavra basta.

- Você não esta querendo dizer o acho, ou esta?

- Sarah ficou magoada comigo, não tiro as razões dela, mas eu nunca a enganei... Sua avó não tinha o direito de sumir sem me dizer nada, muito mesmo dizer mentiras para sua mãe, isso...

- Mentiras? – gritou Karen o cortando. – Mentiras é o que você esta querendo que eu acredite, mas chega, chega... Não quero mais escutar você e suas histórias

- Karen... Por favor, não vá assim, me escuta... Eu nunca quis vocês longe da minha vida...

- Mas minha avó quis? É isso que quer que eu acredite? – se levantou da cadeira que estava sentada e o encarou firme enquanto lágrimas caiam de seus olhos – Ela nunca mentiu para mim, já você... Você trocou de nome, se internou na casa de repouso em que eu trabalho e sinceramente depois de tudo o que eu escutei não acredito que tenha sido um acaso, assim como não foi acaso algum você requer meus serviços com exclusividade... Você me fez gostar de você, então usou minha dor para contar toda essa mentira só para aliviar a dor na sua consciência...

- Não foi bem assim... Juro que não foi... – disse Edward ofegando.

- Não tente mentir mais, é claro que foi, porque minha avó jamais teria coragem de fazer o que você fez... Por Deus, você tentou me manipular! – disse com a voz carregada de incredulidade.

- Karen...

- Não! Não tente... Não quero mais ouvir uma palavra sua.

Disse andando de costas e então se virou e saiu correndo pelos corredores, e para completar tudo, acabou esbarando em Seth.

- Karen!... Esta tudo bem...? – perguntou com os olhos arregalados.

- Não, você também não... Hoje não! – disse se afastando.

Correu como louca, nem ao menos soube como conseguiu, mas chegou em casa, por sorte não esbarrou com seus avos e se trancou no quarto. Olhou a foto que tinha em sua cabeceira, ao lado de sua cama e pegou o porta-retrato com carinho. Com a ponta dos dedos acariciou a imagem de sua mãe, notando pela primeira vez a semelhança dela com seu antes adorado paciente.

Edward já estava velho, cabelos brancos e a pele enrugada, mas aqueles olhos, aquele sorriso... Ah tudo era tão semelhante com as características de sua mãe, ao contrario dela que não tinha nada de sua mãe nem mesmo de seus avos...

Abraçou o retrato e se deitou em sua cama, chorando silenciosamente, sofrendo entre o que sempre acreditou e no que tinha escutado ao longo do dia, tentando compreender tudo o que havia escutado, sem conseguir qualquer resposta que aliviasse seu coração, afinal, por mais que estivesse sofrendo, por mais que Edward tivesse usado o nome de sua avó para tentar amenizar as coisas... A verdade era que ao longo dos seis anos que esteve com ele, aprendeu a admirá-lo, a amá-lo, e se fosse em outras circunstancias, teria adorado descobrir que aquele senhor que tanto lhe ajudou com suas palavras de carinho e incentivo, era seu avô.

Acabou dormindo, nem soube dizer quando, mas quando acordou e seguiu em direção a cozinha olhou sua avó ao lado de seu avô Paul, eles estavam sorrindo e seguravam as mãos um do outro, tomando o café delicioso que sua avó tinha preparado, apesar da longa idade, Sarah cuidava de sua casa sem qualquer auxilio, não queria ninguém, e por incrível que pareça, não precisava de ajuda.

- Olá meu anjo, a que horas chegou? – perguntou Sarah.

Ela sorriu timidamente.

- Nem sei... Acabei indo para cama e dormindo... – disse.

- Esta tudo bem? – perguntou Paul analisando-a.

- Sim vô, eu estou bem!

Paul e Sarah se entreolharam.

- Meu bem... Você esteve chorando? – Sarah perguntou, percebendo que sua neta tinha a face inchada e uma expressão triste, o que nas ultimas semanas era bastante comum para ela.

- Não vovó, já disse eu estou bem!

O café continuou como o de sempre, mas diferente do habitual, Karen se trancou em seu quarto e assim o dia passou, a noite chegou e nada mudou dentro dela, pelo menos ao longo dos próximos três dias, nem ao menos foi trabalhar.

