Vida Roubada

4 Capítulo 4


O dia amanheceu nublado, assim que se levantou e olhou para o céu através da janela desejou ter a opção de ficar em casa, entretanto sabia que não tinha como fugir, fazer o papel de esposa era a única coisa que Edward lhe pediu em troca. Foi ao banheiro arrastando os pés e em cerca de trinta minutos já estava pronta.


– Está muito bonita hoje. – elogiou Sarah assim que a viu adentrando a cozinha.


Ela sorriu tímida diante do comentário. Não estava usando nada de muito diferente do que sempre usou. Era um simples vestido azul claro com estampas florais, roupa que possuía há algum tempo. Sua gravidez estava na metade, de modo que sua pequena barriga não era tão chamativa, e apesar de ter algumas roupas que não lhe caiam tão bem quanto antes, a maioria ainda lhe servia sem grandes problemas.


– Minha tia que fez o vestido para mim. Lembra que lhe disse o quanto ela possui mãos mágicas para costura? – disse enquanto passava um pouco de geléia de morango na torrada caseira que Sarah tinha feito logo que despertou pela manhã.


– Oh sim, estou lembrando-me. – comentou enquanto cortava os temperos que utilizaria para o almoço. – Vem almoçar em casa?


– Espero que sim – suspirou resignada – Acordei um pouco indisposta, se tivesse opção não sairia de casa hoje.


– Ontem andamos por muito tempo. E no estado em que se encontra descansar é fundamental.


Tomou um pouco de café puro e comeu um grande pedaço da torrada. – É o que dizem, mas também não posso fazer uma desfeita dessas ao meu marido, ele precisa de minha presença nesse jantar e é fato que não tenho roupa apropriada. – comeu mais um pedaço da torrada, antes de continuar a falar – Tenho certeza que caminhar por mais um pouco hoje, não fará mal algum ao bebê.


– Mas é claro que não. Imagina só, existem mulheres que trabalham até o último dia da gestação, e nem por isso perdem seus filhos.


Ela sorriu – Ao que me parece não terei esse destino.


– É porque você tem um pai maravilhoso para o seu filho, sem falar que ele é um marido incrível e apaixonado.


A vergonha se destacou em seu rosto rubro. Sarah morava na mesma casa que eles, convivia com todos ali, e ainda não havia se dado conta de que seu casamento com Edward era somente fachada. Não entendia como ela via coisas que não existiam, até porque, nem o mesmo quarto eles dividiam.


Será que esse tipo de atitude era comum em cidades grandes?


Por sorte a conversa constrangedora que estava tendo com sua amiga fora interrompida, Tanya havia chegado, e ela nem ao menos sabia o quanto o seu dia seria longo. Despediu-se de Sarah e se dirigiu ao carro com a secretaria de seu marido.


Durante todo o percurso as duas não trocaram uma só palavra, entretanto assim que chegaram à loja, viu uma Tanya falante, mandona e muitíssimo compenetrada. O tipo de mulher que combina em número, gênero e grau com Edward.


– Vermelho, quero todos os vestidos vermelhos que vocês possuem para festas. – disse após dizer o tamanho que desejava.


A vendedora se demorou por alguns minutos, mas quando voltou trouxe quase duas dúzias de vestidos em tons vermelhos. – Deixe-me ver. – Com olhos clínicos ela começou a analisar um a um, desfazendo-se da maioria e ficando com somente três deles. – Vamos, tenho que olhar como fica em seu corpo para podermos decidir qual será o mais apropriado.


Isabella nada disse, era um mundo tão diferente do qual estava habituada. Pegou o primeiro deles, era feito com renda, tendo a seda como forro, na cintura, um cinto de tecido dava um toque gracioso. A manga era curta e o modelo era fechado. Assim que ela saiu da cabine, Tanya torceu o nariz e mandou-a voltar e experimentar o segundo vestido, era de algodão com botões na frente, Isabella o achou lindo, mas Tanya também não havia gostado dele, com o terceiro vestido que ela havia escolhido o resultado também não fora diferente.


