Vida Roubada
6 Capítulo 6
A chuva caia sem qualquer piedade, os raios ecoavam raivosos deixando ouvidos sensíveis como os de Karen temerosos, entretanto, pela primeira vez na vida desde que ela começou a ter noção das coisas, seu medo por trovões havia desaparecido de forma súbita. Estava tão concentrada no que seu amigo e paciente lhe falava que nem ao menos tremia ao eco antes aterrorizante.
- Eles estavam apaixonados e nem ao menos se deram conta disso... – murmurou Karen.
- O amor é uma sementinha maligna que finca suas raízes em nossos corações e mentes sem que ao menos possamos notar, então quando percebemos sua presença, já é tarde demais... Arrancá-lo de dentro de nós é doloroso e deixam feridas que sempre estarão conosco, sangrando ou como cicatrizes que perpetuarão em nossas lembranças para todo o sempre.
- Nossa... Profundo isso! – comentou pensativa.
- Uma pessoa me disse isso uma vez... Faz muito tempo, mas jamais esqueci. – comentou com os olhos distantes.
- Deve ter sido alguém especial, para tê-lo marcado deste modo.
Sorriu – E foi, alguém que jamais morrerá em minha mente.
O silencio dominou o ambiente por algum tempo, porém Karen não conseguiu ficar sem saber mais sobre a história que ouvia, ela sentia uma forte compaixão por Isabella e adoraria saber o que aconteceu a sua vida.
- Então... O que aconteceu?
Ele suspirou – Tanya e Edward ainda continuaram a se encontrar por um tempo, porém tudo havia mudado... Sem que ele pudesse compreender o motivo, não se sentia mais atraído pela bela loira que esquentou sua cama por tantas vezes e por mais que ela se esforçasse para fazê-lo enxergá-la novamente, tudo o que conseguia era se sentir mais suja... Irônico até, ela jurava que nunca mais se deitaria com ele, mas sempre que o via seu coração e corpo se entregava e depois, quando já havia cruzado a maldita linha mais uma vez, ela se arrependia por ser tão fraca.
- Ele a deixou?
- Não – sorriu – Ela o deixou, Tanya era decidida demais para esperar que ele tomasse uma atitude tão previsível como à separação. Ela havia começado a história, nada mais justo que ela terminar, até porque, havia se decidido a dar mais uma chance a sua vida e a relação entre Isabella e Edward estava se estreitando a cada dia que estava ficando difícil para ela lutar contra. O amor foi muitíssimo esperto, ludibriou os dois, se disfarçou de amigo para no momento certo dar o xeque-mate. Mas antes de tal acontecimento, uma visita inesperada deu um tempero extra à relação dos dois. Emmett voltara trazendo consigo a memória de seu amigo, mas o que nenhum deles sabia era que ao voltar, ele também uniria mais ainda marido e mulher.
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Isabella já estava no sexto mês, sua pequena barriga antes disfarçável hoje era um tanto quanto volumosa. Todas as suas roupas já não entravam, seus pés e mãos estavam inchados assim como seu nariz e lábios.
Não conseguia entender como Edward pode aceitar a oferta de ir à fazenda de Derek Durbin, pai de Jane Volturi. O que iria fazer em uma casa de campo no estado da Virginia? Nem ao menos sabia onde ficava Lexington até ser convidada. Não estava se sentindo muito confortável ultimamente em sua casa, imagina em uma pertencente aos “Volturi’”.
Mas não lhe sobrou alternativas, seu marido lhe deixou bastante claro que não perderia esse maldito aniversario por nada, e que ela como esposa era obrigada a acompanhá-lo. Se lhe restasse outra opção, de certo escolheria ficar longe dos Volturis e seus empregados.
Suspirou ao se virar de lado e se olhar no espelho. Estava ficando enorme e isso há deprimiu um pouco... Entretanto uma pequena movimentação a deixou sorridente. Sempre que seu bebê dava sinal de que estava tudo bem fazia com que uma onda de alegria e amor dissipasse todas as suas preocupações e tristezas. Ele era sua força.
Ficou por vários minutos analisando sua barriga, acariciando-a e falando palavras doces e carinhosas ao seu pequeno que logo chegaria ao mundo.
– Entre! – disse após uma batida lhe tirar de seu momento mágico.