Mas o destino sempre sabia quando agir e como agir, embora muitas vezes não consigamos entender.

Era tarde da noite quando a porta do apartamento que morava com sua avó foi batida, escutou os gritos de Sarah aviando que já estava indo abrir e então se levantou e caminhou lentamente sem fazer qualquer som.

- O que estão fazendo aqui? – escutou sua avó dizendo assim que abriu a porta.

- Sarah, precisamos falar com Karen! – disse uma voz feminina.

- Por Deus Tanya, eu já deixei essa loucura toda ir longe demais, permitir que Edward se aproximasse de minha neta mesmo tendo prometendo o contrario a minha filha. Mas isso não quer dizer que tenha que deixar uma comitiva invadir minha casa! – disse sua avó.

- Papai não esta bem... – disse outra voz feminina.

Foi tudo o que Karen precisou escutar para sair de sua zona de conforto.

- O que ele tem? – perguntou quando chegou ao lado de sua avó encarando as duas mulheres.

Uma era bem velha... Possuía cabelos brancos e curtos, olhos sabedores e acolhedores... Sua avó nem precisaria ter dito o nome dela para saber que quem estava ali era Tanya. Ao lado da senhora de idade com vestimentas elegantes, se encontrava uma mulher na casa dos quarenta anos, tinha olhos castanhos e cabelos tingidos de loiro... Pela forma como a encarava, soube que era Beatriz, pois somente uma mulher com aquela determinação estampada na face poderia cuidar de mulheres fragilizadas.

- Karen... – disse sua avó assustada.

- Jamais teríamos vindo sem que sua neta soubesse sobre Edward... Ele contou tudo Sarah, mas tem coisas se somente você pode esclarecer para sua neta! – disse Tanya.

Karen encarou sua avó com medo do que poderia escutar, mas permaneceu firme.

- O que ela quer dizer com isso? – perguntou amedrontada.

Sarah olhou para baixo e quando levantou sua cabeça possuía os olhos carregados de lágrimas.

- Ele me pediu... E por mais que sua mãe tivesse me pedido para não aproximá-los eu não pude negar isso a ele... Não naquele momento... Ele havia acabado de perder o grande amor de sua vida... – confessou Sarah.

Isabella tinha falecido, isso Karen já imaginava, mas ela não fazia ideia de como e quando isso aconteceu.

- Então ela morreu mesmo? – pensou em voz alta.

- Mamãe faleceu há seis anos e meio... – disse Beatriz – Câncer no estomago, evoluiu rápido e quando descobrimos já não tinha mais jeito... Ela foi medicada para ter uma vida mais normal ao longo dos meses, mas não resistiu muito... – suspirou – Foi um momento muito difícil para todos nos, porém foi mais difícil para o papai, ele só encontrou forças quando a Sarah permitiu que ele se aproximasse de você sem dizer quem era...

Karen ofegou e encarou sua avó.

- Mas ele me disse... – sussurrou.

- Disse, porque vocês estavam tão ligados que achei que talvez você fosse gostar de saber que tinha outro avô... Não sei, achei que talvez isso a ajudasse a enfrentar tudo o que estava lhe acontecendo...

Karen fechou os olhos e respirou fundo.

- É só isso que escondeu de mim? – perguntou já imaginando a resposta de sua avó.

Sarah olhou para as duas visitantes e depois encarou sua neta.

- Seu avô sempre esteve com você, assim como com sua mãe, apesar dela não aceita-lo. – levou uma de sua mão até sua boca e respirou fundo. – Foi difícil para mim, eu era apaixonada por ele e quando ele e Isabella se separaram achei que talvez fosse o meu momento... Mas eu estava errada, só tivemos uma noite juntos e nada mais que isso... E mesmo sabendo que ele tinha sido honesto comigo, mesmo sabendo que ele jamais poderia me amar, quando percebi que mesmo ele sem Isabella, não ficaria comigo, fugi... Não sabia que estava gravida quando vim para Inglaterra sem dizer uma só palavra longo depois da morte de sua bisavó, talvez se tivesse descoberto as coisas seriam diferentes...

- Seriam diferentes como? – questionou Karen.

Sarah engoliu em seco.

