Veronic
20 V 19
Notas iniciais
E pior dia da vida de Veronic chegara, suas gêmeas, suas filhas, o seu bem mais precioso, foram arrancadas por estranhos, mortas por uma vingança interminável. Agora ela fora sequestrada por aqueles que a tiraram tudo.
Finalmente Kristen conseguira o que queria, sua vingança estava quase completa, só bastava uma pessoa morrer para que ela terminasse sua vingança pessoal.
Veronic continuava desacordada quando T'êich colocara sentada, numa cadeira, no mesmo quarto em que Thierry e Khalil morreram. Mas Kristen não a deixaria continuar assim por muito tempo.
— Acorde-a, Hugo. — disse Kristen, encarando Veronic.
T'êich obedecera sem questiona-la. Ele sabia que Kristen estava obcecada pela morte de Veronic, porém, tinha um único problema, T'êich não queria a morte de Veronic, queria ela como mulher, assim como queria tudo que era de Conrad.
— Pronto, a bela adormecida acordou. — disse T'êich, tirando a garrafa de álcool de perto do nariz de Veronic.
Desorientada, Veronic não se lembrava de muita coisa, então Kristen resolveu lembra-la.
— Boa noite, senhora Deveraux. Dispensarei apresentações, sei que você me conhece. — disse ela.
— Onde eu estou?... Adelé... Sophie... — disse Veronic, confusa, com tudo o acontecera.
— Esta na minha casa, querida. — responde T'êich.
— E sobre as suas lindas filhas, infelizmente duas de minhas balas, acidentalmente, atravessou seus lindos corpos. — responde Kristen.
— O que?... Não, não, não, não... como pode machucar duas crianças inocentes? — pergunta Veronic, chorando e se debatendo na cadeira.
— Eu não queria feri-las... tinha outros planos para elas... — murmura Kristen.
— Você vai me matar, certo?... Faz logo, não tenho mais proposito de vida, vocês me tiraram tudo. Sem ao menos me perguntar se eu sabia do envolvimento do Conrad com o cartel. — suplica Veronic.
T'êich olha surpreso para Kristen, e ela percebe. Kristen mentira durante os relatos contra Conrad, ela contara a todos do cartel que Conrad conspirava junto com a esposa, e Veronic era tão culpada quanto Conrad.
— Como assim você não sabia disso? — pergunta T'êich.
Respirando fundo, e engolindo o choro, Veronic responde.
— Hugo, não é? — ele confirma. — Eu não sabia, ate vocês começarem a nos caçar. Samuel Monet me contou na casa de Camile... O que me surpreende é você não saber disso? — responde Veronic, olhando para T'êich.
Na mesma hora em que Veronic falara, T'êich pega Kristen pelo punho.
— Você mentiu para o cartel. — sussurrou T'êich.
— Me largue... Você teria feito o mesmo se sentisse o amor que eu sentia... de qualquer forma, você também teve sua vingança pessoal realizada, não cuspa no prato que se lambuzou. — disse Kristen, em quanto empurrava T'êich.
Assistindo aquela cena, Veronic percebera que Kristen tinha armado tudo sozinha, mentindo para o seu parceiro de vingança. E então ela resolve confrontar Kristen.
— Amor? Ou ciumes de nunca ter sido assumida?... Me responda uma coisa, só uma. Você realmente achou que me matando, tirando as minhas filhas, todos ao meu redor, você se sentiria vingada por não ter tido uma realidade com Conrad, de não ter sido a verdadeira senhora Deveraux? — pergunta Veronic.
Kristen avança na direção de Veronic, mas é impedida por T'êich que toma a frente.
—Já chega! Eu vou te matar agora. — disse Kristen pegando a pistola que estava em cima da mesa.
— Não... Vamos... precisamos ter uma conversa com umas pessoas. — disse T'êich.
— Não vai me responder, senhora Deveraux? — Veronic pergunta mais uma vez.
Sem resposta para as suas perguntas, e agora sozinha no quarto, Veronic fechara os olhos para poder ficar repassando a noite anterior, tentando entender como eles os acharam e o que de fato acontecera na casa de Grace.
Com muito esforço, ela consegue. Veronic se lembrara de cada detalhe daquela noite, como se uma cena estivesse passando em sua cabeça. E a cena começara com Kristen iniciando tiroteio, depois do grito de Céleste, e que Bastianne, Rachel e Maya foram atingidas tentando proteger Adelé e Sophie. Mas tinha uma coisa que ela não se lembrava, como fora capturada.
Entrando no quarto novamente, T'êich leva um copo com água para Veronic, que despensa.
— Não precisa se fingir de bonzinho agora que conseguiu o que queria. — disse Veronic, virando o rosto, em quanto T'êich forçava o copo de água.
— Eu não estou. Você precisa ficar hidratada, ate que os outros lideres do cartel cheguem. — disse T'êich.
— Ah! Então eles não estão satisfeito com uma simples foto minha morta? Tem que conferir o show pessoalmente? — pegunta Veronic.
