Depois de sair do quarto, Veronic foi em direção ao jardim onde estão Grace e Samuel.

— Mon cher, você fica muito bem com as roupas da Maya. — disse Grace.

— Senhoras, tenho que retornar uma ligação dum amigo. Comecem sem mim. — disse Samuel, saindo do jardim e voltando para dentro da casa.

— Já que somos só nós duas, farei o meu trabalho, e o de Samuel também. — disse Grace.

Veronic percebe que a várias pastas em cima da mesa, mas não pergunta o que a nelas. Grace continua falando, em quanto abre as pastas.

— Minha participação no seu treinamento é ensina-la quem é quem no cartel, seus inimigos atuais e futuros, seus amigos e os neutros. — disse ela, arrastando a cadeira para Veronic sentar-se.

Sentadas e cheias de papeis em volta, Veronic fica atenta a tudo que Grace fala.

— Vou começar pela lista de inimigos do seu falecido marido. O mais perigoso é Clóvis Bonnaire, ele é quem comanda o cartel, com a ajuda de Hugo Hale, Robert Clair, René e Janellé Jourdanett. Agora os mais ininfluenciáveis, Jéan Lamy, Simom e Jules Pottier, Berthe Genadre e por fim Louis Aimée, esses são os que não fazem questão da sua morte... A do Conrad já bastou para eles. Conrad era o homem de confiança dos mais perigosos... por isso estão te caçando.

— São tantos nomes que chego a ficar com dor de cabeça. — disse Veronic pegando a xícara cheia de chá e bebendo.

— Eu sei minha querida, mas você precisa saber onde foi metida... — disse Grace. Sendo interrompida por Samuel.

— Temos um problema... Liguei para o Luigi e ele estava na casa onde Hugo e Kristen estão, Khalil e Thierry estão mortos. Bastianne esta vindo para cá, Giancarlo ira traze-la.— disse Samuel.

— Oh, mon Dieu!... Pelo menos a Bastianne esta viva, ela ficará segura aqui. — disse Grace, surpresa.

Veronic permaneceu calada durante a conversa de Samuel e Grace. Ela estava ocupada demais com os seus pensamentos da sua antiga vida.

— Vamos continuar? — pergunta Samuel olhando para Veronic.

— Claro. — respondeu ela.

— Eu já falei sobre os chefes do cartel, sua vez de falar sobre a nossa irmandade. — disse Grace.

— Bom, acho que você já conheceu alguns membros da nossa irmandade. Eu, as Hardy, Bastianne, Khalil, Anton, Camile, Thierry, Giancarlo, Luigi e Conrad, esses são os que você conhece. Já os que estão espalhados, só posso revelar dois... Eles preferem assim... Ema Béarteydoux e Luiza Guimarães, uma parisiense e uma franco-brasileira... A nossa irmandade ajuda pessoas como você, Veronic, pessoas que são injustamente perseguidas pelo cartel. Por isso, que seu marido mandou confiar em nós. — disse Samuel.

— Gosto muito da Luiza, super simpática, nem parece que mata a sangue-frio. — disse Grace.

— Todos nós gostamos... Alias ela seria muito útil no seu treinamento, Veronic. — disse Samuel. — Acho que por hoje é só, muita coisa para uma jovem que nem você digerir.

— Verdade, ainda nem tive tempo para o luto do meu marido e melhor amiga. — disse Veronic se levantando e deixando Samuel e Grace terminando o chá.

Entrando na casa, Veronic fica um bom tempo encarando uma foto que pegara na mesa, na foto estavam todos os magnatas do cartel francês, mas o que mais chama a atenção de Veronic é um homem. Ela tinha a impressão que o conhecia de algum lugar, só não se lembrava de onde.

Maya descendo as escadas, percebe que Veronic não esta bem. Então ela resolve chama-la para uma conversa.

— Veronic? — disse Maya tocando no ombro de Veronic.

— Sim... Adelé e Sophie fizeram algo? — pergunta ela, saindo do transe com os seus pensamentos.

— Não, não, elas estão lá em cima brincando... na verdade, eu queria conversar com você, essa é a minha participação no seu treinamento de sobrevivência. — disse Maya.

Elas riem

— É o que mais preciso no momento, uma boa conversa. — disse Veronic.

— Vamos para o escritório da minha mãe. — disse Maya, apontando para a porta ao lado.

O escritório de Grace Hardy era impecável, um charme moderno e casual, Veronic sentia-se como estivesse no escritório de Conrad, em casa. Mas em segundos volta a sua triste realidade.