Era Sarah, e sua expressão não estava muito iluminada como o habitual. – A senhora tem visita. – informou.
– Visita? Tanya? – A jovem mulher ultimamente a visitava constantemente. Isabella sentia-se solidaria a ela, afinal, a loira sempre estava com olhos tristes.
– Não senhora, é um homem!
Ela arqueou a sobrancelha curiosa. – Não conheço homem algum que poderia me visitar.
– Ele diz se chamar Emmett!
De repente o quarto começou a rodar, o ar começou a faltar e o chão parecia ter sumido de forma inexplicável. Sem entender como ela conseguiu com certo sacrifício chegar a sua cama e se sentar, respirou fundo algumas vezes para tentar voltar a ter o controle de seu corpo.
– Isabella, está sentindo alguma coisa? Está chorando. – perguntou Sarah.
Nem havia percebido que lágrimas desciam por sua face. – Estou bem! – garantiu ao puxar uma golfada de ar e solta-lo novamente – Acomode-o na sala, só preciso de alguns minutos sozinha, já desço.
Sarah saiu sem dizer nada, tinha achado a reação de Esme estranha quando o jovem rapaz com roupa do exército havia aparecido, mas nada se comparou a reação de Isabella. O que afinal tinha esse homem que despertava dor nos olhos das duas?
Enquanto Sarah fazia conjecturas, Isabella se deixava mergulhar em lembranças, para um dia que preferia esquecer. Um dia após o seu momento mais sublime de entrega ao homem que amava.
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Todas as pessoas a sua volta que lhe dirigiam o olhar pareciam saber o que havia lhe acontecido na praia, era como se ela carregasse na cabeça em letras garrafais que não era mais virgem, que não fora paciente o suficiente para esperar até que estivesse casada.
– Está arrependida? – perguntou Jasper apertando sua mão um pouco mais forte, compreendendo de forma errada sua reação nervosa. Querendo dissipar qualquer pensamento incorreto dele, parou de caminhar, voltou-se para ele e o abraçou, beijando-o delicadamente nos lábios, não se importando com comentários futuros sobre seu comportamento.
– Eu amo você, amo muito você... Eu só tenho medo das coisas não saírem como desejamos!
– Hei... Não quero que fique assim! – acariciou a face da namorada – Tudo vai passar rapidamente, você vai ver.
– Não me arrependo de nada, o que vivemos ontem... Foi... Mágico e... – sorriu em meio às lágrimas – Como vou conseguir ficar todo esse tempo longe, sabendo do risco que está passando? Ir para a guerra não é o mesmo quando você sai para caçar com seus amigos.
– Escute, não irei lhe deixar, vou voltar, vamos nos casar e teremos três ou quatro filhos para nos dá muita alegria. Lembra? – emoldurou a face de Isabella. Seus olhos azuis brilhavam com fervor – Amo você... E esse amor é tão grande que me fará voltar... Por você sou capaz de enfrentar o mundo... Sinto-me forte o suficiente até para enfrentar a morte!
Jogou-se nos braços de seu amado, o apertou forte como se pudesse prendê-lo eternamente ao seu lado. Ele voltou somente para se despedir antes de sua partida e isso deixou-a bem mais aterrorizada.
– Mulheres são todas iguais! – uma voz estrondosa fez com que o momento de ternura que estavam vivendo acabasse. Era Emmett, agarrado a sua prima Rosálie, que também possuía uma expressão nada feliz.
– E os homens então? Parecem nem se preocupar com nossos sentimentos! – murmurou sua prima tristonha.
– Hei minha gatinha que isso? Claro que me preocupo. Mas o que posso fazer se Jasper quer tanto ser um soldado? Não posso deixar o meu amigo só nessa, o que será dele sem minha presença grande e rápida para proteger sua reta-guarda?
Em resposta Jasper sorriu divertido – Até parece que não faço o mesmo por você.
– São dois loucos! – disse Rosálie, não achando nada divertido.
– Rose, não se preocupe, seu namorado voltará vivo. Tem minha palavra! – garantiu Jasper sorrindo, como se estivesse falado uma trivialidade qualquer.
– Lhe faço a mesma promessa Isabella. Vou cuidar para que esse loiro sentimental volte para os seus braços!
