Vida Roubada
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Com lagrimas nos olhos, Karen encarou seu amigo. Era tudo tão bonito, nem ao menos parecia real, a sua história regada à traição, essa sim, parecia à realidade do mundo, essa sim era a sua realidade. Levantou-se da cadeira que estava sentada e olhou janela a fora. Estava tudo escuro, a chuva ainda estava forte, banhando cada canto descoberto, e olhar para uma paisagem fúnebre só fez deixá-la mais atormentada.
– Não entendo, porque está me contando tudo isso? – perguntou quando uma lágrima solta desceu por sua face.
Era uma maldita história de amor, e no momento em que seu coração destroçado se encontrava escutar uma história assim era o mesmo que pisar em seu coração sem qualquer piedade.
Ele sorriu e encarou sua doce e jovem amiga. – Na hora certa irá entender, tem muito água ainda para passar por debaixo da ponte.
– Como assim? Eles descobriram que estão apaixonados, isso por si só já basta, não? Com o tempo as coisas vão se resolvendo, por mais complicado que seja. – perguntou confusa.
– Karen, sua doce ingenuidade é fascinante! – disse divertido.
– Não estou entendo... – estava confusa, virando-se para encará-lo novamente.
– Quando estamos apaixonados, sentimos como se nada pudesse nos atingir, mas o amor por mais mágico que seja não é imune aos tormentos que nos rodeia. A vida não é perfeita Karen, nos não somos perfeito, por isso, o amor não poderia ser diferente!
Sorriu irônica – Você acha que eu não sei disso? Depois de tudo o que passei sei bem que o amor não é perfeito – disse com a voz torturada.
Ele suspirou – Só espero que com a final dessa história, você entenda o que Carlos Drummond de Andrade disse certa vez: A dor é inevitável, o sofrimento é opcional. – disse olhando fundo nos olhos da garota que amava como se fosse uma filha.
Ela abaixou a cabeça, sabendo que ele estava se referindo a história que contava, mas também a sua história, a sua realidade – O que aconteceu, porque da dor?
Ele suspirou – Talvez porque, para começo de conversa, nem todo mundo esta preparado para presenciar tamanha magia. O amor contagia, mas às vezes incomoda, e isso pode ser um tanto quanto trágico.
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Assim que chegaram a casa o sorriso e o brilho nos olhos de ambos deixava claro que o amor poderia transformar até mesmo vidas que estavam relativamente “esquecidas” como a deles. Ela por acreditar que nada de especial poderia lhe acontecer e ele por pensar que a vida jamais iria lhe dar de presente alguém que pudesse tornar tudo ainda mais belo, que pudesse com sua simples presença fazer com que seus tormentos se tornassem pequenos.
Com o carro estacionado e os faróis desligados, ele encarou-a, tendo somente a luz da lua e estrelas iluminando os belos traços de Isabella levou sua mão de encontro os seus lábios deixando-a com o coração disparado, beijando cada dedo delicado de sua esposa levemente, fazendo-a suspirar com um ato tão singelo e ao mesmo tempo intimo.
– Não fazia idéia que estava casada com alguém tão galante. – comentou com um brilho divertido nos lábios.
– Ah, você ainda não sabe muitas coisas sobre mim – deu um ultimo beijo na mão de Isabella e aproximou-se da face da jovem, dando um leve beijo no canto de seus lábios – Mas eu não faço qualquer objeção sobre você descobrir tudo.
Ela suspirou, virou a cabeça e encostou seus lábios nos dele, iniciando mais um delicioso beijo. – Amanhã você tem que acordar cedo? – perguntou em meio ao beijo.
– Não... Estou dispensado... – sussurrou enquanto mordiscava o lábio inferior de sua esposa. – Vou ter o prazer de vê-la despertando. – puxou-a delicadamente para mais perto dele aprofundando o ato, deixando que o hálito quente e a língua macia de ambos se fundissem em puro deleite.
Foi então que a contragosto, Isabella separou-se dele, emoldurou a face de Edward que apreciou o contato de suas mãos em sua pele – Temos que entrar, está tarde. – disse sussurrando com os olhos fechado para não encará-lo, não teria força de parar com o beijo se olhasse para tão belos olhos e lábios levemente inchados.