Saíram da loja sem um vestido e seguiram para outra. Tanya era muitíssimo perfeccionista, a manhã passou e nada conseguiram. Preocupada com sua condição, foram almoçar, era o mesmo restaurante que havia estado ontem, só que desta vez, sua acompanhante já havia se adiantado e feito uma reserva.


– Coq au Vin – disse Tanya ao observar Isabella olhando para o cardápio por vários minutos.


- Como? — Coq au Vin é um delicioso prato francês feito com frango, bacon e cenouras, é delicioso. É uma das especialidades do chefe. Gostaria de me acompanhar? Agradecida, Isabella sorriu.


– Adoraria. Tanya chamou o garçom e fez o pedido.


– Lamento que ainda não tenhamos encontrado nada adequado, imagino que queira descansar antes do jantar.


- Não precisa se desculpar. Sei que está fazendo o melhor que pode. Tanya suspirou.


– Bonita como é, pensei que seria mais fácil. Mas ainda temos algumas lojas que podemos encontrar algo que nos agrade.


- Posso lhe perguntar algo?


- Sim claro.


- Porque o vermelho? Tanya sorriu


– Você é linda, e tem a pele clara, tenho certeza que essa cor vai lhe cai perfeitamente bem.


A conversa acabou fluindo, Tanya tinha um conhecimento profundo sobre as tendências da moda e dizia tudo o que Isabella precisava saber para não passar uma imagem ruim perante os sócios de seu marido.


- Então... Como começou sua relação amorosa com Edward? – perguntou Tanya quando ela menos esperava.


- Eu... Eu... – ela nunca tinha discutido esse fato com seu marido, era um assunto que sempre procurou evitar por mais que Edward às vezes tentasse fazê-la escudar, e pela primeira vez lamentou sua decisão, porque sinceramente não sabia o que dizer.


- Se você quer que os outros acreditem, tem que deixar a gagueira de lado e parecer mais firme e um tanto apaixonada. – atordoada, Isabella piscou algumas vezes. Pegou a taça de água e tomou um gole significativo tentando disfarçar o constrangimento.


- O que disse?


Tanya suspirou – Escute Isabella, não irei fingir que não sei o que está acontecendo. Sou secretária de Edward, sempre estive informada de tudo sobre ele. As viagens que ele realizava, eu cuidava de tudo pessoalmente. Quando ele me ligou dizendo que iria se casar e detalhando os motivos eu sabia que ele iria precisar de minha ajuda, então no dia seguinte fiz o que ele me pediu, plantei a fofoca no escritório. Todos pensam que já estão casados cerca de seis meses, e que devido ao fato dele não ter encontrado uma residência que agradasse a ambos, decidiu mantê-la afastada por um tempo. Não foi difícil fazer com que todos acreditassem na história, seu marido é um homem reservado, ninguém chegou a estranhar. Mas se você agir do modo que agiu comigo ainda pouco, vai jogar por terra tudo o que fiz, e não irão demorar em descobrir toda a verdade sobre o filho que espera. Acredite em mim, onde menos esperamos, encontramos as cobras mais venenosas.


Ela não sabia o que dizer, porque nem ao menos conseguia processar tudo o que havia escutado. Porque Edward não lhe contou que tinha falado a verdade para sua secretaria? No meio de toda a sua confusão o garçom apareceu e serviu o almoço.


Ela olhou para o frango que estava em seu prato e não sentiu nenhum desejo em devorá-lo.


- Coma, está uma delicia! – Disse Tanya colocando na boca mais um pedaço do frango.


- Não estou com fome. – respondeu sem olhar para a jovem que sabia tanto de sua vida.


A loira deu um suspiro e esticou sua mão para segurar a dela. Isabella nem ao menos sabia que estava tremendo até aquele instante. – Não fique constrangida ou com medo de mim, estou aqui para lhe ajudar.