— Basicamente sim, mas eu contei a eles que você não fazia parte do plano... Teremos apenas uma morte, e eu tenho certeza que não será a sua. — responde T'êich.
— Então Kristen morrerá?... O karma chega para todos. — pergunta Veronic.
T'êich riu, balançando a cabeça de uma lado para o outro.
— Não sabia que tinha senso de humor, Veronic. — responde ele.
— Você não sabe nada sobre mim, T'êich!... Alias por que esse nome T'êich? — pergunta Veronic.
— Porque é a forma escrita das minha iniciais... Hugo Hale, T'êich é Two êich ou dois aga. — responde T'êich.
— Palhaçada. Não podia ficar só com o Hugo Hale. — disse Veronic revirando os olhos.
T'êich riu.
— O papo está bom mais tenho que voltar para a superfície, saiba que eu providenciei um enterro digno para a sua família e suas filhas. — disse T'êich abrindo a porta, pronto para sair.
— Você quer que eu agradeça? Você os matou, não fez mais do que a sua obrigação... O que você fez com o corpo de Conrad? — dispara Veronic.
— Um simples obrigado era digno de uma mocinha... Sobre seu falecido marido, esta no fundo do mar..., mas fiz o favor de criar uma cova para ele no jazido da família Deveraux, suas filhas estão lá. — responde ele saindo do quarto.
***
Veronic não fazia ideia de onde estava, nem tinha noção de tempo. Porém, sabia que não estava sozinha no corredor, ela ouvira vários gritos, tinha quase certeza que eram de Kristen. Ela resolve fazer o mesmo, gritar por ajuda.
Sua resposta veio de imediato. Um homem entra no quarto.
— Não faça esforços querida, ninguém vai te ajudar você aqui. — disse o homem.
— Por favor, chame o Hugo, só te peço isso. — suplica Veronic.
Passado um bom tempo, T'êich entra.
— Um passarinho me contou que a senhora clama por mim, inúmeras vezes. — disse T'êich.
— É... chamei sim, mas foi para perguntar quantos dias eu estou aqui, e o por que esses lideres do cartel ainda não chegaram? — pergunta Veronic.
Antes de responder a pergunta de Veronic, T'êich pega uma cadeira que estava no lado de fora do quarto e senta.
— Você esta aqui á três dias. E em relação ao cartel, não se preocupe, eles já estão aqui faz tempo. Só que primeiro tiveram pontas soltas para cortarem. — responde T'êich.
— Mataram Kristen? — pergunta Veronic, novamente.
— Ainda não. — respondeu T'êich, olhando de uma lado ao outro, procurando algo, ate que ele acha.
Pegando uma faca, T'êich avisa a Veronic que irá solta-la, mas se ela tentar fugir, morrerá. Concordando que não fugiria, Veronic é solta.
— Para onde vamos? — pergunta Veronic.
— Você matará a mulher que te tirou tudo. Vamos, eles nos esperam — responde T'êich.
Sem entender, Veronic começa a fazer inúmeras perguntas para T'êich, mas ele ignora todas. Percebendo que T'êich não ria responder as perguntas feitas, Veronic fica atenta ao percusso que eles estão fazendo para chegar a parte superior da casa. Ela observa cada corredor, cada janela, cada porta, os números de seguranças ali chega a assustar-la. Porém, ela sabia que se tentasse fugir, morreria, e a sua vingança seria em vão. Então ela se mantêm firme ate chegarem na sala principal, onde estão os lideres do cartel francês.
— Chegamos. — disse ele, saindo de perto de Veronic, e indo se sentar em uma poltrona que estava na sua lateral esquerda.
Respirando fundo para não fazer nenhuma besteira, Veronic segue para o centro da sala, onde está duas cadeiras.
Não demorando muito, ela percebe que alguém acaba de chegar por trás dela, era Kristen, que foi direcionada para a outra cadeira. Veronic a encara pelo canto do olho, confirma suas suspeitas que Kristen era a outra pessoa que estava no outro quarto gritando, já que pela aparência, ela estava muito ferida.
— Como devo te chamar, Veronic, Deveraux ou LaFontaine? — pergunta o homem que estava na poltrona central, Veronic se lembrava perfeitamente das fotos que Grace mostrara em um de seus treinamentos. E ela sabia que aquele era o Clóvis Bonnaire, o magnata líder do cartel.
— Apenas Veronic. — respondeu firmemente.
— Independente... gostei. Porém, prefiro com o sobrenome, optarei pelo, o seu de nascença. Veronic LaFontaine. — disse Clóvis.
— Sabe o porquê de estarmos aqui, Veronic? — pergunta Janellé Jourdanett.
— Não. — respondeu Veronic.
— Estamos aqui, por que ficamos sabendo que uma de nossas empregadas, estava mentindo para nós, manchando a imagem do cartel, criando o caos na nossa capital... uma estrangeira tirada a parisiense. — disse René Jourdanett, Veronic logo lembrara que Grace, afirmou que as gêmeas Jourdanett eram tão perigosas quanto o Clóvis.