– Assim espero! – comentou olhando para o seu amado com os olhos brilhando em lágrimas.
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Emmett havia voltado vivo! Ela não tinha muitas noticias dele, sabia que havia sofrido um acidente e que fora dispensado dos serviços, mas não tinha idéia de onde ele estava e sua tia Ângela há alguns dias lhe informou que Rose estava vivendo uma agonia, nem mesmo para ela, informou seu paradeiro.
Tentando recuperar a calma seguiu para o banheiro e lavou sua face, trabalhou com a respiração e quando se sentiu capaz de descer os degraus da escada seguiu em direção a sala. Ele estava em pé, Esme abraçada a ele enquanto leves soluços saiam de sua garganta, afinal, por mais que ela o visse como um terceiro filho era doído saber que seu caçula não teve a mesma sorte.
– Emmett! – mesmo sem querer interrompe, ela acabou chamando-o. Sua voz demonstrava o quanto estava incrédula diante da visita inesperada.
O jovem soldado que estava com a face escondida nos cabelos de Esme, levantou seu olhar para encará-la, um leve susto dominou Isabella, fora impossível controlar seu espanto ao ver mais da metade da face de seu amigo deformada. Eram tantas marcas profundas que mostravam o quanto o rosto antes perfeito havia sido retalhado. Seu olho e boca do lado esquerdo estavam repuxados, tornando-o um típico personagem de terror.
– Olá Bella. – não havia como ser engano, era a mesma voz rouca e grossa, chamando-a da mesma forma que Rose lhe chamava. Ela viu os olhos dele descerem para seu ventre, fazendo um pequeno sorriso brotar de seus lábios. – Vejo que o presente que meu amigo deixou anda crescendo dentro de você.
Uma lágrima desceu por sua face – De certo modo ele sempre estará comigo.
Em resposta ao comentário de Isabella, abaixou a cabeça, a dor da culpa, da promessa não cumprida o atormentava desde o momento em que identificou o corpo de seu amigo sem vida no “inferno”. E mesmo sabendo que ela não falou por maldade, escutar o que ele martelava em sua mente todos os dias, fora doloroso.
– Sinto muito! – disse tristonho.
– Emmett, não foi você que matou meu filho! – disse Esme o abraçando novamente.
– Eu prometi a vocês duas, eu disse que o traria vivo, mas eu não cumprir! – disse raivoso.
– Existem coisas que estão além de nossa competência, foi e é doloroso não ter meu menino comigo, mas, nada nem ninguém poderiam evitar o que aconteceu a ele. – disse Esme emoldurando a face transformada do jovem. – Ele escolheu correr o risco sabendo das conseqüências.
– Eu trocaria minha vida pela dele, juro que trocaria! – falou olhando fundo nos olhos de Esme.
– Eu sei.... Eu sei!
Ele fechou os olhos e permitiu que as lágrimas caíssem por sua face. Esme o acalentou e esperou que ele estivesse mais calmo para acomodá-lo no sofá. Isabella permaneceu onde estava, paralisada vendo os dois com intimidade, pareciam mãe e filho, o que de certo modo não deixavam de ser. Há dois anos que Emmett era sozinho no mundo, passava mais tempo na casa dos Cullen’s do que em sua própria casa solitária. Esme sabia de seus gostos e o mimava como a Jasper.
– Carlisle ainda está mau! – comentou. Olhou para Isabella e depois para ele. – Vou vê-lo e deixá-los conversar a sós. – acariciou a face do eterno menino grande que nesse momento estava com a alma despedaçada – Não se vá antes de falar comigo! – não pediu, simplesmente ordenou docemente.
Esme se afastou de Emmett, assim que passou por Isabella lhe deu um doce beijo na face e lhe acariciou os cabelos para então desaparecer de suas vistas. Limpando a face ainda molhada pelos rastros de lágrimas, ela se aproximou da última pessoa que conhecia que poderia lhe dar informações de como fora os últimos momentos de vida de Jasper. Sentou-se de frente para ele e nada disse, esperou que ele começasse.
– Eu sinto muito Bella... – murmurou sem encará-la.