Ele respirou fundo e assentiu, saiu do carro e ajudou Isabella a fazer o mesmo. Abraçados, ele acariciou a enorme barriga de sua esposa. Juntos adentraram pela primeira vez a casa como um casal, mas não estavam preparados para o que lhes aguardavam.
Emmett estava sentado na poltrona e não pode se conter diante da cena que via se desenrolando a sua frente, já havia se calado demais e de nada adiantou para evitar o que havia acontecido. – Está vendo como estou certo! – disse com a voz rude, chamando atenção dos dois que de tão concentrados um no outro, não perceberam, na verdade nem mesmo se lembraram que Emmett dormia na sala ou que estava na mesma casa que eles.
Na verdade, não se lembravam de ninguém, de repente o mundo onde só havia os dois ruiu.
– Não há amor que resista a tanto sofrimento, é só olhar para você e ver que Jasper já não significa nada!
A magia ainda existia, a sensação de estar protegida por ter Edward ao seu lado não tinha desaparecido, mas ao ver Emmett ali parado com um olhar acusador voltado para ela, fez Isabella ter certeza que por mais que não pudesse mais voltar atrás, sua atitude de se permitir envolver traria conseqüências, algumas boas, outras nem tanto.
Com um sorriso triste nos lábios Emmett olhou com nojo para Edward – O que esperar de você? É tudo um jogo não é? Fez-se de bom moço esse tempo todo, quase me enganou quando cheguei aqui, mas não demorou muito tempo para entender o que você quer! – disse raivoso.
– Você não sabe o que está falando! – disse Edward calmamente, mas não deixando de ter sua voz carregada de altivez.
– Ah, não? Tem certeza? – disse Emmett desafiante – Eu vi os dois aos beijos no carro, e mesmo se eu não tivesse olhado está nítido só em vê-lo juntos.
– Emmett nos não planejamos nada... Só aconteceu... E além do mais, Jasper não está mais aqui, acho que ele gostaria de ver que apesar de tudo eu estou bem! – disse Isabella fazendo-o gargalhar.
Triste com a reação do amigo olhou para Edward com os olhos cheios de lágrimas. Em resposta ele lhe sorriu e acariciou sua face – Suba, deixe que eu converso com ele.
– Esta com medo que ela descubra o verdadeiro Edward? – interferiu Emmett, levantando-se e dando um passo a frente com dificuldade – Você é um porco!
– Emmett! – gritou Isabella repreendendo-o.
– Você não sabe, mas ele só esta te usando para se vingar de Jasper, que mesmo estando morto eu garanto não esta gostando de nada disso, afinal, seu irmão nem sequer esperou que sua noiva pudesse ter a criança para começar sua patética vingança! – disse alterado
– Peço que se acalme, delirar aos gritos não irá adiantar em nada! – falou Edward ainda contido.
– Delirar? Delirar? Por favor, chega de teatro. Quem conhece a história sabe muito bem que tipo de homem você é! – olhou para Isabella – Ele por acaso já lhe contou do porque ter saído de Forks?
– Cale a boca, você não tem o direito!
– Pergunte a ele o que o nome Kate quer dizer, pergunte o que ele fez Jasper passar, já que é tão inocente assim não terá problema algum em lhe contar a verdade! – gritou ainda mais alto, fazendo com que Sarah e Esme que estavam dormindo acordarem assustadas.
– Fale mais alguma sandice e eu não irei me controlar! – avisou Edward com o olhar raivoso.
– O que é? Tem medo que Isabella descubra o quão baixo você é, ou quem sabe tem medo que ela descubra sua inclinação em seduzir as mulheres do irmão mais novo?
Foi tudo o que Edward precisou, avançou em Emmett como um touro raivoso, arrancando gritos de Isabella, assim como os de Esme e Sarah que tinha acabado de aparecerem na sala. Sem saber o que fazer, vendo os dois se socando e rolando no chão, Isabella se aproximou, sendo lançada por Emmett para longe.
– Oh Deus! Isabella! – gritou Esme se aproximando de sua nora que por sorte caiu no sofá.
Os dois percebendo o que tinha acontecido pararam a briga, Emmett olhou para sua amiga e deixou que uma lágrima descesse por sua face ao vê-la sendo afagada por Edward que se aproximou preocupado.
– Eu estou bem! – disse tremula.
– Não, não está, olhe só como está tremendo! – disse Esme preocupada.
