Vicios

12 Décimo Segundo


Notas iniciais
Dedicating for Camila @xaehamacek and Debsx @hamacekador

Vazio, decepção, raiva, tristeza. Era um misto de emoções se alternando de modo que João não soubesse distingir o que sentia naquele exaltado momento. Ouvir aquelas palavras da garota por quem ele iria até o inferno doeu mais que ele imaginaria.

Ignorando os chamados de Karina, ele desceu as escadas nervosamente saindo do prédio ás pressas pronto para ir ao QG ir para um mundo em que era um guerreiro imbatível.

Em seu caminho sentiu o familiar perfume de Jade e virou-se a tempo de ver a garota apressando os passos nervosamente. De imediato correu atrás dela puxando a mão dela que arregalou os olhos antes de perceber que era ele.

– Jade, você tá bem? — perguntou preocupado ao ver aqueles olhos castanhos escuros marejados e logo ela o abraçou pela cintura escondendo seu rosto no peito dele.

– Me leva para longe daqui, por favor. — implorou com a voz embargada como se controlasse para não desabar ali mesmo e João já tinha um local em mente.

Estendeu as mãos chamando um táxi bem no instante que viu Karina discutindo com Bianca em frente do prédio e aqueles olhos castanhos mel lhe encararam em um misto de emoções que ele não estava com vontade de descobrir naquele momento. Entrou no táxi juntamente com Jade desviando o olhar da garota.

– Karina ele é apaixonado pela Jade! Se liga e me deixa em paz! — a atriz murmurou acidamente enquanto a irmã revirava os olhos com a teimosia da garota.

– Você é muito idiota! — bufou a loira franzindo a testa ao ver que a garota olhava fixamente para um certo ponto fixo atrás de si e perdeu a voz vendo João entrando com Jade no mesmo táxi abraçados.

– Eu d-disse. — suspirou Bianca com a voz falha se afastando do prédio indo em direção á Ribalta sem olhar para trás.

Subiu as escadas decidida e correu para o camarim em busca de um objeto que sempre lhe trazia conforto nas horas que precisava. Seus olhos de imediato pousaram em um belo e antigo vestido que anos antes fora usado pela mãe dela no papel de Julieta.

Tirou o cabide e apertou para si o tecido sentindo o velho cheirinho familiar de rosas que a fazia chorar relembrando da última lembrança que tinha da mãe, ainda viva.

Sentou-se na poltrona que ali perto havia, encolheu o corpo ficando em posição fetal e fechou os olhos apertando o vestido.

– Mãezinha. — soltou a palavra que não conseguia falar desde a morte dela e em seguida chorou.

Bianca chorou tudo que tinha para chorar, a morte de sua mãe que ainda a afetava, o fato de ter pago dinheiro para Pedro namorar sua irmã, assumir um papel de mãe que não era seu, gostar de um garoto que ela tanto magoou e ainda magoa com as palavras. Eram muitos sentimentos reprimidos em apenas uma garota, uma menina-mulher que só queria ouvir um "Vai ficar tudo bem".

Foi tão emocionalmente exaustivo que ela adormeceu abraçada ao vestido da mãe. Não sabia, mas sonharia com alguém especial.

Não estava mais dormindo, encontrava-se em meio de um palco porém não havia plateia, tudo que conseguia ver era um par de olhos verdes familiares lhe encarando.

– João? O que... — exclamou confusa ao ver os trajes do garoto que se aproximou de modo seus narizes se encostassem como beijo de esquimó.

Antes que pudesse recuar, ele segurou sua mão e institivamente permitiu que elas se entrelaçassem sem deixar de perceber o quanto suas mãos pareciam se encaixar perfeitamente.

– Os santos e os devotos não têm boca?- a voz dele saiu rouca fazendo que ela se arrepiasse internamente.

Franziu a testa confusa, sentindo uma espécie de reconhecimento da frase mas antes que pudesse fazer algo, sua voz já tinha feito.

– Sim, peregrino, só para orações.– mordeu os lábios sentindo seu coração bater tão acelerado que poderia saltar para fora da boca.

– Deixai, então, ó santa! que esta boca mostre o caminho certo aos corações.. — reconheceu de imediato a cena de Romeu e Julieta e não resistiu um sorriso aproximando seu rosto ainda mais fazendo seus lábios roçarem um no outro.

– Sem se mexer, o santo exalça o voto. — sentiu sua respiração cada vez mais falha ao recitar a frase.

– Então fica quietinha: eis o devoto. Em tua boca me limpo dos pecados. — e antes que pudesse processar sua cintura fora puxada com força e seus lábios se encontraram iniciando um beijo.