Ela suspirou – Eu também sinto, mas isso não muda nada. – olhou para o teto pensativa e voltou a dirigir seu olhar para ele – Olhe para mim! – pediu com doçura na voz. Ele demorou alguns segundos, mas atendeu seu pedido – Você está vivo Emmett, e pelo que conheço de Jasper ele jamais iria quer vê-lo assim!
– Ele queria voltar... Quando ele me viu ferido, ele quis voltar – Disse calando-a. – Disse-me que tinha sonhado com você, que estava ficando distante de você a cada passo que dava adiante, a cada minuto que ele permanecia na guerra ele perdia um pedaço de você... Mas eu não deixei, eu tive medo de que quando tudo terminasse pudesse se culpar por ser fraco... E não agüentaria viver anos vendo-o sofrendo por não ter seguido em frente... Tolice a minha eu sei, naquele momento fui um cego.
– Ele não teria sido feliz de qualquer modo – sorriu triste – Queria ser como o avô, um herói da pátria... Ver o melhor amigo gravemente ferido deve tê-lo desnorteado um pouco, mas não mudado sua essência.
– Estar como você era tudo o que ele mais queria, ter você bastava para fazê-lo feliz!
– Eu cheguei a acreditar nisso por algum tempo, mas hoje lembrando, eu sei que ele não teria sido completamente feliz se não tivesse ido ou se estivesse voltado antes da hora. Eu sempre seria a lembrança constante do sonho não realizado... Eu seria sua culpa, não o seu amor.
Foi a vez de Emmett sorrir tristemente – Se ele não estivesse ido eu concordaria com você, mas ele foi, e descobriu que o sonho não era tão cor de rosa como imaginávamos... Não é nenhum conto fantasiado onde temos a certeza que o personagem principal volta para a bela donzela que deixou. A realidade está longe de ser um conto de fadas. Basta olhar para mim para entender o que digo.
E ela o olhou, enxergou além das cicatrizes e pela primeira vez desde que ele chegou percebeu o quão amargurado ele se encontrava. – O que aconteceu Emmett? Eu juro que tento entender, mas o enviado do exercito não entrou em detalhes, e o caixão que nos foi entregue permaneceu lacrado... Nem ao menos pude vê-lo uma última vez.
Fechou os olhos e era o mesmo que voltar ao fático dia que tentava a todo custo esquecer. – Estávamos servindo o mesmo batalhão, a 1ª Divisão Blindada — sorriu — “Operação Tocha”, assim fomos denominados. A invasão começou da África do Norte francesa e foi lá que fui atingido. Tanto eu como Jasper atirávamos como se fizéssemos isso desde que saímos de nossas mães o que nos levou a fazer parte da artilharia... Comando de frente... Éramos os que abriam as invasões, avançando, mas também éramos os mais vulneráveis, os mais atingidos pela morte... – suspirou, buscando o ar – Pensei que a batalha em Oran estava ganha, relaxei diante de minha devesa e fui atingido... Foi uma MP18... Uma pistola-metralhadora do exercito alemão... Fui atingido de raspão em meu rosto, o dilacerando de forma brilhante. Os médicos não fazem idéia de como pude permanecer com minha visão intacta... Ah, embora esteja mancando e precise muitas vezes do auxilio da bengala, eles juraram que nunca mais iria mover minha perna, e aqui estou eu, caminhando, como certa dificuldade, mas caminhando...
Isabella olhava-o pensativa, tentou imaginar o horror que deve ter sido para ele ao ser atingido e para Jasper ao ver o amigo gravemente ferido, mas permaneceu calada, escutando atentamente tudo o que ele lhe dizia.
– Ele segurou minha mão, abandonou a posição e ficou ao meu lado... Lembro que antes de desmaiar disse-me com segurança que iria ficar bem. – sorriu – Fui encaminhado à base, tive tratamento medico e fui operado... Ele permaneceu comigo por dois dias, foi então que sugeriu para que voltássemos... Mas eu o incentivei a continuar... Pediu-me que na próxima carta que eu enviasse, avisasse que ele estava bem, mas nem tive a chance de escrever, assim que comecei a me sentir melhor um dos soldados de nosso batalhão veio com a pior notícia que poderia receber... Meu melhor amigo estava morto, eles tinham certeza, mas precisavam de alguém para o reconhecimento do corpo... E quem melhor que eu naquele lugar?
– Como assim? – perguntou confusa.
