Vida Marcada
12 Verdades
Notas iniciais
Vamos Ruy!
Hey! estou fazendo o que posso!
Enquanto andavam apressadamente para não chamar a atenção, Arya só conseguia imaginar na retaliação que o ataque dos piratas poderia gerar. Os impostos poderiam dobrar, alguém poderia prende-los. Talvez ainda, os piratas nem atacado tivessem, e se fosse apenas uma...visita? Era difícil de acreditar, mas era no que ela focava agora suas esperanças e tentava se apegar.
De repente, ouviu.
Ruy, espera! — Parando ainda confuso, Arya fez sinal para que ficassem em silêncio e escutassem. Após alguns segundos, o estrondo repetiu-se sendo ouvido por ambos.
A compreensão do que aquilo significava invadiu-os de terror.
Entreolharam-se de rostos pálidos, engolindo em seco. Ruy puxou a corrida novamente, dessa vez, mais rápido que Arya, dessa vez, por suas vidas.
~//~
Ofegando, chegaram na entrada do porto. Ruy, virando a esquerda, foi detido pela mão de Arya. As linhas de confusão no rosto do menino sumiram assim que a garota retirou a mão e abaixou o rosto com tristeza, olhando para o outro caminho.
Não! não vamos nos separar! — declarou furioso com a ideia que surgia. -Não Arya! Não adianta!
Mas Ruy- suspirou docilmente- Minha casa, meus pais! O caminho mais rápido é pela direita — continuou, ríspida- E lá e o seu pai! Pare de ser tão... tão teimoso!
Ruy, com a face rubra, viu que ela detinha a melhor decisão. Abaixou o rosto, enquanto ela esticava-se ao máximo, beijando-o na bochecha, pedindo aos Deuses para que um dia voltasse a vê-la, voltando a correr enquanto o estrondo do exército tornava-se mais alto.
POV GREG
Vamos garota, onde está você? — Greg montava velozmente, tentando manter-se um pouco à frente do exército.
Lorde Martelli, o havia designado para comandar a parte leste da grande armada tendo em vista o renome de bom combatente que Greg havia recebido por entre os homens do Lorde, que, assim como todos os soldados e arqueiros o tinham visto derrubar inúmeros cavaleiros experientes nas justas do torneio. Mesmo com tal honra, não era para comandar que ele lá estava.
Ao contrário. Greg fazia oposição a toda aquela loucura e perguntava-se como Liam teria sido tão manipulado. Enfurecendo-se lembrou-se então de como, pouco mais cedo, após saber dos planos de Lorde Minos, havia explodido e ido atrás do Príncipe, encontrando-o jogado nos aposentos, mais parecido com algum velho moribundo à espera da morte. A raiva desvaneceu-se.
Sem armadura ou espada, havia procurado seu malhado e corrido para o porto tentando alertar quem quer que conseguisse. Continuou, pensando agora que, se fosse pego, seria considerado um traidor, riu.
E continuou chamando por Arya.
De repente, avistou um vulto correndo rápido, logo a sua frente. Identificou Arya.
Preparando-se para resgata-la, teve sua atenção captada por um grito estridente logo a seu lado. Uma moça Loira chorava. Repentinamente reconheceu Annie, a jovem por quem tinha apaixonado-se em sua secreta visita ao porto com Liam.
A bela, ajoelhava-se chorando ao lado de um homem...com uma flecha espetada no peito.
O ataque havia começado.
Indeciso, virou-se para onde Arya ainda corria, salva, e onde a amada jazia no chão. Amaldiçoando-se correu, erguendo Annie em seu malhado, e protegendo-a da próxima saraivada de flechas.
POV ARYA
Esquivando-se por pura sorte da primeira chuva de flechas, Arya corria, agora da segunda. Desviou-se das pessoas que começavam a correr histéricas, e acelerou.
Mães gritavam por seus maridos e filhos, pessoas caiam nas ruas. O som dos soldados começava, e tentando manter-se calma, identificou grupos de homens portuenses se armando e seguindo m direção ao exército.
Ao longe, a dança começava. Espadas contra escudos. Homens contra homens. Vida contra morte. A canção iniciava-se e o caos instalava-se. Cada vez mais homens do porto corriam contra os soldados, tentando se defender, defender suas famílias, seu lar.
Arya, descontrolando-se começou a chorar, tropeçando e caindo. Ficou ali, fraca, indefesa, assustada como nunca achou que estaria. Arrastou-se com dificuldade para o lado de um barril pesado, tentando cessar as pisadas descontroladas que recebia. Viu, impotente, quando o exército chegou, avançando contra as portuenses, massacrando-os, tirando-os de suas próprias casas. Homens, mulheres, crianças. Alguns, eram acorrentados. Mas a grande maioria...
De repente gritos familiares.
Imam! Não!
Sua mãe e seu irmão eram acorrentados e postos em uma das imensas filas de presos, enquanto seu pai jazia caído no chão. Aos seus pés do pai, viu que muitos soldados também jaziam mortos. Arya, recuperou-se e tentou seguir multidão enfileirada. Escondeu-se por entre as filas, de mulheres e jovens, essas, sem mais vontade de lutar, chorando por seus maridos e filhos, sendo agredidas pelos soldado impacientes.
Os presos eram levados a um patamar elevado de madeira, com diversas cordas, onde um enforcamento em massa acontecia.
Se não tinham dinheiro para pagar a fortuna requerida, pena de morte.
Quando sua mãe subiu o patamar tendo o pescoço enlaçado, Arya não se conteve. Correu em direção a forca. Jenna avistou com desespero, a filha, que vinha em sua direção tentando abrir caminho por entre as pernas da multidão presa pelos milhares de guardas. Mandou a ir, gritou, espantou-a mas garota continuava. De repente o pior.
Um dos guardas tinha avistado Arya, e seguido com a espada e punho, para prende-la.
Venha garota, vamos acaba...
Arya teve de desviar-se para o lado, sem entender, quando o soldado era perfurado pelas costas por uma fina espada. O que surgia por trás dele a espantou.
Jack.
Vamos logo, não fique parada com essa cara- e a agarrou pela cintura, correndo. Arya gritava que tinham de salvar Jenna, mas ele a ignorava- Já é tarde garota.
Desviando-se das pessoas com empurrões, subiu por uma escada, equilibrando-se com Arya nas costas e subindo para um pequeno telhado. Antes que pudessem sair de vista, ouviu um guarda avista-los e gritar para os arqueiros.
O que ele fez, deixou-a espantada.
Jack era sobre humano, desviava-se das flechas com precisão, e correndo com a agilidade que ela nunca teria imaginado possível ainda mais com ela nas costas, pulando de telhado em telhado, depois de carroça em carroça, chegando a boca do porto. Soldados, armados com espadas, corriam, bem perto.
Arya já imaginava o fim, quando chegaram no píer das aguas, entendendo com espanto que ele ia pular em um estranho navio que zarpava escondido na parte escura do porto, atrás de um rochedo, lugar onde nenhum capitão ousava ir, um lugar onde a rebentação destruía todos os cascos, mas não o daquele navio.
Não ia dar.
Deu. Jack agarrou-se em uma corda e foi puxado para bordo por uma estranha tripulação. Os piratas, afastaram-se rapidamente, lançando o navio ao alto mar, rindo dos soldados que os amaldiçoavam em terra.
Mas Arya só conseguia pensar em uma coisa, enquanto a terra se esvaia, até tornar-se um pequeno ponto marrom.
Todos tinham ido. E alguém iria pagar.
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