Viagem sob o manto das trevas
1 Desmaio em plena viagem
Notas iniciais
Apesar de não estar lá tão curto o capítulo não dispõe de nada muito marcante. Espero que se divirtam e boa leitura. Beijos Bianca ;*
Cada parte do meu corpo doía, e Reyna, assim como o treinador Hedge insistiam em protelar nossa parada. Talvez porque não eram eles que estavam tendo que se esfroçar para que as viagens acontecessem.
Enfim, o cansaço tomou conta de mim e senti minhas pernas ficarem bambas. Por um segundo pude ver raios de sol (não que os ache muito agradáveis) e então tudo escureceu e eu perdi o controle do meu corpo. Acordei com as costumeiras reclamações do treinador.– Apesar de magricela ele é bem pesado. — Hedge falou rabugento.– Santa Belona! Não consegue se calar, homem? — a voz era de Reyna.– Sátiro! Cuidado com o que fala, garota. Me esforcei para me localizar, abrindo os olhos devagar, e acredite em mim quando digo que não poderia ter visto cena mais horrenda. O traseiro peludo do treinador Hedge se encontrava bem a minha frente com um rabinho tão pequeno quanto uma bola de tênis balançando próximo ao meu rosto.– Santo Hades! — exclamei enquanto me contorcia tentando me livrar dos braços de Hedge.Caí com um baque surdo no chão. Já que todos os meus músculos doíam, a dor nem foi surpreendente. O treinador e Reyna me ajudaram a me por de pé.– Para onde estamos indo? — perguntei.– Primeiro preocupe-se em levantar, saco de batatas. — O sátiro falou carrancudo. – Para o hotel mais próximo. — Reyna suspirou enquanto reatava as cordas que a ligavam a Atena Parthenos. E assim fizemos. O hotel ficava ao sul da Itália, mas não era lá muito chique. Afinal, não tínhamos dinheiro para hotéis requintados. Conseguimos nosso quarto, equipado de três camas de solteiro e muita poeira, através de alguns truques que Reyna conseguia fazer com a Névoa. Dormi na cama do canto esquerdo, perto da janela. Reyna dormiu na cama do meio, de modo que, ou eu olhava para a parede, ou para ela. Ela ainda usava o cabelo trançado de lado, o que me lembrava bastante a Bianca. Por mais cansado que estivesse, não conseguia pregar o olho. O sátiro peludo roncava loucamente. Vi de soslaio que Reyna colocou o travesseiro sobre os ouvidos, incomodada com o barulho.– Você não estava cansado? — ela me alfinetou.– Eu estou. Só não consigo dormir com isso.– Pense em outra coisa. — ela sugeriu.– Por que se importa se estou dormindo ou não? — perguntei, meio de brincadeira, mas como sempre, ela me deu uma cortada.– Porque, infelizmente, sem você eu não posso completar a missão. Afinal, você quem viaja pelas sombras. E virou-se bruscamente para o outro lado. Suspirei e me virei também, tentando dormir. O cansaço me venceu e acabei apagando. Acordei sozinho no quarto. Aturdido, fui até o banheiro, lavei meu rosto e escovei os dentes, o mais rápido possível. Procurar por eles não estava nada fácil. Fiquei chamando o nome dos dois enquanto contornava todo o hotel. Nada. Respirei fundo, tentando não me desesperar. Então, vi o taco de beisebol do treinador jogado no chão, e a preocupação aflorou de dentro de mim. Ele nunca largava esse taco. Tentei pensar no local onde Reyna pensaria em recuar, no caso de ataque, e me lembrei de um depósito abandonado logo no final da rua. Corri até lá, a porta estava escancarada. Vi que Reyna tentava controlar o treinador enquanto ele cuspia injúrias na direção de um ogro de 2,5 metros. Reyna estava com a espada na mão, e Hedge ao seu lado, desarmado, mas nunca sem sua coragem, que às vezes era meio estúpida. O ogro estava pronto para atacar, e Reyna não conseguiria evitar.