Notas iniciais
Não é preciso ler o prólogo para começar a acompanhar a história, porém é recomendável. As informações do prólogo servem para introduzir o leitor na história.

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Apesar de muita gente nem desconfiar disso, minha vida nunca foi uma bolha cor-de-rosas. Quando me veem loira de olhos azuis e digo que sou modelo, logo imaginam uma pessoa fútil, mimada. Um esterótipo babaca criado por gente mais babaca ainda. Eu batalhei pra chegar ao topo, mas caí. É, a gravidade está aí não só pra manter as coisas no lugar, mas também para derrubá-las quando preciso.

Minha história começa em Folen, uma cidadezinha no interior do estado de Sosária. Foi onde nasci e vive minha infância. Fui muito feliz lá, até que, pouco tempo depois do meu aniversário de 13 anos, meu pai morreu em um acidente de carro. Minha mãe, muito abalada, resolveu que era hora de nos mudarmos. Vendemos nossa casa e fomos morar em Britain com minha tia Ariana, uma mulher fogosa que jamais vai aceitar que os anos 70 acabaram.

A vida pós mudança era complicada, mas aos poucos tive que me adaptar e aceitar aquela nova fase da vida. A verdade é que eu não imaginava que essa mudança implicaria diretamente no meu futuro. Quase um ano após termos nos mudado, minha tia chegou em casa com uma ideia maluca de que eu tinha que fazer um teste para desfilar para uma marca de sapatos infanto-juvenil. Naquela época ela namorava um cara que era dono de uma agência de modelos infantis, o Nolo. Ela queria mesmo era quebrar um galho para Nolo.

No dia seguinte, minha tia me levou até o local do teste e me apresentou para o Nolo. Era um quarentão bonito e simpático. Ele me cumprimentou e elogiou meus olhos, em seguida chamou uma moça que me guiou até a sala para o teste. Alguns dias depois ligaram avisando que eu havia passado, informaram o local e as datas dos ensaios e do desfile. Eu fiquei super feliz e empolgada, aquilo nunca foi um sonho ou uma vontade, mesmo que passageira, mas mexia comigo de alguma forma.

No dia do desfile todas as modelos estavam nervosas, e algumas delas já tinham feito aquilo milhares de vezes, mas eu, que nunca estive em situação parecida, estava tranquila e efervescente ao mesmo tempo. Foi a partir daí que comecei a traçar planos na minha vida. Eu vi uma oportunidade para realizar meu grande sonho. Modelos não trabalham pra vida toda, pensei comigo mesma. Meu plano era modelar até o limite, ganhar reconhecimento da mídia e depois começar a escrever profissionalmente. Isso sim era o meu sonho. Mas quase nunca os planos seguem uma linha reta.

Depois desse desfile participei de mais dois e fotografei para uma campanha publicitária de uma rede de lojas de departamento. Foi quando Nolo chamou minha mãe e minha tia para conversar. Ele disse que via muito futuro em mim, que eu realmente tinha jeito pra coisa e queria me agenciar. Minha mãe, que desde sempre conhecia os típicos homens de tia Ariana, se esquivou da proposta.

Fiquei muito triste pela intervenção da minha mãe, mas felizmente ela já tinha outra coisa em mente. Então, alguns dias depois ela me buscou no colégio e fomos até uma agência de verdade. Lá preenchi uma ficha com meus dados e muitos outros detalhes sobre mim e minha jovem vida, tiraram algumas fotos do meu rosto e outras de corpo inteiro. Saí de lá animada, mas não muito crente de que aquilo poderia dar certo.

Em pouco tempo fui chamada para gravar um comercial, depois para uma editorial de moda de uma revista adolescente, e então para um catálogo de pijamas para adolescentes, para uma série de desfiles de uma grife nacional, e os contratos não paravam de chegar. Eu estava radiante, empolgada com meu sucesso profissional. Com o tempo, minha agenda estava lotada, o que consequentemente acabou refletindo nas minhas notas do colégio.

Obviamente minha mãe não gostou da história e, com o fim do ano chegando, tive que recusar uma sequência de trabalhos. Foi triste ter um futuro nas mãos, mas escorrendo entre os dedos. Enfim, me conformei, mas minha agência não. Rompemos contrato e eu me afundei nos estudos. Eu estava triste, porque pela primeira vez na vida eu via um futuro pra mim mesma e de repente todo o meu horizonte sumiu. Eu aguentei firme e jurei que assim que eu terminasse o colégio, iria em busca de uma agência pra chamar de minha. E foi o que eu fiz.

