Vida De Uma Bruxa Semideusa
3 Acampamento
Notas iniciais
Adormeci.
Sonhei com Gaia, isso mesmo Gaia, o rosto dela estava igual ao que é descrito nos livros de Heróis do Olimpo.
– Junte-se a mim, jovem criança. Junte-se e terá onde viver quando eu destruir todo este lugar. Terá direitos. Espione para mim e mate-os... — Dizia a voz fria porém persuasiva.
– NÃO! Nunca sua velha coroca! — Interrompi.
– Garanto que se não mudar de ideia você será quem irá sofrer mais. — Disse dando um sorriso (espera a terra consegue sorrir?).
– Eu não vou mudar de ideia! — O rosto de terra sumiu e me senti ser sacudida.
– Nick! Nick!
– Não, nunca! Me solta! — Comecei a me debater.
– Ai!
Finalmente abri os olhos. Rup estava com as duas mãos na barriga.
– Obrigada por chutar minha barriga! — Resmungou.
– Desculpe — Meu rosto ficou quente. — Sonhei com...
– Conta o sonho depois. Temos que sair do avião. Só tem a gente aqui ainda. Temos que pegar o outro avião daqui a meia hora.
– Ah ok.
Desafivelei o cinto e me levantei um pouco tonta. Botei a mochila nas costas.
Na porta do avião havia uma aeromoça nada feliz.
– Lo sentimos Verano, ella estaba dormida. — Disse Rup em espanhol — Buenas noches...
– Buenas noches. — Respondeu ela amargamente.
Quando nos distanciamos um pouco dela pelo corredor falei:
– Até espanhol você sabe falar?
– Sem mais línguas do que imagina.
– Hum... Legal.
Comemos em uma lanchonete do aeroporto. Estávamos no Panamá, de lá iríamos direto para Nova Iorque. Matamos o tempo conversando sobre o acampamento. Perguntei para Rup sobre os campos de morangos... essas coisas que no livro diz que lá tem. E ele confirmou tudo, o que me animou ainda mais.
– Ah, conte o seu sonho. — Lembrou ele.
Contei sobre o rosto de Gaia e falei o que ela havia dito.
– Isso não é bom. Quer dizer que ela vai mandar monstros. Pelo menos eles voltaram a ser mais fáceis de matar e não voltam tão rápido, estranho...
– Eu sei porque eles voltaram a ser mais fáceis de matar.
– Como assim?!
– Percy e dois semideuses da profecia libertaram Tânatos.
– Esqueci que você le os livros.
– Vocês do acampamento leem os livros?
– Não. Só permitiram que o tal cara lá, tal de Riordan, escrevesse porque todos sabemos que os mortais nunca vão acreditar que tudo isso aconteceu realmente bem debaixo dos narizes deles. E também os deuses gostaram da ideia, afinal eles tem medo de serem totalmente esquecidos. — Explicou.
Antes que eu pudesse comentar alguma coisa nosso voo foi anunciado nos alto falantes. Fomos em disparada para embarcar.
Fiquei a viagem inteira desenhando. Não dormi nada por medo de ter outro sonho com Gaia, aquela velha horrorosa.
***
Faltava umas duas horas para o céu de Nova Iorque clarear quando chegamos.
Rup disse que iríamos para o acampamento no taxi das Irmãs Cinzentas. Então fomos para um ponto da rua sem movimento.
– Só tenho que achar o dracma. — Disse Rup abrindo a mochila.
– Ok.
Rup procurava o dracma desesperadamente.
– Maldito dracma que tinha que sumir agora!
Então vi um homem vindo em nossa direção. Seu olhar era feroz e me encarava.
Monstro.
Com certeza era um.
– Rup...
– Espera um pouco já estou para achar o dracma.
– Rup...!
– Calma.
– Rupert Green! — Sussurrei impaciente.
Ele olhou para cima e viu o homem/monstro.
– Isso não é bom. Eu não devia ter ignorado meus instintos, bem que eu estava sentindo cheiro de monstro! Temos que correr... — Sussurrou.
– Ah vocês não vão para lugar nenhum. — Disse a voz fria do homem.
De repente o homem se transformou, adivinhe em que? Para minha felicidade em um manticore. Dentre os monstros esse é um dos que mais me dá medo, tudo bem pode rir da minha cara.
Ele lançou quatro espinhos fazendo com que Rup ficasse preso na parede apenas podendo mexer as mãos.
Engoli em seco.
– Olha... Hoje é um dia muito especial para mim, sabe? E eu não quero virar comida de monstro justo hoje que descobri o que sou. Você pode marcar data e horário do ano de... hum... dois mil e nunca. O que acha? — Falei tentando não entrar em pânico.
– Não sou do tipo que espera. — Ele lançou um espinho.
Desviei meu tronco para a direita, o espinho fincou na parede, olhei para frente com os olhos arregalados.
– Que bom que está com medo.
Ele estava se aproximando cada vez mais.
– Nós já acabamos com todos vocês, espécie raríssima, quando estavam despreparados. Vou te matar também.
– Nick! — Chamou Rup.
Ele lançou desajeitadamente uma adaga de bronze celestial peguei por um triz.
– Sabe... Eu sei como te matar. — Falei firme.
– Deve ser uma daquelas que lê os tais livros não é? — Zombou — Saiba que teoria e prática são coisas muito diferentes.
O medo estava tomando conta de mim. Não posso me deixar levar. Cegamente atirei a adaga, e por incrível que pareça a adaga cortou a cauda do monstro.
Ele ganiu de dor. Peguei a adaga rapidamente e fui ajudar Rup a se livrar dos espinhos.
– Nick...
Olhei para trás o manticore já estava levantando de novo.
– Ache o bendito dracma logo! — Gritei.
O monstro se aprontou para saltar. Logicamente não irei me arriscar a jogar a arma novamente. Ele saltou. Caiu por cima de mim com as patas dianteiras em meus ombros, machucando-os. Ele lambeu os beiços.
– Faz um tempo que não como carne de bruxo semideus...
Meu braço direto ainda estava com alguma liberdade.
– Pois então ficará mais tempo ainda!
Perfurei sua barriga com a adaga.
Ele virou pó. Um pouco entrou na minha boca. Tossi e cuspi. Levantei e me sacudi para tirar um pouco do pó.
Um carro preto estava estacionado á minha frente. Rup segurava a porta de trás.
– Não temos tempo para você ficar admirando o carro. — Reclamou a Irmã que dirigia o carro, ela estava sem o olho. Ugh.
Entrei batendo a porta. O Carro acelerou rapidamente me fazendo cair em cima de Rup e depois ser jogada para a porta.
– Então para onde querem mesmo ir? — Perguntou a Irmã que estava no meio, ela estava com o olho. Acho isso pouco lógico.
– Long Island. Acampamento meio-sangue. — Respondeu Rup.
O carro acelerou ainda mais se é que isso é possível.
– Finalmente realizou seu sonho, hein, Nicole. — Disse a Irmã da outra ponta.
Fiquei sem reação.
– Se quiser saber do seu futuro...
– Não! Não quero saber! — Interrompi lembrando-me do oráculo.
– Tudo bem... Mal educada. — Resmungou ela — Pronto. Aqui está o Acampamento meio-sangue.
Enquanto Rup entregava cinco dracmas ás Irmãs sai quase correndo do carro.
Olhei para o pinheiro de Thalia. Peleu dormia tranquilamente perto da árvore. E o Velocino de Ouro balançava levemente com a brisa.
Abri um sorriso.
Como posso amar tanto um lugar em que nunca havia estado?
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