— Por onde quer começar? ...Quer dizer, pode falar a vontade... estou aqui para escutar... claro, eu falarei conforme as dúvidas. — disse Maya.

— Ok, irei começar com, o que porra Conrad tinha na cabeça para entrar nessa maluquice de roubar dinheiro do cartel francês? Ele não pensou na família que construiu, e nos Deveraux? Agora só Deus sabe o que a Délphine e Gérard passaram naquela casa com essa tal de Kristen... Ainda bem que só fiquei sabendo disso depois da morte do Conrad, se não eu mesmo faria isso... — responde Veronic.

— Olha... eu não sei o que o Conrad tinha em mente, mas segundo o que eu sei, ele super faturava algumas cobranças feitas dos seus clientes. — disse Maya.

— Agora sim eu sei o real motivo de estar sendo perseguida. — disse Veronic, levantando-se e andando ate a janela.

— Na verdade, o real motivo é a provisória de sangue... — percebendo que Veronic virou-se rapidamente para interrompe-la, Maya se adianta. — Vou explicar tudo, tá!?... A provisória de sangue é algo que te prende no cartel, quer dizer, serve para fazer acordos que só podem acabar com a morte... E o Conrad fez esse acordo, nove vezes.

Quando Maya acabou de falar, Veronic se afunda na poltrona do escritório.

— Não vai dizer mais nada? — pergunta Maya.

— Vou... só estou processando as novas informações... Agora quero falar agora das pessoas que perseguem a mim e as minha filhas... Essa Kristen, eu já sei que era a amante do Conrad, mas e esse T'êich, quem é? — pergunta Veronic.

— T'êich? — Maya riu. — Pelo que eu sei, ele era um amigo invejoso de Conrad, o nome dele, na verdade, é, Hugo Hale. — responde Maya.

— Hugo Hale? — Veronic se concerta na poltrona ao ouvir esse nome. — Eu conheço um Hugo Hale... Na noite em que Conrad me pediu em casamento, eu o conheci no restaurante em que fomos, ele era o dono... E uma vez no trânsito em Paris, eu quase o atropelei. — disse Veronic.

— Deveria ter atropelado mesmo, pelo menos evitaria dele está perseguindo vocês agora. — Maya ri tão alto, que Grace abriu a porta do escritório para ver o que estava acontecendo.

— Meninas, o que está acontecendo aqui? — pergunta Grace em pé na porta, segurando as pastas que estavam na mesa do jardim.

— Estou desabafando com a Maya. — responde Veronic. — Alias, a senhora tem aí alguma foto dum homem chamado Hugo Hale? — perguntou ela.

— Sim... Aqui. Esse é o Hugo, ou T'êich. — Grace entrega a foto de Hugo para Veronic, que de imediato confirma que conheceu ele antes.

— Eu já o conhecia... — disse Veronic.

— Já que você está ciente de tudo, vamos almoçar. — disse Grace, colocando as pastas na mesinha de centro.

— Claro... comida cura tudo. — disse Maya. — Mãe, a Rachel deu notícias? — pergunta ela, em quanto caminham em direção a mesa.

— Sim, ela ligou. Infelizmente a Camile não resistiu ao grave ferimento na cabeça, a Rachel está voltando hoje para casa, daqui a pouco ela chega.

— Nossa, coitada da senhora Rivera... A Rachel deve esta arrasada. — disse Maya.

Com todos na mesa, Veronic conta a Samuel que conhece Hugo Hale a algum tempo.

— Eu sabia que vocês se conheciam... Conrad me contou do seu encontro com Hugo no restaurante dele. — disse Samuel.

Sem mostrar reação de surpresa, Veronic continua comendo. Mas a refeição é interrompida, após a chegada de Rachel Hardy.

Grace trata de apresentar Rachel e Veronic.

— Querida, está é a senhora Deveraux. — disse ela.

— Prazer em conhece-la, senhora Deveraux... Saiba que está segura conosco... eu espero. — disse Rachel, estendendo a mão para Veronic.

— O prazer é todo meu. Mas pode me chamar de Veronic, o Deveraux é do Conrad e nesse momento tudo que mais quero é esquecer-lo. — disse Veronic.

As palavras de Veronic criaram um certo clima na mesa, todos ficaram calados terminando de almoçar. Após comerem, Maya decide levar as gêmeas Deveraux para a área externa da casa. Rachel, Grace e Samuel vão para o escritório conversar sobre a situação do cartel.

Veronic resolve voltar aos velhos hábitos, dançar ballet. Fazia tempo em que ela não praticava, dançar costumava ser a sua maior paixão, algo só dela... sem ninguém para atrapalhar. E naquele momento, se tornaria sua única distração.