Edward olhou para sua esposa, viu que seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas soube que não se tratava de dor física, respirou fundo – Vou levá-la para o quarto, ela só precisa se deitar! – disse pegando-a no colo.
– Se quiser faço companhia para ela! – se ofereceu Esme visivelmente preocupada.
– Você tem que cuidar de Carlisle mãe, deixe que de Isabella cuido eu! – falou firme, não deixando duvidas.
Isabella se agarrou a ele, escondeu seu rosto no pescoço de Edward e enquanto ele subia os degraus da escada com ela nos braços, olhou para Emmett que ainda não havia se mexido, continuava sentado no chão deixando que as lágrimas caíssem por sua face.
– Emmett... – sussurrou Esme ao ver o estado em que ele se encontrava. Aproximou-se e se sentou no chão, abraçando-o.
– Ele a tomou Esme, fez a mesma coisa que tinha feito antes, só para se vingar... – sussurrou abraçando-a.
Esme olhou para Sarah que estava paralisada com a cena que se desenrolava, com um gesto de cabeça silencioso pediu para que ela os deixasse sozinhos.
– Não diga isso Emmett, Edward não sabia de nada sobre Kate... – falou docemente.
Sorrindo triste ele se afastou e encarou-a – Ele sempre foi seu preferido não é mesmo?
Carinhosa ela levou sua mão até a face de Emmett e o olhou com o olhar mais doce que ele já tinha visto na vida – Você não entende, não teria como entender... – suspirou – Porque nem ao mesmo se deu conta de que o próprio Jasper seguiu em frente. Ele enterrou o passado.
– Mas ao que parece Edward continua o mesmo. Não vai me dizer que não viu como ele envolveu Isabella em sua teia...? – balançou a cabeça negativamente – Eles estão juntos, juntos de verdade, eu vi os dois aos beijos.
– É claro que eu percebi, não sou cega, já vivi muita coisa em minha vida e por isso posso lhe afirmar, Isabella não é Kate, a história não esta se repetindo. É amor Emmett, se você parar e olhar com mais calma vai entender o que estou dizendo.
Ele suspirou cansado, levantou-se e olhou para o saco de exercito que ainda guardava suas roupas, organizou suas poucas coisas que estavam espalhadas e encarou Esme com a feição triste, pois sabia o que ele iria fazer – Não consigo mais ficar aqui, a casa é dele!
– Eu entendo!
– Diga a Isabella que apesar de tudo eu ainda tenho carinho por ela e que jamais irei me esquecer da promessa que fiz ao meu amigo, ela sempre poderá contar comigo! – afirmou antes de dar um beijo na testa de Esme e sair. Ela nem ao menos pensou em convencê-lo do contrario, tinha total conhecimento de que seria inútil.
Precisava ficar longe, não agüentaria ficar mais um minuto naquela casa onde as memórias de seu amigo viraram pó, andou pela rua escura e deserta com dificuldade, com seu saco do exercito sobre os ombros, a bengala que usava para apoiar-se nas mãos, ajudando-o a dar casa passo.
Tentou, mas se tornou impossível evitar que as lágrimas caíssem por sua face, mais uma vez ele havia falhado com seu amigo, Isabella estava pressa no jogo de Edward e não havia nada que ele pudesse fazer a respeito, nada para evitar que ela sofresse. Olhou para as estrelas e lamentou não ter sido ele que tenha morrido.
“Perdoe-me” sussurrou para a escuridão rezando para que seu amigo de longe pudesse escutar e de alguma forma pudesse compreendê-lo. Fechou os olhos e voltou anos atrás, quando ainda eram meninos, quando mal tinha saído do ensino médio.
“Quero que você a conheça formalmente Emmett” ele conseguia escutar a voz do amigo ao falar sobre a namorada. Conseguia se lembrar com riqueza de detalhes daquele dia, de como ele estava empolgado. Na noite anterior haviam ficado juntos, beijou-a pela primeira vez e não conseguiu dormir pensando nela.
Kate de fato era uma das meninas mais bonitas de Forks, com seus olhos azuis como o céu hipnotizava a todos, seus cabelos cor de bronze que batia abaixo da cintura faziam com que todos viajassem em pensamentos, seus lábios carnudos e vermelhos eram desejados por muitos. Seus seios volumosos na medida certa ficavam sempre marcados nos vestidos que usava, assim como sua cintura fina e delicada.