- Não me diga... – comentou irônica. — Olhe, não sei se você tem a leve idéia do quanto tem um marido maravilho, com um coração incrível...– Suspirou – Ele pode parecer meio rude e insensível, mas na verdade é uma pessoa que não mede esforços para ajudar os outros que ele vê que realmente necessitam – Era a segunda pessoa que lhe falava o quanto estava enganada em relação ao seu marido. E isso lhe assustava, ou mesmo tempo que aquecia o seu coração ferido. – Edward me ajudou quando eu mais precisei, devo inúmeros favores a ele, jamais irei traí-lo. O segredo de vocês está seguro comigo, nem ao menos teria falado nada com você, mas ao vê-la gaguejar e não saber como agir, achei mais prudente intervir.


- Acha que irão me perguntar isso no jantar?


- Com toda certeza. Como lhe disse Edward sempre foi muito discreto, por isso o seu casamento súbito despertou o interesse de todos, ainda mais agora quando ele é um dos donos da empresa. Sabe como é? A vida dos chefes sempre desperta curiosidades.


- Quem exatamente irá estar nesse jantar? — Os mesmos de sempre. Contadores, secretários, advogados da empresa. Enfim todos os trabalhadores que Aro considera importante, com suas respectivas mulheres.


- E maridos... Tanya sorriu diante do comentário


– Sou a única mulher que trabalha no escritório Isabella, e meu marido não gosta dessas reuniões, na realidade, ele nem ao menos gosta que eu trabalhe. Mas o que posso fazer? Com o que ele ganha, não teríamos nem como pagar o aluguel.


- Não é ruim trabalhar com tantos homens? – questionou Isabella.


- Sim, às vezes. Ainda mais quando os pego olhando para o meu traseiro.


As duas sorriram.


- Nenhum deles chegou a tentar algo?


- Alguns... Mas não sou esse tipo de mulher. Respondeu confiante. Olhou nos olhos de Isabella e lhe sorriu. – Me rendo para quem toma o meu coração.


O restante do almoço fora tranqüilo. Isabella bem que tentou, mas não conseguiu comer nem a metade do que estava em seu prato. Após terem desfrutado de uma deliciosa sobremesa, as duas se aventuraram em mais algumas lojas. Tanya ainda insistiu no tom de vermelho e assim que chegou a última loja marcada por ela com um resultado negativo para o vestido perfeito a loira demonstrou-se frustrada.


- Deve haver outro modelo que não tenham visto! – disse com cerca raiva.


Enquanto Tanya tentava descobrir algum vestido estupidamente lindo, Isabella se afastou, não agüentava mais. Se sua tia estivesse com ela nesse momento, já teria idealizado um modelo e o feito com rapidez. Tudo bem que não seria um tão bem alinhado como os que ela viu ao longo do dia, mas, tinha certeza que não passaria vergonha. Sorriu ao lembrar-se de sua doce tia. Desde que havia chegado só se falaram duas vezes, Ângela não possuía telefone e dependia da boa vontade de uma de suas amigas. Com o pensamento longe começou a passear seus dedos pelas araras de roupas, sentindo o tecido macio em sua pele enquanto seus olhos passeavam pela linda loja com tons em bege e azul. Foi então que um lindo corte listrado chamou sua atenção, caminhou até ele, era como se o lindo vestido falasse com ela e então soube, não seria um modelo vermelho que iria vestir aquela noite como Tanya desejou.


Antes do final do dia as compras chegaram ao fim. Tanya preocupada ainda se ofereceu para ajudá-la a se arrumar, mas Isabella dispensou-a, afinal, ela também necessitaria se produzir. Entretanto, ao invés de ir para sua casa, ela voltou para o escritório. Passou pelas mesas ignorando os olhares masculinos voltados para suas curvas e sem ao menos bater adentrou a sala do advogado mais precioso da firma.