– Estavam rumo a El Guessa, foram pegos de surpresa no meio do percurso... Tropas adversárias estavam esperando por eles... O ataque foi aéreo, mísseis e bombas incendiaram e destruiu tudo o que tocavam... Muitos dos soldados ficaram irreconhecíveis... Jasper foi um deles. – levou sua mão ao bolso e retirou um medalhão, fazendo com que a mente de Isabella viajasse...
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O ônibus já havia chegado, o motorista estava colocando as malas no bagageiro enquanto Jasper a abraçava apertado, lhe sussurrando palavras de carinho.
– Vamos! – chamou o motorista. O velho Harold, que os conheciam há muito tempo e que fazia o trajeto diário de Forks até Seattle, de onde Jasper e Emmett seguiriam com outros soldados.
Ela não viu, mas escutou o choro doloroso de sua prima, já era tão ruim ver seu amor partindo para um campo de morte, sinceramente, não merecia ainda ter que dividir o mesmo sofrimento com Rose.
Ele emoldurou sua face e beijou seus lábios docemente.
– Preciso ir... – disse secando algumas lágrimas da face de sua amada.
– Eu sei... – falou intensificando seu aperto. – Eu sei... Mas é difícil deixá-lo ir.
Uma buzina deixou que as lágrimas caíssem mais por sua face. Louco de amor ele a puxou e beijou-a fortemente, lhe tirando o fôlego, e não permitindo que tudo se tornasse mais doloroso, correu para o ônibus, deixando-a.
Com a dor lhe rasgando o peito agarrou o medalhão que um dia seu pai deu para sua mãe e que hoje possuía uma fotografia dela com Jasper. Lembrando-se do momento em que recebeu o pequeno e simplório mimo, ela pode escutar com clareza a voz de sua mãe “Seu pai me deu essa jóia quando comemoramos um ano juntos, foi uma forma dele dizer, por mais que passemos momentos difíceis, sempre estarei com você”.
Movida pela lembrança invadiu o ônibus segundos antes de sua porta fechar completamente, deixando todos assustados e surpreendidos. Jasper se levantou e se dirigiu até sua amada.
– Isabella, meu bem... – disse se aproximando, mas ela o calou com um breve beijo.
Com os dedos trêmulos, conseguiu com certa dificuldade retirar o medalhão de seu pescoço.
– Por mais que passemos momentos difíceis, sempre estarei com você! – disse colocando a pequena jóia nas mãos calosas de Jasper.
Uma lágrima desceu pela face dele, sem dizer mais nada ela se retirou do ônibus o deixando tocado pelo gesto, afinal, ele sabia o quanto importante aquela jóia era para sua bela noiva.
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– É o medalhão de minha mãe... – sussurrou pegando a jóia depois de alguns segundos.
Era a jóia, estava com uma coloração estranha, mas ela reconheceria aquele medalhão pelo resto de sua vida. Abriu-o e contemplou a fotografia dos dois. Mais lágrimas desceram por sua face.
– Por mais que a face dele estivesse desfigurada quando o olhei... Os cabelos loiros eram perceptíveis, a cicatriz que ele possuía na mão esquerda era a mesma e o medalhão estava envolvido em sua mão direita... Foi trabalhoso tirarmos do aperto frio sem vida de meu amigo sem quebrar a corrente... Mas tenho certeza que ele gostaria que voltasse para as suas mãos, o mais inteiro possível.
– Obrigada – sussurrou apertando o objeto, levando-o em direção ao seu coração.
– Sinto que não pode se despedir dele... Mas seria ainda mais doloroso... Já haviam se passado dias desde sua morte quando o corpo dele foi entregue a vocês.
– Compreendendo... O cheiro... O cheiro não estava agradável! – respondeu Isabella com dificuldade.
Um dor latejante a atormentou, um soluço alto saiu de sua garganta, ela havia falhando, não conseguira cumprir sua promessa, lá estava ela chorando, desejando que seu amado estivesse no lugar do medalhão, ao toque de seus dedos. Desesperada pela dor que caiu como uma avalanche dentro de si, ela abraçou sua barriga e se permitiu sofrer...
– Isabella! – uma voz grave e assustada a fez levantar a cabeça e encarar a pessoa que a chamava.