– Ei, grandalão, que tal um pouco de sangue das trevas?! — gritei, enquanto sacava minha espada de ferro estígio. Como previsto, o ogro investiu contra mim imediatamente, aproveitei a chance para desferir um golpe contra sua perna. Ele revidou com um belo chute no meu estômago, fui jogado uns dois metros para trás. Atingi o chão com um baque surdo, e a dor nas minhas costas foi lancinante. Infelizmente, percebi que o ogro já se cançara de mim e estava pronto para investir contra Reyna outra vez. Pontinhos pretos dançaram na minha visão quando tentei me pôr de pé, mas não desisti. Reyna estava caída aos pés do ogro, enquanto o treinador estava arremeçado alguns metros adiante, o que era melhor para ele, já que o ogro investiria contra ele depois. Escorreguei por entre as pernas do ogro, cortando toda sua extenção, enquanto estendia o outro braço para pegar a Reyna. Só então ele virou pó, retornando ao Tártaro. Embora minhas costas latejassem, meus ferimentos nem se comparavam aos da Reyna. Sua testa estava sangrando, melando sua franja. Haviam outros dois cortes no rosto, um na bochecha e outro no queixo. Suas roupas estavam em frangalhos, ensanguentadas e rasgadas. Sem contar o inchaço e a coloração roxa em sua panturrilha.– Venha cá, vou levar você de volta para o hotel. — ela encolheu quando tentei pegá-la no colo. — Qual é, Reyna, você não consegue ir sozinha. Consegui convencê-la a deixar-me ajudá-la, mas não a carregá-la. Ela apoiou um braço no meu ombro e foi mancando até o treinador Hedge. Antes que eu pudesse tentar ajudá-lo, ele me impediu, irritado.– Estou bem! Vamos, vamos, vamos! Não preciso de ajuda! — e foi mancando na minha frente. Ele realmente não estava tão ferido. Ao contrário de Reyna, que ia gemendo e tremendo ao meu lado. Hedge me ajudou a colocá-la sobre a cama, peguei um pano úmido e limpei seu rosto, fiz os curativos nos cortes menos graves, e Hedge ficou com a pior parte, sua perna.
Ele não era um bom curandeiro, ficava cutucando o inchaço e eu sabia que isso era uma tortura para a Reyna, mas ela permaneceu quieta.– Treinador, por que você não descansa? — sugeri. — Eu cuido disso.– É, isso vai ser melhor para ela. — ele deu um tapinha na perna dela, Reyna ficou vermelha, mas nada falou. — Me chame caso aquele ogro fedorento apareça aqui de novo.– Sim, senhor. Ele não demorou mais de quatro minutos para começar a roncar. Passei uma pomada na perna de Reyna. Não era mágica, mas funcionava bem. Dei também um pouco de ambrosia para ela.– Como se sente? — perguntei.– Estou bem. — ela respondeu, desanimada.– Bem, você quer descansar?– É uma boa ideia. Ajudei-a a colocar os cobertores sobre o corpo, e quando estava indo em direção a minha cama, ela segurou meu pulso.– Obrigada, Nico.– Não por isso. — falei indiferente. Fiquei observando enquanto ela caía no sono, sua expressão séria estava se perdendo em meio a uma mais suave, pelo cansaço ou pela dor. Sua respiração contínua desacelerou e notei que ela tinha dormido. Revirei na cama várias vezes antes de conseguir dormir, pensando um pouco sobre o Percy. Eu era pequeno, e era como uma admiração, mas a medida que fui crescendo, passou a ser algo mais complexo. Mas por que alimentar uma paixão impossível? Bianca saberia o que fazer, mas eu estou totalmente perdido em meus próprios sentimentos. Talvez aquela paixão forte estivesse diminuindo, eu só não sabia dizer por que. Assim, do nada. Pensei também na minha irmã Hazel, ela era do acampamento romano, e eu a visitava às vezes. Mesmo não tendo convivido muito com ela, e mesmo ela não sabendo muito a meu respeito, eu criei um certo afeto com a Hazel. E após alguns outros devaneios acabei dormindo.
Notas finais
Espero que tenham gostado. Até o próximo :3
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