Vida Roubada
20 Capítulo 19
Completamente envolvida na história, Karen chorava silenciosamente, chorava por todos, pelas seis almas que sofriam por amor, seis corações que sangravam... Chorava pelos pais que estavam divididos por dois sentimentos conflitantes, não importando quem iriam apoiar, os dois eram seus filhos... Seus filhos...
E de repente, seu próprio sofrimento se tornou tão pequeno, o que era sofrer por um homem que amava desesperadamente e que não demonstrou valor algum por seus sentimentos?
- Não consigo acreditar que amigo pode ter a coragem de ser tão cruel! – sussurrou incrédula, voltando a se concentrar na história que lhe era contada.
- Quando se tem uma amizade fincada na verdade, como a deles, é compreensível que agisse dessa maneira, levá-lo ao casamento para ver sua noiva casando com seu irmão foi à forma que encontrou de mostrar sua lealdade... O que é uma pena, porque nem sempre a vida é preta ou branca... Temos tantos outros nuances desejosos por serem apreciados...
- Talvez não fosse somente seu sentimento de lealdade gritando, talvez a falta de seu grande amor em sua vida fosse tão cruel ao ponto de transformá-lo assim...
Sorriu – É como Carlos Drummond de Andrade disse certa vez: Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor. Por isso, preste atenção nos sinais — não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.
Karen o encarou e viu um brilho de lágrimas nos olhos de seu amigo. Então ela soube, ela soube quem ele era... Ela soube do porque contar essa história estava mexendo tanto com ele, embora não entendesse do porque mexia tanto com ela... Talvez porque falar em amor, falar em dor e sonhos a lembrasse de seu amor perdido.
- De fato... Ás vezes somos incapazes de apreciar todas as outras cores a nossa volta, quando estamos mergulhados em cruas verdades, que nos deixam cegos... Como estou agora! – confessou Karen.
Ele virou a face encarando sua doce amiga e sorriu amorosamente.
- Somos seres humanos... Somo imperfeitos... Mas isso não quer dizer que podemos ser tolos para sempre... Acertamos também, não sempre, mas acertamos quando somos guiados pelo coração da mente!
— Como aconteceu no casamento? A reconciliação entre pai e filho? – suspirou – Por um momento pensei que Carlisle não fosse o pai biológico dele. – comentou enquanto respirava fundo.
- Imaginei que pensasse isso, mas Esme sempre foi mulher de um homem só!
- Uma grande mulher...
- Não, uma extraordinária mulher!
O silencio se fez presente por algum tempo, mas logo a história começou a ser contada novamente.
- Como Esme disse uma vez... Um amor para ser grande precisa sofrer, e passar por algumas provações...
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O dia tinha passado lentamente, a festa que seria muitíssimo bem comemorada fora cancelada, foram todos para casa esperando por Rosálie, a única que sabia onde encontrar Emmett, por isso, era a única que poderia levá-los até Jasper. Isabella chorou por horas, não falou muito, mas estava visivelmente sofrendo...
Mas quem é que não estava?
Sua mãe estava abraçada ao seu pai, chorando e desejando ter seu filho caçula ao seu lado, o filho que pensou ter perdido para sempre, mas que de um modo louco estava vivo...
Vivo!
Ele desconfiou dessa possibilidade... Parecia tão irreal que seu irmão estivesse morto, mas à medida que foi se aproximando de Isabella, à medida que foram se tornando um casal, esqueceu do que seu instinto lhe dizia e se entregou ao sentimento que vinha crescendo dentro dele. Isabella... Sua linda e meiga esposa que agora estava dormindo com ajuda de remédios, depois de ter soluçado por horas em seu ombro. Ela o amava, disso tinha certeza, estava sofrendo, pois sabia assim como ele, que teria uma escolha a tomar, e mesmo sabendo que ela o amava, sabia que sua mulher havia amado seu irmão... E sabia, que sua Rebecca não... Por Deus, ELA ERA SIM DELE... Era sua menina, mesmo que não tenha sido ele a concebê-la junto de Isabella... Rebecca era sua garotinha.
Completamente arrasado olhou para sua filha que dormia dentro do berço e chorou silenciosamente, completamente paralisado diante das surpresas que a vida lhe reservou, momentaneamente sem forças. Foi então que a porta do quarto de sua princesinha se abriu e nela, com ajuda de uma bengala entrou seu pai, caminhando lentamente, parando perto de onde estava uma cadeira e se sentou, entretanto não disse uma só palavra simplesmente ficou ali o vendo chorar, vendo-o desesperado.