Sem recuar, ela apertou a nuca dele com força e sentiu o mesmo a apertar mais para si de modo que quase seus corpos pudessem se fundir. Mordiscou o lábio inferior dele em meio do beijo sem a menor vontade de sair.

Estava tão completamente envolvida que não conseguiu evitar um resmungo audível quando o mesmo se afastou com aqueles olhos verdes brilhantes lhe encarando como se ela fosse a melhor maravilha do mundo.

E mal ele sabia, que para Bianca, ele realmente era a melhor maravilha do mundo.

– Que se passaram, assim, para meus lábios. — sorriu corada ainda com as mãos na nuca dele que permanecia segurando sua cintura.

– Pecados meus? Oh! Quero-os retornados. Devolve-me. — João mordeu os lábios esboçando um sorriso malicioso que a enlouquecia sempre.

O jeito dele deveria ser pecado.

– Beijais tal qual os sábios. — mesmo sabendo que não estava dentro do roteiro, aproximou seu rosto de modo que seus lábios se pressionassem um no outro causando a costumeira faísca que sempre ocorria.

Bianca sentiu seu corpo ser levemente chacoalhado e crispou os olhos levando alguns instantes pra processar o ambiente ao redor sem disfarçar um desapontamento. A vida real era tão cinza longe daquele sonho maravilhoso.

Ergueu o rosto emburrada para encarar a pessoa que lhe acordara e sentiu seu rosto arder ao ver que era Henrique lhe encarando com um sorriso estupidamente malicioso que só os melhores amigos conseguiam dar.

– Soninho tava bom né, me diz com que você sonhou? — implicou se sentando na borda da poltrona erguendo uma sobrancelha ao notar o vestido que ela se agarrava.

– Cala a boca babaca. — retorquiu grosseiramente se levantando pegando o cabide para colocar de volta o vestido que havia emprestado para a peça. O vestido que ela devia usar.

O filho de Heideguer revirou os olhos e assim que a garota colocou guardou o vestido, ele puxou o braço dela fazendo que a mesma se sentasse no colo dele ainda irritada por ter sido interrompida.

– Vai pro inferno. Você tinha que me acordar bem na melhor hora? — Bianca soltou sua exasperação fazendo ele rir enquanto ela revirava os olhos.

– Deixe-me adivinhar, você tava sonhando com o João né safada. Só me diz se tava quente a coisa. — assim terminou de falar, recebeu uns tapas fortes no braço enquanto ela se levantava indignada.

– Não te interessa. E não ficou quente porque uma certa pessoa atrapalhou né? — retrucou mordaz enquanto ria da careta do amigo.

Bem longe dali, em um canto deserto da praia da Cidade Maravilhosa, estavam João e Jade caminhando pela areia. Um esperando o outro começar a falar mas sem a menor vontade de quebrar o silêncio confortável que reinava.

Sentaram na areia macia e a garota colocou a cabeça no ombro do confidente sem segurar um suspiro se preparando para começar a falar. Fixou os olhos no mar esperando que as palavras fluíssem tão suavemente como o estado do mar baque momento.

– Eu e o Cobra, a gente terminou. — murmurou a morena se sentindo vazia por dentro. Era como se perdesse mais uma parte importante de si, se sentia tão incompleta quanto o dia em que perdeu sua mãe, meses atrás.

Flashback

Franziu o nariz sem conter a óbvia irritação ao ver na porta de vidro do QG mesmo que longe, o mestre de Muay Thai Lobão de seu amado, o tal que ela tanto implora para que ele se livre.

Sentindo uma certa raiva, abriu a porta de vidro captando algumas palavras da conversa deles.

– Ou você entra ou ela vai pagar. — a voz do homem lhe causou um frio na espinha e a fez recuar alguns passos embora sua presença já tivesse sido notada e aqueles dois pares de olhos lhe encararam.

Riu sem graça e tentou manter a postura abrindo seu costumeiro sorriso malicioso indo em direção ao seu vagabundo que permanecia em silêncio e impassível assim como Lobão.

– E ai meu lindo, ta tudo bem? — franziu a testa teatralmente vendo que a expressão do homem havia se suavizado embora se manter-se alerta.

– Meu lindo hein? To indo Cobraleoa, até mais senhorita. — o mestre de muay Thai não resistiu um sorriso debochado logo saindo do local fazendo que Jade encarasse Cobra.