- Eu teria agido como uma mulher amarga que desejava um homem que jamais poderia lhe amar, eu teria tornado a vida dele um inferno... – confessou mostrando a sua neta um lado seu que se envergonhava – Mas isso não quer dizer que agir correto por estar longe... Decidi ficar aqui, tive sua mãe e quando ela ficou grande o suficiente para entender o que é um pai, quando ela começou a me perguntar sobre ele, agi como uma mulher despeitada que era... Mentir para sua mãe... E mesmo depois de tudo o que Edward fez, mesmo depois de eu ter encontrado o amor da minha vida, nunca tive coragem de dizer a sua mãe a verdade... Isso me machuca muito, saber que minha filha morreu achando que o pai a rejeitou... Eu não quero isso para você, quero que saiba que foi amada por mim, por sua mãe, por seus avos e que se seu pai tivesse decidido lhe conhecer, também a teria amado muito...

Seu pai, uma constante dor que carregava, afinal, jamais o conheceu, pois ele jamais quis ao menos vê-la, diferente de seu avô.

- Vó!...

- Por isso, por mais que ela tivesse me pedido para não aproximar vocês, eu não pude... Contribuir para que você conhecesse seu avô foi o ato mais bonito que pude ter com você e sua mãe... Foi à única forma que encontrei depois de tantos erros de retribuir o tanto que Edward me deu, porque por mais que ele não me amasse, ele me deu sua mãe, meu maior presente... E com ela veio você!

- Meu Deus, eu disse tanta coisa para ele... – murmurou Karen levando as mãos a cabeça, se lembrando do modo errado que agiu com Edward.

- Talvez você ainda possa dizer mais coisas! – disse Beatriz se aproximando – Karen, meu pai teve um ataque cardíaco, fez uma cirurgia mais não esta nada bem... Conheço o meu pai, e assim como eu, meus irmãos pensam a mesma coisa, ele precisa descansar... – disse com a voz embargada, fazendo Karen perceber que o descansar que ela se referia era o eterno – Mas ele jamais vai se permitir ir sem ter a chance de recuperar nem que seja por um segundo a vida que lhe foi roubada... Ele precisa estar com você para ir em paz.

Karen olhou para mão que a segurava e então olhou para sua avó.

- Vá... Vocês dois já perderam muita coisa, uma vida inteira juntos, não posso permitir que percam mais esse momento...

- Você vem comigo? – perguntou.

- Não meu amor... Esse momento é seu...

- Por isso mesmo vovó, eu quero você comigo, sei que o que fez foi errado, mas não posso julgá-la... Talvez eu tivesse agido do mesmo modo no seu lugar... É difícil dizer o quanto uma dor de amor pode nos mudar... – Sarah olhou para Beatriz e para Tanya e quando as duas assentiram, ela confirmou que iria.

Demorou somente alguns minutos para que se arrumassem, Paul fora acordado e seguiu junto delas. Quando chegou ao hospital Karen sentiu-se estranhamente familiar entre tantos rostos desconhecidos. Olhou a sua direita e soube dizer que o senhor de idade com uma boina na cabeça e olhos azuis era Jasper, e que ao seu lado à senhora muitíssimo bem vestida e de batom rosa claro era Alice. Soube que a outra senhora de cabelos pintados de loiro que foi abraçada por Tanya era Rosálie e que o senhor que estava próximo a ela e que possuía uma cicatriz na face era Emmett.

Viu que sua tia mais nova Beatriz aproximou-se de um homem e o beijou nos lábios, provavelmente seu marido médico.

- Como está papai? – escutou ela perguntando ao seu marido.

Mas foi outro homem que falou. Um homem alto de cabelos grisalhos.

- Becca e Charlie estão lá dentro com ele! – disse e pelo carinho em sua voz ao se referir a Rebecca percebeu que se tratava de Derek Junior, que estava abraçado com uma mulher de olhos azuis e cabelo castanho, sem duvida soube que ali estava Esme, filha de Rebecca.

- Ela está bem? – perguntou Beatriz.

- Não se preocupe maninha, Becca é mais forte que todos nos juntos... E de qualquer forma Charlie esta com ela – disse um homem com barba que soube pela forma despojada que ele falou que se tratava de Jake, gostou dele, algo em seu tio chamou sua atenção, pela primeira.

Beatriz olhou para ela.