- Não posso viver sem elas... Eu simplesmente não sei como conseguiria! – murmurou verdadeiramente.
- Sei o que quer dizer, a primeira vez... A primeira vez que fui forçado a... A ser um bandido... – Carlisle fechou os olhos e se viu anos atrás do mesmo modo que seu filho estava agora. – Passei a noite vendo-o dormir, tentando levantar a cabeça e seguir em frente, porque era o único modo que tinha para viver, uma vez que... Sem vocês eu não conseguiria! – disse com a voz carregada de emoção.
Edward levantou a cabeça e encarou seu pai. – Como? Nunca consegui entender...
Carlisle sorriu triste.
- Não tive alternativa era fazer ou perder você e sua mãe... Então eu fiz! – respirou fundo – Seu tio Andrew nunca se conformou com a pobreza de nossa família, sempre foi uma dor de cabeça constante aos nossos pais, talvez por isso, meu pai me fez prometer que sempre estaria lá por ele... – sorriu – No começou confesso que adorava cumprir minha promessa, era fácil, pois o amor de irmãos que tínhamos um pelo outro era verdadeiro e profundo...
- Mas depois? – instigou Edward.
- Seu tio começou a aparecer com dinheiro a mais... Muito dinheiro a mais... Fiquei preocupado, mas... Mas estava prestes a casar com sua mãe então não me preocupei o tanto que deveria e deixei o barco andar e para o meu total desespero ele andou... Você tinha pouco mais de três meses quando bateram em minha casa para avisar que seu tio estava em estado grave... – respirou fundo – Foi terrível vê-lo agonizando, mas, mais terrível ainda foi descobrir o porque...
- Tio Andrew estava envolvido com agiota? – perguntou Edward.
- Sim... E era o melhor funcionário, soube que chegou inclusive a matar alguns...
- Por Deus! – murmurou Edward.
- Mas o pior de tudo foi saber que Andrew planejava roubar o lugar de seu chefe, por isso começou a furtar parte do dinheiro que conseguia... E como castigo foi apanhou até ficar próximo à morte. – balançou a cabeça – Pensei que tudo tinha acabado quando o levei vivo do hospital até em casa... Mas foi então que tudo começou.
- Foi forçado a trabalhar para eles?
- Nunca me esqueci desse dia... Sua mãe tinha saído, precisava comprar uns tecidos para costurar os pedidos que recebeu, estava sozinho com você e Andrew, seu tio nem ao menos conseguia andar, quando nossa casa foi invadida por vários homens... – fechou os olhos enquanto mais lágrimas desciam por sua face – Imobilizaram a mim e seu tio e pegaram você... Você chorava tanto enquanto aqueles homens ameaçam matá-lo... Não pude dizer não, era sua vida, a vida de seu tio, a vida de sua mãe... Aceitei em trabalhar de graça até conseguir o dobro do dinheiro que seu tio havia roubado...
Edward viu a dor na voz de seu pai, viu a dor e vergonha estampado em sua face e sentiu-se tão ferido quanto ele.
- A primeira vez que fiz esse serviço sujo foi tão terrível... Era uma senhora, mal podia ficar em pé e cuidava de sua filha doente... Estava completamente indefesa, mas nada fez além de chorar quando lhe era tirado tudo... Olhei em seus olhos e me senti o pior ser do mundo... Tudo o que pertencia a ela foi entregue e avaliado... Nada de muito valor como era de se esperar, pois, quem pede dinheiro a um agiota esta vivendo um completo desespero sem consegui enxergar a saída... Ali eu tive a certeza que seriam muitos e muitos anos causando o sofrimento nos outros... Seu tio começou a me acompanhar quando melhorou, mas nossa relação nunca mais voltou a ser a mesma e depois ele morreu me deixando fazer o trabalho sujo sozinho, noite após noite...
Edward se colocou no lugar de seu pai... Se ele lhe tivesse lhe contando essa história antes com toda a certeza o teria virado as costas sem entender, mas agora que era pai, agora que tinha uma mulher que amava, o entendia perfeitamente bem, agora finalmente poderia garantir que teria agido da mesma maneira.
- Naquela noite em que me viu, foi a ultima vez que trabalhei como um bandido, naquela noite finalmente o furto de meu irmão foi pago e me vi livre... – sorriu tristemente – Não tão livre quanto gostaria, porque eu não era mais forçado a tamanha crueldade, mas eu já havia destruído tantas pessoas que inevitavelmente deixaram marcas em mim e nem ao menos tenho o direito de pagar pelos meus pecados... Se algum dia falasse algo, minha família sofreria as conseqüências...