Edward estava estudando seu mais novo caso, ser sócio da empresa não facilitou em nada seu trabalho, pelo contrário somente o aumentou, até porque todos queriam seus serviços e a fama que ele trabalhou duro para montar, estava mais brilhante que estrelas em noites de céu limpo de verão.


Ele levantou os olhos por cima dos óculos e encarou Tanya por alguns segundos, voltou para o que estava lendo e nada disse. Conhecendo-o bem como ela conhecia, aproximou-se silenciosa e com suas mãos delicadas começou a massagear os ombros largos e fortes de seu amante, com uma propriedade de quem já fizera isso milhares de vezes.


- Aposto que nem ao menos se dignou a comer alguma coisa. – comentou mansamente.


- Não estou com vontade – disse sem demonstrar qualquer interesse ao carinho que estava recebendo.


Um pouco decepcionada, largou os ombros dele e sentou-se a mesa de frente para Edward. Sem perder tempo, puxou o livro que estava em suas grandes mãos e o jogou para longe.


– Está louca? – perguntou um pouco raivoso.


Em resposta ela sorriu. – Trouxe algo para comer, assim conseguirá segurar bem até o jantar ser servido.


Ele fechou os olhos e encostou-se mais relaxado em sua cadeira acolchoada – Se comer essa porcaria que me trouxe, me deixará em paz? – perguntou rude.


- Humm.... Posso pensar com carinho nessa proposta pouco indecente. Ele sorriu. – Tanya, juro, depois compenso minha ausência, mas preciso realmente trabalhar. – Ela o olhou analisando-o. Em resposta ergueu as sobrancelhas – O que foi? – perguntou. Ela se afastou, pegou o sanduíche que havia comprado e o entregou. Ele não se demorou, começou a comer sem reservar, mas, não deixou de olhá-la questionador. – Então, não irá me dizer o que se passa nessa cabeça? – perguntou novamente.


Ela sentou-se de frente para ele tendo a enorme mesa de trabalho os separando – Isabella irá linda para a festa.


- Nunca duvidei de sua competência para escolher roupas.


- Ela não precisou de mim afinal. Sua esposa tem bom gosto e senso do que é certo. Teve muita sorte. – comentou séria, com olhos de águia sobre ele.


- No final fiz um negocio muito bom em ajudar a doce amada de meu irmão. Um homem em minha posição precisa de uma esposa e seu marido precisava ficar mais tranqüilo em relação a nos. – comentou como se estivesse resolvendo em de seus casos mais simples.


- Devo confessar que ele ficou muitíssimo feliz com a novidade. Mas é uma pena que não posso dizer o mesmo.


Ele comeu o ultimo pedaço do sanduíche e quando pode dizer algo foi totalmente irônico – Não me diga que se arrependeu em ter me dito não em diversas ocasiões?


Ela sorriu. Já conhecia Edward há algum tempo, tentou fugir do que sentia por ele, mas acabou se deixando envolver.



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Estava trêmula, no dia anterior a pior coisa que poderia lhe acontecer infelizmente aconteceu. Seu marido teve um ataque furioso e lhe agrediu como de costume, com o rosto escondido em maquiagem conseguiu disfarçar o ocorrido da maioria, menos de Edward Cullen, que ao perceber que algo de muito errado havia acontecido a encurralou até que ela lhe contasse o ocorrido.


Ele quis ir até Rick tomar satisfações como um irmão mais velho super protetor que ela não possuía sendo filha única. Por sorte o convenceu a ficar. Querendo ou não admitir ela amava seu marido e somente o contrariava indo ao trabalho porque necessitavam e muito do dinheiro que ela recebia. Ele tinha ciúmes, delirava ao afirmar que ela se deitava na cama de todos, afinal, ela ganhava acima do que muitas trabalhadoras como ela recebiam.


Com a verdade ela tentava persuadi-lo, mas, não conseguia grandes resultados. — Ele vai voltar a ser como antes – disse tentando controlar o choro.