- Desculpe, não apresentei você a ninguém...

- Acho que ela não precisa de apresentações! – disse uma voz saindo de dentro do quarto da UTI, cortando o que Beatriz estava dizendo. Era um tipo de voz característico de um portador de síndrome de Down.

E lá estava ela, Rebecca...

Não foi pelas características marcantes de um portador de síndrome de Down que soube ser ela, mas pela voz carregada de amor e o sorriso doce que ela lhe dirigiu. Ela estava abraçada com um homem com características parecidas com a de Beatriz, o que deixava claro se tratar e Charlie.

- Acho que ela sabe muitíssimo bem quem é quem, não é mesmo Karen? – continuou Rebecca.

Karen olhou para sua avó e então voltou a encará-la.

- Acho que sim! – disse timidamente.

- Não precisa ficar tímida... Do mesmo modo que papai falou sobre a gente, ele vivia falando sobre você Karen, a gente meio que já se sente seus tios... – disse Charlie.

Karen assentiu, mas nada disse.

Então Rebecca deixou o abraço de seu irmão e se aproximou de sua sobrinha mais velha.

- Imagino o quanto deve estar sendo difícil... Mas sinto em dizer que não temos muito tempo, ele já falou com todos nos, só falta você...

Sarah beijou o topo da cabeça de sua neta e então sussurrou palavras de carinho para Karen, em seguida a morena foi conduzida por Rebecca até a entrada da UTI e então entrou e se viu sozinha com Edward.

O silencio invadiu o aposento por um tempo, somente o som dos aparelhos era escutado.

http://www.youtube.com/watch?v=BNpSaIiaddc

- Se soubesse... Já teria inventado essa cirurgia antes... – disse Edward com dificuldade.

- Não diga besteiras! – repreendeu Karen o fazendo rir.

- Será que posso ver você mais de perto? – perguntou receoso.

Karen caminhou timidamente, e quando chegou próximo o suficiente segurou uma das mãos de seu avô e a emoção tomou conta dela, fazendo-a chorar.

- Hei... Shiii... Tudo bem... – sussurrou Edward.

- Me perdoa... Eu duvidei de você... Eu sinto muito!

Edward fechou os olhos por alguns instantes.

- Não seria você se não tivesse duvidado, era de se esperar, a Sarah cuidou muito bem de você, lhe deu muito amor e nunca pensamos que as pessoas que amamos sejam capazes de atitudes que não esperamos... Sei disso, sofri o mesmo com meu pai, com Jasper e Isabella... Mas o importante é que você esta aqui agora...

Karen sorriu triste.

- Eu... Eu queria que soubesse... Tenho muito orgulho do avô que tenho!

- Não mais orgulho que eu tenho, de ter uma neta maravilhosa como você!

Karen abaixou-se e beijou a mão de seu avô.

- Eu queria tanto poder ter mais tempo com você... Queria tanto ter crescido tendo você comigo! – confessou.

- Mas eu estava lá... Em todos os momentos eu estava lá... E ao longo de todos esses seis anos eu estive lá junto de você...

- Mas e agora? Vô... Eu quero você comigo para sempre!

Seu coração fraco sentiu a emoção, esperou tanto por esse momento que simplesmente não conseguia acreditar que finalmente estava vivendo.

- Sabe... Quando minha Isabella estava partindo, sentir uma dor tão grande, um desespero arrebatador... Mas como sempre ela foi forte e me disse que sempre estaria comigo, que quando eu me sentisse sozinho eu procurasse o vento, ele seria como os braços dela me consolando... Se fosse noite e estivesse devastado, era só olhar as estrelas, pois ali ela encontraria alguma forma de me dizer que tudo iria ficar bem... Independente de qualquer coisa, ela encontraria uma forma de me fazer sentir o seu amor... Achei que não poderia dar certo, mas ao longo desses anos eu sentir ela comigo e sei que vou de alguma forma estar com você, te fazendo sentir o meu amor até que daqui a alguns anos a gente se encontre novamente e então você poderá me contar a maravilhosa vida longa e feliz que teve!

Karen chorou ainda mais e então se sentou na cadeira próxima a cama e encostou sua face na mão de seu avô que segurava.

- Vou sempre estar com você Karen, porque eu te amo... Por que sua felicidade é minha felicidade, e isso é algo que ainda me preocupa. – disse com a voz falhando.