- E então ao invés de tentar lhe entender, acabo apertando a ferida de modo cruel... – murmurou Edward.
- Me senti tão humilhado, tão envergonhado... Não conseguia encará-lo, então comecei a ser cruel com você, tentando mostrar que a imperfeição existe em todos, tentando justificar meus pecados, os erros de seu tio... Vocês amavam Andrew, de certa forma não queria que a imagem do tio perfeito fosse quebrada.
O ambiente ficou em silencio por algum tempo, até Edward quebrá-lo.
- A mamãe e o Jasper... Eles sabiam?
- Na noite em que você me delatou com toda sua raiva extravasando, sua mãe me contou que seu tio Andrew em um momento de bebedeira acabou falando tudo a ela antes de morrer... E ela por sua vez, contou ao seu irmão pouco depois de você ter ido embora, ele estava muito magoado com você por conta da história com Kate...- sorriu triste – No momento em que o triangulo amoroso de vocês foi revelado eu soube, nenhum dos dois a amava, seu irmão a queria pela beleza e sedução que ela possuía, e você, pelo simples fato de querer se sentir amado, mesmo sabendo que com ela, não conseguiria sentimento tão sublime quanto o amor.
Edward o encarou com admiração – Você sempre nos conheceu tão bem...
- Vocês são meus filhos, e, além disso, vocês são meus eternos amores!
- Foi por isso que Jasper quis se aproximar? Quando percebeu o que Kate representava para nos dois?
- Acredito que quando ele se viu encantado por Isabella, antes disso, mesmo sabendo a verdade ele não o havia perdoado completamente.
Edward engoliu em seco. – Obrigado por esclarecer... – sussurrou sarcástico, fazendo seu pai sorrir.
- Jasper não ama Isabella, nunca amou não como você a ama. – suspirou – Não nego, os dois teriam sido felizes, mas hoje são completos estranhos um para o outro.
- Como pode ter tanta certeza?
- Porque eu amo sua mãe, e, quem ama enxerga onde existe amor!
Os dois se encararam por alguns longos minutos, até que Edward abaixasse a cabeça e colocasse suas duas mãos na nuca, sentia-se esgotado. Pensou por vários minutos no que seu pai lhe disse.
- E então a mamãe contou a Isabella? – voltou ao assunto central, não querendo pensar muito em Isabella com Jasper, no fato de que foram um casal feliz e apaixonado.
- Sim... Pelo que me lembro, contou tudo no dia seguinte em que Emmett foi embora.
- Porque ela nunca contou nada para mim? – Carlisle percebeu certa amargura na voz de seu filho.
- Porque quando estamos focados em algo, só enxergamos aquilo que queremos ver, sendo verdade ou não! – respondeu seu pai. Edward virou a cabeça e seu olhar além de lágrimas estava carregado de dor, duvidas, angustias e remorso – Venha aqui! – Disse Carlisle se levantando com dificuldade e “puxando” seu filho para seus braços calorosos – Tudo há de se resolver! – disse o abraçado.
- Estou com medo pai... Eu amo Isabella, amo Rebecca, mas não quero magoar meu irmão...
- Eu sei... Mas você tem a mim, tem a sua mãe, não importa o que aconteça, sempre nos terá!
- Eu te amo!
Carlisle fechou os olhos e permitiu que tais palavras enchessem seu coração dolorido de paz.
- Eu também te amo, meu filho!
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O som estava tocando ao fundo, havia pessoas conversando a sua volta, mas sua mente estava um turbilhão, uma verdadeira confusão, pareciam ter diversas vozes discutindo, desejando prevalecer, ganhar força dentro dele. Tomou o ultimo gole do que tinha em seu copo e encheu-o mais uma vez, já tinha perdido as contas do quanto tinha bebido.
- Jasper, meu amigo, tens certeza que não deseja falar? Talvez ajude... – murmurou Emmett visivelmente preocupado.
Jasper virou lentamente a cabeça e encarou seu amigo em silêncio por longos minutos.
O que iria dizer?
Estava tão confuso que nem ao menos sabia o que fazer, quanto mais dizer...
Bufou e voltou a se concentrar em sua bebida.
- Eu conheci alguém... – disse sussurrante, deixando Emmett de olhos arregalados com a confissão.