Edward olhou-a pensativo – Por acaso isso tem haver com o seu salário?


Ela fechou os olhos. Não precisava dizer nada, nem mesmo um simples gesto se fazia necessário.


- Somente quero ajudá-la Tanya. – suspirou e passou as mãos pelo cabelo – Eu já passei por situações... – contorceu a face – Complicadas como a sua. Sabe, sei o quanto é ruim não ter o que comer. Ela arregalou os olhos claros e bonitos.


– Mas o senhor me parece...


- Hoje – disse cortando-a – Mas na realidade venho de uma família muito humilde, e apesar de ter conseguido uma bolsa de estudos em Harvard para me tornar um advogado, eu tive que batalhar para me sustentar absolutamente sozinho, ninguém estendeu a mão para facilitar as coisas. – olhou distante como se voltasse ao tempo – Mas eu agradeço por isso, sou o tipo de homem que não gosta de coisas fácies – sorriu – adoro lutar, chegar ao final e ser vitorioso, a sensação me agrada.


Era tão lindo o brilho que saia dos belos olhos verdes, que por um instante ela se esqueceu que estava falando com seu chefe e segurou sua mão – Mas isso não o impediu de ajudar os outros.


- Para alguns o mundo é tão cruel que até mesmo a força de seguir a diante se vai... – olhou para ela – Você é linda, mas juro que ao lhe contratar não olhei para sua beleza, olhei para os seus olhos lagrimosos e vi neles a dor e sinceridade. Não me arrependo de ter lhe dado uma chance, você vem se mostrando eficaz, muitíssimo competente, e se estou conseguindo resultados valiosos, saiba que tens uma grande parcela de culpa.


Rick já fora carinhoso e já lhe havia dito palavras doces, mas isso já fazia tanto tempo que ao ouvir alguém como Edward dizer que ela era importante a comoveu e a fez cometer uma loucura. Levada pelo momento levou suas delicadas mãos até a nuca de seu chefe e o puxou de encontro a ela.


Fora um beijo simples, um rápido toque de lábios que não se prolongou, por sorte ela despertou antes que tudo seguisse para um caminho sem volta e cheio de arrependimento.


Nervosa correu da sala deixando-o sozinho. Não conseguiu dormir, passou a noite em claro tentando a todo custo se convencer do quanto era um absurdo e que nunca mais poderia se deixar levar.


Decidiu-se em fingir, mas agora com uma pasta de papeis importantes nas mãos e tendo que entregar a ele, sentiu que toda a sua força reunida durante a noite e o começo da manhã havia indo embora. Respirou fundo, olhou para o lado e bateu a porta forçando sua mão a não tremer.


– Entre!


Ele tinha uma voz forte e máscula que fez com que o tremor aumentasse. Com dificuldade abriu a porta e entrou na sala que antes era relativamente grande e que nesse momento lhe pareceu pequena demais. Ele a olhou retirando os óculos que usava para ler do rosto, com as mãos cruzadas no baixo ventre analisou-a.


- O senhor Volturi me pediu que lhe entregasse esses documentos. É um novo caso de um dos amigos dele. – disse com certa dificuldade.


Ele se levantou, deu à volta a mesa e chegou logo atrás dela, com os braços fortes e envolventes a fez se virar e ficar de frente para ele, mas não fez um só movimento que a deixasse constrangida, somente a abraçou carinhosamente – Shii... Não precisa ficar tremula, não irei fazer nada que possa lhe prejudicar... Somos amigos, lembra? – sussurrou em seu ouvido, deixando-a arrepiada.



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Naquele dia nada aconteceu, ele fora um verdadeiro amigo por mais algumas semanas, pelo menos até ela está pronta para assumir que sentia algo por ele. Já estavam juntos há seis meses, e mesmo que ele já tivesse lhe pedido em casamento algumas vezes, Tanya sempre se negou.