Definitivamente, Jasper conseguiu para si um dos tesouros mais preciosos da cidade, muitos morreriam de inveja.
Estavam saindo do trabalho, Jasper estava tão apressado que nem se deu ao trabalho de querer que eles passassem em casa para um banho. Os pais dela eram donos de um pequeno restaurante próximo a praia. Eles estavam viajando, por isso, Kate estava trabalhando dobrado, mas como era doce e meiga, não demonstrava estar se importando.
Há meses os dois trocavam olhares e sorrisos e finalmente ontem tinham enfim estreitado os laços.
Quando chegaram até o restaurante viu a placa por dentro avisando que estava fechado. Triste Jasper já tinha aceitado deixar as apresentações para depois, mas um barulho de algo caindo dentro do estabelecimento fez o que ele olhasse para Emmett preocupado.
Os dois seguindo os instintos testaram a porta, estava aberta, nem ao menos precisaram arrombar. Trocaram olhares preocupados e começaram a caminhar lentamente. Jasper somente conseguia pensar na segurança de Kate e talvez por isso seus olhos tenham demorado a entender o que viram quando chegaram à cozinha.
Sua Kate, a menina que estava flertando há dias estava nua, deitada na mesa enquanto seu irmão se aprofundava intimamente nela. Os dois estavam tão absorvidos ao prazer que custaram a notar que tinham espectadores.
Enquanto lágrimas de dor e decepção desciam pela face de Jasper, Kate tentava a todo custo esconder seu corpo nu, enquanto Edward o olhava finalmente entendendo o que estava acontecendo.
Foram difíceis os dias que se seguiram, Edward tentou de todas as maneiras fazer com que seu irmão o perdoasse, mas quando Carlisle explodiu ao descobrir de toda a sujeira, expulsou seu filho de casa, não admitiu tal coisa debaixo de seu teto. E então nunca mais manteve contado.
Quando Isabella entrou na vida de Jasper, ele começou a viver novamente, seus olhos voltaram a ter brilho e como conseqüência perdoou o irmão por um ato tão imundo.
De volta à realidade, Emmett sorriu amargamente, o que pensaria seu amigo, o que sentiria Jasper se soubesse que mais uma vez seu irmão havia roubado a mulher que ama? Caminhando sem destino, ele começou a pensar em sua Rose, desejando do fundo da alma que pudesse ter os delicados braços de sua amada o envolvendo, pois diante dos acontecimentos, somente ela com sua afabilidade seria capaz de aplacar a dor da culpa e arrependimento.
Entretanto ao mesmo tempo em que a desejava ao seu lado, sabia que não tinha esse direito. Isabella era a prova viva de que o sofrimento destrói qualquer sentimento bonito que alguém possa sentir, e ele não seria capaz de suportar que depois de ter esperanças ela viesse a deixá-lo, por isso, a decisão que tomou não poderia ser melhor. Afastar-se de seu amor era o certo!
Enquanto Emmett tentava acalmar seus tormentos, Isabella permanecia deitada na cama de Edward sem dizer uma só palavra, olhando para ele que estava de costas. Com um suspiro cansado ela chamou atenção para si, por mais que desejasse ficar sozinho com seus tormentos, não iria conseguir ficar longe dela, estava preocupado, ela havia sido empurrada com força e de certa forma ele era o culpado.
– Se desejar a levo para o hospital! – disse ainda distante, por mais que não tenha hesitado em levá-la para o seu quarto, desde que a colocou deitada na cama não se aproximou.
– Eu estou bem, não preciso de medico algum... – suspirou – Talvez eu precise de um abraço! – disse sugestiva.
Ele sorriu triste, e com passos lentos se aproximou, sentou-se ao lado de sua esposa e a envolveu em seus braços, que sem qualquer receio, Isabella se acomodou em seu peito. Carinhoso ele beijou o topo de sua cabeça demoradamente.
– Eu me sinto protegida ao seu lado... – disse sussurrante – Mas também me sinto ligada a você de uma forma que é estranha, é como se eu soubesse somente em olhar para os seus olhos, ou em tocar suas mãos a verdade que tenta esconder com tanto afinco.
