Viagem ao planeta Terra
53 Capítulo 53
3 da manhã, acordei por conta de algum sonho estranho que logo esqueci quando abri os olhos, olhei para o lado e Isabel não estava ali e a porta de entrada estava aberta. Enrolei-me no cobertor e fui para o lado de fora, lá estava ela, na cadeira de rodas de olhos fechados e sentido o vendo bater em seu rosto, enquanto acariciava Tanta que estava em seu colo.
— Não consegue dormir?
— Eu queria ficar do lado de fora um pouco, eu costumava fazer isso quando estava na minha casa
Me sentei no chão perto dela e ficamos observando o céu, a noite estava linda, nenhuma nuvem para atrapalhar a vista que tínhamos das estrelas.
— Olhe. — ela disse apontando para um grupo de estrelas — O cocheiro
— Eu não entendo nada de estrelas...
— Não precisa entender as estrelas. — me olhou como se estivesse falando com uma criança pequena, com os olhos doces e ternos de uma mãe — Você deve sentir a presença delas
— Como?
— Feche seus olhos um pouco. — obedeci — O que você sente?
— Bem, por enquanto nada...
Ela segurou minhas mãos e se levantou da cadeira me pedindo para continuar com os olhos fechados, me guiou calmamente até a grama do jardim, estava bem mais frio do que na varanda.
— O que sente em sua volta?
— A grama, a casa atrás de mim, hum, o vento e você segurando minhas mãos
Ela se inclinou para frente e deu um pequeno beijo em minha boca.
— Sentiu isso?
— Claro. — disse dando um sorriso
— E qual seria a diferença de sentir isso e sentir a presença delas lá encima? Elas estão sempre lá, mas as pessoas não percebem na maioria das vezes, como se não fizesse grande diferença, mas quando você aprende a entrar em equilíbrio com o universo pode fazer coisas assim.
Ela fechou os olhos e virou a cabeça para cima, apontando em varias direções diferentes e começando a citar varias constelações e planetas, acertou ate mesmo a posição da lua, depois virou a cabeça para o solo e fez a mesma coisa.
— Viu? — ela disse olhando para mim e tomando sua forma de elfa — Isso é uma questão de equilíbrio, aprendi a fazer coisas assim quando me tornei uma mestra
— Você tem força para manter essa forma e ficar de pé?
— Não se preocupe, eu vou ficar bem. — ela chegou mais perto e me beijou outra vez, só que bem mais demorado, passando um mão pelos meus cabelos e pondo a outra em minha cintura — Nalyë melmë cuilenya
— Não vale falar em élfico comigo, você sabe que eu não entendo
— Pois terá que aprender, minha língua natal me deixa mais feliz. — ela dizia quase sussurrando bem perto do meu rosto a pouco centímetros de me beijar de novo — E também, eu gosto da minha forma de elfa, me dá um pouco mais de energia, então enquanto eu estiver assim não preciso da cadeira de rodas e posso fazer isso. — ela pôs uma mão por dentro da minha blusa, abriu meu sutiã e começou a beijar meu pescoço
— Não vamos fazer isso aqui fora!
— Quer fazer isso lá dentro?
— Continuo preocupada com você, não pode ficar nessa forma pra sempre e pode tomar muita da sua energia da forma humana
— Você está certa...
Ela voltou para sua forma humana e rapidamente se apoiou em mim para na cair, passei meu braço por suas costas e outro por suas pernas para carrega-la para dentro.
— Tanta, vá para dentro, ok? — ele obedeceu e voou ate a janela do meu quarto
— Ele logo vai crescer...
— O que disse?
— Tantalião, as manticoras crescem rápido, ele vai ficar grande demais para o guarda-roupa, espero que você consigo terminar as missões antes disso, assim podemos leva-lo para casa onde ele vai ter mais espaço para correr e voar, e logo vai aprender a caçar e vai ter muitos filhotes para cuidar na primavera, podemos levar o homem-rato também, talvez ele pare de perturbar se tiver outros amigos transformistas
— Ah,.... certo.... ele irá adorar...
A coloquei deitada no sofá e logo fomos dormir. No outro dia acordamos bem mais tarde, Azimonte ainda não tinha voltado e minha mãe já havia ido trabalhar. Fui para o lado de fora com uma caneca de café, encarei um pouco a vista do lado de trás da casa, de dentro da floresta saiu um pequeno feixe de luz rosada e logo soube que isso significava trabalho, "por que isso só acontece quando eu acabo de acordar?" pensei entrando na casa para por minha caneca na pia e acordar Isabel para avisar que eu iria sair.