- Não é nada disso, sabe o quanto Rick necessita de mim, não posso simplesmente deixá-lo. – ele riu. Era irônico o quanto o salário de Tanya era cada vez mais necessário para sustentar as loucuras do marido, que além de continuar bebendo, agora adorava ir a bordeis de quinta gastar o ultimo centavo com prostitutas velhas e doentes. A sorte era que ele nunca mais havia tocado em sua esposa, nem para agredi-la como para forçar intimidade. – Só gostaria de entender porque desde que voltou casado, nunca mais me procurou.


Ele suspirou – Venha aqui! – chamou-a. Obediente, ela se levantou e sentou-se no colo de seu amante. Aceitou o beijo calmo que ele lhe deu e apreciou o carinho que recebia em sua face. – Ainda esta sendo complicado ter meus pais comigo e a promoção com os muitos trabalhos que vieram juntos. Dê-me mais um tempo, logo tudo voltará a ser como antes.


Ela sorriu. Deu-lhe mais um beijo nos lábios e se levantou, pegou o livro que havia jogado longe e o entregou. – Não, tenho certeza que nada será como antes.


Viu-a se afastando e suspirou resignado. Nunca esteve apaixonado por Tanya, mas ela o entendia tão bem que pensou por varias vezes que o melhor a se fazer era tê-la como esposa. Mas, apesar de tudo, ele sempre soube, ela era apaixonada por seu marido e jamais o deixaria por homem algum, até mesmo por ele que nutria um carinho especial.


- Comprou algo bonito para vestir hoje? – perguntou antes que ela se fosse.


- Gastei tudo com quem realmente merecia. Tenho roupa suficiente em meu guarda-roupa.


Ele sorriu. – Nunca vai deixar de ser orgulhosa?


- Orgulho na medita certa é fundamental. – disse e abriu a porta se indo.


Ficou mais algum tempo no escritório, porém não conseguiu se concentrar estava preocupado com Tanya, ela sempre agiu de forma negativa quando se tratava de seu dinheiro e alguns mimos, mas nunca lhe pareceu tão distante como agora, por mais que ela tenha se oferecido de bandeja a ele havia algo em seu olhar que denuncia que algo estava errado.


Foi para casa depois das seis. Tudo estava calmo quando chegou. Sarah estava servindo o jantar para seus pais e Isabella estava se arrumando em seu quarto. Cansado viu seu terno de festa em cima de sua cama e sorriu, queria poder ter a oportunidade de estar no lugar daquele belo pedaço de corte.


Mandando a preguiça para longe tomou um banho relaxante e se arrumou. Assim que desceu viu sua mãe, que apesar de estar tricotando, não lhe enganava.


- Você está tão bonito! – disse com lágrimas brotando em seus olhos.


- Sabia que você estaria aqui me esperando. – murmurou em meio ao longo e delicado abraço que sua mãe lhe dava.


- Não imagina o quanto é bom lhe ver assim... Depois de tudo... – disse se afastando e o olhando melhor. – Fico tão feliz!


Com as mãos, ele secou as lágrimas de sua mãe. – É bom tê-la aqui, apesar da situação, é bom saber que quando chego tenho o prazer de ter minha mãe comigo.


Ela sorriu, iria comentar o quanto era bom escutar que fazia falta ao seu menino, mas nenhuma palavra saiu de seus lábios, pois uma visão a fez ficar estagnada.


Não entendendo a reação de sua mãe, Edward seguiu seu olhar, passando a compreender bem o que estava acontecendo, de fato, era uma miragem que deixava qualquer um sem fala.


Seus lindos cabelos castanhos que batiam em seu ombro estavam totalmente presos no alto de sua cabeça. Sua maquiagem bem feita destacava seus olhos com delineador e rímel negros os deixando mais vivos e maiores, sua boca estava mais chamativa com um batom vermelho cor de sangue, o vestido listrado em branco e preto que ela usava e que batia abaixo de seus joelhos tinha um enorme decote diminuído com um broche, mas que revelava o suficiente da pele alva de seu busto, uma fita preta de veludo envolvendo sua cintura disfarçava sua barriga saliente, a pequena luva negra deixava suas mãos mais delicadas e o sapato baixo e uma bolsa diminuta finalizava o visual perfeito.