Ele respirou fundo – Quando fomos à fazenda de Derek, ele me disse que todos têm sua cota de arrependimento na vida, que quando a idade avança passamos a pensar em tudo... – sua voz morreu por um instante – No meu caso nem ao menos precisei esperar muito tempo.
Isabella virou-se delicadamente, encarou Edward e viu seus olhos turvos pela dor, carinhosamente emoldurou a face de seu marido carinhosamente e lhe lançou um sorriso. – Eu conheci um Edward maravilhoso, e apesar de estar com a minha cabeça martelando sobre o que Emmett disse não vou forçá-lo a me dizer nada, se não me disse antes foi porque não era o momento e sei que quando chegar a hora vai dizer o que eu preciso saber.
Ele pegou uma das mãos de Isabella e levou até seus lábios, beijando demoradamente. – Você sabia que assim que acabei o período escolar eu me inscrevi em inúmeras faculdades? – sorriu ao se lembrar de um passado não tão distante – Minhas notas eram exemplares, meus professores mandaram cartas de recomendação, e apesar de ter sido aceito em praticamente todas as universidades de grande importância do país, nenhuma me ofereceu uma bolsa de estudos, então não me restou alternativa, fiquei em Forks e consegui um trabalho como redator do jornal, afinal, minha ortografia era impecável.
Isabella soube no exato momento em que ele começou a lhe contar sobre seu passado e que talvez ela pudesse entender o que afastou dois irmãos que se amavam como poucos que ela chegou a conhecer.
– Não ganhava nem metade do que ganho hoje, mas era muito comparada a renda que tínhamos em casa, então metade do recebia entregava para minha mãe e a outra metade guardava, ainda tinha esperanças de que algum dia pudesse ir para uma universidade. – sorriu – O meu emprego era comentado, de uma forma estranha comecei a ser um bom partido fazendo com que as meninas se aproximassem de mim, foi então que comecei a esquecer dos meus sonhos e passei a ficar encantado com os olhares e sorrisos que recebia.
Um nó surgiu na garganta de Isabella. Será que ela estaria preparada para escutar ele falando sobre as garotas que namorou?
– Comecei a sair com algumas garotas, mas nada muito serio. – suspirou – Foi assim que conheci Kate, era uma jovem linda, tinha somente 17 anos e sabia ser coquete como poucas mulheres que conheci em minha vida, talvez por isso, abandonei todas as outras e começamos um romance escondido.
Uma raiva crescente começou a nascer dentro dela, só de imaginar ele com outra uma dor rasgava em seu peito. Mas que direito tinha ela sobre ele? Eles nem ao menos se conheciam e mesmo assim, entre eles só haviam acontecido alguns beijos a luz do luar.
Mordeu seu lábio inferior. Quem ela estava tentando enganar? Não foram somente beijos, foram mais que isso, então sim, ela tinha o direito de se sentir assim...
Se sentir com ciúmes!
– Foram encontros divertidos, era bom, mas não passavam de um alivio momentâneo para tudo o que era errado em minha vida, e talvez por isso, quando um dia eu fui visitá-la no restaurante de seus pais eu só senti raiva ao me comunicar que teríamos que deixar de nos encontrar, porque ela estava apaixonada e esse sentimento era correspondido. Foi então que uma idéia absurda me tomou o pensamento. Já que estávamos acabando, que mal havia em uma despedida? Pelo menos foi isso que disse a ela, mas na realidade a minha intenção era prendê-la mais a e mais a mim. Kate era o meu remédio, não poderia deixar que ela se fosse tão facilmente. No começou ela relutou, mas eu a conhecia muito bem, sabia de seus pontos fracos e acabei convencendo-a com toques e beijos. Colocamos a placa de fechado na porta e formos para a cozinha...
A dor era ainda mais visível na face de Edward, assim como a culpa.
– Não fazia idéia que era Jasper, Kate jamais me disse qualquer coisa... Mas no instante em que vi meu irmão e Emmett parado na entrada da cozinha eu entendi, as peças começaram a fazer sentido, as semanas em que ele me pediu conselhos, o jeito como chegou à noite anterior, a alegria estampada no rosto dele... Era Kate, ele estava apaixonado e de um modo que até hoje acho estranho, era correspondido.
Jasper tinha sido o seu primeiro amor, era para ela se sentir incomodada, não?