Os olhos castanhos escuros dela exigiam uma explicação sendo que aquilo era a última coisa que ele poderia lhe dar naquele momento. Principalmente naquele momento. Não poderia a colocar em risco e teria que fazer algo que doeria até a alma.

– Jade a gente precisa conversar. — ele a observou erguer as sobrancelhas curiosa embora sua expressão estivesse impassível.

– Não acredito. É o que eu to pensando? — Jade se segurou para manter a voz firme tentando não demostrar o quanto seu coração estava doendo por dentro.

Desviou os olhos se recusando a encarar a mulher que amava e ainda ter que partir o coração dela. Mas em primeiro lugar, ele precisaria a proteger.

– Quero terminar. — engoliu em seco ao sentir o gosto ruim de bile ao pronunciar as últimas palavras que se imaginou dizendo para Jade.

– Não. Por favor, não. — murmurou ela fraquejando sentindo como se tudo ao seu redor estivesse desabando.

Em um gesto desesperado colocou sua mão na nuca dele e o puxou para um beijo desesperado enquanto as lágrimas caiam sobre o rosto dela. Sem conseguir resistir, apertou a cintura retribuindo e logo se afastando antes que a ideia de se afastar dela se tornasse ainda mais insuportavel.

– Me desculpe. Não posso. — acariciou de leve a face dela limpando as lágrimas enquanto reprimia os soluços.

– Porque? — recuou bruscamente o indagando sem receber resposta.

Com o coração partido e sem mais forças de o encarar, ela saiu do QG sem a menor ideia de onde ir. Ela só precisava ficar longe dali, longe dele. Não lhe caia a ficha no que estava acontecendo.

Jade terminou de narrar e não conseguiu evitar uma certa sensação de que estava deixando de notar algo. Sacudiu a cabeça e se fixou no mar em sua frente que parecia brilhar sob a luz da Lua.

– Não temos sorte com o amor não é mesmo Gardel? — suspirou o de olhos verdes que sentia as palavras de Bianca ecoando dentro de si.

"Eu nunca vou gostar do João... Quero que ele desista."

E talvez com aquilo, ele finalmente desistiria.

– Nós somos ferrados Spinelli. — Jade se virou para encarar o amigo que fez o mesmo e seus olhos se cruzaram fazendo que ambos rissem.

– Você tá pensando o mesmo que eu? — falaram ao mesmo tempo e riram ainda mais.

Tentaram manter seu rosto sério e aproximaram o rosto ficando apenas centímetros de quase seus lábios se encostassem.

– Vamos tentar? — ela encostou seus narizes com um leve sorriso que ele retribuiu.

João quebrou a pequena distância e pressionou os lábios fazendo que se iniciasse um beijo. Era uma sensação estranha de beijar a melhor amiga fora do palco.

Na calçada, Pedro abraçava a namorada que se encolhia com apenas um leve vento. Ele a levou para uma parte da praia em que juntamente com João havia encontrado nas suas caminhadas matinais.

– Pelo visto não é tão deserta assim. — a loira tinha os olhos fixos em um ponto e franzia a sobrancelha como se estivesse estranhando algo.

O roqueiro de imediato virou-se e não conteve o choque em sua feição ao ver seu melhor amigo com Jade. Se beijando. Karina logo reconheceu e arregalou os olhos abismada.

– Tá de brincadeira comigo esse moleque? — o rosto dela se avermelhou de uma leve raiva se relembrando das falas da irmã antes dela por tudo a correr.

Pedro de imediato a apertou com mais força antes que a mesma pudesse sair correndo e berrar aos ventos. Do jeito que a namorada era esquentadinha, ele não duvidaria de nada.

– Calma esquentadinha, eu já sei o que podemos fazer. — murmurou fazendo que a namorada se virasse a lhe encarar com aqueles olhos azuis curiosos.

– Pedro Ramos, chegou o dia que eu vou levar a sério o que você vai dizer, não me desaponte. — ela alertou com a voz seria fazendo que ele revirasse os olhos.

– Não é óbvio esquentadinha? A gente precisa de um plano. Plano Joanca! — falou teatralmente enquanto Karina cruzava os ombros descrente.

– Joanca? Ai meu Deus. — a loira suspirou tentando manter a calma e de perfil encarou o casal que beijava na praia. Aquilo não estava certo. – Fala logo, o que você pensou?

E ali se inicia uma longa noite, Karina e Pedro ora planejando como unir seu amigo e a irmã dela ora namorando e aproveitando que Gael e Dandara estavam de lua-de-mel.

Notas finais
E aguardo os xingamentos AJXJAKKSKDKSKKSXKKDFKFLKG AMO VOCÊS