Ela encarava Esme e Edward com expectativa, quando escolheu o vestido Tanya ainda a questionou se ela tinha certeza da escolha, mas agora, com os dois lhe encarando, um medo a dominou.


- Céus! – murmurou Esme levando as mãos até a boca.


- O que fiz de errado? – perguntou temerosa.


- Meu anjo – sua sogra aproximou-se dela e emoldurou sua face – Você está linda, parece uma visão do paraíso!


Isabella sorriu com sua face vermelha – Eu achei o vestido lindo, me encantei por ele assim que o vi. – confessou.


- Fez uma escolha perfeita – afastou-se e segurou em uma das mãos cobertas de Isabella – Dê uma voltinha, deixe-me vê-la melhor. Atendendo ao pedido de Esme ela rodopiou por duas vezes vagarosamente, permitindo que fosse analisada por todos os ângulos. – Linda, muito linda. Não concorda Edward?


Ele ainda não havia se movido, estava tão enfeitiçado pela visão a sua frente que nem ao menos conseguia tirar os olhos. Querendo tomar de volta o controle de seu corpo e pensamentos ele fechou os olhos por alguns segundos para então se surpreender mais uma vez com tamanha beleza. Ele já havia visto varias mulheres bem produzidas, mas nenhuma, nem mesmo Tanya com o dourado de seus cabelos e as curvas bem desenhadas de seu corpo conseguia superar tamanha perfeição.


- Sim! – disse com a voz rouca.


Ele não queria, mas não conseguiu controlar-se. Esme olhou de um para o outro e sorriu – Deixe-me vê-los juntos. – pediu animada.


Com muita dificuldade, Edward se aproximou de Isabella e lhe ofereceu seu braço para que ela envolvesse com o seu.


- Duvido que tenham casal mais perfeito que vocês! – disse Esme fazendo com que Isabella abaixasse a face envergonhada. Passos se aproximando chamaram a atenção de todos. Era Sarah que abriu um lindo sorriso ao vê-los. – Não estão lindos Sarah? – questionou Esme.


- Sim, nunca vi casal mais lindo! – murmurou com a face demonstrando o quanto abobalhada estava diante a visão.


- Agradecemos os elogios, mas já estamos atrasados. – comentou Edward.


- Sim, Sim... Podem ir! – disse Esme animada.


Ele ainda se aproximou e beijo a face de sua mãe antes de ir com Isabella.


- Eles formam um casal especial, essa criança será uma benção! – comentou Sarah.


- Concordo Sarah, concordo totalmente.


Diferente de Sarah, Esme sabia que os dois não eram de fato em casal e que a criança era fruto da relação de Isabella com Jasper, mas existia algo na relação deles que despertou nela uma atenção mais cuidadosa, fazendo-a acreditar que entre os dois existia algo além que um simples acordo que beneficiava ambas as partes e isso a animava mais do que deveria.



FIM DO CAPITULO


Notas finais
Mais um capitulo postado....
o que acharam??
Bem, como muitas me perguntaram sobre Jasper.... Vou dá um spoiler em relação a ele....
Logo logo, Emmett irá aparecer.... e com ele... muitas coisas serão explicadas...
"...pela primeira vez desde que ele chegou percebeu o quão amargurado se encontrava. O que aconteceu Emmett? Eu juro que tento entender, mas o enviado de exercito não entrou em detalhes, e o caixão que nos foi entregue permaneceu lacrado... Nem ao menos pude vê-lo uma última vez..."
um pedacinho do cap 6 pra vcs....
Comentem e faça essa autora feliz.... quem sabe assim n rola uma postagem no domingo???
bjocas *-*