Ao nos aproximarmos um pouco mais chegamos aos portões enferrujados da cidade, foi bem simples movê-los, já que eu apenas pus minha mão em um deles e ele desabou levantando uma maré de areia em nós. Toda a cidade estava deserta e escura, os prédios desabando assim como as casas e as escolas; continuamos nadando por um tempo até que encontramos uma grande caverna pelos fundos da cidade.

— Até que não foi difícil de achar. Será que o monstro está aí?

Encarei Azimonte esperando uma resposta, ele apenas balançou a cabeça.

— Ah, certo, você é um peixe

Entramos na caverna, lá era muito mais frio do que na cidade fantasma, acabei esbarrando em uma grande pedra cinzenta e vi Azimonte recuar um pouco, só então percebi que era o Leviatã, ele abriu seus grandes olhos amarelos que eram quase do meu tamanho e acabou dando um rugido abafado pela água que foi forte o suficiente para fazer a água tremer e meus ouvidos doerem, começamos a nadar pra fora da caverna e ele foi atrás derrubando os prédios por onde passava, toda vez que conseguia chegar mais perto abria sua boca para tentar nos engolir. Acabarmos entrando em um grande prédio no centro da cidade, era o maior que havia na vida inteira, descemos por um buraco que era fundo o suficiente para eu achar que acabaríamos parando no centro da Terra se continuássemos, vi alguma coisa reluzir ao fundo, chagamos a uma grande câmara cheia de moedas de ouro e prata, pedras preciosas e um grande altar com uma coroa.

— Acho que encontramos, mas...

Ele me encarou e começou a nadar pela câmara. A opção mais óbvia era que a coroa era meu objetivo, mas não parecia certo, continuei olhando por aí até que encontrei uma bola transparente, de longe era como uma bola de cristal, mas quando eu a toquei parecia uma ova de peixe estranhamente grande, era isso, só podia ser, mostrei a bola a Azimonte e ele começou a me guiar para cima, saímos da cidade sem mais problemas, talvez o Leviatã tivesse voltado para sua caverna. Assim que que saímos da água Azimonte se transformou em homem de novo, mas minha cauda de sereia ainda estava lá.

— Quanto tempo leva pra eu voltar ao normal?

— Mais alguns minutos, enquanto isso vamos esperar aqui mesmo. Me mostre o ovo, por favor

Entreguei a ele o ovo transparente que tínhamos pegado, agora na luz eu podia ver que no centro havia uma pequena criatura com com pequenos olhinhos amarelos e algumas veias se ligando a ele.

— Pegamos um ovo de Leviatã, preparada para criar mais um bichinho em casa?

— Eu já tenho uma manticora, um muda-formas levado e minha queridas pernas de bode, acho que não preciso de um peixe gigante morando no aquário abandonado da minha casa

— Eu não acho que ele caberia num aquário depois que crescesse, mas por enquanto temos que mantê-lo na água quente, se ele continuasse naquela água fria ele acabaria morrendo

Coloquei-o de volta na água enquanto Azimonte foi procurar um aquário para o ovo. Quando ele voltou um um aquário bem grande minha pernas já tinham voltado ao normal, nós o colocamos gentilmente na água quente, ele me explicou que havia modificado o filtro do aquário para manter a água sempre na temperatura ideal para o ovo e o levamos até a casa de Morfus, quando ele nos viu ficou extremamente irritado.

— Eu disse para você ir para a escola, Marry!

— Eh,.... Eu fui, só..... Não fiquei pras aulas.. — disse com um sorriso forçado

— Seu muda-formas resolveu se revelar? Isso é novidade

— Por que?

Ele surpirou e viu o que eu estava segurando.

— O que é isso?

— Um ovo de Leviatã

— Foi até Atlantis sozinha

— Eu estou aqui, sabia?— disse Azimonte

— Ah, claro, obrigado por cuidar dessa pequena suicida

— Eu disse que você era

— Ei! Eu sei me cuidar, ok?

Azimonte de ajudou a levar o aquário pra casa e voltou para sua forma original, coloquei o aquário encima da escrivaninha e notei que ainda não tinha aberto a carta que Morfus me dera.

"Querida Marry, estou escrevendo para lhe contar que está cada vez mais difícil continuar aqui sem você, tantos meses se passaram sem eu poder sequer beija-la mais uma vez, estou fazendo todo o possível com meus estudos de alquimia para tentar criar um portal de volta para a Terra, acabei explodindo uma parte do templo da mamãe por acidente e passei quase 3 dias concertando com alguns upgrades como castigo, agora mistura de produtos químicos só no jardim. Me escreva assim que puder, estou com saudades, te amo"

Dei um longo suspiro e guardei a carta na gaveta da escrivaninha, "só mais um pouco, só mais um pouco", pensei com os olhos cheios de lágrimas enquanto me deitava pra dormir.