Versprechen

1 Capítulo 1 - Anfang.


Notas iniciais
Fanfic de Valentine's Day pra Yukari-chan. E f****** que somos duas solteiras, se pudesse eu te dava um chocolate Hachi, mas por falta dele vai uma fanfic. Sim, transformei o Hizaki em mulher por motivos pessoais e não, o sobrenome dele não é Kageyama. Não fiz essa fanfic pra agradar a todos, fiz por um motivo pessoal, mas se alguém se interessar, eu agradeceria qualquer review. Não foi betado, desculpas adiantadas por qualquer erro que tiver.

[ Yuu’s POV ]

Ela estava chorando de novo.

Era um choro relativamente baixo pra uma criança da idade dela, mas mesmo assim, parecia que todo meu corpo tinha sido projetado durante os anos, desde seu nascimento, para protegê-la. Infelizmente eu não podia fazer nada enquanto os pais dela não saíssem de casa e isso me doía.

Levantei da cama, olhando por minhas cortinas para a casa ao lado – já que meu quarto tinha vista para a lateral – onde duas pessoas tinham acabado de abrir a porta e sair, entrando no carro que sempre ficava estacionado na calçada em frente ao jardim sempre bem aparentado.

As luzes de dentro da residência estavam completamente apagadas. O quarto dela ficava do outro lado.

Não sei bem quando essa minha rotina de invadir propriedades alheias no meio da madrugada começou, mas eu já estava tão acostumado que mesmo quando ela não chorava, eu acabava acordando e sofrendo de insônia o restante da madrugada.

Tranquei a porta do meu próprio quarto, abrindo minha janela e pulando como um gato na grama. Era uma cidadezinha de interior, longe de Tóquio, ninguém se preocupava muito com segurança, por isso os muros eram baixos, apenas enfeites.

Pulei o muro que dividia a minha casa da casa do vizinho, com o mesmo silencio com que saí de casa.

Assim que meus pés encostaram a grama novamente eu passei a procurar uma entrada destrancada qualquer, para que eu pudesse invadir aquele lugar que eu já conhecia de cor. Estar descalço não me incomodava naquele gramado que parecia mais um tapete macio.

Encontrei a janela que ficava logo acima da pia da cozinha aberta, entrando por ela e fazendo o possível para não esbarrar na louça que estava por lavar na cuba da pia, caindo no piso frio logo em seguida. Para sair eu acharia um lugar mais acessível.

Fui, sem ascender nenhuma luz, atravessando a casa como se fosse minha, reparando pela iluminação precária que as janelas ofereciam, que havia três garrafas vazias de alguma bebida em cima da mesa de centro. O que diabos eles tinham na cabeça?

Subi as escadas que levavam aos quartos no segundo andar, seguindo pelo corredor até uma porta pintada caprichosamente de rosa e enfeitada com algumas flores.

O choro ainda vinha, agora bem baixinho, de dentro. Abri a porta, vendo dois olhinhos azuis assustados me encararem, vermelhos de tanto chorar.

Fechei a passagem às minhas costas e andei até a cama onde ela tinha se sentado, agarrada a um ursinho. Me sentei ao seu lado e ela ofegou com força.

- Onde machucou, princesa? – No auge dos meus dezoito anos a ultima coisa que se esperava era que eu gastasse minhas madrugadas cuidando de uma menininha de sete anos quando os pais dela se embebedavam e a maltratavam.

Ela afundou o rosto no ursinho, com vergonha, fazendo seus cabelos loiros escorrerem por seus ombros, mostrando sem querer um pedacinho de uma marca próxima a sua coluna.

- Vem cá. – Me levantei, colocando-a carinhosamente de pé, fazendo-a soltar o ursinho e tirando sua camisola, deixando-a apenas com a calcinha de babadinhos cor-de-rosa. O tronco dela ainda não se diferenciava em nada do de um menino, sem cintura, sem seios e com aquela barriguinha que normalmente crianças tem, impedindo-a de ser magrinha.

Fiz com que ficasse de costas para mim, mostrando que a marca continuava por suas costas, acompanhada de várias outras, algumas delas tinham cortado a pele das costas, deixado um pouquinho de sangue seco. Eu não sabia com o que eles faziam isso, mas aparentemente sempre que os pais ficavam bêbados, se divertiam maltratando a filha.

Eu já tinha pensado em mil maneiras de denunciá-los, mas eles eram uma das famílias mais influentes da cidade, qualquer coisa que eu fizesse, no final, não resultaria em nada. Eles se safariam e provavelmente a levariam pra longe, onde eu não pudesse mais cuidar dela.. Sabiam muito bem manter as aparências, em publico se mostravam a família perfeita.

Fui até o armário de brinquedos dela, onde eu deixava escondido uma caixa de primeiros-socorros. Eu nunca podia fazer nada aparente, como enfaixar, colocar curativos, mas sempre limpava os machucados ou tentava fazer a dor diminuir com gelo e essas coisas.

Coloquei-a sentada numa cadeirinha sem encosto, limpando o sangue e passando anti-infeccionante em todos os lugares onde a pele tinha se rompido. Quando terminei, dei um beijinho pra “sarar” como ela sempre dizia.

Passei uma pomada para as marcas e coloquei novamente sua camisola no lugar.

- Yuu... – Ela me chamou e eu sorri, incentivando a continuar. – Me leva embora... Me leva embora com você.

De novo eu me senti impotente, me senti um nada, que não podia fazer nada por ela.

- Minha princesa, se eu pudesse, eu já teria levado, mas não tem como meu amor. Espera mais alguns anos e eu juro que levo. Só não tenho como fazer isso agora. – Eu estava cursando a faculdade agora, tinha acabado de começar, não tinha trabalho, não tinha como sustentar nós dois. Na verdade não tinha nem como eu me sustentar sozinho.

- Promete? – Ela me perguntou, daquele jeitinho tímido dela.

- Prometo meu anjo, prometo. – Peguei-a nos braços, indo me sentar na cama dela e deitando-a no meu colo. Agora iria ficar ali, ninando-a, até ela dormir e eu poder voltar pra casa. Esperando a próxima vez em que fosse acordar com o choro dela.

Hizaki era mesmo um anjo. Meu anjo.

Notas finais
Bem, vou postar os três chappies seguidos e no final faço minhas considerações.