— Querida, eu tenho que ir
— Para onde?
— Floresta
—...... Certo, queria poder ajudar...
— Não tem problema, eu volto logo
— Pegue. — ela me entregou um apito de madeira com forma de cavalo na ponta — O nome dele é Phil — se virou de costas para mim e voltou a dormir
Fui para o lado de fora e assoprei o apito, achei que viria algum cavalo ou qualquer outra criatura magica que Isabel mantinha como animal de estimação para me dar uma carona, mas no lugar disso um buraco se abriu no chão, uma luz vermelha saia dele e logo um unicórnio colocou sua cabeça para fora dele.
— Eh..... Phil?
— Eu mesmo, e você é?
— Marry
— Um prazer, madame — ele esticou seu casco para me cumprimentar — Precisa de minha assistência?
— Pode me ajudar a encontrar de onde saiu o feixe do luz rosa da floresta?
— Eu posso tentar, mas não vou muito longe por ali. — ele me puxou para dentro do buraco com seu casco, era uma grande descida, estávamos caindo, ficava mais e mais quente, mas logo paramos, saia luz vermelha do chão, parecia lava, o unicórnio me permitiu subir em suas costas e me guiou pelo corredor
Passando alguns minutos e passando por varias entradas, buracos na parede e no teto, chegamos a um buraco que, de acordo com Phil, era o mais longe que ele me levaria na floresta, então ele me levou para cima.
— Até logo, senhorita, me chame de novo se precisar voltar para casa. — ele se foi e o buraco se fechou
— Hora de trabalhar. — disse para mim mesma
Antei por mais fundo na floresta, até que ouvi uma voz masculina cantando, logo encontrei um garoto, mais ou menos da minha idade, usando apenas uma toga branca, um colar com uma grande pedra cor de rosa e uma tiara de flores, cantava uma musica em alguma língua que eu desconhecia e pulava por todo lado numa clareira.
— Com licença...
— Oh, olá! — ele disse animado — Venha, venha
Me aproximei um pouco mais dele, enquanto ele trazia ate mim um grande colar de flores e o colocou em meu pescoço
— Magnifica, agora tenho 2 personagens para serem o deus e a deusa do olimpo, enquanto eu, serei o titã que tenta destruir a montanha de vocês. — ele passou um pouco para o lado para me mostrar outra pessoa perto dele, era Azimonte com uma tiara de flores como a do garoto — Vamos, sente-se perto dele
Me sentei enquanto o garoto arrumava mais algumas coisas para seu teatro.
— Onde esteve a noite toda?
— Apenas andei pela floresta
— Não parou para dormir?
— Não, e você, o que fez?
— Apenas fiquei em casa, vi alguns filmes e fiquei com a Isabel
— Ah, certo, eu imaginava....
— O que há de errado com você?
— Não há nada de errado comigo! — ele disse se levantando da pedra onde estava sentado
— Claro que há, primeiro você me beija e depois foge de mim, o que diabos você pretendia com isso? Foi um grande erro!
— Eu não...... — ele estava irritado, mas não conseguia completar a frase, atirou sua tiara de flores no chão e saiu andando, o garoto, vendo toda a cena parecia estar tendo um ataque, começou a gritar e espernear no chão, sua pele começou a ficar escura e ele crescia mais e mais
— Vamos terminar de brincar — ele gritou com uma voz distorcida partindo para cima de nós dois
Azimonte se transformou num urso gigante para tentar derruba-lo, eu não tinha com o que acerta-lo, havia deixado minha mochila em casa. Olhei para o chão e apenas haviam algumas pedras, seria ridículo usa-las como arma, mas por falta de opção comecei a esfregar uma pedra na outra para fazer com que ficassem com as pontas afiadas, cortei a tiara de flores com os dentes e amarrei o elástico num pedaço de graveto para improvisar um arco, tentei atirar a pedras o usando. Da primeira vez aceitei em seu olho o fazendo ficar atordoado, mas mais violento, tinha apenas mais uma chance, mirei em seu pescoço, a pedra ficou cravada na garganta e seu colar caiu no chão, sangue espirrava para todo lado e a criatura caiu no chão e evaporou numa nuvem de fumaça negra, assim como seu sangue. Olhei para Azimonte sorrindo.
— Parece que ainda somos uma bela dupla.
— Acho que sim....
— Vai voltar para casa?
— Por hora, eu preciso de um banho. — ele olhava para o chão, me aproximei dele e dei um beijo em sua bochecha
— Somos amigos, você sabe disso
— Eu sei. — ele disse me abraçando forte — Apenas amigos....
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