Saí do meu quarto e fui até a sala, onde Isabel estava jogada no sofá de barriga para baixo, cutuquei suas costas para que ela levantasse e ela me puxou para cima dela.
— Precisamos conversar — ela disse me ajeitando e acariciando meus cabelos
— Claro, sobre o que?
— Você sabe que eu não posso ficar aqui na Terra pra sempre, não é? Por isso que estamos fazendo essas missões, assim poderemos devolver o Oráculo para casa e...... Eu não vou poder ficar, você sabe
— Sim, eu sei, mas.......
— Desculpa, eles precisam de mim em casa
— Eu também preciso de você!
— Então............. Você poderia ir morar lá comigo
— Mas e quanto a minha mãe?
— Não vejo porque não levá-la também, seria bom ter você comigo, eu não quero te deixar sozinha nunca mais
— Certo, quando a hora chegar eu prometo que não vou deixar você ir sem mim
Ela riu e beijou a minha testa.
— Que tal eu ganhar minha recompensa por ter ganhado você na luta agora?
— Agora? Não tá meio cedo pra isso?
— Eu só ia pedir para cozinhar o almoço
Suspirei e fui para a cozinha pegar o meu avental e comecei a preparar alguma coisa para almoçarmos. Isabel ficou um tempo na sala vendo televisão enquanto eu cozinhava, depois se levantou e foi ficar comigo na cozinha, pegou meu celular, colocou Somewhere Only We Know e me abraçou por trás enquanto eu olhava o fogão e me puxou um pouco para longe.
— Eu vou acabar deixando a comida queimar assim
— Então que deixe queimar
Ela me virou para ficar de frente para ela e pôs sua mão sobre minha cintura para me fazer dançar lentamente com ela, sempre olhando nos meus olhos e cantando baixo para apenas nós duas ouvirmos.
— Podemos fazer isso depois, eu realmente não quero deixar a comida queimar — eu disse me virando para ir até o fogão
Ela agarrou meu pulso e me puxou para beijá-la, passando sua outra mão pelo meu cabelo.
— Eu não estou com muita fome agora, podemos ficar mais um pouquinho aqui, ok?
Ela me subiu no balcão e continuou me beijando, não conseguia deixar suas mãos paradas, passava-as pelos meus cabelos, minha cintura e pela minha perna.
— Meninas, vocês vai acabar queimando o meu almoço — disse uma voz vinda do sofá
Olhei para a sala e vi que minha mãe estava no sofá olhando para nós.
— Q-quando você chegou aqui?
— Cheguei a alguns segundos atrás e vocês pareciam estar se divertindo, não quis atrapalhar, mas sinceramente, precisam mesmo fazer até na cozinha?

Isabel me desceu do balcão e me deixou continuar a fazer a comida enquanto conversava com minha mãe esperando o almoço ficar pronto.
— Você duas são exatamente como eu e o pai da Marry éramos quando nos casamos, não ficávamos separados nunca
— O que aconteceu com ele?
— Ah, já faz muito tempo que ele morreu, um acidente de carro a 7 anos atrás
— Sente muito a falta dele?
— Ah, querida, todos os dias, mas não faz mal, ele não iria gostar se eu ficasse sempre triste por isso, sempre dizia que amava me ver sorrir

Tive que interromper a conversa para servir o almoço, 1 horas depois minha mãe teve que sair de novo para voltar ao trabalho. Voltamos a casa de Morfus para buscar nosso peso morto favorito e passamos o resto no dia sentados no tapete da sala jogando jogos de tabuleiro, até que chegou a hora de dormir. Tanta e Azimonte foram para dentro do guarda-roupa para dormirem por cima das minhas camisetas, enquanto eu e Isabel ficávamos com a cama.
— Quer fazer de novo hoje?
— Da última vez fomos descobertas
— Não faz mal, é só trancarmos a porta
— Pelo menos me dá um descanso, você vai me matar de cansaço assim
— Então podemos ficar só abraçadas? — ela perguntou passando a mão nas minha bochechas
— Tudo bem
Ela me abraçou e beijou suavemente meus lábios.
— Então boa noite, querida
— Boa noite
Ela sorriu pra mim e fomos dormir para estarmos prontas para a nossa próxima missão, mas depois da conversa da minha mãe sobre meu pai eu fico com muito medo de realmente perder a pessoa que eu mais amo, infelizmente eu nunca vou saber quando será nosso último dia.