- Por favor, não vamos falar sobre Seth... – disse imaginando sobre sua preocupação.

- Por que não?

- Seth não é Isabella, sua história é diferente da minha... Eu... Não posso perdoá-lo!

- Ah... Karen... Não te contei a minha história, a nossa história por causa disso, ou melhor, não foi só por conta disso, eu perdoei Isabella porque meu coração pedia por isso, porque sem ela nunca conseguira seguir em frente, se você consegue, então já virou essa página e só não se deu conta disso...

- É complicado...

- Não, não é... Nós é que temos essa capacidade de complicar as coisas... Mas, na hora certa você vai entender isso... Eu gostaria de estar aqui fisicamente, mas sinto que não será possível, já fiquei muito tempo longe de minha alma gêmea, esta na hora de ir, de encontrá-la... – sorriu – Karen me prometa que independente do que suas regras de conduta lhe peçam para seguir, você irá consultar seu coração antes, por favor, me promete?

- Vou tentar não ser tão racional!

Edward sorriu e então fechou os olhos. – Não esqueça, sempre estarei com você! – Sussurrou segundos antes dos apitos dos aparelhos começarem a gritar por atenção, e então nunca mais pode ver aqueles olhos verdes encarando-a novamente.

Foi um momento tenso, fora expulsa do quarto e jogada no corredor com todos, para cada face que olhava via lágrimas, até mesmo sua avó estava sofrendo, tentou não olhar para ninguém, mas ao se olhar viu a dor estampada em seu rosto e assim que os médicos saíram da UTI, nada foi preciso ser dito, pois todos sabiam que ele haviam ido para sempre.

Foi um dos momentos mais difíceis de sua vida, ela havia acabado de ganhar seu avô e mesmo assim o havia perdido. E no dia seguinte, varias pessoas estavam presentes na igreja a fim de participarem daquele ultimo adeus. Chegou com sua avó e então se surpreendeu ao ser recebida por Rebecca, que fez questão de colocá-la ao seu lado no lugar destinado a família.

- Não esta triste? – perguntou ao perceber que era a única que não chorava.

- Claro que estou... Ainda não sei como vou viver sem meu pai... Mas não poderia ser egoísta, não com ele...

Karen arqueou as sobrancelhas.

- Egoísta?

- Por mim, por meus irmãos, por você, por minhas tias, pelo tio Emmett, por meu pai Jazz, por meu marido e minha filha, por seus primos... Cada um de nos daria tudo para tê-lo conosco... A saudade será uma cruel convivência... Mas a verdade é que ficar com a gente jamais daria a felicidade que ele merece, a felicidade que ele só tem ao lado de minha mãe... E somente por saber que eles estão juntos novamente, fico em paz com a partida dele... E deixo meu egoísmo de lado... – respondeu.

- Você fala com tanta certeza! – comentou Karen.

- É porque eu sinto! – disse Rebecca com aquela forma enrolada que um portador da síndrome de Down fala, batendo sua mão direita delicadamente em seu coração.

Karen não pode contestar diante disso, o que acabou amenizando a dor da saudade que sentia, e então um vento delicioso entrou na igreja e passou por eles... Foi tão bom, como um abraço, o que a fez sorrir, porque naquele momento teve a certeza de que seu avô estaria ao seu lado para sempre.

O padre começou a missa, todas as palavras ditas foram belas e emocionantes, mas foi somente quando Emmett pegou o microfone, que sentiu como se seu avô estivesse falando...

- Poderia passar horas falando sobre meu grande amigo... – sorriu – Um homem que ao longo dos anos se mostrou digno de respeito e admiração, mas nenhuma palavra que pudesse dizer seria capaz de expressar o quão grato somos todos que tivemos a sorte de fazer parte de sua vida... Mas, diferente de mim, e de qualquer um aqui presente, Shakespeare tem as palavras certas, palavras essas que ao longo dos anos escutamos e aprendemos o seu significado com Edward, e que nesse momento, nesse momento de agradecimento pela vida que se foi, seriam as palavras perfeitas para homenageá-lo.