Com dezoito anos eu já tinha ido a mais de 5 países a trabalho. Posei para catálogo de grifes internacionais e fechei um contrato grande para uma campanha de lingerie. Morei dois meses em Wash Ville, um em Newboom e três em Felucca, conhecida como a capital mundial da moda. Foram os melhores anos da minha vida. Eu sentia que tinha finalmente me encontrado. Não pensava mais em escrever profissionalmente, só o que eu queria era continuar viajando e conhecendo pessoas, modelando. Eu escrevia sim, mas por prazer e necessidade, e não ganhar dinheiro com isso era tão poético quanto.

Mas eu lembro até hoje, foi uma quinta-feira. Eu estava morando em Felucca, com mais três modelos, em um grande contrato para uma temporada inteira de desfiles. Era primavera e eu tinha acabado de acordar, ainda nem havia levantado da cama. Meu telefone tocou, era minha irmã. Ela ligou apavorada, dizendo que eu tinha que dar um jeito de voltar ainda hoje para Britain porque que nossa mãe tinha sido internada as pressas para fazer uma cirurgia no coração.

Era a minha mãe. Eu tinha mais dois meses de despesas pagas pela agência em Felucca, e uma rescisão de contrato acabaria com quase tudo o que eu havia poupado em três anos de trabalhos. Não vou mentir, isso passou pela minha cabeça, passou rápido, mas passou. Desliguei e saí recolhendo minhas roupas pelo flat. Fiz as malas e corri para o aeroporto. Cheguei em Britain quase 12 horas depois, cansada, ansiosa para ver minha mãe, mas preocupada com o futuro da minha carreira.

Quando cheguei ao hospital encontrei alguns parentes que não via há séculos, meia duzia de gente mal interessada e que nem sei bem o porque estavam ali. Estavam todos no quarto, em volta da maca onde minha mãe repousava e minha irmã tentava insistentemente fazer com que minha mãe tomasse uma sopa de cor estranha. Cumprimentei as pessoas no quarto e me aproximei da maca. Conversei com minha mãe, que me explicou como tudo aconteceu. Eu estava aliviada por tudo ter dado certo e por poder estar lá para vê-la e abraçá-la.

Desci com minha irmã para comermos alguma coisa na lanchonete do hospital, quando meu telefone tocou, o que me fez perceber que eu não havia ligado para minha agente avisando que estava viajando as pressas. De qualquer forma, minha mãe ainda corria riscos e eu não me sentiria bem voltando para Felucca assim tão rápido. Atendi e expliquei minha situação, o que obviamente foi inútil. Era minha mãe, mas poderia ter sido o Papa, aquilo pouco importava.

O que eu tinha era uma mãe e uma irmã pronta pra me acolherem e uma rescisão de contrato pra pagar. Não era muito, mas era meu. Pouco tempo depois, eu já estava instalada na nova casa da minha mãe. Uma das meninas que morava em Felucca comigo enviou o restante das minhas coisas, eu paguei a multa de rescisão de contrato, minha mãe se recuperou bem da cirurgia e eu resolvi correr atrás do meu prejuízo.

Minha mãe tentava me consolar, dizendo o quão famosa eu havia ficado e que eu conseguiria uma nova agência em um piscar de olhos. Já eu, não tinha tanta confiança assim, pensava se aquilo não teria sido um sinal para que eu pudesse me dedicar a escrita. Seja lá o que tenha sido, um mês depois tentei retomar com a minha agência, que obviamente me mandou pastar. Tentei outras agências de Britain, mas o mar não estava pra peixe.

Entrei em contato com Nolo, aquele antigo namorado da tia Ariana. Minha mãe me criticou por isso, mas eu precisava voltar a modelar, era tudo o que eu sabia e queria fazer naquele momento. Nolo acabou me arranjando alguns trabalhos por conta de seus contatos, mas nada muito grandioso. Foi quando pensei que eu podia estar ficando velha. Com vinte e um anos não. Eu não era velha para a profissão, eu não tive foi sorte. Não ali. Foi então que pensei na possibilidade de me mudar.

Nolo me indicou Sunset Valley, dizendo que havia pouco tempo que um amigo tinha aberto uma agência na cidade e que ele poderia me indicar. E eu tinha outra opção? Não muito tempo depois, lá estava eu de malas prontas, prestes a entrar em um avião para Sunset Valley e encarar outra nova fase da minha vida. Ao contrário do que parecia óbvio, eu não tinha medo. Eu tinha coragem. Uma coragem tão grande que acabou assim que cheguei ao aeroporto de Sunset Valley, três horas depois, quando me dei conta de que eu estava novamente sozinha.