Então porque ela só conseguia pensar em um jeito de acalentar Edward ou em como era horroroso pensar nele com outra?
Ela o acariciou mais delicadamente.
– Então as coisas ficaram insuportáveis, Carlisle deixou morrer todo o seu instinto paternal e me mandou embora de sua casa, de repente eu só tinha Esme... Tentei procurar por Kate, propus casamento, afinal eu havia desonrado-a, mas ela não quis nada comigo, fiquei sabendo que por meses tentou voltar para Jasper até que percebeu que não havia mais nada o que pudesse fazer para reconquistá-lo e então saiu da cidade. Não faço idéia o que aconteceu com ela. Foi difícil, mas eu consegui da à volta por cima, voltei a me concentrar em meu antigo sonho e mesmo depois de Jasper parecer ter esquecido tudo e querer um contado de irmãos novamente, eu ainda não estava preparado... Nosso triangulo amoroso desencadeou tormentos demais.
Ela o olhou com cuidado, por mais que soubesse que era tudo verdade, também soube que não era toda a verdade, ainda tinha mais coisas escondidas, e por mais que sua curiosidade lhe gritasse para instigá-lo a contar tudo, ela sabia que aquele não era o momento.
Por isso fez o que seu coração mandou, o abraçou e no silencio da noite deixou que o calor de seu corpo e o bater de seu coração, assim como os leves movimentos em seu ventre permitissem uma noite tranqüila para ambos, apesar da turbulência que tinham vivido.
Quando Isabella despertou assustou-se com o fato de ter sido a primeira vez que tinha acordado primeiro que Edward e sorriu ao vê-lo mergulhando em um sono profundo. Cada traço dele estava relaxado e foi então que ela percebeu o menino que ainda existia dentro dele. Os minutos foram passando e ela nem sequer se mexeu, permaneceu ali, parado com os olhos presos nele e descobriu que poderia ficar bem somente fazendo isso.
Foi então que aos poucos ele foi despertando, o mundo dos sonhos foi ficando para trás e a realidade começou a lhe atingir. Quando abriu os olhos e se deparou com os lindos olhos de Isabella lhe encarando, assim como o lindo sorriso de sua face, entendeu que pela primeira vez em muito tempo, alguém acalentou mais do que seu corpo, mas sua alma e seu coração atormentado. Ao ver nas feições de Isabella amor, pela primeira fez se sentiu livre da sensação de culpa que o assombrava quando se lembrava de seu irmão.
Mas logo uma pontada de dor o cutucou, o que pensaria Jasper se pudesse vê-lo completamente apaixonado e entregue pela mulher que amava?
Emmett estaria certo?
Sentiu as mãos de Isabella lhe acariciando a face – Bom dia! – lhe sussurrou, era como se ela soubesse a dor que se passou em seu coração, e com o simples ato de tocá-lo docemente mandou a pontada incomoda para longe.
Ele não previu isso, simplesmente aconteceu se apaixonou e não conseguia se vê mais longe da esposa que o destino lhe deu de presente. Já havia vivido tormentos e visto muitas coisas acontecendo com sua vida e as das pessoas que lhe rodeavam, e por isso enterrou qualquer receio que pudesse ter, amava Isabella, nunca sentiu isso por ninguém e duvidava que pudesse sentir por outra pessoa algo parecido e por isso enfrentaria a todos se fosse preciso, mas viveria esse amor, lutaria por essa mulher que trouxe um sentindo a sua vida, e seria o melhor pai para sua menina.
Sabia da existência de Jasper no passado dela, mas duvidava que ela tivesse alguma vez olhado para o seu irmão da forma que estava olhando-o agora, pois sabia que seu sentimento era recíproco, e tal sentimento não era fácil de se sentir, era único, especial e somente pessoas com sorte tinham esse prazer.
Com um sorriso nos lábios virou a cabeça para o lado fazendo com que a palma da mão de sua doce esposa pousasse em seus lábios, beijando delicadamente, passando pelo pulso, lançou um olhar travesso para ela que estava visivelmente apreciando o carinho, dando totalmente liberdade para ele continuar, e foi o que fez, distribuiu beijos demorados por toda a extensão do braço de Isabella, chegando ao ombro, partindo para o pescoço, se demorando no contorno da delicada mandíbula para enfim encostar seus lábios aos dela.