E então, ao som da voz de Emmett, Karen se deixou levar diante a história de seu avô, diante de sua própria história.

www.youtube.com/watch?v=tDHUG-fb35U

O menestrel

Você aprende... Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

(Lembrou-se de Jasper e Isabella, em como eles confundiram seus sentimentos e em que tudo isso acarretou).


E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

(Pensou em Tanya, em como ela deu a volta por cima mesmo com todos os motivos para se entregar a dor de ter perdido o homem que pensava amar, assim como Rose, que enfrentou e rejeição de Emmett mesmo não a merecendo).


E aprende a construir todas suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

(Se lembrou de Esme e Carlisle, do modo prematuro com que ela se foi mesmo eles tendo aproveitado todas as chances que tiveram um com o outro para demonstrarem o que sentiam).


Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

(Se lembrou de Ângela e Ben, no tanto que ele a magoou, mas no final, ela soube quando perdoá-lo, ou na forma como Emmett fora cruel ao mentir sobre seus sentimentos para sua esposa).


Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos by Text-Enhance\\\">para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

(Se lembrou de Isabella e Jasper, no quanto eles feriram Edward e Alice e o quanto esse ato os fizeram sofrer).


Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tem na vida, mas QUEM você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

(Se lembrou de que cada um deles, pois em algum momento no caminho foi preciso um amigo, aquele ombro que os ajudou a seguir em frente).


Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que o seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

(Se lembrou de Emmett e Isabella, que mesmo com a mudança que sofreram na vida, sempre ficaram juntos, um ao lado do outro, de Isabella e Jasper, no quanto a amizade deles venceu as próprias barreiras que haviam construído, assim como Tanya e Rose que sempre estiveram ao lado de Edward de alguma forma).


Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

(Pensou nela mesma, no quanto foi importante se despedir de seu avô, no quanto foi especial lhe dizer o quanto ele era importante e no quanto foi doloroso perde-lo, assim como foi com sua mãe).


Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

(Pensou em quanto Esme e Carlisle foram responsáveis pela forma como seus filhos encararam a vida, na forma como agiram, principalmente quando se depararam em momentos de conflito, no quanto eles foram maduros e honestos um com o outro).


Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou, mas aonde está indo; mas se você não sabe aonde esta indo, qualquer lugar serve.

(Pensou em Jasper, no quanto ele ficou perdido quando se viu sem Alice, o quanto ele lutou para ser o menino que pensou ser o ideal).


Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão; e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

(Viu ali o quão forte foi Alice quando se decidiu voltar para Jasper, mesmo com todos os motivos do mundo para não aceita-lo).


Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

(Ah... Pensou em Tanya, no tanto que ela estendeu a mão para Isabella).


Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em si do que supunha.

(Seu avô mesmo jovem se demonstrou maduro, se mostrou capaz de uma alma sublime com a de Carlisle).

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens... Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não dá a você o direito de ser cruel.

(Pensou no quanto a raiva mudou o comportamento de Jasper e até no comportamento de sua avó).


Descobre que só porque alguém não ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

(Ah... Ângela... foi impossível não pensar nela, no quanto Ben sofreu por esperar que sua esposa o amasse como ele desejava).

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

(No quando essa experiência foi difícil para Isabella, mas que quando ela descobriu o caminho, descobriu a felicidade).


Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido, o mundo não para que você o concerte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

(Pensou em Rose e em Edward, no tanto que eles sofreram, mas mesmo assim conseguiram dar um passo de cada vez, até finalmente se reencontrarem).

Portanto, plante seu jardim e decore a sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E, você, aprende que realmente pode suportar... Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida... Nossas dadivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar!

Lindas e belas palavras que mexeram com Karen, e que mudaram sua vida.

Era tudo o que ela precisava escutar para entender a importância da história de sua família, para entender que deveria dar o primeiro passo em busca de sua felicidade.

Os dias passaram, e com eles meses e anos...

Diferente do que se pode pensar, não ficou com Seth, mas o perdoou e seguiu em frente, descobriu a família maravilhosa que tinha e alguns anos depois descobriu o amor nos braços de um homem que jamais pensou ser possível, seu primo Alec, três anos mais novo que ela e completamente aventureiro. Foi uma doce surpresa, mas ao se aproximar de sua família, acabou se encontrando no mundo, para enfim apaixonar-se e finalmente se entregar a felicidade.