- Alguém...? – mordeu seus lábios e tentou organizar as palavras e perguntas que surgiam em sua mente. – Uma mulher?
A pergunta fez Jasper sorrir.
- Estava esperando o que? Um homem?
- Na verdade? Não estava esperando nada... Ninguém... Não depois de tudo que vi você e Isabella viverem juntos... Eu...
- Você pensou que talvez pudéssemos ser inatingíveis? – disse cortando-o – Eu não me lembrava de nada Emmett, nem ao menos sabia quem era, onde estava e porque estava ali... – Encheu seu copo mais uma vez de uísque – Então ela me apareceu... Cuidou de mim e me deu uma vida, algo porque lutar... – sorriu tristemente.
- Você se apaixonou por ela?
- Ela se transformou o meu mundo, estava indo pedi-la em casamento quando a verdade bateu de frete comigo... – mordeu seu lábio inferior e respirou fundo.
Os dois ficaram em silencio por longos minutos.
- Você a ama? É isso? Não quer Isabella...
- Eu não sei! – disse entredentes. Encostou sua testa na mesa e colocou as mãos na nuca. – Eu não sei... – sua voz estava fraca.
- Jasper, não entendo, você acabou de dizer-me que estava...
- Eu sei o disse Emmett, sei muito bem o que te falei, mas acontece que as coisas mudaram... – levantou a cabeça – Eu vim porque era o certo, eu abandonei a mulher que tinha certeza que amava mais que qualquer outra, porque deixei Isabella noiva e grávida... Voltei por obrigação, voltei me sentindo infeliz por abandonar minha “namoradinha”... Mas... – sua voz morreu.
- Mas...? – instigou Emmett.
- Pensei que não sentia nada, mas nada, além de respeito e carinho por Isabella, só que, vê-la de noiva, sorrindo... Ah Emmett, ela tem um sorriso lindo... Ela é simplesmente perfeita – virou e encarou seu amigo com os olhos brilhando em lágrima – Não vou dizer que esqueci minha inglesa, ela ainda martela em minha cabeça, em meu coração... Mas...
- Você descobriu que não esqueceu Isabella como pensou... – completou Emmett.
- Eu não sei Emmett, eu não sei... Meu coração está partido, minha mente está em miolos, é como se a parte que pertence a Isabella lutasse com a parte que pertence a Alice, e eu não sei quem vai ganhar... Eu só sei que amo as duas, de forma diferente, mas não muda o fato que amo as duas.
Emmett olhava para o seu amigo e tentava entendê-lo.
- Vai deixar Isabella ou a outra? – perguntou.
- Eu já deixei Alice, abandonei-a e vim viver uma vida sem amor... Mas agora, eu vejo que talvez não seja sem amor como pensei.
- E seu irmão?
Jasper suspirou e em seus olhos a chama de magoa e raiva floresceu.
- Sinceramente, começo a concordar com você, meu irmão é um maldito invejoso que sempre quis minha vida...
Emmett concordou, assentindo com a cabeça.
- Eu sempre soube, é uma pena que você tenha descoberto assim.
- Tudo bem, não posso mudar o passado, minha maldita ilusão familiar... – sorriu – Mas posso mudar o presente, alterar o futuro.
- O que quer dizer com isso? – perguntou.
- Vou recuperar minha vida de volta Emmett, custe o que custar, tudo que é meu, voltará para mim!
Neste momento, escutando seu amigo, vendo a face maligna que possuía, Emmett soube o Jasper que ele conhecia e tinha como um irmão havia acabado de morrer!
FIM DO CAPITULO
Notas finais
Então, Karen já sabe quem conta a história....
E vcs??? Algum suspeito????
La La La La.....
Ahhh
A conversa de Edward com Carlisle foi linda.... Deu para compreender um pouco desse personagem que ficou as escuras por um bom tempo durante da história????
E Jasper???
Será que nosso doce soldado vai msm requer sua noiva??
E como Isabella irá encarar td isso???
Eitaaa
Posso dizer que o próximo cap teremos duas personagens hiper querida de vcs...
Teremos Rose, Alice...
Tbm teremos Tanya e Isabella em uma conversa.... hummmm.... posso dizer mais nd...
Agora me vou.... e domingo que vem a gente se encontra com um cap novinho....
Ahhh
Pra quem ainda n foi conhecer minha nova fic...
Aqui está seu link:
http://fanfiction.com.br/historia/281420/Amor_Inesperado/ageconsent_ok
bjocas *-*
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