— Sua vez, Kristen. Como estamos entre amigo, podemos te chamar pelo sobrenome verdadeiro, Kristen Eastwood... Como não deve saber, senhora LaFontaine, a empregada em que René cita é a senhora Eastwood. Ela nos afirmou, na verdade, comprovou que a você e seu marido fazia parte de um grupo do qual era comandado por seu falecido marido, que Deus o tenha, e por Samuel Monet, que Deus também o tenha... Fomos ludibriados a acreditar nessas mentiras de uma amante ciumenta, e autorizamos a vossa destruição em tempo recorde. — disse Clóvis.
— Nem todos concordamos com a sua morte, muito menos compactuamos com a dos seus familiares. — disse Jéan Lamy, levantando o copo com whisky.
— Exato. — concordou a mulher que acabara de chegar na sala.
— Berthe, sempre atrasada para nossas reuniões. — disse Clóvis.
Durante todas as palavras ditas pelos chefes do cartel, Veronic prestava bastante atenção a cada detalhe da sala, cada saída, cada segurança armado, quem estava vulnerável, e como sair dali sem ser morta, mas sua falta de atenção foi percebida por Janellé Jourdanett.
— Vamos voltar para o que mais importa aqui, o perdão para a senhora LaFontaine, e a morte de Eastwood. — disse Janellé, encarrando Veronic.
— Perdão? — pergunta Veronic, surpresa ao ouvir essa palavra. — Vocês querem me dar o perdão de algo que eu não sabia? Depois de tirarem tudo o que eu tinha, de matarem a minha família?
— É... depois disso tudo, você vai poder seguir a sua vida sem interrupções do cartel... A menos que você queira entrar em na organização. — respondeu René.
— Ah! Claro, voltar para a minha vida normal. Vocês não têm noção do que me fizeram... VOCÊS MATARAM AS MINHA FILHAS, DUAS CRIANÇAS DE SETE ANOS. — disse Veronic, olhando para Kristen e se exaltando.
— Vocês não, a senhora que esta ao seu lado. É por isso que você esta solta e ela não... — disse Jéan, pegando uma arma que estava na mão de um dos seguranças, e dando para Veronic. — Mate-a, vingue suas filhas, sua família, não vou dizer seu marido, pois, ele é o verdadeiro culpado disso tudo.
Veronic se levanta no exato momento em que Jéan entrega a arma.
— Solte-a. Por favor. — pede Veronic.
T'êich solta Kristen, que nem consegue ficar em pé direito, depois de ter passado o dia todo sendo
torturada.
Mirando em Kristen, Veronic pede para que ela levante e a encare. Kristen obedece sem pestanejar.
— Você o amava? — pergunta Veronic á Kristen.
Com o rosto todo ferido, Kristen solta um sorriso no canto do rosto.
— Com toda certeza, mais do que você imagina. — responde Kristen.
— Sinto muito por você não ter tido o que queria com ele, que precisou destruir a minha vida para se sentir completa. Pena, é o único sentimento que sinto por você, Kristen. — disse Veronic, atirando na cabeça de Kristen sem exitar.
Com o corpo de Kristen ali estirado no chão, Veronic sentira um pouco de alívio de ver uma das pessoas que matara suas filhas e familiares, morta. Depois de atirar em Kristen, Veronic vira na direção de Hugo e atira. Sendo assim dois dos assassinos de sua família mortos.
Todos os segurança em alerta, os lideres do cartel se levantam e apenas Clóvis se pronuncia.
— O acordo era apenas a senhora Eastwood, e não o Hugo junto... Você acaba de assinar a sua sentença de morte, Veronic LaFontaine. — disse Clóvis, saindo da sala, depois de todos os lideres, e deixando apenas um segurança para lidar com Veronic.
Para o azar do segurança, pois, Samuel e Rachel, assinaram-na como lutar e atirar como ninguém.
Ainda com a arma em mãos, Veronic se lembrara do que Rachel falara sobre a quantidade de munição de um revólver, e sabendo que aquele era com o tambor para apenas cinco munições.
Depois que fechara a porta, o segurança, que estava com a arma apontada para Veronic, abaixara.
— Eu não vou te machucar, senhora Deveraux... Não sou um segurança de verdade, sou infiltrado de Samuel, vim te ajudar a sair daqui. — sussurrou o homem.
— O que? Samuel está vivo? — pergunta Veronic incrédula, que nem se dá conta que a arma ainda esta apontada para o homem.
— Guarde as perguntas para depois, agora precisamos fingir uma luta justa, antes que eles mandem mais um segurança. Vamos me bata... saiba que terei que revidar... a senhora precisa desmaiar para parecer morta. — respondeu o homem.
Apos uns minutos se agredindo, Veronic finalmente desmaia com uma coronhada na cabeça, só acordando em outro lugar.
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