Apesar de muita gente nem desconfiar disso, minha vida nunca foi uma bolha cor-de-rosas. Quando me veem loira de olhos azuis e digo que sou modelo, logo imaginam uma pessoa fútil, mimada. Um esterótipo babaca criado por gente mais babaca ainda. Eu batalhei pra chegar ao topo, mas caí. É, a gravidade está aí não só pra manter as coisas no lugar, mas também para derrubá-las quando preciso.

Minha história começa em Folen, uma cidadezinha no interior do estado de Sosária. Foi onde nasci e vive minha infância. Fui muito feliz lá, até que, pouco tempo depois do meu aniversário de 13 anos, meu pai morreu em um acidente de carro. Minha mãe, muito abalada, resolveu que era hora de nos mudarmos. Vendemos nossa casa e fomos morar em Britain com minha tia Ariana, uma mulher fogosa que jamais vai aceitar que os anos 70 acabaram.

A vida pós mudança era complicada, mas aos poucos tive que me adaptar e aceitar aquela nova fase da vida. A verdade é que eu não imaginava que essa mudança implicaria diretamente no meu futuro. Quase um ano após termos nos mudado, minha tia chegou em casa com uma ideia maluca de que eu tinha que fazer um teste para desfilar para uma marca de sapatos infanto-juvenil. Naquela época ela namorava um cara que era dono de uma agência de modelos infantis, o Nolo. Ela queria mesmo era quebrar um galho para Nolo.

No dia seguinte, minha tia me levou até o local do teste e me apresentou para o Nolo. Era um quarentão bonito e simpático. Ele me cumprimentou e elogiou meus olhos, em seguida chamou uma moça que me guiou até a sala para o teste. Alguns dias depois ligaram avisando que eu havia passado, informaram o local e as datas dos ensaios e do desfile. Eu fiquei super feliz e empolgada, aquilo nunca foi um sonho ou uma vontade, mesmo que passageira, mas mexia comigo de alguma forma.

No dia do desfile todas as modelos estavam nervosas, e algumas delas já tinham feito aquilo milhares de vezes, mas eu, que nunca estive em situação parecida, estava tranquila e efervescente ao mesmo tempo. Foi a partir daí que comecei a traçar planos na minha vida. Eu vi uma oportunidade para realizar meu grande sonho. Modelos não trabalham pra vida toda, pensei comigo mesma. Meu plano era modelar até o limite, ganhar reconhecimento da mídia e depois começar a escrever profissionalmente. Isso sim era o meu sonho. Mas quase nunca os planos seguem uma linha reta.

Depois desse desfile participei de mais dois e fotografei para uma campanha publicitária de uma rede de lojas de departamento. Foi quando Nolo chamou minha mãe e minha tia para conversar. Ele disse que via muito futuro em mim, que eu realmente tinha jeito pra coisa e queria me agenciar. Minha mãe, que desde sempre conhecia os típicos homens de tia Ariana, se esquivou da proposta.

Fiquei muito triste pela intervenção da minha mãe, mas felizmente ela já tinha outra coisa em mente. Então, alguns dias depois ela me buscou no colégio e fomos até uma agência de verdade. Lá preenchi uma ficha com meus dados e muitos outros detalhes sobre mim e minha jovem vida, tiraram algumas fotos do meu rosto e outras de corpo inteiro. Saí de lá animada, mas não muito crente de que aquilo poderia dar certo.

Em pouco tempo fui chamada para gravar um comercial, depois para uma editorial de moda de uma revista adolescente, e então para um catálogo de pijamas para adolescentes, para uma série de desfiles de uma grife nacional, e os contratos não paravam de chegar. Eu estava radiante, empolgada com meu sucesso profissional. Com o tempo, minha agenda estava lotada, o que consequentemente acabou refletindo nas minhas notas do colégio.

Obviamente minha mãe não gostou da história e, com o fim do ano chegando, tive que recusar uma sequência de trabalhos. Foi triste ter um futuro nas mãos, mas escorrendo entre os dedos. Enfim, me conformei, mas minha agência não. Rompemos contrato e eu me afundei nos estudos. Eu estava triste, porque pela primeira vez na vida eu via um futuro pra mim mesma e de repente todo o meu horizonte sumiu. Eu aguentei firme e jurei que assim que eu terminasse o colégio, iria em busca de uma agência pra chamar de minha. E foi o que eu fiz.