Foi um beijo manhoso e delicado, o gosto inicial não foi muito atrativo, afinal, os dois estavam com o famoso hálito matinal, mas, logo o gostoso toque de lábios gritou mais alto e o beijo só foi interrompido graças ao barulho de alerta que saiu da barriga de Isabella, fazendo os dois sorrirem.
– Você é tão cruel... – disse ainda com os lábios colados aos dela.
Com as mãos nos cabelos de Edward sorriu recebendo os selinhos que ele lhe dava – O que fiz? – perguntou rouca.
– Você nasceu com os lábios mais deliciosos do mundo, é quase um crime possui uma boca tão convidativa...
– Hum... Aposto que agora ela não esteja tão deliciosa assim... – a contra gosto se afastou de Edward – Nem ao menos escovei os dentes Edward! – com certa dificuldade levantou-se da cama.
– Serio? Nem percebi! – disse ainda deitado na cama, olhando para sua esposa que lhe retribuía com um olhar incrédulo.
– Pena que não posso dizer o mesmo para você! – falou sorrindo.
Fingindo está ofendido levou as mãos até o coração – Assim você me magoa!
Foi o que precisavam, começaram a gargalhar do pequeno teatro que estavam encenando. Edward levantou e abraçou-a carinhosamente.
– Vou para o meu quarto, preciso tomar um banho, ainda estou com a mesma roupa que saímos ontem, e você também, por isso aconselho a fazer o mesmo! – disse Isabella abraçando-o mais apertado.
– Um banho é uma boa pedida... – suspirou tentando afastar a imagem dela junto dele enquanto tomavam banho. Sabia que ainda não era o momento. – Nos encontramos na cozinha para o café?
– Hum... Hum... Não demore, estou faminta! – disse dando-lhe um selinho nos lábios.
– Não se preocupe, não vou agüentar ficar muito tempo longe de você! – disse retribuindo o carinho – Mas peço que se arrume, vamos passar o dia fora, quero levar você a um lugar!
Ela olhou-o curiosa – Posso saber onde? – perguntou.
– Na hora certa... – deu mais um beijo rápido nela e então se afastou, abaixou-se e beijou demoradamente a barriga que abrigava seu pequeno tesouro – Cuide da mamãe, prometo que logo estaremos juntos!
Seu coração acelerou com o ato, foi difícil sair e deixá-lo depois de um despertar maravilhoso, mas sentiu-se melhor ao pensar em todo o dia que passariam juntos. Quando suspirando adentrou em seu quarto, encontrou sua sogra.
Esme estava sentada na poltrona, olhava para ela com certa seriedade, seu coração acelerou, mas sabia que cedo ou tarde esse momento chegaria. Era ciente de que muitos poderiam lhe julgar, mas nunca foi de se esconder atrás de seus sentimentos, e não faria isso agora.
Jasper sempre estaria em sua memória, mas era Edward que desejava ao seu lado.
– Acho que precisamos conversar! – disse Esme assim que Isabella fechou a porta de seu quarto.
Suspirou – Eu posso tentar explicar tudo o que está acontecendo Esme, mas mesmo que você não compreenda, mudar o que se passa em meu coração está fora de questão!
Como resposta ela sorriu – Acredito que ouvi-la dizer o quanto está apaixonada pelo meu filho, defendendo esse sentimento com tanto afinco seja encantador, mas podemos deixar isso para outro momento, porque agora, o assunto que me trouxe ao seu quarto é bem mais sério que uma provável recusa em relação à vida amorosa de vocês
Isabella não sabia, mas iria descobrir que a história da família Cullen começou antes de Esme e Carlisle se unirem, e querendo ou não, certas verdades seriam mais úteis guardadas a sete chaves.
FIM DO CAPITULO
Notas finais
Então, o que acharam do cap???
Deu pra entender melhor o Emmett???
E será mesmo que o Edward n sabia sobre Kate e Jasper????
E o principal.... que segredo esconde Esme????? o que sera q Isabella descobriu????
Ihhhh.... algo me diz q isso ainda vai da pano pra manga.....
Muito obrigada pelos deliciosos comentarios do cap anterior.... Louca pra saber a opinião de vcs.... por isso comentem, comentem, comentem....
Quem sabe não rola uma postagem no domingo..... la la la.... depende somente de vcs.....
bjocas e até a proxima....
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