Verrückt

1 I. Pilot: Um perigo em todos os sentidos


Notas iniciais
Esse é apenas o capitulo piloto, para ver qual o a aceitação de vocês. Espero que curtam! Beijokas :*

Aquela, definitivamente, tinha sido uma péssima ideia. Talvez, uma das piores que já tivera em toda sua vida. Carrie andava sem destino, mal conseguia enxergar o caminho que seguia — seus olhos embaçados pelas lágrimas a impediam -, seus pés estavam pedindo socorro dentro daqueles mortíferos Louboutin que ganhara a pouco mais de um mês de sua mãe. Provavelmente, aquele seria o último presente que receberia de seus pais.

Escorou-se em um muro completamente pixado, ou será que aquilo poderia ser considerado graffite? Nunca entendera muito bem a diferença, seus pais nunca permitiram que seu mundo fosse próximo do que não estivesse no contorno da estupidamente polida high socity britânica. Respirou fundo e passou as mãos sobre seus olhos. Sua maquiagem já deveria estar completamente borrada, não se assustaria caso criancinhas gritassem ao olhá-la.

Riu sem humor ao imaginar a cara que a tão importante Lucilla Hähle faria ao ver sua filha naquele estado, era certo que a deserdaria. Na verdade, não duvidava muito que nesse instante seus pais já não o tivessem feito. Lucilla e Germano Hähle não faziam parte do grupo de pessoas que aceitavam pacificamente uma opinião contrária à sua. Ainda mais de sua própria filha, aquilo lhes parecia uma traição de último grau.

- Arschloch. - insultou-se. Naquele momento não conseguia pensar em melhor palavra para se descrever. A única vez que tivera, de fato, coragem para enfrentar seus pais e fazer aquilo que realmente queria havia se metido em uma enrascada. Primeiro, perdera todo e qualquer apoio que tinha de seus pais para viver seu grande — não mais tão grande — amor; e segundo, descobrira que seu antigo grande amor era, na verdade, um grande vagabundo que não perdia a oportunidade de traí-la. E como todo grande vagabundo, não esperava que a pequena e doce Carrie, filha perfeita de pais muito rígidos , fosse capaz de enfrentá-los apenas para ficar com ele. E por ser ainda mais que um grande vagabundo, ainda tivera a coragem de listar quantas vezes ele a havia traído e quão inocente a garota havia sido por acreditar em algo que, palpavelmente, não tinha chance alguma de prosperar.



- Perdida? — a garota assustou-se, não esperava encontrar alguém mais por ali, a rua lhe parecia deserta desde os últimos segundos que olhara. Endireitou sua pose e encarou o estranho com superioridade, ou melhor, encarou apenas sua sombra. A iluminação local não era uma das melhores, fazendo com que uma penumbra se alastrasse pela rua, impedindo que até mesmo uma visão perfeita ficasse confusa.

- Não. — disse seca, fazendo com que o estranho risse.

- Tem certeza? — não sabia ao certo, mas a garota podia jurar que via as sobrancelhas do garoto arqueadas. — Garotas como você não costumam andar por aqui.

- Garotas como eu? — Carrie irritou-se. Sempre odiara esteriótipos, ainda mais quando sabia que, lamentavelmente, ela se encaixava em um.

- Eu sei que você sabe, então não me faça repetir o que já está cansada de ouvir. — o garoto disse com desdém, fazendo com que a ruiva ficasse mais incomodada do que já estava. Sabia que muitas palavras não adiantariam com aquele estranho, provavelmente, caso ela começasse a usar seus dons diplomáticos para chegarem em um fim comum, o garoto não entenderia sequer um terço das palavras que fosse proferir. Dessa forma, simplesmente calou-se.



De onde o garoto se encontrava tinha perfeita visão daquela garota que ele tinha certeza de que se encontrava perdida. Seus cabelos eram longos e ondulados de um tom vermelho que ele se perguntava se podia ser real, pareciam cascatas de berilo. Cabelos podiam ser feitos de berilo? - ele pensou e repreendeu-se no mesmo instante por tamanha estupidez vinda de sua parte.

A garota estava calada, dando-lhe a perfeita percepção de seus lábios, eles pareciam ter a forma de um pequeno coração rosado. Ele riu, fazendo-a arquear as sobrancelhas. Provavelmente, se seu irmão conseguisse ler seus pensamentos já estaria vindo com um milhão de piadas estupidas que questionavam sua sexualidade.

- Então, ruiva. — o garoto começou a falar enquanto se aproximava de Carrie. Perker não se considerava o bom samaritano, mas sabia que não seria seguro deixá-la sozinha ali. Já era tarde, e aquela vizinhança não era uma das mais amigáveis.