Com dezoito anos eu já tinha ido a mais de 5 países a trabalho. Posei para catálogo de grifes internacionais e fechei um contrato grande para uma campanha de lingerie. Morei dois meses em Wash Ville, um em Newboom e três em Felucca, conhecida como a capital mundial da moda. Foram os melhores anos da minha vida. Eu sentia que tinha finalmente me encontrado. Não pensava mais em escrever profissionalmente, só o que eu queria era continuar viajando e conhecendo pessoas, modelando. Eu escrevia sim, mas por prazer e necessidade, e não ganhar dinheiro com isso era tão poético quanto.

Mas eu lembro até hoje, foi uma quinta-feira. Eu estava morando em Felucca, com mais três modelos, em um grande contrato para uma temporada inteira de desfiles. Era primavera e eu tinha acabado de acordar, ainda nem havia levantado da cama. Meu telefone tocou, era minha irmã. Ela ligou apavorada, dizendo que eu tinha que dar um jeito de voltar ainda hoje para Britain porque que nossa mãe tinha sido internada as pressas para fazer uma cirurgia no coração.

Era a minha mãe. Eu tinha mais dois meses de despesas pagas pela agência em Felucca, e uma rescisão de contrato acabaria com quase tudo o que eu havia poupado em três anos de trabalhos. Não vou mentir, isso passou pela minha cabeça, passou rápido, mas passou. Desliguei e saí recolhendo minhas roupas pelo flat. Fiz as malas e corri para o aeroporto. Cheguei em Britain quase 12 horas depois, cansada, ansiosa para ver minha mãe, mas preocupada com o futuro da minha carreira.

Quando cheguei ao hospital encontrei alguns parentes que não via há séculos, meia duzia de gente mal interessada e que nem sei bem o porque estavam ali. Estavam todos no quarto, em volta da maca onde minha mãe repousava e minha irmã tentava insistentemente fazer com que minha mãe tomasse uma sopa de cor estranha. Cumprimentei as pessoas no quarto e me aproximei da maca. Conversei com minha mãe, que me explicou como tudo aconteceu. Eu estava aliviada por tudo ter dado certo e por poder estar lá para vê-la e abraçá-la.

Desci com minha irmã para comermos alguma coisa na lanchonete do hospital, quando meu telefone tocou, o que me fez perceber que eu não havia ligado para minha agente avisando que estava viajando as pressas. De qualquer forma, minha mãe ainda corria riscos e eu não me sentiria bem voltando para Felucca assim tão rápido. Atendi e expliquei minha situação, o que obviamente foi inútil. Era minha mãe, mas poderia ter sido o Papa, aquilo pouco importava.

O que eu tinha era uma mãe e uma irmã pronta pra me acolherem e uma rescisão de contrato pra pagar. Não era muito, mas era meu. Pouco tempo depois, eu já estava instalada na nova casa da minha mãe. Uma das meninas que morava em Felucca comigo enviou o restante das minhas coisas, eu paguei a multa de rescisão de contrato, minha mãe se recuperou bem da cirurgia e eu resolvi correr atrás do meu prejuízo.


Minha mãe tentava me consolar, dizendo o quão famosa eu havia ficado e que eu conseguiria uma nova agência em um piscar de olhos. Já eu, não tinha tanta confiança assim, pensava se aquilo não teria sido um sinal para que eu pudesse me dedicar a escrita. Seja lá o que tenha sido, um mês depois tentei retomar com a minha agência, que obviamente me mandou pastar. Tentei outras agências de Britain, mas o mar não estava pra peixe.

Entrei em contato com Nolo, aquele antigo namorado da tia Ariana. Minha mãe me criticou por isso, mas eu precisava voltar a modelar, era tudo o que eu sabia e queria fazer naquele momento. Nolo acabou me arranjando alguns trabalhos por conta de seus contatos, mas nada muito grandioso. Foi quando pensei que eu podia estar ficando velha. Com vinte e um anos não. Eu não era velha para a profissão, eu não tive foi sorte. Não ali. Foi então que pensei na possibilidade de me mudar.

Nolo me indicou Sunset Valley, dizendo que havia pouco tempo que um amigo tinha aberto uma agência na cidade e que ele poderia me indicar. E eu tinha outra opção? Não muito tempo depois, lá estava eu de malas prontas, prestes a entrar em um avião para Sunset Valley e encarar outra nova fase da minha vida. Ao contrário do que parecia óbvio, eu não tinha medo. Eu tinha coragem. Uma coragem tão grande que acabou assim que cheguei ao aeroporto de Sunset Valley, três horas depois, quando me dei conta de que eu estava novamente sozinha.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.