Como se precisasse de um abrigo, se levantou e correu para os braços de seu marido que a envolveu com ternura e carinho. Com um olhar especulativo ele analisou o homem que também estava chorando, sentado no sofá de sua sala com um uniforme que não lhe passou despercebido. Não demorou muito para reconhecê-lo e entender o que estava se passando.
– Emmett... Acho que por hoje já chega! – disse firme.
– Entendo... – disse com certa dificuldade. Levantou-se — Eu já vou.
– Vai para onde? – entendo o que estava acontecendo ela se afastou de seu protetor e encarou seu amigo.
Emmett lhe sorriu triste – Fiz o que vim fazer Isabella... Não pude proteger meu amigo da morte, mas pelo menos, lhe devolvi seu medalhão... Pelo menos, conseguiu entregar a você alguma coisa inteira.
– Não! – gritou. Olhou para Edward, estava transtornada – Não podemos deixá-lo assim, você me disse que Jasper foi o seu melhor amigo, se isso é verdade, por favor, não deixe que Emmett se vá... Não assim, quando ele precisa tanto de nos!
– Isabella... – Emmett tentou que ela esquecesse essa idéia, mas foi em vão.
– Olhe para você! – era visível seu sofrimento em cada palavra que saia de sua boca – Quando falo isso não digo sobre suas cicatrizes visíveis, mas sim do brilho de seus olhos que não existe mais... Do sorriso triste que tomou conta de seus lábios... Eu falo de dor... Jasper jamais me perdoaria se soubesse que o deixei ir assim...
– Não a nada que você possa fazer...
– Não subestime a força de uma amizade! – respondeu enfática deixando-o calado. Ela o encarou por alguns segundos e então voltou seu olhar para Edward. – Sei que isso não estava na equação, mas...
– Mas ela está pedindo que volte a agir como um irmão altruísta que é – disse Esme, chamando atenção para si.
Os três estavam com os olhos voltados para ele, as duas com expectativas e Emmett com vergonha, por ser tão fraco a ponto de não conseguir esconder seu sofrimento a todos que lhe olhavam... Por ser tão fraco ao ponto de desejar que Edward lhe estendesse as mãos e lhe desse a honra de poder ficar perto do pequeno ser que se formava dentro de Isabella...
– Tem onde ficar Emmett? – perguntou Edward depois de alguns minutos.
– Não... Cheguei à cidade hoje e não sei direito o que fazer por hora... – fora honesto em cada palavra, ao menos isso ele continuou sendo.
– Muito bem... Todos os quartos estão ocupados... Pode ficar na sala se não for incomodo, por enquanto, até vermos o que faremos ou você consiga enxergar seu caminho novamente.
Emmett olhou para o irmão de seu amigo e sorriu timidamente, com um misto de incredulidade e tristeza, enquanto Esme olhava feliz por saber que seu menino ainda estava vivo por trás da capa que ele construiu e Isabella, ela olhou-o admirada, pois pela primeira vez conseguiu perceber que não fazia idéia do quão grande e generoso era o coração de Edward Cullen.
A noite transcorreu tranqüila, apesar de tantas lágrimas e sofrimento ao reviver lembranças cruéis e doces, todos estavam mais aliviados, com as almas e corações mais sublimes, afinal, confrontar a dor às vezes trás a redenção, às vezes é o necessário para encontrar o caminho da paz.
Quando a manhã chegou, Isabella se arrumou. Nada muito elaborado para quem passaria parte do dia viajando. Olhou-se no espelho e gostou do que viu. Seu rosto estava mais descansado, nem ao menos precisou maquiar-se, somente um batom fora suficiente, demonstrando o quanto dormiu bem. Sua barriga estava destacada no lindo vestido de botão floral, seus cabelos estavam com leves cachos emoldurando sua face e seu sapato baixo estava confortável.
Delicadamente virou-se para a porta que estava aberta, Emmett estava encostado na entrada olhando-a.
– Passou bem à noite? – perguntou ao seu amigo.
– O sofá é mais macio que minha cama em Forks – comentou sorrindo.
– Imagino que sim... Tanya a secretaria de Edward que mobiliou a casa... Ela tem um gosto refinado – comentou com certa ironia.
– Não gosta dela? – Emmett não pode se segurar e acabou perguntando ao notar o tom da voz de Isabella ao falar da jovem loira.