- Não me chame assim. — a postura da garota continuava rígida por fora, mas Carrie não sabia até quando conseguiria permanecer daquele modo: primeiro porque não se assustaria caso, ao retirar seus pés dos sapatos, eles estivessem em princípio de necrose, e, segundo, não tinha a mínima ideia de onde ficaria a partir de agora e aquela rua parecia ficar ainda mais assustadora a cada minuto que passava. E, mesmo que pudesse, não ligaria para seus pais em busca de arrego. Seu orgulho era muito maior, e se lembrava muito bem das últimas palavras de seu pai “... Se passar por essa porta, nunca mais volte.”

- Como quer que eu a chame então, ruiva? — Perker riu ao notar uma veia pulsante na testa da garota. Se tinha uma coisa que aprendera a fazer com maestria era irritar os outros, e orgulhava-se muito de seu poder.

- Preferiria que você não precisasse me chamar de modo nenhum, mas entre ruiva e Hähle, eu prefiro Hähle.

- Eu sou o Perker. Esse é mesmo o seu nome? — o garoto perguntou com a sobrancelha arqueada. Aquele lhe parecia um nome exótico demais, quase como um castigo por tudo que a garota pudesse aprontar pelo resto de sua vida, por mais que acreditasse que o máximo que aquela garota pudesse aprontar seria tirar um A- em um teste.

- Algum problema? Pelo que eu saiba, Perker não é lá um dos melhores nomes de se manter orgulho.

- Touché! — o garoto respondeu rindo pela petulância da garota. Parecía-lhe um tanto quando divertido observar como ela ficava nervosa ao ser questionada e não hesitava em proferir respostas asperas para defender-se. — Mas agora é sério, ruiva. — a garota perfurou-o com o olhar. — Desculpe… Hähle — ele riu ao ver a expressão da garota suavizar-se. — Você não é daqui e isso é obvio. Aparentemente, você também não sabe como sair daqui. Então, olha só como hoje é o seu dia de sorte! Eu posso te levar pra casa, não é ótimo?

Carrie olhou o estranho que, ao se aproximar um pouco mais, tornou seu rosto visível devido a incidência, ainda que fraca, de luz proveniente do poste. Não havia como negar, o estranho era dotado de uma beleza um tanto quanto admirável: olhos esverdiados, cabelos negros curtos, pele bronzeada e a barba por fazer. Aparentemente, ele era um perigo em todos os sentidos.

- Eu não preciso da sua ajuda, posso me virar muito bem sozinha. — respondeu ainda não querendo perder a pose.

- Chega a ser fofo você tentando enganar a si mesma, sabia? — o garoto disse de forma irônica, fazendo com que as bochechas de Carrie adquirissem uma tonalidade tão avermelhada quanto seus cabelos devido a raiva.

- Eu não estou tentando enganar a ninguém. — ela sabia que estava, mas seu orgulho não lhe permitia afirmar sua incapacidade de sair daquela situação.

- Garota, estou falando sério, aqui não é seguro para você. E sinceramente, a minha gentileza tem prazo de validade e está a ponto de expirar. — ele disse já se preparando para dar-lhe as costas, mas tudo aquilo era um teatro. Por mais mau caráter que Perker pudesse chegar a ser, não deixaria aquela garota sozinha naquela rua deserta, ainda havia um pingo de compaixão dentro dele.

- Tudo bem! — Carrie resmungou frustrada. — Eu só… Não tenho mais para onde ir. — ela deixou que seus braços desabassem de cada lado do seu corpo perdendo toda a postura prepotente de antes. Perker arqueoou as sobrancelhas.

- E como isso foi acontecer? — a garota abraçou a si mesma embaraçada.

- Você não entenderia. — ele a encarou cético. — Não estou duvidando da sua capacidade, se é isso que pensou. Eu só… — suspirou — Argh. Fiz algo que meus pais não aceitariam de modo algum e inclusive já até decretaram que seria motivo de deserdo. Não me surpreenderia que a filha perfeita perdesse seu posto para a prima perfeita mais perfeita que a filha perfeita. — Perker quis rir, mas não o fez ao notar o rancor no olhar da garota.

- Olha só… — ele coçou o pescoço. Estava visivelmente desconfortável com a situação, não sabia o que dizer sobre aquilo.

- Não precisa dizer que entende a minha situação. Eu sei que não. — ela disse revirando os olhos. Perker sorriu.

- Eu não ia dizer isso. — foi a vez da garota arquear as sobrancelhas. — Eu ia te oferecer um abrigo temporário. É verdade quando digo que não é seguro você rondar sozinha por aqui, a sua sorte foi que quem apareceu por aqui antes fui eu.

- E desde quando toda essa situação pode ser considerada algum tipo de sorte?

- Tudo é uma questão de ponto de vista. — a garota sorriu discretamente. — E então, vai aceitar?

- Tenho escolha? — Perker riu. É, ela não teria outra alternativa.

Notas finais
Glossrio:
Arschloch: idiota
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.