Não conheceu Isabella, conviveu pouco com seu avô, mas sabia que de alguma forma toda a felicidade que a família Cullen Masen sentia, se devia a eles dois, pois eles ensinaram que amar vale apena e que perdoar os outros e a si mesmo nem sempre é um ato divino que somente os fortes são capazes.

FIM

Notas finais
Ahhhh gente deu uma dor no coração... Serio, escrever esse fim foi duro, mas necessário...

Por isso, vamos às ultimas considerações...

Primeiro vamos falar sobre a Sarah...

Lembra que disse para vocês que deixaria para falar dela por ultimo?

Pois é... Foi por conta da Karen e da surpresa que ninguém sequer imaginou, serio eu pensei que alguma de vocês fosse sacar isso principalmente no cap 14, quando a Karen fala sobre o avô não biológico... Pensei que vocês fossem perceber que tinha algo por ai...

A Sarah agiu como uma típica mulher rejeitava e na verdade eu não a culpo, o importante foi que ela teve uma chance e a usou...

Em relação a Karen, eu sempre soube que ela seria neta do velhinho da hist, embora esse velhinho tenha mudado de nome algumas vezes... Na verdade todas as vezes que escrevia eu procurava não me detalhar muito para me dar essa chance de até o ultimo minuto ter a flexibilidade de mudar...

No começo cheguei a pensar por um bom momento que Karen seria neta de Jasper com Alice... Serio, eu achei que ele merecia um castigo desse...

Vamos à outra lembrança... Falei que deixaria para falar sobre Jasper e Alice depois... Esse depois é agora...

O negocio foi que Alice me conquistou tanto que não tive coragem de deixa-la sem o seu amor... E quando dei por mim ela perdoou o Jasper e falou que o filho era dele e de repente o velhinho sorriu para mim dentro da minha cabeça e disse... Te peguei... No bom sentindo, não vamos pensar besteiras... kkkkkkk

Enfim, foi ali e revisando todas as aparições que percebi que sempre foi Edward a contar a história, não poderia ser outro.

Em relação à morte de Isabella... Foi essencial também, pois com Isabella viva Sarah jamais teria permitido aproximação de avô e neta como permitiu... Pois foi vendo o sofrimento de Edward que a fez mudar de ideia...

E a morte de Edward tinha que acontecer, porque simplesmente não queria que os dois ficassem separados mais tempo... Não poderia terminar a fic com eles separados... Agora estão juntos eternamente no paraíso... Depois de anos juntos e de terem construído uma linda família...

Ahhh... Rebecca.... Bem acho que realizei o desejo da maioria ao mostrar o tanto que nossa personagem mais querida conquistou, e sim gente é possível, por isso deixo para vocês um vídeo lindo de uma história real...

http://espacopipapiracicaba.blogspot.com.br/2012/07/quem-tem-sindrome-de-down-pode.html

Em relação à Karen perdoar ou não o Seth... Tem pessoas que conseguem reconstruir quando o amor é forte o bastante um elo quebrado com Edward e Isabella, outras não, mas isso não quer dizer que tem que ficar infeliz... Tem que seguir em frente, nosso livro da vida têm inúmeras paginas em branco, basta nos queremos escrever...

E por fim... Acho que finalmente o nome da fic teve um sentindo final... Algumas pessoas me perguntaram sobre isso ao longo dos comentários... Porque Vida Roubada???... Bem além do principal, a vida de pai que Edward jamais pode exercer, tinha a questão das escolhas erradas que muitas vezes tomamos e que roubam muito de nos mesmos...

Acho que deu para passar isso...

Não deu?

Enfim...

É isso...

Chegamos ao fim dessa linda jornada de exatos 1 ano...

Foi incrível estar com vocês em quase todas as semanas, foi incrível escrever essa historia, ainda mais depois de um tempo sem escrever e vocês comentando, me incentivando a cada semana... Vocês não fazem ideia do quão bom é um comentário de vocês...

E...

Espero encontrar vocês em minhas outras histórias... Quem não sabe estou escrevendo Amor Inesperado que já tem uma boa quantidade de cap postados...

E...

Comentem, comentem, comentem....

E se por acaso gostaram da hist.... Recomendem, recomendem, recomendem...

Bjocas

*-*

Fui...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!