– Gosto, ela é... Legal? – tentou ser convincente, mas não conseguiu.
– Ok... Deixemos na dúvida... Às vezes é melhor do que termos um julgamento definido de alguém.
Isabella sorriu e olhou para o seu amigo – É bom ter você de volta! – a silencio dominou o ambiente por alguns segundos – Emmett, quando pretende falar para a Rose que está aqui?
Ele abaixou a cabeça – Talvez fosse melhor para ela nunca mais me ver. – murmurou.
– Não diga isso... Quem melhor que a pessoa que amamos para curar nossas feridas?
– Não quero despertar pena em ninguém... Principalmente nela.
– Pena? Emmett você não enxergar que ela também está ferida, que ela também precisa de você?... Ah... Não deixe que o tempo passe e com ele o seu amor se vá... A vida é feita de momentos, hoje sei disso!
Ele sentiu um aperto ao escutar cada palavra que Isabella lhe falou, mas permaneceu calado, olhou em volta tentando desviar seu olhar do dela e se surpreendeu com cada pedaço que via. – Deve ter custado uma pequena fortuna! — disse torcendo para que ela entrasse na dele e voltassem a falar de coisas mais amenas.
Olhando para a face de seu amigo, viu que estava quase implorando com o olhar para que mudassem de assunto – Nem me fale, ainda fico um pouco envergonhada.
– Não fique... Está esperando um Cullen, nada mais justo que a família de seu filho lhe ajudasse na ausência do pai...
– Pode ser... Mas também não precisava tanto. – disse colocando alguns materiais de limpeza pessoal na bolsa.
– O bebê vai ficar onde? – perguntou procurando algum espaço reservado ao ser que estava chegando.
Isabella parou o que estava fazendo, olhou para Emmett e suspirou. Com passos lentos o guiou até o quarto da frente, abriu a porta e adentrou o aposento escuro, caminhou até a enorme janela e abriu-a.
– Edward já meu deu dinheiro suficiente para mobilhas três quartos como esse... Mas eu não consigo encontrar nada, absolutamente nada... – sorriu triste – Quando eu e Jasper falávamos sobre a vinda de nossos filhos, ele dizia que tinha tudo em mente... Nunca sequer questionei, ele era tão habilidoso, construía móveis do nada... Tudo era tão belo... – suspirou – Sempre que entro em uma loja fico imaginando se Jasper teria feito o berço ou a cômoda do jeito que está na vitrine... Então eu percebo que não... Ele faria diferente, simples e bonito, sem muita extravagância, mas com os detalhes bem acabados... – olhou para Emmett e percebeu pelo olhar de seu amigo que ele a entendia muito bem – Eu sei que jamais terei o quarto que ele sonhou, mas eu queria poder chegar perto disso... Pelo menos isso eu queria dá ao meu filho.
O silencio dominou o ambiente por alguns minutos, palavras eram desnecessárias.
– Tenho que ir... Edward logo virá a minha procura – disse seguindo em direção a janela para fechá-la escurecendo o ambiente.
Emmett a ajudou carregando a mala até o carro onde Edward esperava por ela, os dois se cumprimentaram silenciosamente e quando seguiram à mesa do café, todos se alimentaram sem proferir uma só palavra.
– Pense com carinho em Rose! – sussurrou Isabella ao abraçá-lo antes de sair.
– Sempre! – respondeu. Fazendo-a se afastar e encará-lo.
– Você sabe o que quero dizer... – deu um beijo na face de seu amigo e se foi.
Quando entrou no carro viu um Edward com expressão de poucos amigos, estava serio, mal sabia ela que o intruso do ciúme já estava jogando sua primeira grande cartada.
FIM DO CAPITULO
Notas finais
como prometido mais um capitulo postado....
Será q deu para compreender melhor como foi a guerra para Emmett e Jasper???
muitas acham que o loiro n morreu.... sera msm???
bem, se ele morreu ou não Isabella e Edward estão ficando mais próximos....
e Tanya???
Bem, no proximo cap grandes emoções vão acontecer.... por isso comentem, deixem essa autora feliz... quem sabe ela n posta antes???
obs: Muitooo obrigada pelo carinho.... vcs são tds umas fofas *-*
bjocas
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